Arco
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Arco, uma animação esperançosa sobre o futuro da humanidade

O longa de estreia do ilustrador francês Ugo Bienvenu acompanha um menino de 10 anos chamado Arco, que vive cerca de 900 anos depois do período em que se passa o filme, em uma casa no meio das nuvens, que parece estar nos galhos de uma árvore gigante. Seus pais e sua irmã usam vestes que lembram um arco-íris e um cristal na cabeça para visitar outros períodos de tempo e aprender sobre outras eras da vida na Terra. Eles retornam com plantas e objetos do passado, que ajudam a manter sua comunidade o mais sustentável possível. Embora seja uma civilização extremamente avançada, também é um retorno ao básico.

O garoto deseja poder viajar com eles, mas ainda precisa esperar mais dois anos até que tenha a idade legal para que possa realizar essas jornadas pelo espaço e tempo. Um dia, com o enorme desejo de ver dinossauros, Arco rouba as vestes e o cristal de sua irmã. Só que tudo dá muito errado! Ele consegue voar e viajar no tempo, mas aterrissa no ano de 2075. O mundo em que ele vai parar não tem dinossauros e está repleto de robôs que assumiram tarefas humanas, subúrbios com casas que utilizam cúpulas à prova de fogo e tempestades – reflexos do agravamento da crise ecológica. Lá ele conhece uma garota da sua idade, Iris, que tenta ajudá-lo a voltar para casa (mas que também não quer que ele vá embora).

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Iris mora com uma babá robô chamada Mikki, programada por seus pais ausentes, para ajudar a criar ela e seu irmão mais novo. A garota aproveita a chance de fazer um amigo de verdade, especialmente alguém que olha para o seu mundo com tanta curiosidade. Os dois têm uma conexão instantânea, dando esperança um ao outro nos momentos difíceis, o que destaca uma corrente de esperança que permeia todo o filme. Arco está sem o cristal, que acaba perdendo durante a aterrissagem. Preso em um passado ao qual ele não pertence, Arco promete a Iris que o presente ecologicamente devastado em que ela vive um dia cederá a uma nova era de ouro que só parece ficção científica, embora ele hesite em revelar muito sobre si mesmo, ou sobre o futuro de onde vem, por medo de causa um desequilíbrio na história do mundo. É evidente que Arco afasta a solidão de Iris, enquanto a jovem inspira o garoto do futuro.

Eles estão procurando pelo cristal, curtindo essa nova amizade e fugindo dos “vilões” Dougie, Stewien e Frankie, que dedicaram suas vidas a detectar e perseguir o lendário povo do arco-íris, e cujas maquinações desajeitadas servem como o perfeito contraponto à crescente amizade de Iris e Arco. Mas todos acabam tendo que juntar forças quando um incêndio florestal de grandes proporções atinge a área e eles precisam fazer com que Arco retorne ao seu tempo rapidamente, pois pode ser a última chance.

O estilo de Arco lembra um pouco o das animações de Hayao Miyazaki para o Studio Ghibli, em uma trama com ares de Interestelar para crianças, que ainda faz uma reflexão ponderada sobre o desastre ecológico em meio à uma bela amizade. O filme propõe mais do que uma simples reflexão e convida à ação. Em vez de alimentar o medo ou a sensação de impotência diante dos desafios do mundo cada vez mais destruído, a narrativa procura reacender a esperança e estimular a iniciativa através da imaginação, enxergando a criatividade como um verdadeiro motor de transformação social. Assim, a obra defende que cada criança ou adolescente carrega dentro de si um potencial criativo capaz de redesenhar o mundo ao seu redor.

Apresentando um olhar sensível sobre múltiplos futuros e as tentativas da humanidade de aprender com seus próprios erros, o longa entrega uma jornada comovente, bem-humorada na medida certa e com uma profunda sensação de esperança.

Arco chega aos cinemas em 26 de fevereiro, com distribuição da MUBI e Mares Filmes.

3.5

Bom

Arco combina ficção científica e sensibilidade ecológica ao narrar o encontro entre dois mundos separados pelo tempo, mas unidos pela esperança. O filme equilibra aventura e reflexão ambiental sem perder a leveza infantil. Mais do que alertar sobre a crise climática, a obra aposta na imaginação e na amizade como forças transformadoras capazes de redesenhar o futuro.

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