Não existem dúvidas de que Christopher Nolan é um dos diretores mais aclamados pela crítica e pelo público, sendo um dos responsáveis por possuir obras de peso que têm sua assinatura e marca na indústria cinematográfica. O diretor possui uma grande diversidade de gênero, transitando pelo drama familiar num contexto de ficção científica (em Interstelar), desenvolvendo uma batalha psicológica entre herói e vilão (Cavaleiro das Trevas) ou, até mesmo, explorando os traumas de um homem que teve sua esposa assassinada e busca por sua vingança (o surpreendente Amnésia). Agora, Nolan retoma os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, trazendo às grandes telas a Operação Dínamo, que tinha como objetivo retirar as tropas britânicas que foram encurraladas pelos alemães em sua invasão à França. Em  9 dias, aproximadamente 338 mil soldados foram resgatados de Dunkirk.

A sequência inicial de Dunkirk mostra como será a experiência do espectador do início ao fim do longa: tão tensa como a dos soldados aliados. Nolan constrói uma imersão que pouco se vê no cinema contemporâneo, usando a misancene e a sonoplastia a seu favor. Em nenhum momento do filme é mostrado o semblante de um soldado alemão; existe apenas a atmosfera de tensão inimiga numa crescente. Essa escolha, além da audaciosa, complementa a proposta de colocar o público na atmosfera triste, caótica e desesperadora que os britânicos (além de franceses e belgas) viviam naquela praia. Os longas-metragens que buscam retratar o horror da guerra optam por expor a violência visual, como o próprio Mel Gibson fez no recente Hacksaw Ridge. Em Dunkirk, a violência passa longe de visceral por realmente não ser o intuito de Christopher, o que pode desagradar uns e agradar outrem.

A história é dividida em três partes: na terra, no mar e no ar. Em terra firme, somos apresentados aos soldados que vivem o terror para regressar à casa. É nesse momento do filme que somos apresentados ao personagem Alex (Harry Styles) e Gibson (Aneurin Banard). No mar, acompanhamos a trajetória do Senhor Dawson (Mark Rylance), que lidera seu pequeno barco em busca dos soldados enclausurados em Dunkirk. No ar, Ferrier (Tom Hardy) acompanha mais dois pilotos para batalhar no Canal da Mancha.

O foco da narrativa não é no desenvolvimento de personagens, o que gerou um problema na minha experiência emocional com o final do filme. O foco de Nolan era na imersão e na atmosfera em que aquelas pessoas viviam (ou melhor: sobreviviam) à espera de alguma salvação do mar. Essa escolha, embora funcione para o que foi proposto pelo diretor, tornou o final do filme forçado emocionalmente, já que em nenhum momento houve de fato uma empatia com aqueles personagens. A propósito, o filme possui poucos diálogos e muitos momentos em que a trilha (espetacular) de Hans Zimmer toma conta desse papel. O compositor criou o seu melhor trabalho desde A Origem, onde trabalhou com o próprio Christopher Nolan.

Na parte técnica, Dunkirk é o melhor filme da carreira do diretor. Nolan não possui nenhum erro de execução, montagem ou edição, pelo contrário: muitos acertos em suas escolhas e na forma que utilizou todos os recursos ao seu favor. É intrigante ouvir o som das Trombetas de Jericó do Stuka, bombardeiro de mergulho alemão e no terror que eles proporcionavam á medida que se aproximavam. É de encher os olhos a forma em que Nolan filma as batalhas áreas e como posiciona a câmera, criando um visual único ao gênero. Não há sombra de dúvidas que Dunkirk é um espetáculo visual e sonoro, sendo inevitavelmente uma das melhores produções desse ano.

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