Coyote Vs. Acme
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Coyote vs. Acme satiriza manobras corporativas da qual ele também foi vitima

Coyote vs. Acme é o mais novo lançamento a apostar na mistura entre animação e live-action. O filme, que por pouco não chegou às telas, acompanha Wile E. Coyote e o Papa-Léguas em uma nova aventura. Concluída em 2023, a produção foi engavetada por tempo indeterminado por David Zaslav, CEO e presidente da Warner Bros. Após anos de protestos do elenco e da equipe técnica, além do apoio de outros artistas e fãs, a pequena distribuidora Ketchup Entertainment adquiriu o longa, que finalmente chega aos cinemas nesta quinta-feira.

O filme é baseado em uma piada publicada em 1990 pelo humorista Ian Frazier na coluna Shouts and Murmurs, da revista The New Yorker. A ideia era simples: o Coyote processaria a corporação Acme porque todos os dispositivos mirabolantes que comprava para capturar o Papa-Léguas acabavam dando terrivelmente errado. A produção transporta essa premissa para o universo hiperativo e marcado pela violência pastelão dos desenhos originais. Além do Coyote e do Papa-Léguas, diversas estrelas dos Looney Tunes fazem aparições. Ainda assim, o universo do filme parece natural e autêntico, evitando que a obra se transforme em uma simples vitrine de participações especiais.

O ator Will Forte interpreta o advogado azarado e oprimido do Coyote, enquanto John Cena vive o sinistro e persuasivo advogado da Acme. A escolha representa uma reformulação cômica bastante inusitada para Wile E. Coyote. Visto tradicionalmente como uma espécie de vilão nos desenhos, ele se torna aqui uma vítima da arrogância corporativa e do capitalismo monopolista. A Acme, por sua vez, esconde uma conspiração sinistra que vai muito além daquele único processo. Assim, Coyote vs. Acme funciona como uma sátira dos tradicionais thrillers jurídicos e ganha uma camada adicional de ironia por ter sido ele próprio vítima de manobras corporativas na vida real.

Wile E. Coyote passou décadas usando produtos da Acme para tentar capturar seu adversário. Cada dispositivo, porém, acaba explodindo em seu rosto ou provocando algum outro tipo de mutilação cômica, típica dos desenhos animados. O Coyote talvez seja um dos clientes mais fiéis que a Acme já teve em sua longa história. Mas até mesmo sua lealdade à marca tem limites. Exausto após mais uma tentativa fracassada, ele vê na televisão um anúncio do pequeno escritório de advocacia Avery, Jones & Maltese. Decidido a responsabilizar a empresa, viaja até Albuquerque para contratar Kevin Avery (Will Forte) como seu advogado.

Com seu jeito impassível, Kevin pretende encerrar o caso rapidamente por meio de um acordo de valor irrisório. O silencioso, porém expressivo, Coyote, no entanto, decide elevar o nível da disputa. É então que entra em cena Buddy Crane (John Cena), o arrogante advogado da Acme e antigo colega de faculdade de Kevin. Crane tenta encerrar o processo oferecendo um acordo de US$ 50 mil, mas o Coyote se recusa a aceitar. Forçado a sair de sua zona de conforto, Avery precisa construir o caso contra a Acme com a ajuda de sua sobrinha, Paige (Lana Condor). A investigação acaba revelando uma trama criminosa insana, muito maior do que apenas o caso em que eles estão trabalhando.

O sucesso de produções híbridas como essa costuma depender da capacidade dos atores de interagir de maneira convincente com personagens animados. Nesse aspecto, Coyote vs. Acme leva vantagem ao contar com dois intérpretes humanos dispostos a entrar de cabeça na brincadeira. O filme abraça o humor tresloucado que tornou os Looney Tunes tão populares. Ao mesmo tempo, homenageia seus personagens clássicos e os coloca em uma história conduzida por um ritmo acelerado. O resultado é surpreendentemente habilidoso ao equilibrar nostalgia e renovação, honrando o passado sem deixar de atualizar o universo para uma nova geração.

Mais do que uma simples aventura do Coyote e do Papa-Léguas, Coyote vs. Acme transforma uma das piadas mais antigas dos Looney Tunes em uma divertida sátira sobre ganância corporativa, justiça e relações de consumo. Uma combinação particularmente irônica para um filme que, durante anos, precisou lutar para chegar ao público.

Coyote vs. Acme chega aos cinemas brasileiros em 27 de agosto e estreia também em formatos especiais Atmos, 4DX e DBOX. A distribuição é da Paris Filmes.
3.5

Bom

Coyote vs. Acme transforma personagens clássicos dos Looney Tunes em uma sátira divertida sobre ganância corporativa, justiça e consumo. O filme equilibra bem humor, nostalgia e crítica social.

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