Cinema: Estreias da Semana – [23 de Fevereiro]

A última semana do mês de Fevereiro chega com grandes estreias nos cinemas de todo o país, a super produção “A Grande Muralha” estreia no circuito estrelando os atores Matt Damon e Pedro Pascal, o diretor e também ator Ben Aflleck lança o filme “A Lei da Noite” com a distribuição de Warner Bros e a Paris Filmes apresenta “Internet – O Filme” com os youtubers Felipe Castanhari, Rafinha Bastos e PC Siqueira.

O ator Lucas Till protagoniza o filme “Monster Trucks” com os atores Jane Levy, Holt McCallany e direção de Chris Wedge, um dos filmes indicado ao Oscar 2017 de melhor filme o drama “Moonlight – Sob a Luz do Luar” estreia nos cinemas com a participação de Trevante Rhodes, Mahershala Ali e Janelle Monáe.

Confira a seguir os lançamentos da semana:

A Grande Muralha 

(The Great Wall) – EUA – 2016 – Ação – Duração: 103 min

Sinopse: No século XV, um grupo de soldados britânicos está combatendo na China e se depara com o início das construções da Grande Muralha. Aos poucos eles percebem que o intuito não é apenas proteger a população do inimigo mongol e que a construção esconde na verdade um grande segredo.

 

Trailer:

 

Diretor: Zhang Yimou

Elenco: Matt Damon, Andy Lau, Pedro Pascal

Distribuidora: Universal

Classificação: 12 Anos

A Lei da Noite 

(Live By Night) – EUA – 2016 – Ação – Duração: 128 min

Sinopse: Boston, década de 1920. Joe Coughlin, filho mais novo de um capitão de polícia, se envolve com o crime organizado. Ele aproveita seus dias rodeado de dinheiro e poder, mas suas escolhas podem levá-lo à prisão, ou até mesmo à morte. Adaptação do livro escrito por Dennis Lehane.

 

Trailer:

 

Diretor: Ben Affleck

Elenco: Ben Affleck, Zoe Saldana, Elle Fanning

Distribuidora: Warner Bros

Classificação: 14 Anos

Internet – O Filme

BRA – 2016 – Comédia – Duração: 95 min

Sinopse: Construído através da coletânea de oito esquetes, “Internet – O Filme” traz a irreverência e a espontaneidade dos conteúdos de humor audiovisual das redes sociais e da internet para o cinema. Em uma convenção de youtubers, os personagens entram em vários conflitos uma vez que todos eles estão em busca da fama a qualquer preço.

 

 

Trailer:

 

 

Diretor: Fillipo Capuzzi Lapietra

Elenco: Felipe Castanhari, Rafinha Bastos, PC Siqueira

Distribuidora: Paris Filmes

Classificação: 14 Anos

Monster Trucks 

EUA – 2017 – Ação – Duração: 105 min

Sinopse: Procurando um jeito de sair de sua cidade e se dar bem fazendo o que gosta, Tripp (Lucas Till) controi um Monster Truck, uma caminhonete gigante feita com peças de carros sucateados. Certa noite, depois de um acidente provocado por uma empresa que perfura o solo em busca de petróleo, uma estranha criatura busca no caminhão um esconderijo e encontra surpreendentemente, no rapaz, um amigo.

 

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Diretor: Chris Wedge

Elenco: Lucas Till, Jane Levy, Holt McCallany

Distribuidora: Paramount

Classificação: Livre

Moonlight: Sob a Luz do Luar 

EUA – 2016 – Drama – Duração: 111 min

Sinopse: Black (Trevante Rhodes) trilha uma jornada de autoconhecimento enquanto tenta escapar do caminho fácil da criminalidade e do mundo das drogas de Miami. Encontrando amor em locais surpreendentes, ele sonha com um futuro maravilhoso.

 

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Diretor: Barry Jenkins

Elenco: Trevante Rhodes, Mahershala Ali, Janelle Monáe

Distribuidora: Diamond Films

Classificação: 16 Anos

Crítica | Moonlight: Sob a Luz do Luar – um drama profundo sobre a jornada da aceitação pessoal

A escolha de Moonlight: Sob a Luz do Luar como Melhor Drama no Globo de Ouro, me fez querer ver ainda mais o filme com a participação do ator sensação do momento Mahershala Ali, que após as produções da Netflix: House of Cards e Luke Cage, tem sido escalado para papéis em filmes. Mas, eu não esperava que a história de um garoto poderia ser tão perturbadora e tocante.

O filme é uma jornada em torno da vida de Chiron, que na trama, passa por três fases: infância em que faz uma amizade, um tanto paternal, com o traficante Juan (Mahershala Ali), adolescência em que sua sexualidade, já questionada na infância, é explorada com o amigo Kevin, e vida adulta, onde em busca de si mesmo, acaba em uma caminhada muito parecida com a única figura paterna que teve na infância, Juan. O protagonista é vivido por três ótimos atores, que conseguem passar toda a instrospecção e luta interna vivida por ele, Alex R. Hibbert (infância), Ashton Sanders (adolescência) e Trevante Rhodes (adulto).

A mãe de Chiron é viciada em drogas. Paula é muito bem interpretada por Naomi Harris e, é a responsável pela vida do garoto não ter uma rotina ou mesmo qualquer tipo de segurança que um lar deveria oferecer. Com o passar do tempo, percebemos o quanto o vício da mãe interfere na vida de Chiron. E ao descobrir que Juan é o traficante que fornece drogas à mãe, um rompimento importante acontece dentro do menino, mais um. Só Teresa, em mais uma ótima participação de Janelle Monáe nos cinemas, é uma constante, a namorada de Juan, acaba sendo o único refúgio do garoto.

A obra é inspirada em um projeto de faculdade do dramaturgo Tarell Alvin McCraney, “In Moonlight Black Boys Look Blue” e é uma grande crítica social, humanizando clichês tão batidos como o jovem pobre negro, o traficante e a mãe viciada. A violência e preconceito são velhos conhecidos do protagonista, andando junto com sua história. Enquanto lida com seus conflitos internos, a sociedade o expõe de uma maneira maldosa. No caminho de Chiron não há uma redenção ou mesmo definição, as coisas ainda estão por se revelar, aos poucos. Na fase adulta, em que ele se encontra tentando se desvencilhar do passado, mas ao mesmo tempo, fruto dele, é indicado que talvez, o amor e a aceitação, possam fazer com que finalmente sua vida flua.

Um dos favoritos ao Oscar, o filme estreia em 23 de fevereiro no Brasil, exibindo uma figura muito pessoal, mas ao mesmo tempo, universal da eterna caçada pelo descobrimento pessoal, aceitação e a solidão deste caminho. Ao ver  “Moonlight”, não é preciso ser pobre, negro, traficante ou gay para entender a jornada de Chiron, é preciso apenas ser  humano.

Crítica | Estrelas Além do Tempo: uma história que todos precisam conhecer

Você conhece Katherine Goble Johnson ? E Dorothy Vaughan ou Mary Jackson ?

É impressionante saber como figuras tão importantes para a história ficaram escondidas e desconhecidas por tanto tempo. Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) é um drama biográfico da 20th Century Fox, adaptação do livro Hidden Figures: The Story of the African-American Women Who Helped Win The Space Race, que nos conta a história dessas três mulheres negras, trabalhadoras da NASA (agência espacial americana) no auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia (na época, União Soviética) durante a Guerra Fria.

Saber o contexto histórico é crucial para um melhor entendimento do filme. A Guerra Fria teve início logo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e caracterizou o conflito entre Estados Unidos e União Soviética pela disputa da hegemonia política, econômica e militar no mundo. Dentro dos EUA, porém, outro conflito por espaço ocorria, a segregação racial dos negros, pela população majoritariamente branca. Como é mostrado no filme, existiam banheiros, lugares no ônibus, bibliotecas e até mesmo cafeteiras destinadas a negros, de qualidade inferior aos utilizados por brancos.

A NASA possuía uma equipe formada apenas por mulheres negras, graduadas em matemática, e chamadas de “computadores humanos”. Dentre elas, estavam Katherine Gobles/ Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), mulheres que batalharam por muito mais do que apenas a conquista da hegemonia espacial, mas também por reconhecimento e respeito.

Katherine Gobles é extremamente inteligente, com o Q.I acima da média, e desde criança se dá muito bem com os números. Viúva e mãe de três filhas, ela se desdobra entre as várias funções em casa e no trabalho, enquanto precisa se desvencilhar do preconceito que acompanha uma mulher negra diariamente. Katherine encontra sua chance, quando é convocada para ser o computador da missão que levaria o astronauta John Glenn (Glen Powell) a realizar o primeiro voo pela órbita da Terra.

Na equipe, Katherine é obrigada a lidar com pessoas como Paul Stafford (Jim Parsons – pois é, Sheldon enfim chegou a NASA), que a tratam com desprezo e inferioridade. Para sua sorte e surpresa, é o gerente Al Harrison (Kevin Costner), um homem preocupado em fazer a missão dar certo, que começa a lhe tratar como igual, independente da cor de sua pele.

Dorothy Vaughan sempre quis atuar como supervisora da equipe dos “computadores”, mas por ser negra, não é reconhecida como tal. Vaughan recebe ordens da condescendente Vivian (Kirsten Dunst), que se dirige a ela pelo seu primeiro nome (enquanto os brancos são tratados por sr. e sra.) e dá pouca atenção a seu pedido por uma promoção, por mais que Dorothy já esteja fazendo o trabalho. Como mulher, Vivian simpatiza com os desafios de um local de trabalho discriminatório mas inconscientemente, mantém seu papel de colocar as mulheres negras um degrau abaixo (“vocês devem estar agradecidas por terem empregos”).

É através do sistema IBM que Dorothy vê uma chance de melhora, pois a menos que se atualize, sua divisão se tornará obsoleta e dispensável.

Mary Jackson é ousada em seus sonhos e luta por eles. Pretendendo ser a primeira engenheira da NASA, ela não deixa que nada fique em seu caminho. Buscando conseguir ter as aulas necessárias em uma escola restrita a brancos, ela se vê quase implorando ao juiz para deixá-la fazer os cursos noturnos e assim, candidatar-se a uma posição na ala de engenharia da NASA. Ela também é a grande responsável pela parte do alivio cômico do filme, divertindo-se e vivendo sua vida, sem perder a força para enfrentar o dia a dia.

Entre os papéis masculinos temos Jim Johnson (Mahershala Ali), oficial do exército que logo se encanta com Katherine, além de reconhecer seus talentos. É aí que surge a única subtrama romântica do filme. Além de Johnson, temos o astronauta americano John Glenn, que desde sua primeira aparição contraria os preconceitos da época. Ele acredita no talento de Katherine, o que se comprova antes do lançamento da Friendship 7, quando Glenn diz: “vamos fazer com que a garota cheque os números”.

Estrelas Além do Tempo é uma história emocionante, com uma trilha sonora de Pharrel Williams acompanha uma das melhores cenas, que é construída ao longo do filme com muita sagacidade. E por fim, você sai do cinema empoderada(o): acreditando que sim, é possível! Vale muito a pena ver o filme e saber mais sobre essas mulheres que por tanto tempo ficaram escondidas de todos nós, mas que nunca se omitiram do desejo de serem autoras das próprias vidas. Estreia no Brasil dia 2 de fevereiro de 2017.

Com colaboração de Paula Ramos.