Ler é Bom, Vai | Em Dois a Dois, Nicholas Sparks mostra que ainda pode nos surpreender

Já são quase 20 anos desde que Nicholas Sparks publicou seu primeiro livro, entitulado Diário de uma

Divulgação/Facebok Editora Arqueiro

Paixão, e cuja trama foi adaptada para os cinemas com Ryan Gosling e Rachel McAdams nos papéis principais. Em 2017, a Editora Arqueiro trouxe o autor ao país para divulgar e lançar sua mais nova produção, Dois a Dois, levando centenas de fãs a loucura em livrarias espalhadas pelo Brasil. E é exatamente sobre ele que falaremos hoje no Ler É Bom, Vai! Não sei se foi pelo fato de ter o livro autografado na estante, ou pela foto, ou apenas pelo fato de Sparks ser uma pessoa extremamente simpática e humilde, mas Dois a Dois merece toda e qualquer atenção por seu conteúdo: é definitivamente um dos melhores livros dele!

Em questão de meses, Russ perde o emprego e a confiança da esposa, que se afasta dele e se vê obrigada a voltar a trabalhar. Precisando lutar para se adaptar a uma nova realidade, ele se desdobra para cuidar da filhinha, London, e começa a reinventar a vida profissional e afetiva – e a se abrir para antigas e novas emoções. Em Dois a dois, Nicholas Sparks conta a história de um homem que precisa se redescobrir e buscar qualidades que nem desconfiava possuir para lutar pelo que é mais importante na vida: aqueles que amamos.

Logo conhecemos Russell Green, o tradicional romântico apaixonado pela esposa Vivian e pela filha London, cujo maior objetivo de vida é mantê-las satisfeitas e felizes. Além delas, a família ainda é composta por Marge, a maravilhosa e divertida irmã, o pai tradicionalista e emburrado e a mãe preocupada com o bem estar de todos. Rodeado por mulheres, Russ está acostumado a deixar seus sentimentos de lado em prol das mesmas, e engole muito sapo para evitar confusões. London é o grande amor da vida dele, e tê-la por perto é o que gira as engrenagens do dia à dia do rapaz – mesmo que ele só tenha isso para fazer. Com um emprego fixo, uma casa confortável, uma família que o ama e uma situação financeira estável, Green parece ser o homem mais realizado do mundo. E é aí que Sparks nos ensina a primeira lição: nem sempre o que é ideal para os outros, é ideal para você.

Vivian é a menina dos olhos de Russ, o grande amor de sua vida por quem ele nutre uma paixão avassaladora mesmo após tantos anos. Entretanto, podemos dizer que ela é a grande vilã da história – e responsável por todos os meus xingamentos ao virar as páginas. Assim como Sparks tem a habilidade de criar personagens adoráveis e apaixonantes, o autor conseguiu desenvolver uma figura tão insuportável, mesquinha, egoísta e irritante, que me fez inclusive demorar a terminar sua trama por ódio a Vivian. Enquanto Russ faz tudo a seu alcance para manter a esposa alegre, ela o retribui com acusações absurdas, injustiças e grosserias desnecessárias. Acreditando que ela é sua própria versão de Julia Roberts em Uma Linda Mulher – sim, ele é romântico a esse ponto -, ele releva todas as as grosserias e atividades suspeitas de Vivian, depositando toda a culpa em si mesmo. No momento em que Russ resolve seguir seus instintos e abre sua própria agência de publicidade, qual não foi minha surpresa quando a digníssima esposa ficou contra ele.

 Há sempre outra camada, outro erro do passado ou uma lembrança dolorosa que surge e então conduz ainda mais para o passado, e ainda mais, em busca da verdade definitiva. Cheguei ao ponto em que parei de tentar entender: agora, a única coisa que de fato importa é aprender o suficiente para evitar repetir os mesmos erros.”

Divulgação/Editora Arqueiro

A única boa decisão de Vivian é retornar a seu antigo emprego, alegando que Russ não está fazendo nada para contribuir com a conta bancária da família, sendo que ela mesma não abre mão de seus luxos desnecessários. O novo trabalho da esposa obrigada o marido a ficar em casa de babá da filha, e assim conhecemos melhor a criança encantadora que é London, e por consequência o objetivo central de Sparks ao escrever o livro. Dois a Dois narra o relacionamento entre pai e filha, e o quão intenso e bonito ele pode ser. Seja levando ela ao ballet, a aula de piano ou a aula de artes, Russ descobre os trejeitos da menina, seus gostos e manias, além de suas fragilidades e medos. Lição número dois aprendida com sucesso: criar uma criança não é algo simples, mas sim trabalhoso e demorado. Quando bem feito, o resultado é o mais positivo possível.

Meu amor por London jamais estivera em questão. O que eu agora compreendia era que também gostava dela, não só como minha filha, mas como a menina que só pouco tempo antes passara a conhecer.

Mudanças assustam, mas estão longe de ser algo unicamente negativo, e Russ descobre nelas o recomeço de sua vida. O passado também lhe ensina que nunca é tarde para se perdoar e pedir perdão, e muito menos reconhecer os erros, sendo eles essenciais para a construção dos acertos no futuro. Diferente de Vivian, Emily é amável, amiga e companheira, além de valorizar as coisas abstratas da vida como o amor e o diálogo. A saída da esposa traz de volta a ex-namorada e intensifica ainda mais o relacionamento entre Russ e Marge, na minha opinião a melhor pessoa de toda a história.

Uma das coisas que mais me agrada em uma história é o fator surpresa, aquele plot twist repentino que guia o enredo para um lado completamente diferente do que estávamos imaginando. Por mais que essa mudança tenha levado embora boa parte de minhas lágrimas mensais, trouxe uma maturidade extra para o conjunto da obra e fechou com chave de ouro as lições que o autor procurou ensinar. Mesmo com tantos problemas, temos de dar prioridades aos momentos e as pessoas certas, uma vez que a vida é curta demais para alguns. Dois a Dois é um dos melhores livros de Nicholas Sparks, pois contém as qualidades necessárias para nos fazer rir, chorar e aprender mais um pouco com seus ensinamentos.

Ler é Bom, Vai | As Provações de Apolo, a mais nova saga de Rick Riordan

Que Rick Riordan é um dos maiores autores da atualidade, principalmente quando o assunto é mitologia, nós já sabemos. Então nada mais justo que voltar com o Ler é Bom, Vai! falando sobre o novo livro do autor: A Profecia das Sombras. A nova produção dá continuação a história iniciada em O Oráculo Culto e é o segundo volume de uma das mais novas sagas de Riordan, As Provações de Apolo.

Como o nome já diz, o protagonista dá vez é ninguém menos que o Deus do Sol e assim como aconteceu com o personagem principal da série Lúcifer, Apolo foi punido por Zeus e enviado a Terra para viver como um simples mortal. Diferente do outro, porém, o deus perdeu todos os seus poderem e inclusive sua beleza, se tornando um adolescente barrigudo e com o espinhas chamado Lester Papadopoulos. Sua última lembrança é proveniente da guerra contra Gaia – ocorrida nos volumes anteriores de suas sagas, e sua fonte de ajuda para isso vem de onde ele menos espera: Meg McCaffrey. A menina é uma jovem semideusa perdida nas ruas de Nova York e que possui a estranha habilidade de controlar as frutas – algo bem típico de sua mãe. Diferente dos outros semideuses que conhecemos, o padrasto da menina também é muito conhecido por qualquer um que tenha estudado história, e é o grande responsável pelo passado nebuloso e triste que circunda a vida de Meg. Riordan não poderia ter colocado companhia melhor para se juntar a Apolo em sua jornada de volta ao Olimpo.

Como você pune um deus imortal? Transformando-o em humano, claro! Depois de despertar a fúria de Zeus por causa da guerra com Gaia, Apolo é expulso do Olimpo e vai parar na Terra, mais precisamente em uma caçamba de lixo em um beco sujo de Nova York.

Assim como em tramas anteriores, Rick faz questão de agradar seus fãs com referências a outras histórias suas, remetendo até mesmo ao final de A Maldição do Titã, e aumentando ainda mais aquela suposta teoria de um “mega crossover” no final de tudo. Outro chamariz nesse novo livro é a volta da abordagem de assuntos (infelizmente) polêmicos como a homossexualidade. Ao conhecer seus filhos Austin, Kayla e Will durante uma visita ao Acampamento Meio-Sangue, Apolo descobre uma leve semelhança entre ele e o segundo menino: o fato de ambos se interessarem por homens, mesmo que Apolo também não resista ao charme feminino. E aqui vai uma informação que vai lhe fazer correr para comprar essa obra: o namorado de Will é ninguém menos do que nosso eterno e querido filho de Hades, Nico di Angelo. Outro personagem certamente irá nos agradar é Paulo Montes, um semideus brasileiro filho de Hebe, deusa da juventude (impossível não associar e não rir com o nome).

A primeira história acontece no já conhecido Acampamento Meio-Sangue, onde semideuses estão desaparecendo após entrarem na floresta e dentre eles estão os filhos de Apolo. Ao chegar no acampamento, o Deus descobre que o Oráculo de Delfos está com defeito e perdeu seus poderes, mas nem mesmo os mais sábios sabem explicar o porque. Se você já leu outras obras de Rick Riordan, sabe que não existe um semideus sem uma profecia terrível para guiar seu caminho, então ter um oráculo com problemas é terrivelmente sério…e engraçado. Apolo é sem dúvidas o personagem mais divertido criado pelo autor – mais até do que Magnus -, e seu lado narcisista e egocêntrico nos rende diversas gargalhadas. Os haicais bem construídos no início de cada capítulo só aumentam as qualidades do Deus e mesmo que tais características estejam longe de ser atrativas, juntas irão moldar um ótimo personagem. Não se desesperem com tanta informação, pois as respostas virão (até rimou), e com elas novas perguntas e teorias misteriosas e surpreendentes.

Via: Intrínseca

Recentemente foi lançado o segundo volume de As Provações de Apolo, entitulado A Profecia das Sombras. Mais uma vez Apolo estará envolvido com um oráculo, e esse está mais próximo a ele do que nunca. Logo de cara Rick já nos traz um belo motivo para ler seu livro: Leo Valdez está de volta dos mortos e ao lado de sua namorada Calipso – finalmente liberta de Ogigia -, irão auxiliar o deus em sua incansável busca pelo Olimpo. Perseguidos por seres mágicos a mando do Triunvirato, os três amigos irão contar com a colaboração de antigas aliadas, as Amazonas de Ártemis e Thalia Grace. A nova aventura se passa em Indianápolis, nos Estados Unidos, onde um novo membro do trio inimigo está tentando tomar a cidade e tudo que nela existe. O passado de Apolo vem a tona e mostra que as consequências um dia são cobradas, e nossas ações podem acarretar em muitos problemas no futuro. Nessa nova produção conhecemos o lado romântico do deus, que encontra sua fragilidade onde ele menos esperava. Uma ótima reunião entre o velho e o novo, clássico dos trabalhos de Riordan e que o torna sempre tão prazeroso de se ler.

Tudo acontece muito rápido, mas dura tempo suficiente para não querermos largar o livro em momento algum. Semelhante a todas as outras obras de Rick, mas com o lado divertido de Apolo, A Profecia das Sombras irá trazer de volta personagens esquecidos e adicionar novos dignos de serem guardados no coração. O envolvimento do deus com os vilões se torna extremamente pessoal e ver que ele está provando não apenas para Zeus, mas para si mesmo que errou, é uma ótima lição de vida. A sexualidade de Apolo é muito bem explorada nessa nova trama e o autor nos mostra que rótulos não estão com nada hoje em dia. É mais importante vivermos o amor que transborda do que ficar nos preocupando com a opinião dos outros. E o deus aprende isso da pior maneira possível. O livro termina com – adivinhem – uma profecia, maior do que todas já vistas até agora e mais tenebrosa do que nunca. O lado positivo é a possibilidade de termos a aguardada reunião de todos da saga Heróis do Olimpo, com direito a participação de nosso sátiro preferido.

Ler é Bom, Vai | Pequenas Grandes Mentiras evidencia o poderio feminino em uma sociedade

A série Big Little Lies, da HBO, vem fazendo sucesso com o público – principalmente o feminino – desde o seu lançamento em fevereiro desse ano. O que muitos não sabem porém, é que assim como boa parte das produções televisivas e cinematográficas, essa foi baseada em um livro homônimo de grande sucesso da autora Liane Moriarty. Caso você tenha gostado da série, espere até ler o “roteiro” original…é melhor ainda! Caso você não tenha visto, leia primeiro e depois passe para a produção da HBO!

Pequenas Grandes Mentiras é o segundo romance da autora, sendo publicado no Brasil pela editora Intrínseca. Após o lançamento da série o livro adquiriu uma nova capa, composta pelas atrizes que interpretam os papéis principais de Madeline, Celeste e Jane (Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailene Woodley, respectivamente).

A trama gira em torno da opinião, poder e influência das mulheres em uma pequena cidade na Austrália, principalmente quando o assunto são seus filhos e a hierarquia paterna na Escola Estadual Pirriwee. Um assassinato rege todo o enredo do livro, e apesar de só descobrirmos a identidade do morto nas últimas páginas, a curiosidade para tal é tão grande que desperta e prende a atenção do leitor até o último momento. E não pensem que Moriarty “encha linguiça” para atingir seu objetivo, pois o entrelaçado de mentiras é muito mais complicado do que pode parecer. Retrocedemos alguns meses antes do crime para conhecer os elementos presentes nele, e é então que as tais pequenas grandes mentiras surgem a cada virada da página. Com dinheiro no banco ou não, cada mãe esconde seu drama por trás do rosto perfeito e jóias, e muitas destes histórias vêm à tona por meio de ameaças e fofocas. Aliás, se existe algo em comum entre todos os pais da escola é a capacidade que tem de falar mal dos outros pelas costas, o que nos é mostrado por meio de pequenos depoimentos alternados entre os capítulos.

Embora o assassinato seja o combustível que move o livro, são os outros elementos que o compõe. A construção de cada personagem por parte da autora é o ponto forte que permite que tudo se encaixe perfeitamente no final. Na história de Moriarty existe apenas um único vilão – revelado logo no começo -, mas os únicos mocinhos têm menos de 10 anos de idade. Ninguém é inocente e ao mesmo tempo todos são, envolvidos pelas tramóias uns dos outros que acabam por degringolar em uma morte.

Outra boa jogada da autora é nos trazer para o passado e presente em uma mesma página. Enquanto lemos a história no passado, temos acesso aos depoimentos fornecidos pelos pais a polícia no presente. Mais uma vez o poder que um boato pode causar está presente em uma trama, e mais uma vez nos pegamos em dúvida sobre que lado seguiríamos no lugar. As três protagonistas estão em todas as mentiras, mas Moriarty as descreve com tamanha maestria que acabamos desenvolvendo empatia por cada uma, e até mesmo torcendo para que todas tenham um final feliz. E o que falar das crianças? Ziggy, Amabella (com M mesmo), Max, Skye, Chloe e Josh são os únicos completamente inocentes desde o início, independente das acusações que recaem sobre o primeiro. Presos e envolvidos nos problemas dos pais, eles querem apenas se divertir como é típico de sua faixa etária. Caso não tenha se apaixonado por eles no livro, certamente irá pelos pequenos atores que os interpretam – e vice versa.

Em suma, Pequenas Grandes Mentiras é um ótimo livro adaptado em uma ótima série. Escrito de maneira simples e intensa por Liane Moriarty, a história capta a atenção de quem a lê desde as primeiras páginas e por mais que o crime em questão não seja o foco de tudo, é ele o responsável pela curiosidade despertada no leitor. Definitivamente uma ótima nova produção da autora de O Segredo do Meu Marido.

 

Ler é Bom, Vai | Quantos segredos uma família pode ter? Tudo O Que Nunca Contei, o novo livro de Celeste NG

Tudo o que nunca contei  foi um desses livros que pega a gente pela capa misteriosa e pela sinopse igualmente vazia, sem revelar qualquer tipo de informação além do básico para atrair os leitores.
” Na manhã de um dia de primavera de 1977, Lydia Lee não aparece para tomar café. Mais tarde, seu corpo é encontrado em um lago de uma cidade em que ela e sua família sino-americana nunca se adaptaram muito bem. Quem ou o que fez com que Lydia — uma estudante promissora de 16 anos, adorada pelos pais e que com frequência podia ser ouvida conversando alegremente ao telefone — fugisse de casa e se aventurasse em um bote tarde da noite, mesmo tendo pavor de água e sem saber nadar?
Logo fiquei animada ao pensar no suspense e no enredo sombrio que as páginas poderiam esconder – e de fato escondem -, mas a maneira escolhida por Celeste Ng para narrar sua trama deixou um pouco a desejar. A história é boa e com um conteúdo denso, mas ao mesmo tempo em que desperta a curiosidade, se arrasta pelos capítulos. Felizmente o livro é curto e muito bem escrito, o que nos motiva a continuar desvendando seus mistérios e tentar descobrir o que de fato aconteceu com Lydia. A autora soube utilizar os argumentos para manter o leitor preso a trama e por isso merece todo o destaque possível.
Divulgação/Intrínseca
Todos sabemos o quão complicada pode ser a relação entre os membros de uma família, mas até que ponto podem interferir na sanidade de um deles? Por meio de idas e vindas ao passado de cada um, Celeste procura nos mostrar a fundo a origem de cada problema, como o florecer do casamento entre James e Marilyn e sobretudo, as consequências do mesmo. Ela também nos dá pequenas dicas ao longo do livro, sobre o que pode vir a acontecer no desfecho – como a relação entre Nathan e Jack -, e mesmo assim nos surpreendemos quando algumas situações são reveladas.

“As pessoas formam uma opinião antes de conhecerem você. — Olhou para ele, subitamente ousada. — Mais ou menos como você fez comigo. Elas acham que sabem tudo a seu respeito. Só que você nunca é o que elas pensam.” 

 Algo que me desapontou em Tudo o que nunca contei é o fato do livro não seguir o estilo policial, mas sim o drama. A morte de Lydia é apenas o estopim para um copo d’água que há muito estava transbordando e é sobre isso que a autora deseja nos falar. Até que ponto o orgulho de um ser humano pode ser superior do que o bem estar daqueles que mais amamos? Celeste faz questão de descrever cada mínimo detalhe de cada momento, o que torna o livro relativamente monótono em diversas partes – mais do que o necessário. A autora poderia ter abordado melhor os diálogos entre os personagens, ao invés de tentar relatá-los por meio frases indiretas.

Quando Celeste optou por não focar sua história em algo específico, mas sim na rede de segredos entrelaçados na família, ela não nos trouxe para perto da trama o suficiente e não conseguimos nos identificar ou desenvolver empatia por alguém. A autora poderia ter abordado melhor os diálogos entre os personagens, ao invés de tentar relatá-los por meio frases indiretas. Apesar disso, não há como negar o talento dela para a escrita e principalmente o fato de que sua narrativa é intrigante. Tudo o que nunca contei nos faz pensar e refletir sobre a vida, e isso pra mim é sinal de um bom livro.

Ler é Bom, Vai | O melhor de John Green e David Levithan está presente em Will & Will – um nome, um destino

John Green ficou conhecido no mundo inteiro como o autor de A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel, duas de suas obras que tiveram adaptações cinematográficas. Muitos não sabem, porém, que ele é o autor de livros igualmente maravilhosos e que apenas não tiveram seus direitos comprados – ainda. Um deles é Will & Will – um nome, um destino, escrito em parceria com outro de meus autores favoritos, David Levithan, e publicado pelo Grupo Editorial Record. A mensagem dessa produção deveria ser propagada e espalhada pelos quatro cantos do mundo. O livro aborda temáticas ainda incrustadas na sociedade como homossexualismo e preconceito, então se você ainda vive no século passado e tem problemas com isso, leia o livro de lado e tente desfazer sua mentalidade arcaica.

Como o título mesmo já diz, o livro conta a história de dois garotos com o mesmo nome e que tem apenas isso como semelhança. O destino resolve entrar em ação e os dois se conhecem em uma sex shop em Chicago após decepções na vida de cada um. Will Grayson vive na cidade e tem como melhores amigos Jane e Tiny, um jovem homossexual assumido e preocupado apenas em aproveitar as oportunidades da vida. O outro Will Grayson mora com a mãe, em um estado evoluído de depressão e tendo desistido da felicidade da vida e do amor, após sua amiga Maura fingir ser seu namorado virtual. Será por meio das forças de seu “xará” e de uma pequena ajuda e Tiny que ele encontrará uma razão para voltar a sorrir novamente.

“Quando as coisas se quebram, não é o ato de quebrar em si que impede que elas se refaçam. É porque um pedacinho se perde – as duas bordas que restam não se encaixam, mesmo que queiram. A forma inteira mudou.”

Um dos pontos chaves do trabalho de Green e Levithan é a naturalidade como tudo é abordado, sem enfoque no fato de que fulano é gay ou ciclano é hétero; todos são pessoas e tratados como tal, independente de sua opção sexual…assim como a sociedade deveria fazer. Os Wills contam sua história de maneira alternada – o que no início pode parecer confuso -, e nos encantam de sua própria maneira particular assim como os responsáveis por narrar suas vidas. Os fãs de cada autor irão identificar seus traços nas páginas e um corrobora com o outro para tornar uma obra maravilhosa de se ler.

Will & Will – um nome, um destino é daqueles livros que acabamos em uma tarde no sofá tomando uma xícara de chá, com sua trama envolvente e 350 páginas que voam em frente aos olhos. Comédia, romance, drama e uma dose necessária de moral se misturam e a dupla de autores sabe exatamente como encaixá-los no enredo para que se torne algo fluido e gostoso de ler. Além disso, a empatia que a história nos proporciona para com os personagens é importante para mostrar a quem quer que esteja lendo que infelizmente, a aceitação e compreensão por parte dos colegas de Will estão longe de se tornarem algo recorrente em nosso dia à dia.

A grande lição que John Green e David Levithan nos dão é que nada importa quando o assunto é amor, amadurecimento e aceitação. Ninguém é obrigado a ser igual a outra pessoa, mas sim a aceitá-la e respeitá-la acima de qualquer coisa. Existem milhões de Wills espalhados pelo mundo e assim como os dois personagens do livro, estão mesclados na sociedade e muitas vezes não paramos para perceber, apenas julgar.

“Sua vida é essa mesma. E, sim, ela é uma merda. A vida costuma ser assim. Portanto, se quer que as coisas mudem, não precisa trocar de vida. Você precisa tirar a bunda da cadeira.

 

Ler é Bom, Vai | Minha Metade Silenciosa, um livro necessário de Andrew Smith

Em tempos onde o combate ao bullying está em alta nas redes sociais, seja pelo “jogo da baleia azul” ou pela maravilhosa produção da Netflix, 13 Reasons Why, resolvi escolher um livro com temática semelhante para o Ler É Bom, Vai! de hoje.

Minha Metade Silenciosa narra a vida de Stark McClellan, um menino alto e franzino de 14 anos e que por conta de suas características físicas recebeu o apelido de Palito. Esse é, porém, o menor dos problemas de Stark em relação aos pré julgamentos, já que a razão de todo o bullying sofrido por ele é o fato de que ele nasceu “deformado” com apenas uma orelha – entenderam o título? Seu irmão mais velho Bosten sempre tenta o defender nas mais diversas situações, mas quando o assunto é a violência e o abuso dentro da própria casa, os dois meninos sofrem juntos. Enfrentar a adolescência já é complicado quando temos o apoio de nossa família e um lugar seguro para retornar no fim do dia. Stark nem isso tem. Quando o irmão foge de casa para escapar do pai, o menino vê tudo desabar e resolve ir atrás dele. Inicia-se então a maior aventura de sua vida.

“E nada do que aconteceu conosco faria sentido se eu não deixasse os verdadeiros monstros que nadavam em minha cabeça aflorarem e mostrarem seus dentes. E não há amor na minha casa, somente regras.” 

Viajar sozinho e sem rumo ajuda o menino a amadurecer e deixar para trás algumas coisas supérfluas que costumavam importar. As belas palavras do autor nos levam ao lado de Stark e por mais que muitos talvez fizessem parte do time que seriam maus com o menino, não há como não se identificar com o sofrimento e angústia que o mundo lhe oferece. Assim como aconteceu em Os Treze Porquês, houve diversos momentos em que quis entrar pelas páginas e defender o garoto das pessoas perversas que cruzam seu caminho, mas mais uma vez Andrew Smith nos oferece o conforto de saber que ainda há esperança na sociedade – mesmo que pouca.

Minha Metade Silenciosa é daqueles livros que você termina em poucas horas e depois se pergunta porque fez isso, já que gostaria de ter mais história para ler. Os personagens são tão complexos e bem desenvolvidos que nenhuma ponta fica solta no fim. Mesmo tendo suas próprias tramas para contar, cada um é uma peça no grande quebra-cabeça elaborado por Smith. Não pense você que a trama é infantil por se tratar de um livro “para adolescentes”, pois os abusos psicológicos e sexuais sofridos por Boston estão presentes em mais casas do que imaginamos pelo mundo, e é um tema não suficientemente abordado. A hipocrisia, a homofobia e o preconceito ainda estão incrustados em alguns seres humanos – se é que podemos nos referir assim -, e cabe a nós evitar que mais Starks e Bostens sofram por isso.

Apesar de ser um drama em boa parte do tempo, há momentos de amor e ternura nas páginas de Andrew representando a famosa luz no fim do túnel. O conforto familiar oferecido pela tia dos rapazes simboliza aquele resquício de ilusão de que tudo ficará bem – por mais que demore, fica. O autor não nos poupa de palavras pesadas e intensas, sejam elas boas ou ruins, e farão o leitor emocionar-se em ambas as situações. Como o livro é narrado sob o ponto de vista de Stark, temos toda e completa noção do que os olhos adolescentes e castigados estão vendo, além dos sentimos reais expressos em seu “diário”. Muitas vezes nos questionamos se aguentaríamos metade do que o menino sofre e continua sorrindo, amando e vivendo sua vida como um garoto de 14 anos.

Seres humanos precisam daquele buraco, para que as coisas possam sair. As coisas entram na minha cabeça e ficam quicando lá dentro até arrumarem um jeito de sair.

Um livro que nos mostra o real valor da amizade entre irmãos, o quão ruim um ser humano pode ser – mesmo que ele seja seu pai, a perseverança de continuar vivendo dia após dia e quanto amor pode existir dentro de uma pessoa. Minha Metade Silenciosa entra na lista de livros necessários a serem abordados até mesmo em escolas e faculdades, visto que ainda encontramos esses “problemas” entranhados na sociedade.

Ler é Bom, Vai | O colorido e magnífico universo de WondLa

Muitas são as vezes em que um livro nos engana pela capa. Cores brilhantes e chamativas, desenhos bem trabalhados ou paisagens enigmáticas são alguns dos exemplos mais conhecidos, mas graças à tecnologia e a criatividade de seus autores, são inúmeras as opções. Quando recebi em casa o exemplar de A Batalha por WondLa, do autor e ilustrador Tony DiTerlizzi (de “As Crônicas de Spiderwick”) e publicado pela Editora Intrínseca, descobri ser o último de uma trilogia iniciada em 2012. As ilustrações das capas, os desenhos estampadas nas páginas e os comentários de Rick Riordan na frente dos três livros aguçaram minha curiosidade e quando percebi já estava com os dois precursores nas mãos.

DiTerlizzi criou um mundo mágico recheado de fantasia, cores e personagens maravilhosos, além de desenvolver um enredo entrelaçado durante os três livros, que irá captar a atenção do leitor até o fim. As três edições foram elaboradas com primor, compostas por páginas grossas e intercaladas com as ilustrações do autor, sempre muito bem feitas e relevantes em um universo tão abstrato. Os seres que habitam o planeta Orbona são desconhecidos, apesar de bem detalhados, tornando fundamentais as “fotos” idealizadas por Tony.

Nomeado Em Busca de WondLa, o primeiro livro narra a jornada de Eva Nove, uma menina de 12 anos que vive com sua mãe, a robô Mater, em uma espécie de bunker completamente automatizado no subsolo. A menina foi criada no Santuário e nunca viu o mundo exterior, nunca conheceu ninguém além da robô e nunca comeu ou bebeu nada que não fossem comprimidos, purificadores de água ou NutriBarras. Eva sonha em conhecer a superfície e encontrar outros de sua espécie – humanos -, mas de acordo com Mater e seu Onipod, ela precisa estar preparada. A menina passa pelas mais variadas simulações holográficas, representando situações de risco que poderiam vir a ocorrer, inclusive perigos fatais.

Logo ficamos sabendo de onde vem a palavra que dá nome ao título. Durante uma de suas muitas explorações pelo Santuário, Eva encontrou um pequeno azulejo com a imagem de uma menina de mãos dadas com um homem e um robô exalando felicidade, e decidiu que era aquilo que queria para sua própria vida. Por mais que estivesse quebrado, ainda foi possível distinguir as letras W-O-N-D-L-A, e desde então, Eva passou a procurar o seu WondLa. A segurança da criança é dissolvida quando uma gigante criatura invade o Santuário e destrói tudo, restando a Matter enviar a menina para a superfície. DiTerlizzi descreve minuciosamente cada segundo e transparece a angústia das duas ao ver sua vida virar um caos, e antes que percebamos estamos torcendo para que tudo dê certo.

Você deve estar se perguntando quem é a criatura à esquerda na foto e ele é simplesmente o segundo melhor personagem da história – você já vai conhecer o primeiro. Eva descobre um mundo completamente diferente daquilo que Mater lhe ensinou, começando pelo nome: a Terra agora se chama Orbona, e é habitada pelos mais diversos e curiosos alienígenas. Entre eles está Andrílio Kitt (o azul da foto), um cæruleano simpático e gentil que se transforma no melhor amigo de Eva, servindo de conselheiro e protetor quando ela mais precisa. É graças a Andri que a menina consegue desvendar os mistérios do planeta e seguir sua busca por outros humanos, mesmo que acabe encontrando os piores problemas de sua vida. No final do primeiro livro conhecemos Hayley, o primeiro garoto que Eva conhece na vida e que está disposto a levá-la para seu grande sonho.

O primeiro melhor personagem é, em minha opinião, o gigante urso-d’água Otto. Extremamente fiel a criança, ele acompanha a trupe em busca dos humanos de Nova Ática – uma cidade habitada por pessoas que assim como Eva, nunca viram o mundo. O que parecia um sonho, logo se torna no pior pesadelo possível e os habitantes da cidade – principalmente o líder Cadmus – revelam-se piores do que o desconhecido do lado de fora.Aqui Tony nos introduz uma Eva mais madura após a perda da mãe, e já não é mais a garota mimada do primeiro livro. Mais uma vez, graças as ilustrações do autor, acompanhamos “de perto” a transformação física da menina e de tudo a sua volta, descrito no vocabulário criado por Tony dentro desse universo tão complexo e encantador. Logo nos transportamos para Orbona e viajamos na imaginação.

Fala sério, quem não gostaria de levar o Otto para casa?

Em 2017 finalmente a trilogia chegou ao fim com o livro A Batalha de WondLa e quem diria, deixou aquela sensação de vazio quando a história acabou. Tony nos prende tanto a sua trama que três “livros infantis” foram devorados em menos de uma semana, e ver um desfecho se aproximando é desanimador. Ver o quanto Eva cresceu nos enche de orgulho e aprendizado, pois assim como ela, não conhecemos todo o mundo que vivemos. Amizade, confiança, amor e lealdade são alguns dos princípios muito valorizados do início ao fim, e quando algum deles é quebrado, temos vontade de entrar nas páginas e ajudar a menina a resolver. Não se desespere se parecer que as páginas estão passando e os perigos aparentam estar longe de uma solução, pois não é agora que DiTerlizzi nos decepciona. 

A tão sonhada família de Eva brota diante de seus olhos a medida que ganha novos amigos. Não é porque é composta de humanos e alienígenas que não pode representar uma família, certo? Diante da possibilidade de perder tudo e todos que mais ama, a menina se vê no meio de uma guerra de traições, egoísmo, egocentrismo e covardia, e tem de apelar para o âmago de sua personalidade para não desmoronar. Assim como toda fábula, a história de Tony tem um fim e a forma como ele chega e é exposto ao leitor não poderia ser diferente de esplêndida. Um belo desfecho para uma história tão bonita e criativa, certamente algo muito divergente do que esperava quando abri a primeira página do primeiro exemplar.

Ler é Bom, Vai | A Cabana oferece uma visão ampla e literária sobre religião

“Os humanos estão tão perdidos e estragados que para vocês é quase incompreensível que as pessoas possam trabalhar ou viver juntas sem que alguém esteja no comando.”

Há muito tempo não ouvíamos falar de A Cabana, livro de William P. Young. Publicado em 2007 nos Estados Unidos e em 2008 no Brasil, a obra já vendeu mais de 18 milhões de cópias no mundo, e voltou a ser assunto em redes sociais esse ano. O motivo? Simples, Young terá sua história transmitida nas telas de cinema, 10 anos depois, contando com um elenco de peso na pele de seus personagens ( Sam Worthington, Octavia Spencer, Alice Braga e muitos outros).

Muitos irão questionar os motivos de Young ter publicado seu livro e do mesmo ter feito tanto sucesso. A Cabana é basicamente um livro – polêmico – sobre religião, fé e principalmente, até que ponto um homem está disposto a ir para atingir o fundo do poço. Não pense, porém, que caso você não acredite em Deus – como eu – esse livro não é para você. Existe algo muito maior nas palavras do autor que irá captar sua atenção e surpreendê-lo a medida que a trama se desenvolve. Entretanto, nem tudo são flores. A leitura desse livro é monótona e carregada de discursos longos, que me fez chegar muito próximo de largá-lo de lado e procurar uma história de ficção. Os momentos de resolução do crime principal são curtos, rodeados de momentos de reflexão que poderiam ter durado muito menos.

A Cabana conta a história de Mackenzie Allen Phillips (Worthington), um pai que vive em uma espécie de “bolha de tristeza” após a morte de sua filha mais nova, Missy. A maneira como a menina foi levada de sua vida e do mundo acabou com a vida de Mack e de sua família, além de devastar o resquício de fé que ele tinha em Deus. Quatro anos depois da tragédia, um singelo bilhete surge na caixa de correio da família endereçado a Mack, e o que parecia ser apenas uma brincadeira se transforma na corda que irá tirá-lo do fundo de sua Grande Tristeza. Disposto até mesmo a aceitar o fim da própria vida, ele retorna a fatídica Cabana, local onde seu pior pesadelo começou, esperando encontrar o assassino de sua filha. O que ele encontra, porém, são as últimas pessoas que imaginara ver um dia: Deus, Jesus e o Criador.

“Só porque você acredita firmemente numa coisa não significa que ela seja verdadeira.”

Mack precisa de uma redenção em sua vida, carregada pelo fantasma da morte de Missy, e a encontra nas palavras e ações do trio celestial presente na cabana. Lá, o homem aprende importantes lições como o perdão, a tristeza, a aceitação e a vingança. Para muitos tudo pode não passar de asneiras motivacionais, ou até mesmo um livro de auto ajuda, mas não devemos ser tão céticos assim ao ler A Cabana. O livro de Young carrega termos e cunhos religiosos, mas oferece uma trama simples e densa, onerada pelo desconsolo da perda de alguém tão próximo. Não é preciso acreditar em Deus para entender o sofrimento de Mack e solidarizar-se com as lágrimas derramadas. As lições ensinadas por Papai, Jesus e Sarayu são ao mesmo tempo profundas e rasas, relembrando-nos de circunstâncias banais onde possamos ter julgado errado, interpretado errado e por consequência, reagido errado.

“Deus não precisa castigar as pessoas pelos pecados. O pecado já é o próprio castigo, devora as pessoas por dentro. O objetivo de Deus não é castigar, Sua Alegria é curar.”

A Cabana diverge a opinião de quem o lê. É daqueles livros que ou você ama, ou odeia, visto que é preciso paciência para chegar até o fim. O desfecho da trama é surpreendentemente bonito e feliz, após páginas e páginas de dor e sofrimento. A maneira como Young transcorre o delicado – e polêmico – assunto de religião é diferente de muitas “lavagens cerebrais” que encontramos por aí. Em momento algum o autor te força a acreditar em tudo aquilo que está escrevendo, mas o tema fé está presente em cada acontecimento descrito. Então se você é um ateu radical indisposto a ler qualquer tipo de matéria que carregue o nome Deus, esse livro não é para você. Caso você não seja, apesar dos momentos lentos e extensos, A Cabana é um livro que nos faz abrir a cabeça e pensar muito naquilo que fazemos.

Não estou pedindo que acredite em nada, mas vou lhe dizer que você vai achar este dia muito mais fácil se simplesmente aceitá-lo como é, em vez de tentar encaixá-lo em suas idéias preconcebidas.

Ler é Bom, Vai | Antes que Eu Vá reflete sobre a curta duração de uma vida

Essa semana resolvi continuar o que vinha fazendo nas postagens anteriores…falar sobre livros que tiveram ou terão sua história adaptada para as telas. Diferente dos anteriores, Antes que Eu Vá será exibido nos cinemas e não na tela do computador ou televisão, razão pela qual precisava falar sobre ele após recebê-lo em casa (obrigada Intrínseca!).

Já imaginou o que aconteceria se juntássemos Meninas Malvadas, Como se Fosse a Primeira Vez e Contra o Tempo? Não? Provavelmente teríamos a história de Antes que Eu Vá, livro de Lauren Oliver. Apenas pela sinopse podemos perceber a referência ao primeiro filme, visto que “Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no Thomas Jefferson, o colégio que frequenta — da melhor mesa do refeitório à vaga mais bem-posicionada do estacionamento”. Ter tudo, porém, não significa nada quando você morre, já que a morte é algo que todos irão passar um dia -independente de seu nível de popularidade.

“Você acha que eu estava sendo tola? Ingênua? Tente não me julgar: lembre-se que somos iguais, eu e você.
Também pensei que fosse viver para sempre…”

Um terrível acidente de carro termina com o reinado de Sam e seus privilégios, mas diferentemente do que acontece com a maioria das pessoas, ela não permanece morta. Durante uma semana a vida da menina sofre um ‘reset’ e começa na manhã do dia 12 de fevereiro — o dia do acidente —, com a diferença de que ela lembra de tudo o que aconteceu no “dia anterior”. E as pessoas não.

Ser obrigada a lidar com a morte, esquecimento, fim e solidão mexe com a cabeça de Sam, e a fazem enxergar a vida com outros olhos. Lauren Oliver começa aí sua aula, mostrando ao leitor o verdadeiro significado de nossas ações. Será que um simples olhar ignorado no corredor ou receber uma rosa — ou um buquê — no Dia do Cupido tem a mesma importância para todos? Sam descobre que não da pior maneira possível.

“As crianças sempre fazem esse tipo de coisa umas com as outras. Não é nada demais. Sempre vai haver uma pessoa rindo e outra sendo o motivo da graça. A grande questão em crescer é aprender a ficar do lado de quem ri.”

A cada dia que passa, Sam procura corrigir as coisas que fazia antes do acidente e acaba por descobrir segredos há muito escondidos e nunca revelados, que podem levar uma pessoa a querer tirar sua própria vida. É o que aconteceu com Juliet Sykes, uma menina do colégio vítima de bullying há anos, originado no grupo de amigas de Sam. Ver uma outra jovem estar disposta a acabar com a própria existência — coisa que Sam está tentando evitar — a faz repensar seus atos, e ela toma como meta de vida, evitar um suicídio. Entretanto, uma série de acontecimentos estão interligados e culminam para o que Juliet está prestes a fazer, razão pela qual estereótipos têm de ser deixados de lado e preconceitos desfeitos para que tudo dê certo. Mais uma vez, Lauren expõe comportamentos de Sam que certamente serão semelhantes a muitos que um dia tivemos na vida. Muitos leitores estarão do lado da protagonista, mas muitos estarão também, do lado de Juliet.

É claro que o amor não ficaria de fora de tudo isso, afinal estamos falando de uma adolescente popular no auge de seu ensino médio. Não é muito difícil imaginar o namorado de Sam, após toda a descrição feita até aqui. Rob é igualmente popular e desejado por várias outras meninas, mas sem possuir um só neurônio. O oposto é revelado em Kent McFuller, o nerd dos olhos claros apaixonado por Sam e alvo de boa parte de suas piadas. A imagem dos dois garotos é igualmente construída e desconstruída pela autora nos momentos certos, a medida que passam as páginas. Não é sempre que o óbvio é a melhor opção, por mais que muitas vezes preferimos optar pelo mais fácil. Kent é o responsável pela única ponta de esperança que tudo corra bem no fim, pois diferentemente do que acontece na maioria das vezes, é pelo nerd que nos apaixonamos.

“Quando sairmos do colégio, vamos olhar para trás e saber que fizemos tudo certo, que beijamos os caras mais bonitos, fomos às melhores festas, fizemos bastante besteira, ouvimos música alto demais, fumamos cigarros demais, bebemos demais, rimos demais e ouvimos de menos, se é que ouvimos alguma coisa.”

O único ponto negativo do livro é uma certa repetitividade, uma vez que o mesmo dia recomeça sete vezes. Chegamos a um ponto da leitura que a mesma se torna cansativa e dá vontade de pular logo para o final. Tenham paciência, Oliver fez questão de nos compensar. Confesso que fiquei com medo em relação ao desfecho, pois após 350 páginas de comportamentos fúteis e imaturos por parte de Sam, um final de conto de fadas seria inconcebível. Entretanto, não há como não ficar triste pela morte de Sam, mesmo que seja uma tristeza boa. A menina que começou o livro não é a mesma que o termina, e sentimos orgulho pelas decisões que ela resolve tomar. A lição final que Lauren nos dá pode ser resumida em uma famosa frase de Antoine de Saint-Exupéry, autor de “O Pequeno Príncipe”: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. E Sam se tornou.

Ler é Bom, Vai | O denso e maravilhoso universo de Os Treze Porquês

Antes de Os 13 Porquês, o livro mais rápido que li na vida tinha sido em 6 horas e foi O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Diversas pessoas me recomendaram a leitura da obra de Jay Asher, alegando ter sido um dos melhores que já leram…e agora, 4 horas depois,  posso dizer que compartilho a opinião.

Como é de se imaginar após o tempo que leve para concluir a trama, Os 13 Porquês tem uma leitura extremamente fácil, gostosa e fluida – dessas que não nos dá vontade de parar -, instigando o leitor a concluir a história o mais rápido possível. Além disso, a maneira como nos identificando com os dois protagonistas nas mais distintas maneiras pode lhe assustar. Obviamente, não estou dizendo que você vai terminar o livro e querer cometer suicídio, pelo amor de Deus, mas irá abrir os olhos para as pessoas que estão ao redor. Um sorriso no rosto nem sempre significa um sorriso interno.

“É importante estarmos consciente do modo como tratamos os outros. Mesmo que alguém pareça ignorar um comentário casual ou não se deixar afetar por um boato, é impossível saber tudo o que se passa na vida daquela pessoa e o quanto podemos ampliar sua dor.”

O livro conta a história de Clay, um adolescente que recebeu uma caixa de fitas cassete no correio, numeradas de 1 a 13. As fitas por sua vez contam a história de Hannah Baker, jovem que tirou a própria vida duas semanas antes e quer que um grupo seleto de pessoas ouça o motivo por tal radical decisão. Por meio de uma lista numérica, as fitas são passadas através do grupo até o número 13, oferecendo as versões de Hannah de boatos que circulavam na escola. Chegou a vez de Clay ouvir, e com ele, tomamos conhecimento do conteúdo de cada um.

A narrativa intercala os dias atuais – com os pensamentos de Clay a medida que ele ouve a histórias -, e duas semanas antes, quando Hannah ainda pensava sobre sua vida. Personagens secundários vão surgindo a cada vez que o menino aperta o play, descritos por ele e pela jovem de sua própria percepção. Por mais que você não esteja mais na escola, duvido não se identificar com os problemas relatados pela menina, ou que até mesmo já tenha passado por isso. As palavras de Asher conseguem entrar na cabeça e nos transportar para a mente de Clay, compartilhando suas agonias e irritações com os responsáveis pela morte de Hannah.

“Vocês não sabem o que estava passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser a de vocês. E quando estragam alguma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não dá para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga uma parte da vida de alguém, você estraga a vida inteira da pessoa. Tudo… é afetado.”

Os 13 Porquês pode ser considerado um livro de auto-ajuda, para crianças e adolescentes que sofrem calados. O número de jovens que optam por acabar com a própria vida para fugir do sofrimento é maior do que muitos de nós imagina, e ter isso retratado não apenas na literatura, mas também em uma série é essencial. Sim, para quem ainda não sabia, a história de Jay Asher vai virar uma série da Netflix ainda esse mês, estreando no dia 31 de março. Então corre para descobrir tudo antes de vir ao ar!

“Você pode ter ouvido boatos, mas não pode dizer que sabe alguma coisa de verdade só por causa deles.”

As gravações de Hannah são intensas e muitas pegam Clay de surpresa, uma vez que ele só conhecia a versão dos boatos que circulavam pelas bocas dos alunos. Ouvir o que realmente aconteceu pode ser mais significante do que parece. Não houve uma pessoa responsável pela morte da menina, mas sim uma série de fofocas, criadas pelas pessoas da fita, que desencadearam um transtorno de incapacidade em Hannah e a levaram a tomar os comprimidos. A culpa que consome Clay por não ter percebido nada é devastadora e mais uma vez nos leva a pensar…até que ponto conhecemos alguém?

Ler é Bom, Vai | O macabro e o terror se misturam em Os Três, de Sarah Lotz

Existem livros que, logo de cara, entregam sua temática principal. Apenas ao observar a capa de Os Três, percebemos que algo de sombrio circunda as páginas do livro, e tudo se confirma através de sua sinopse.

Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas… Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele… Essa mensagem irá mudar completamente o mundo.

Uma ótima palavra para definir a leitura de Os Três é perturbadora. Por mais que comece de maneira lenta e estável, quando menos percebe-se, já estamos relendo algumas frases para ter certeza se lemos direito. Quem escolher lê-lo, deve persistir nas palavras de Sarah Lotz, sabendo que será recompensado no final. O suspense nos envolve de uma maneira que precisamos saber o que irá acontecer no final.

Quatro aviões caem, em diferentes partes do mundo, quase ao mesmo tempo… coincidência? Para corroborar com o inacreditável, existiram três sobreviventes: Bobby, Jess e Hiro, três crianças (não sei vocês, mas sempre que crianças estão envolvidas meu sensor de medo dispara!). Os jovens não têm nada em comum, apenas o trágico acidente e a intensa exposição a mídia por consequência. Entretanto, a medida que o mistério começa a se desenvolver, algumas coincidências passam a conectá-las das mais bizarras maneiras.

Assim como em séries e filmes, teorias a cerca dos acidentes surgem de vários lugares e pessoas, cabendo ao leitor decidir qual aceitar. De alienígenas a Cavaleiros do Apocalipse, a população começa a especular motivos para apenas aquelas três crianças terem sobrevivido a acidentes aéreos. A existência de teorias pode tornar tudo um pouco confuso, caso você seja uma pessoa objetiva e ansiosa, pois Sarah nos oferece provas de que todas podem estar certas, aumentando o mistério em torno do tema central. É justamente essa ansiedade que nos faz devorar o livro rapidamente.

 

A solução adotada por Lotz para conclusão da trama pode não ter sido a mais inteligente ou adequada, em minha opinião. Após bolar diversas teorias e hipóteses para explicar não apenas a sobrevivência das crianças, mas as mortes que as rodeiam, nada é explicitamente revelado no fim. Ela deixa para o leitor decidir o que melhor lhe convém em relação ao acidente, e muitas pessoas (eu, por exemplo) não são fãs de finais deixados em aberto. Não pensem, porém, que o livro não mereça ser lido. O suspense, o macabro, o terror e a ansiedade nos envolvem e a leitura se torna rápida e emocionante.

Em Os Três, o leitor se transforma em detetive e busca uma solução e/ou explicação para a sobrevivência de três crianças. Lotz procura nos dar diversas pistas, ao mesmo tempo que não nos dá nenhuma. Cenários como a floresta Aokigahara (conhecida como floresta do suicídio) foram utilizados como cenários principais do livro, então apesar de não ser um típico livro do gênero terror, existem momentos que vão te deixar paranóico. O livro pode não te assustar, mas certamente causa um impacto.

Ler é Bom, Vai | Todo ser humano deveria ler O Menino do Pijama Listrado

Essa semana, baseada na posse de Donald Trump nos Estados Unidos, resolvi falar de um livro que me marcou muito, dentre todos que já li até hoje. O livro é relativamente antigo, assim como o filme de mesmo nome, que foi muito bem adaptado para o cinema em 2008, mas ainda permanece com um dos mais importantes.

John Boyne criou uma história onde os dois protagonistas são crianças por volta de seus 9 anos de idade. Enquanto um é filho de um oficial nazista, o outro é judeu. Juntos, Bruno e Shmuel criam a mais proibida e pura das amizades, caracterizando a inocência de uma criança em relação a religião, cor da pele e outros tipos de “distinções”.

O Menino do Pijama Listrado descreve o surgimento de uma amizade entre um judeu e um alemão, em plena Segunda Guerra Mundial, que de tão comovente parece real. Enquanto o pai e o professor de Bruno tentam convencer o menino de que os judeus são a pior raça possível, ele só quer ser um explorador e conhecer o mundo. Durante uma de suas pequenas expedições no quintal, ele se depara com uma enorme cerca e diversas pessoas vestindo pijamas listrados. Uma delas, é Shmuel.

Aos 9 anos de idade, tudo que uma criança quer é brincar e fazer amigos, e Bruno não é diferente disso. É com esse pensamento que o menino se aproxima do jovem judeu, e o trata com seu igual, independente do fato de Shmuel não ter cabelo, ser magro e todo sujo. Curiosamente, os dois nasceram no mesmo dia, e a partir dessa descoberta a amizade só floresce, assim como os questionamentos de Bruno perante os adultos.

Uma das principais lições que o livro nos dá é a ingenuidade das crianças, que não entendem o ódio, o medo e a repulsa de pessoas que, sem nenhum motivo aparente, são taxadas de diferentes. Tudo que Bruno quer é um amigo e o encontra do outro lado de uma cerca de arame farpado.

“A infância é medida por sons, aromas e visões, antes que o tempo obscuro da razão se expanda.”

“Você é o meu melhor amigo, Shmuel”, disse ele. “Meu melhor amigo para a vida toda.”

Toda criança, jovem ou adulto deveria ler O Menino do Pijama Listrado. Diariamente temos mais e mais confirmações do quão racista e preconceituoso o mundo está, e encontrar uma história de amizade em meio a tudo isso é algo que deve ser mencionado. O nazismo de Hitler é apenas um exemplo do ódio disseminado por palavras e ações, mas assim como ele, muitos outros ainda existem e surgem por aí.

Com apenas 192 páginas, o livro é curto e a leitura rápida, o que não o torna menos bonito ou profundo. O conteúdo foi todo adaptado para o cinema, em um filme igualmente emocionante, mas vale a leitura primeiro. John Boyne conseguiu tratar um assunto tão polêmico e pesado, de maneira infantil e graciosa, abrindo os olhos de quem lê sua trama. O Menino do Pijama Listrado é, até hoje, um dos meus livros favoritos e considero obrigatória a sua leitura!

Ler é Bom, Vai | Os Legados de Lorien é uma das melhores sagas de todos os tempos!

Primeiramente, feliz ano novo a todos!

Como primeiro Ler é Bom, Vai! do ano, resolvi falar da saga, que há 1 ano fez eu me apaixonar novamente por uma série com mais de 5 livros (o que não acontecia desde Harry Potter). O texto será um pouco maior do que o habitual, pois irei falar de 7 livros + ebooks extras.

Em fevereiro de 2016, meu melhor amigo me fez ler Eu Sou o Número Quatro, primeiro da saga Os Legados de Lorien, e quando percebi já estava comprando os outros 5. Você provavelmente já ouviu falar desse nome, pois é o mesmo do filme de 2011, única adaptação cinematográfica da história. Infelizmente, o filme foi um fracasso e conseguiu ser uma adaptação pior do que Percy Jackson.  Acreditem, o livro é muito melhor, como sempre.

A história gira em torno de 9 jovens alienígenas nascidos no planeta Lorien, um lugar semelhante ao paraíso, destruído por uma outra raça alienígena do planeta Mogadore, os mogadorianos. Pittacus Lore e mais outros anciões lorienos, enviaram os jovens para terra para sobreviver, e quem sabe um dia, reconstruir sua casa. Entretanto, os lorienos não são os únicos com interesses na terra.

Os 9 jovens recebem o nome de Garde, além de um número individual que representa a ordem que foram programados para morrer. Buscando protegê-los dos mogadorianos, os anciões estabeleceram uma espécie de encantamento, onde esses jovens só podem ser mortos em ordem numérica crescente; caso contrário, qualquer tipo de tentativa de assassinato fora da ordem, vira contra o agressor.

“Nosso plano era crescer, treinar, ser mais poderosos e nos tornar apenas um, e então combatê-los. Mas eles nos encontraram antes. E começaram a nos caçar. Agora, todos nós estamos fugindo. O Número Um foi capturado na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Eu sou o Número Quatro. Eu sou o próximo.”

Não estranhem o nome do autor, é o mesmo do ancião citado anteriormente. Pittacus Lore é o pseudônimo de James Frey e Jobie Hughes, autores da saga, mas que preferiram fazê-la como uma espécie de livro de memórias de Pittacus. O ancião passou seus últimos 12 anos de vida na Terra, e conta em seus livros, a história daqueles responsáveis pela lembrança de Lorien.

Em cada obra conhecemos um novo integrante da Garde, aquele mencionado no título do livro, ou seja, número Quatro, Seis, Nove e por aí vai. Além deles, somos apresentados também a seus Cepans, lorienos mais velhos enviados a terra para proteger seu respectivo jovem. Uma coisa é predominante em todos as 7 tramas, o ritmo frenético e tenso que circula as crianças, com raros momentos de tranquilidade e segurança.  John, o Número Quatro, está sempre presente, mas cada personagem tem um momento nos livros e capítulos.

O planeta Lorien foi devastado pelos mogadorianos, e seus habitantes, dizimados. Exceto nove crianças e seus guardiões, que se exilaram na Terra. Eles são como os super-heróis que idolatramos nos filmes e nos quadrinhos – porém, são reais.

Como ja foi visto em Eu Sou o Número Quatro, não são apenas os lorienos e mogadorianos que protagonizam a história. Logo de cara conhecemos Sam, um jovem humano que sofre bullying na escola até a chegada de John e cujo pai desapareceu misteriosamente. Além dele, juntam-se a causa Sarah, por quem John logo se apaixona, e Mark James, ex namorado da menina. E como não podia faltar, existem animais de Lorien que também foram enviados para cá, chamados Chimaeras, com destaque para o beagle Bernie Kosar.

A partir do terceiro livro, finalmente nos é apresentado o líder do planeta Mogadore, Setrákus Rá, e aí percebemos que não estamos lendo livros infantis. Não há um final feliz em cada trama, tendo desaparecimentos e mortes de personagens extremamente queridos por nós. Não, isso não é um spoiler, pois a partir do momento que a Garde vai se reunindo, o encantamento é quebrado e todos podem morrer, independente de seu número. John, Seis, Nove, Marina e Oito fazem o possível para encontrar os membros restantes e conseguir, por fim, destruir toda a raça mogadoriana liderada pelo ex lorieno.  

O que mais fez eu me apaixonar pela saga, além de esperar (im)pacientemente o lançamento de seus livros, é a maneira como os fatos se entrelaçam e guiam o leitor para um pensamento específico. Mesmo sem a existência dos outros filmes, conseguimos imaginar como tudo está acontecendo, como são seus personagens e, até mesmo, o que irá acontecer.

A ideia de não revelar o nome de seus atores foi muito boa, pois os livros realmente representam a visão de um lorieno de tudo aquilo que está acontecendo. Hoje em dia, existe um cardápio vasto do assunto alienígenas vivendo na Terra, e poder ler um material original, bom e bem escrito, é certamente uma ótima experiência. Obrigada Pittacus!

“Os seis são poderosos, porém não são fortes o suficiente para enfrentar um exército inteiro, mesmo com o retorno de um antigo aliado. Para derrotar os mogadorianos, cada um deles precisará dominar seus Legados e aprender a trabalhar em equipe. O futuro incerto faz com que eles busquem a verdade sobre os Anciões e seu plano para os nove lorienos escolhidos”.

Pode parecer que 7 livros seja muita coisa, mas certamente foi o que muitos pensaram ao ler “A Pedra Filosofal”. O assunto é tão bem abordado e elabordo, que terminamos o último com aquela já conhecida depressão pós término de um livro. Em momento algum o leitor é “enrolado” ou algo do tipo, pois existe um conteúdo novo e persistente em cada novo capítulo. Aprendemos a gostar até mesmo de alguns mogadorianos!

Esse ano, finalmente a saga Os Legados de Lorien teve seu desfecho e já estou com saudades. Compartilhei cada sentimento de ódio e raiva que surgiu em John após a perda de uma pessoa próxima, e toda a guerra finalmente toma forma. Diferente do que muitos julgam apenas pelo filme, o enredo desenvolvido por Pittacus Lore é maravilhoso e deveria ser lido por todos aqueles que gostam do assunto. Duvido você não gostar, se apaixonar por cada personagem, chorar em cada morte e sorrir quando algo bom acontece.

“- Olhe por esse lado – sussurra Sam quando vai até os outros. – Humanos, lorienos, mogs… temos o primeiro encontro das Nações Unidas Intergaláticas aqui. É um acontecimento histórico.”

O último livro fecha com chave de ouro, pois é nele que a grande batalha acontece. Ainda balançados pela perda no anterior, os jovens só querem saber de destruir Setrákus Rá, além de toda a horda mogadoriana. Assim como nós, a Garde não aguenta sofrer e usa tudo o que tem para acabar com tudo. O planeta Terra é o palco da grande guerra entre lorienos, humanos de todo o mundo, chimaeras e mogadorianos. Sim, o final é positivo, mas muito se lutou para chegar a ele.

Não pensem, porém, que após tanta guerra teremos um “felizes para sempre”, pois a vida não é assim. Mais uma vez, Pittacus está de parabéns por aquilo que escreveu. Uma saga composta por drama, romance, ação, suspense e aventura, e que definitivamente está entre as melhores de todos os tempos!

Ps: Existem e-books entre os livros, chamados de Os Arquivos Perdidos, e são complementares aos principais. Não deixem de lê-los, pois contém muitas informações referentes aos personagens . Todos estão disponíveis online na internet e no Amazon!

Ler é Bom, Vai | Deuses Americanos é um dos melhores livros sobre mitologia já escrito

Esse domingo, decidi falar sobre um livro que foi, para mim, um presente em 2016. Sempre fui fã do tema mitologia, seja ela qual for, mas é difícil achar uma trama que aborde esse tema e seja original. Deuses Americanos me foi recomendado por diversas pessoas, e quando a Editora Intrínseca mandou aqui para casa, tomei como um sinal e finalmente resolvi ler (muuuito obrigada Intrínseca!).

Datado de 2001, a obra possuí diversas edições com as mais diferentes capas, mas o mesmo conteúdo. Tive a honra de receber a chamada ‘edição preferida do autor’, com páginas amarelas (simplesmente não gosto de páginas brancas), capítulos expandidos, artigos, uma entrevista com Neil Gaiman, além de um ótimo texto de introdução

Deuses Americanos nos convida a pensar desde o início da história, utilizando-se de metáforas bobas e/ou inteligentes que tornam a leitura leve, em um livro de mais de 500 páginas. Confesso que tive receio de ler outra trama maçante, com termos históricos e arcaicos, mas é exatamente o oposto.

A história narra a vida de Shadow, preso a três, desejando terminar seu tempo e voltar para casa, para sua amada esposa Laura e para o conforto do lar.  anos e seu maior sonho é voltar para casa, estar novamente com a pessoa que ama, Laura, sua esposa. Desde o momento que recebe a notícia de sua soltura, a vida de Shadow vira de cabeça pra baixo e ele se vê sem chão. É neste momento que surge Wednesday (Quarta-feira é o Dia de Odin na mitologia nórdica) , um velho Deus ‘esquecido’ que busca o antigo reconhecimento e adoração do passado. Antes que perceba, o rapaz se vê envolvido com Deuses, os novos e os antigos, além de trabalhar para eles em troca de um caminho para seguir na vida.

A trama gira em torno de uma guerra, premeditada a acontecer, onde Shadow percebe ter um importante papel. De um lado os velhos deuses, como Odin, Anúbis, Tot e Loki; do outro, os novos deuses, como a Media, a Internet e a Televisão, ou seja, artefatos que cultuamos em nosso dia a dia. Enquanto os novos buscam reconhecimento, os antigos querem recuperar a devoção que lhes foi atribuída quando os novos ainda não existiam. Shadow é recrutado por Wednesday, para ajudar a reunir os deuses esquecidos, que vivem uma vida “humana”, e declarar guerra aos modernos.

Apesar de abordar diversas vertentes da mitologia, Gaiman deixa de fora dois panteões de deuses bem conhecidos, os Gregos e os Cristãos, apesar de existir apenas uma pequena referência com a presença da deusa Easter, que significa Páscoa em inglês. Os trocadilhos estão presentes do início ao fim do livro, então é bom prestar atenção e tentar adivinhar antes de ser revelado na história (confesso que não percebi).

Quando pensamos que não tinha como melhorar, Gaiman encerra o livro da maneira mais brilhante possível. Shadow finalmente consegue desvendar, de maneira surpreendente, o mistério introduzido no início da história. Ao finalmente encontrar o corpo de Alison McGovern, a trama segue por um caminho que eu não esperava, e revela o lado de um personagem, praticamente “esquecido”.

Por fim, nas três páginas finais, Shadow se encontra na Islândia. O rapaz está em um restaurante, quando é surpreendido por ninguém menos do que Odin. Não, não o Wednesday de antes, mas o verdadeiro Deus Nórdico. Quando acusado por Shadow, por ser o suposto vilão, o Deus responde

“Ele era eu, mas eu não sou ele”

Wednesday era Odin, mas a versão levada a América pela fé dos imigrantes, não o mesmo que vivia nos países Nórdicos e não o mesmo Odin levado a outros países pela fé de outros imigrantes.

A história se encaixa e se desenvolve de maneira tão sensacional que será levada as telas da televisão em 2017. Com um elenco de peso, composto por Ricky Whittle (da série The 100), como Shadow Moon; Ian McShane (de Piratas do Caribe e Game of Thrones), como Wednesday, Gillian Anderson (de Arquivo X), como Media, Emily Browning (de Desventuras em Série), como Laura Moon, Pablo Screiber (de Orange is The New Black), como Mad Sweeney, Crispin Glover (de De Volta Para o Futuro), como Sr World, e Jonathan Tucker (de O Massacre da Serra Elétrica), como Low-Key Liesmith.