Demorou, mas a heroína mais poderosa do universo Marvel finalmente chegou às telonas e no momento mais propício. O primeiro voo solo de Capitã Marvel chega na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. Junto de Mulhe-Maravilha, são os símbolos do empoderamento feminino na cultura pop. Assim como o filme solo da amazona, Carol Danvers também levanta a importante bandeira de que o lugar da mulher é onde ela quiser.

Em cenas de flashback, acompanhamos Carol Danvers (Brie Larson) sofrendo com comentários machistas e literalmente caindo no treinamento para se tornar uma piloto de caça, ambiente cercado por homens. Daí que nasce a força de Danvers, de nunca desistir. Os poderes cósmicos que ganha são mera consequência. Ou seja, a força e persistência é a maior dádiva dos humanos. E as mulheres são exemplos diários na luta contra os vários “nãos” que recebem no dia a dia.

Sobre o filme

A  trama apresenta o Império Kree, uma força de elite de guerreiros liderada por Yon-Rogg (Jude Law) sob o domínio da Inteligência Suprema (Annette Bening). Sua pupila é Vers (Larson), uma guerreira com incríveis poderes cósmicos. No entanto, ela sofre de amnésia e não consegue lembrar de seu passado. Ela então dedica totalmente sua mente e poderes à batalha dos Kree contra os Skrulls, uma raça alienígena de transmorfos. Durante uma operação contra os Skrulls, Vers é capturada e quando os alienígenas hostis começam a sondar sua mente, memórias ocultas começam a ressurgir. Vers vê flashes de uma vida passada na Terra. Enquanto escapa das garras dos Skrulls sua nave acidentalmente cai na Terra no ano de 1995. Enquanto Vers tenta rastrear os Skrulls e seu passado oculto, ela encontra um jovem Nick Fury (Samuel L. Jackson) e o agente Coulson (Clark Gregg). Juntos, eles formam uma parceria para não apenas salvar o mundo da invasão alienígena, mas também para descobrir quem ela realmente é.

Brie Larson

Em sua estreia no MCU, Brie Larson incorpora com eficiência o “girl power”. Mas só isso não bastou. O roteiro de Anna Boden, Ryan Fleck não explora de forma profunda o potencial da personagem e da atriz. Por muitas vezes, quando era necessário carisma, o longa insiste na personagem sisuda. Larson desempenha uma atuação segura, mas jamais brilhante como se esperava. Daí partimos para o grande defeito do filme – se manter conservador durante toda a narrativa. Já é comum nos filmes da Marvel Studios os momentos cômicos. Mas o humor precisa ser natural e no filme soa como se fosse obrigatório. Brie Larson jamais demonstra espontaneidade quando solta uma piada. Em todas elas, sem nenhuma graça.

Morno

Capitã Marvel entretém, mas não empolga. O início parecia uma grande aventura espacial como Guardiões da Galáxia, mas se tornou uma produção genérica de ficção científica. O longa busca nadar por várias vertentes e falha em todas. Na Terra, Danvers e Fury partem para uma investigação repleta de coincidências, tudo para justificar a presença da personagem nos anos 90 e sua ligação com o futuro do MCU. As cenas de ação são bem medianas, não há o grande clímax e o momento da Capitã mostrar o porquê de ser a heroína mais poderosa do universo. Faltou aquele “Wow!”.

Ambientado nos 90, a nostalgia deu espaço para momentos clichês como internet discada, uma ou duas músicas da época e o fliperama, porque todo filme nos anos 90 tem que ter uma cena de fliperama. De bacana somente a Carol Danvers usando uma camisa do Nine Inch Nails.

Elenco coadjuvante

O que atrai em Capitã Marvel é o elenco coadjuvante, destaque para Ben Mendelsohn como o líder Skrull Talos. Ele é intimidador e irônico. Mas sua ironia acaba sendo uma artimanha. Nunca sabemos o que ele está tramando ao certo. Alguns momentos o personagem lembra o Loki pelo mistério. Talos é o personagem mais interessante no filme. É quem você gostaria de ver mais nos próximos filmes.

Samuel L. Jackson está divertido como Nick Fury. Os efeitos que o deixaram mais jovem ficaram ótimos. Curioso ver o personagem mais ingênuo e inexperiente. Contudo, o roteiro desliza em torna-lo um bobalhão e que em todo instante fica paparicando o gato Goose. Na primeira cena, já está claro que Fury ama gatos, mas insistir em todas é muita falta de criatividade. Contudo, a sintonia entre o ator e Brie Larson é ótima. Uma grande parceria.

Embora saibamos apenas por flashbacks, a relação entre Maria Rambeau (Lashana Lynch ) e Carol Danvers (Larson) é o momento tocante. O reencontro das duas é genuíno e deveria ter sido mais desenvolvido. O resto do elenco tem atuações corretas, mas nada de surpreendente. Jude Law como Yon-Rogg, Annette Bening como a Inteligência Suprema, Clark Gregg como Coulson, Lee Pace como Ronan e Djimon Hounsou como Korath são presenças de luxo.

Veredito

Um dos filmes mais aguardados da atual fase da Marvel Studios caiu nas mãos de uma dupla de diretores inexperientes, que tem no currículo o péssimo e sonolento Se Enlouquecer, Não se Apaixone. É louvável o estúdio apostar em jovens cineastas, pois é uma fórmula que vem dando certo até agora. Mas é evidente que Anna Boden e Ryan Fleck não souberam explorar o potencial de Capitã Marvel. As justificativas para a ausência de Carol Danvers na Terra e o que aconteceu com o olho esquerdo de Nick Fury, por exemplo, foi vergonhoso.

Não é um filme péssimo, mas morno e com alguns momentos de brilho como empoderamento feminino. Nesse quesito, o longa é obrigatório para toda mulher conferir e saber que uma heroína será a responsável por salvar os Vingadores e causar muitos problemas para Thanos.

Ps: Há duas cenas pós-créditos. A primeira de suma importância para Vingadores: Ultimato e a outra fofinha, mas com certa relevância. Mas os créditos iniciais foi o momento mais emocionante e de cair lágrimas com a justa homenagem para o mestre Stan Lee. 

3

Bom

Não é um filme péssimo, mas morno e com alguns momentos de brilho como empoderamento feminino. Nesse quesito, o longa é obrigatório para toda mulher conferir e saber que uma heroína será a responsável por salvar os Vingadores e causar muitos problemas para Thanos.

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