Enfim saíram os indicados para o Oscar 2018. Eu, Tonya recebeu três indicações, dentre elas, Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. Tais nomeações refletem o que há de melhor na produção: seu elenco. Apesar de se tratar de uma biografia, o filme quebra o velho paradigma  do gênero: enquanto muitos apenas nos mostram o lado positivo do homenageado, Eu, Tonya nos mostra a verdade. Não há nenhuma preocupação ou pudor em revelar o que havia por trás da atleta.

A produção do diretor Craig Gillespie tem o intuito de retratar a carreira da patinadora norte-americana. Após quase duas horas de filme, porém, descobrimos também sua história, seus dramas pessoais e dificuldades desde seus primeiros passos. O mundo conhecia Tonya Harding, a segunda mulher e a primeira americana a realizar o salto triplo axel em competições. Gillespie, por sua vez, nos mostra a menina maltratada pela mãe, a jovem espancada pelo marido e a mulher obcecada pelo esporte. O diretor assina seu melhor trabalho, oferecendo-nos algo digno de todos os prêmios recebidos até então.

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O Elenco

Se Eu, Tonya pode ser considerada uma das melhores biografias dos últimos tempo, isso se dá graças a seu elenco. Após as últimas premiações do cinema, não restam dúvidas do talento de Allison Janney. Protagonista de toda a primeira parte do longa, a atriz faz jus a sua indicação ao Oscar. Através do melhor que a ironia, o deboche e a franqueza tem a oferecer, Janney cria a versão perfeita de LaVona Harding. Por meio de trejeitos que esbanjam naturalidade, ela prepara o público para o que viria a seguir. Por meio de uma interpretação sublime, a atriz se junta a Margot Robbie como responsáveis pelo sucesso de Eu, Tonya.

Enquanto Allison Janney carregou parte do filme nas costas, Robbie mostrou ser muito mais do que a companheira do Coringa. Em Eu,Tonya, ela  provou não apenas capaz de liderar um filme, mas também ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz por ele. Ela é a verdadeira mola propulsora de Eu, Tonya. A partir do momento em que Mckenna Grace dá lugar a Margot, o longa toma outra proporção, moldando a patinadora como alguém muito além do que se via no ringue. Ela caracteriza Tonya como a mulher agredida, abusada e obsessiva que era. Sem dúvidas o melhor papel de sua carreira!

A interpretação de Sebastian Stan como o marido abusivo de Tonya é memorável. Jeff começa criando a imagem de um príncipe, com direito a caracterização de um típico galã da época. A medida que a história avança, o charme dá lugar a estupidez e a violência. Em um ritmo frenético, Stan protagoniza diálogos emblemáticos ao lado de Margot, que dão forma ao roteiro de Steven Rogers.

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O Filme

Eu, Tonya é completamente inesperado. Mesmo após assistir os trailers, ler sinopses e comentários, o que nos aguarda nas telas é algo diferente e único. Desde cedo, a jovem Tonya demonstrou talento para o esporte. Após ganhar seu primeiro campeonato as quatro anos de idade, o que era para ser divertido se tornou uma obsessão. Crescendo dentro do ringue, a garota cresce e se torna a mulher interpretada por Margot Robbie. Até aquele momento, toda a atenção do filme estava em Lavona Harding, mãe de Tonya. Longe de ser um exemplo maternal, ela não mede esforços ao exigir o máximo de sua filha. Nem que para isso tenha de recorrer a agressões.

Durante um de seus treinos, a moça conhece Jeff Gillooly. Começava então, o início de um relacionamento abusivo, agressivo e assim como a paixão de Tonya, obsessivo. O amor logo se transforma em algo longe de ser poético e Gillooly logo perde a imagem do galã. Em pouco tempo, o namorado se torna o responsável por destruir a menina sonhadora que ainda existia. No auge de sua carreira, ela acaba se envolvendo nas confusões de Jeff e o que era para ser seu momento, se torna seu pior pesadelo. Os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994 marcaram a despedida de Tonya do gelo, assim como de tudo aquilo pelo que ela lutou para conseguir.

Por fim, a fotografia de Nicolas Karakatsanis se torna a cereja do bolo. Por meio de um trabalho excepcional, o diretor aumenta qualidade a uma produção já excelente. A delicadeza e a suavidade dos movimentos de patinação são necessários para a construção da protagonista, assim como o colorido das cenas. Eu, Tonya foi agraciado com um ótimo diretor, um elenco fenomenal e uma equipe igualmente boa.

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