Laéssio Rodrigues de Oliveira. Caso tente jogar esse nome em qualquer ferramenta de busca, encontrará notícias não muito animadoras. Conhecido como o maior ladrão de livros raros do país, ele já foi preso cinco vezes, sendo a última em outubro de 2017. Qualquer pessoa o condenaria, julgaria e criticaria, sem antes conhecer sua história. Enquanto muitos sentem vergonha de seus crimes, Laéssio os admite com orgulho. E após assistir ao documentário sobre sua vida, Cartas Para um Ladrão de Livros, tenho certeza de que ele não irá parar no número cinco.

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O Filme

Por que produzir o documentário Cartas Para um Ladrão de Livros? Por que, quando suas notícias são facilmente acessíveis ao clique do mouse? Não é preciso procurar muito para se descobrir sobre Laéssio Rodrigues de Oliveira. De origem humilde, entrou para o mundo do crime por conta de sua obsessão por Carmen Miranda. Como todo fã, ele queria ter tudo relacionado a cantora, desde revistas a quadros originais. Seu emprego não era suficiente para sustentar a paixão, e muitos artefatos encontravam-se sob domínio público. Então Laéssio começou a furtar e o que começou com pequenos artigos, logo se desenvolveu para roubos milionários. Descobriu o mercado de venda de relíquias e percebeu que poderia ganhar muito mais do que seu salário. Como consequência de seus crimes, ele se tornou um homem extremamente culto.

A primeira prisão não foi suficiente para desmotivá-lo. Aspirando ter uma vida com confortos, Laéssio passou a furtar itens cada vez mais caros. Sua trajetória chamou a atenção dos jornalistas Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini, que decidiram contar sua história. Por meio de cartas trocadas entre Laéssio e um dos diretores, o filme é contado. O que era pra ser uma narrativa sobre um ladrão de livros, se transforma em uma narrativa sobre um homem. A naturalidade e humanidade que a trama apresenta é o que a diferencia de muitas outras. O objetivo aqui não é definir se Laéssio está certo ou errado, mas apenas contar seu lado da história.

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O Que Achamos?

Confesso ter tido receio ao assistir o filme. No começo, pensei que se trataria de uma lavagem cerebral tentando convencer o público da inocência de Laéssio. Felizmente não é nada disso. Em momento algum os diretores tentam nos influenciar em qualquer tipo de opinião. Além de contar a história do homem, o filme também faz diversas críticas sutis a forma como documentos importantes são preservados no Brasil. Laéssio estava longe de ser um exímio ladrão quando cometeu seu primeiro furto. Livros e artigos raros são mantidos sob os olhos do público sem a menor segurança ou cuidado. Outro ponto destacado é a maneira como muitos desejam se apropriar de algo que deveria ser de todos. Por que o simples fato de ter dinheiro garante a alguns mais direitos do que a outros? Laéssio não teria enriquecido se não houvesse compradores.

Acima de qualquer classificação, Cartas Para um Ladrão é um filme verdadeiro. Sem mascarar verdades ou fatos, Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini buscaram expor aquilo que realmente aconteceu. As entrevistas que intercalam a trama também são essenciais para melhor compreendermos a narrativa, sob um ponto de vista diferente de Laéssio. Pessoas que compartilham uma opinião não muito positiva sob o ladrão, nos ajudam a moldar o homem que nos fala na tela. Ele por sua vez, se mostra plenamente confortável com as gravações. Como já dito acima, ele não se arrepende de seus crimes e fala sobre eles com orgulho.

 “Liberdade sem dinheiro é um tipo de prisão” (Laéssio Rodrigues de Oliveira)

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Depois de passar pelo Festival do Rio 2017 e pela 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o documentário Cartas Para um Ladrão de Livros fará sua estreia nacional no dia 01 de março.

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