Cinema: Estreias da Semana – [02 de Março]

A primeira semana do mês de Março começa com duas grandes estreias, o ator veterano Hugh Jackman volta aos cinemas pela última vez em “Logan” no papel de Wolverine e também temos a participação do ator Patrick Stewart como Professor Xavier. O ator Denzel Washington e a atriz Viola Davis ambos indicados ao Oscar 2017 de Melhor Ator e Melhor Atriz estrelam o drama “Um Limite Entre Nós” que conta com a distribuição da Paramount.

Confira a seguir os lançamentos da semana:

Logan 

EUA – 2017 – Ação – Duração: 132 min

Sinopse: Em 2029, Logan (Hugh Jackman) ganha a vida como chofer de limousine, para cuidar do nonagenário Charles Xavier (Patrick Stewart). Debilitado fisicamente, esgotado emocionalmente, ele é procurado por Gabriela (Elizabeth Rodriguez), uma mexicana que precisa da ajuda do ex-X-Men. Ao mesmo tempo em que ele se recusa a voltar à ativa, Logan é confrontado por um mercenário, Donald Pierce (Boyd Holbrook), interessado na menina Laura Kinney / X-23, sob a guarda de Gabriela.

 

Trailer:

 

Diretor: James Mangold

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Boyd Holbrook

Distribuidora: Fox Films

Classificação: 16 Anos

Um Limite Entre Nós 

(Fences) – EUA – 2016 – Drama – Duração:

Sinopse: Anos 1950. Troy Maxson (Denzel Washington) tem 53 anos e mora com a esposa, Rose (Viola Davis), e o filho mais novo, Cory (Jovan Adepo). Ele trabalha recolhendo lixo das ruas e batalha na empresa para que consiga migrar para o posto de motorista do caminhão de lixo. Troy sente um profundo rancor por não ter conseguido se tornar jogador profissional de baseball, devido à cor de sua pele, e por causa disto não quer que o filho siga como esportista. Isto faz com que o jovem bata de frente com o pai, já que um recrutador está prestes a ser enviado para observá-lo em jogos de futebol americano.

 

Trailer:

 

Diretor: Denzel Washington

Elenco: Denzel Washington, Viola Davis, Russell Hornsby

Distribuidora: Paramount

Classificação: 14 Anos

Crítica | De maneira simples e criativa, Um Limite Entre Nós soube explorar a versatilidade de seu elenco

Existe melhor maneira de se adicionar qualidade a uma produção, do que escalando Denzel Washington para o papel principal? Existe, claro! É só colocá-lo ao lado de Viola Davis.

Há pouco menos de dois dias para a premiação mais aguardada para o mundo do cinema, Um Limite Entre Nós vem para nos provar que não é preciso muito para fazer um grande filme. Inspirado na peça da Broadway de mesmo nome, a produção conta com pouco mais de um único cenário para desenvolver sua história. Salvo alguns momentos, as cenas transitam entre o quarto, a sala, a cozinha e o quintal da casa de Rose e Troy, brilhantemente interpretador por Davis e Washington, respectivamente. Ele, um homem frustrado por não ter conseguido sucesso no beisebol, mas grato por ter um emprego que sustente sua família, mesmo que seja como catador de lixo. Ela, uma dona de casa apaixonada pelo marido e pelos filhos, disposta a aguentar de tudo para manter a felicidade entre eles.

Enquanto no teatro a peça levou diversos prêmios, como Pulitzer e Tony Awards, nos cinemas não foi diferente. Além de ter 4 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator, Viola Davis conquistou todos aqueles a que foi indicada.

Troy é o personagem central, presente em quase todos as conversas e cenas mesmo quando a pessoa física não está. Honrando o original teatral, a obra é rica em diálogos extensos e espontâneos, feitos com tanta naturalidade que parecem não terem sido ensaiados. Esses tipos de interações, principalmente entre o casal e entre Troy e Bono (Stephen McKinley Henderson), são as que pouco a pouco vão moldando o roteiro e desenvolvendo a narrativa. Denzel tem seus grandes momentos durante a trama, como enquanto conversa com o filho mais velho, acaba descrevendo o relacionamento que seu personagem tinha com o pai, e tudo que aconteceu por consequência de suas atitudes.

Apesar de todo o lado amargo e desacreditado de Troy, a versatilidade de Washington consegue transformá-lo de um homem raivoso para um brincalhão em questão de segundos, ou seja, conseguimos amá-lo e odiá-lo rapidamente. Troy é frustrado com a vida e desconta suas desilusões na família, a quem ele trata como uma extensão do trabalho. Alimentar os filhos e a esposa, manter um teto sob suas cabeças e lhes prover roupas para vestir, é uma questão de dever e/ou obrigação, e não de sentimento entre um pai e um marido. Palmas e mais palmas para Denzel Washington, que conseguiu com tamanha fluidez interpretar um personagem complexo e instável.

Rose, por outro lado, entra para contrabalancear o lado fervoroso do marido. Por meio de uma atuação estupenda de Viola Davis, a personagem não faz grandes esforços para causar impacto. Risadas fáceis e gostosas, olhares carinhosos e momentos familiares são o que caracterizam a mulher forte, batalhadora e simples que é Rose, mas que ganham vida nos trejeitos de Viola. Mesmo quando achamos que toda essa fortaleza irá se desmanchar na revelação de Troy, o casal dá uma aula de encenação e nos surpreende mais uma vez, com o momento auge do filme. Rose e Troy não são os únicos personagens memoráveis em Um Limite Entre Nós. Mykelti Williamson, que interpreta o irmão de Troy com condições psicológicas debilitadas, faz um incrível trabalho ao interpretar Gabriel e não pode deixar de ser mencionado. Gabe é ingênuo e só quer ver seu irmão feliz, mesmo que recorra a maneiras erradas para deixar isso claro.

O que as cercas representam? Essa é a pergunta que o filme nos deixa no final e nos instiga a pensar em sua resposta. Cada personagem as encara de forma diferente, refletindo claramente suas personalidades. Uma pena que o título em português tenha, mais uma vez, se desvirtuado tanto do título original, que se encaixou perfeitamente. Com uma linda história e um elenco fenomenal, Um Limite Entre Nós é uma produção memorável do diretor e protagonista Denzel Washington.