A Queda 2: No Limite
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A Queda 2: No Limite
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A Queda 2: No Limite | Sequência não inova, mas aumenta a sensação de vertigem

O texto contém spoilers de A Queda, primeiro filme da franquia. 

A Queda, lançado em 2022, provou que era possível transformar uma premissa aparentemente simples, em que duas pessoas ficavam presas em um local extremamente alto, em um thriller de sobrevivência capaz de conquistar o público. No filme, as amigas Hunter (Virginia Gardner) e Becky (Grace Caroline Currey) partem em busca de adrenalina e decidem escalar uma torre de transmissão de TV enferrujada no meio do deserto. A intenção é espalhar as cinzas do namorado de Becky, morto um ano antes durante uma expedição de alpinismo. O que começa como uma aventura arriscada rapidamente se transforma em um pesadelo quando um dos degraus da escada se rompe, deixando as duas presas a centenas de metros do chão, com poucos suprimentos, sem meios de comunicação e à mercê de abutres que começam a rondar o local. O filme original terminou com Hunter morta e Becky aprendendo da maneira mais dolorosa possível que talvez fosse melhor manter os pés firmemente no chão.

Em A Queda 2: No Limite, os roteiristas Jonathan Frank e Scott Mann fazem uma escolha ousada ao praticamente repetir a estrutura do primeiro filme. Desta vez, porém, o perigo é levado a um cenário ainda mais absurdo, enquanto a história tenta acrescentar um elemento de ameaça humana à equação. As novas protagonistas são pessoas que fizeram parte da vida de Hunter: sua irmã, Jax (Harriet Slater), de quem estava afastada, e Luce (Arsema Thomas), uma amiga tão aventureira e imprudente quanto a falecida.

Depois de encontrar o diário de Hunter, que registra as aventuras realizadas pela jovem e os planos para futuras expedições, Luce tem a ideia de transformar a próxima aventura da lista em uma espécie de homenagem. O plano é viajar até a Tailândia e escalar o Monte Kwan, uma montanha fictícia de proporções gigantescas, para atravessar uma de suas encostas por uma sucessão de passarelas de madeira precárias.

É difícil não questionar a decisão de Jax. Afinal, sua própria irmã morreu em uma atividade de alto risco, enquanto o namorado de Becky, no filme anterior, teve destino semelhante. Seria razoável imaginar que duas tragédias tão próximas serviriam como um alerta definitivo contra aventuras desse tipo. Mas, em um filme como este, o bom senso evidentemente precisa ficar em casa. Jax aceita a proposta e parte para a expedição ao lado de Luce, uma pessoa que ela acabou de conhecer.

As coisas já começam de maneira pouco promissora. As duas descobrem que aquela não é exatamente a melhor época para uma escalada, pois as chuvas tornam as frágeis passarelas de madeira ainda mais perigosas. Mas, elas encontram um guia turístico atraente (Tom Brittney), que se dispõe a acompanhá-las pela trilha. E, como era de se esperar, basta pouco tempo para que tudo dê errado.

Um deslizamento de pedras destrói boa parte das tábuas e deixa Jax e Luce presas em uma altura vertiginosa, sem uma rota segura de volta. A partir daí, as duas precisam deixar temporariamente de lado as dores e ressentimentos relacionados a Hunter para tentar sobreviver ao mau tempo, à estrutura deteriorada e a uma série de pedaços de metal enferrujados que parecem ter sido estrategicamente posicionados para atravessar a carne das protagonistas.

Os diretores Peter Spierig e Michael Spierig entendem perfeitamente uma regra fundamental desse tipo de produção: quando a história coloca seus personagens nas alturas, a câmera precisa fazer o espectador sentir que também está lá. E nisso, A Queda 2: No Limite é bastante eficiente. As passarelas estreitas, a madeira molhada, os espaços vazios sob os pés e a visão do chão a centenas de metros de distância são explorados de maneira competente, criando uma sensação de verdadeira vulnerabilidade.

O filme consegue, em seus melhores momentos, produzir aquela espécie de desconforto físico que faz o espectador apertar a poltrona e imaginar como seria estar naquela situação. A impressão de que qualquer movimento errado pode resultar em uma queda fatal funciona especialmente bem quando a direção deixa de lado explicações desnecessárias e simplesmente coloca as personagens diante do abismo. A altura, nesses momentos, deixa de ser apenas um elemento do cenário e passa a funcionar como uma ameaça constante.

O problema é que essa eficácia visual e física não encontra sustentação equivalente no roteiro. Se no primeiro filme a simplicidade da premissa ajudava a concentrar toda a atenção na sobrevivência, aqui a história tenta adicionar novos conflitos, segredos e uma ameaça mais convencional, mas acaba tornando a narrativa mais artificial. Jax e Luce também não são personagens particularmente complexas. A relação entre as duas deveria ser o coração emocional da história, especialmente porque ambas estão ligadas de maneiras diferentes à memória de Hunter. Entretanto, o roteiro trata esse vínculo mais como uma ferramenta para movimentar a trama do que como uma oportunidade real de desenvolver as personagens. Os traumas, ressentimentos e conflitos pessoais aparecem, mas raramente ganham profundidade suficiente para que o espectador se importe verdadeiramente com eles.

A vertigem funciona. Os personagens pendurados nela, não. E esse talvez seja o principal problema dessa sequência. O conceito continua sendo visualmente poderoso, mas a ideia de manter duas pessoas em uma situação impossível durante quase toda a duração do filme exige mais do que uma sucessão de acidentes, ferimentos e tentativas desesperadas de sobrevivência. É preciso construir personagens capazes de transformar cada perigo em algo emocionalmente significativo. Caso contrário, a queda deixa de ser uma ameaça dramática e passa a ser apenas um obstáculo que precisa ser superado para que a próxima sequência de tensão comece.

A Queda 2: No Limite tem cenas conseguem provocar desconforto real, explorar o medo de altura com eficiência e lembrar por que o primeiro filme encontrou uma fórmula tão eficaz. Mas, quando o impacto da imagem passa, sobra uma história excessivamente dependente de coincidências, personagens pouco desenvolvidos e conflitos que raramente alcançam a mesma intensidade do cenário em que acontecem. No fim das contas, 97 minutos é tempo demais para depender apenas do medo de olhar para baixo. A altura continua funcionando. O problema é que, depois de algum tempo, até o abismo precisa de uma boa história para continuar assustando.

A Queda 2: No Limite chega aos cinemas em 1º de outubro, com distribuição da Paris Filmes.

2.5

Regular

A Queda 2: No Limite entrega cenas de tensão eficazes e explora o medo de altura com competência. Porém, o roteiro aposta em personagens pouco desenvolvidos e conflitos artificiais, enfraquecendo o impacto emocional.

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