Oscilando entre o brilho sedutor e a dureza implacável de Los Angeles, Caminhos do Crime acompanha três figuras solitárias, cada uma diante de uma encruzilhada que pode transformar para sempre o rumo de suas vidas.
O principal deles é Mike Davis (Chris Hemsworth), um ladrão de joias virtuoso especializado em roubos meticulosamente planejados. Conhecemos o personagem em um roubo de diamantes valiosos de um joalheiro local e seus assistentes que estavam transportando as pedras. Para isso, Davis teve que interceptá-los em seus carros e teve a sorte de escapar por pouco de um tiro disparado de uma pistola antiga e defeituosa (algo que o fez começar a repensar seus trabalhos).
Então Mike se encontra com seu chefe, Money (Nick Nolte). Ele fica tenso e preocupado, claramente nervoso na presença do homem. Apesar de ser um bandido implacável, ele não se sente totalmente à vontade no mundo ou consigo mesmo. Davis foi criado em lares adotivos e está tentando construir um mundo ordenado para si mesmo, por isso que ele é um ladrão tão cauteloso, controlado ao extremo.
Ele rompe com Money por causa da perspectiva de um roubo a uma joalheria em Santa Bárbara, que ele considera arriscado demais. Então o trabalho é passado para o imprevisível Ormon (Barry Keoghan) que transforma tudo em uma grande confusão violenta. Mike comete seus roubos ao longo da rodovia 101 e nunca fere ninguém. Esse é o seu padrão. Um padrão que Lou Lubesnick (Mark Ruffalo), um detetive inteligente da polícia de Los Angeles, percebeu. A polícia de Los Angeles o pressiona para solucionar casos o mais rápido possível, mesmo que os culpados reais não sejam encontrados. Lou é visto por seus colegas como um perdedor, uma percepção que somos convidados a compartilhar quando sua namorada de longa data (Jennifer Jason Leigh) o abandona. Mas ele é também um homem de princípios, que não abandona seus instintos e investiga esse caso até o fim.
Também acompanhamos Sharon Coombs (Halle Berry), uma corretora de seguros de alto padrão que vende apólices caras para clientes extremamente ricos, fazendo seu trabalho com um toque de sedução. Ela está na empresa há 11 anos, mas a velha guarda continua relutante em promovê-la a sócia. Sua raiva e desespero a tornam uma parceira ideal para Davis, que precisa de uma nova fonte de clientes em potencial, e também para Lou, que ela conhece na aula de ioga. O fato de Sharon estar ligada tanto a um criminoso quanto a um policial é um daqueles artifícios típicos de filmes que você simplesmente tem que aceitar. É uma ligação instável, mas a atuação de Halle Berry a torna crível.
Caminhos do Crime não é exatamente um thriller de assalto e funciona muito mais como um estudo desses personagens. Apesar de algumas boas cenas, ele não é sobrecarregado com sequências de ação. Baseado conto Crime 101, do livro A Queda, de Don Winslow, o que vemos é um retrato de almas perdidas lutando para manter a cabeça no lugar em um mundo corrupto. Conforme a história se desenrola, cada um precisa confrontar esse mundo fragmentado e decidir se também vai quebrar seus próprios códigos, começando por seus próprios valores pessoais.
O diretor Bart Layton e o diretor de fotografia Erik Wilson usam bastante a inversão de câmera para criar planos misteriosos de Los Angeles à noite, tudo isso embalado por uma trilha sonora sinistra e pulsante feita por Blanck Mass. Tanto o visual quanto a parte sonora tornam as mais de 2h de filme bastante dinâmicas.
Há algo reconfortante em assistir a um filme policial com um jogo de gato e rato que se contenta em entregar uma história direta, sem muitos floreios. É um filme que entende perfeitamente as regras do jogo que escolhe jogar. A previsibilidade deixa de ser uma falha e passa a funcionar como parte do seu charme clássico, evocando os thrillers policiais de outras décadas. Sem grandes reviravoltas, mas com consistência estética e boas atuações, o longa entrega uma experiência sólida.
Caminhos do Crime estreia dia 12 de fevereiro nos cinemas do Brasil, com distribuição da Sony Pictures.
Bom
Caminhos do Crime aposta menos na ação e mais no estudo de personagens solitários à deriva em uma Los Angeles moralmente corroída. Mesmo recorrendo a clichês do thriller policial, sustenta-se pelas atuações e pela atmosfera sombria e elegante.