Corrente do Mal | Filme que honra os clássicos de terror

poltrona_it_follows_posterCom a triste notícia da morte de Wes Craven, um dos ícones do terror, fica a pergunta sobre o futuro do gênero que, está se perdendo nos clichês e em obras pouco criativas. Contudo, algumas exceções surgem como Invocação do Mal e Sobrenatural. Mas, nada se compara ao longa dirigido e escrito por David Robert Mitchell: Corrente do Mal (It Follows).

Uma das grandes surpresas do Festival do Rio em 2014, o longa de terror evidencia um belíssimo trabalho técnico de como utilizar de maneira eficaz o uso da câmera, da trilha sonora e da fotografia. Algo que Wes Craven fazia tão bem.

A premissa que, pode parecer tosca e previsível, apresenta a jovem Jay (Maika Monroe) tendo sua primeira relação sexual e contraindo uma misteriosa entidade maligna, que passará a atormenta-la enquanto não tiver uma nova relação sexual com um outro parceiro.

A linha narrativa estabelece uma atmosfera densa e que leva o público à beira de nervosismo em cada plano, por saber usar de maneira eficiente a fotografia que, aproveita bem a paleta de cores definindo o ambiente sombrio da fita. Um ponto interessante e diferente de outras obras do gênero, é a investida de Mitchell em planos abertos em que a protagonista desesperada com a maldição se encontra sempre em tensão ao caminhar pelo quarteirão de seu lar e, podendo se deparar com alguma coisa a qualquer momento, deixando o espectador sempre em alerta.

Outro destaque do longa é o uso eficiente do terror psicológico. Para recentes produções sangue jorrando, pessoas gritando estridentemente de frente a câmera significa terror. Aqui, o competente cineasta aposta corretamente na construção técnica de cada cena e com uma trilha sonora bastante rica em melodias definindo sempre o ritmo de cada cena.

A atriz Maika Monroe demonstra um controle na construção da personagem, dando personalidade e sabendo pontualmente o momento de expressar a insegurança e desespero da jovem, que poderia beirar ao ridículo se desempenhado de forma exagerada.

Em uma sequência final impecável, Corrente do Mal destaca o trabalho exemplar de David Robert Mitchell, comprovando que o gênero terror é capaz de produzir obras a serem inesquecíveis na história do cinema.