Velhos Bandidos (2026).
Divulgação.
Velhos Bandidos (2026).
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Apesar do carisma de Fernanda Montenegro, Velhos Bandidos decepciona ao não entregar nem ação nem comédia

Pautas contra o etarismo surgem cada vez mais dentro de produtos culturais. Em 2025, fomos presenteados com o ótimo O Último Azul, de Gabriel Mascaro, que apresenta o preconceito sofrido pela terceira idade em um Brasil disposto a descartá-los. Agora, em 2026, essa ideia ganha uma abordagem cômica em um filme dirigido por Claudio Torres e estrelado por um elenco de peso: Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladimir Brichta e Lázaro Ramos. No entanto, apesar do potencial, Velhos Bandidos desperdiça seu ótimo elenco em uma narrativa arrastada e, muitas vezes, sem graça.

O filme acompanha Marta (Fernanda Montenegro) e Rodolfo (Ary Fontoura), um casal de aposentados que planeja um grande assalto a banco. Para que o roubo perfeito aconteça, eles se unem aos golpistas Nancy (Bruna Marquezine) e Sid (Vladimir Brichta), enquanto enfrentam o obstinado investigador Oswaldo (Lázaro Ramos).

Essa proposta de comédia com assalto abre espaço para diversas situações absurdas e criativas. O foco não precisa estar no realismo do plano, mas sim na dinâmica entre os personagens, responsável por gerar o humor. No entanto, mesmo com um elenco ideal para esse tipo de história, o texto e a direção pouco inspirados limitam Velhos Bandidos, impedindo que o filme alcance sequer o básico de uma boa comédia.

Do início ao fim, há uma inconsistência de tom e uma estranheza na construção do roteiro. São raros os momentos em que as cenas soam naturais; a sensação é de que o filme tenta ser engraçado a qualquer custo, ignorando pilares essenciais da comédia, como ritmo e timing.

Infelizmente, os problemas também se estendem à direção. Claudio Torres conduz o filme entre comédia, ação e drama sem extrair o melhor de nenhum desses gêneros, resultando em uma verdadeira “salada de frutas” que mais confunde do que engaja. Essa falta de foco compromete inclusive a química entre os atores. Além disso, o longa se torna excessivamente expositivo, explicando tudo o tempo todo, sem confiar na inteligência do espectador. Em vez de apostar em uma abordagem mais ousada, opta por um caminho seguro — e, consequentemente, pouco interessante.

A maior qualidade do filme está em seu elenco carismático. Mesmo tendo que compensar um roteiro que não explora seus potenciais, Fernanda Montenegro e Ary Fontoura são o coração do longa, protagonizando os momentos mais divertidos e garantindo presença em cena. Bruna Marquezine e Vladimir Brichta também entregam boas atuações, ainda que seus personagens oscilem mais para o infantil do que para o cômico. Já Lázaro Ramos constrói um personagem interessante e, por vezes, imprevisível, mas igualmente prejudicado pela inconsistência do roteiro.

Um ponto positivo a se destacar é como o filme, em alguns momentos, trabalha bem a ideia de uma ode à idade avançada, mostrando que a terceira idade também pode fazer o que quiser — e quando quiser, como assaltar bancos, por exemplo. Esse aspecto narrativo aparece em momentos chave, mas, pela sua relevância atual, poderia facilmente se tornar um dos principais pilares da história.

Mesmo com o carisma do elenco, Velhos Bandidos carece de identidade, muito por conta de uma execução técnica irregular. Há boas ideias aqui, mas nenhuma é desenvolvida com o cuidado necessário. Ao tentar agradar a todos, o filme acaba não satisfazendo plenamente ninguém. Uma das principais decepções de 2026 — especialmente por reunir um elenco que merecia muito mais.

Velhos Bandidos é distribuído por Paris Filmes e está disponível nas principais salas de cinema do Brasil.

1.5

Ruim

Mesmo com o carisma do elenco, Velhos Bandidos carece de identidade, muito por conta de uma execução técnica irregular. Há boas ideias aqui, mas nenhuma é desenvolvida com o cuidado necessário.

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