Crítica | Vida: com um toque de Alien, suspense traz uma caçada espacial frenética

Imagine só que uma equipe de cientistas da Estação Espacial Internacional consegue uma amostra de vida obtida diretamente de Marte. A primeira prova concreta que há vida extraterrestre pode ser o sonho de qualquer astronauta, mas para a missão de Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson e Ryan Reynolds, ficou mais parecido com um pesadelo sem fim.

O suspense de ficção científica prende o espectador em uma caçada sufocante dentro de um pequeno espaço, em que a cada momento, um de seus personagens está em perigo evidente. Calvin, como é nomeada a amostra, é muito mais inteligente do que se pensava, mas precisa de um hospedeiro para se alimentar e, como podemos perceber, está faminto.

Gyllenhaal é o discreto e introspectivo Dr. David Jordan, Ryan Reynolds interpreta o temperamental membro da tripulação Roy Adams, que é um bom amigo do cientista-chefe Dr. Hugh Derry, vivido por Ariyon Bakare. Rebecca Ferguson interpreta a médica supervisora Miranda Norte, Hiroyuki Sanada é o responsável pela comunicação Sho Murakami e Olga Dihovnichnaya é outra cientista, Ekaterina Golovkina.

Pode-se dizer que os roteiristas de Vida, Rhett Reese e Paul Wernick (conhecidos por Deadpool), parecem ter ficado fascinados pelo drama de ficção científica Gravidade de Alfonso Cuarón, com suas cenas de astronautas solitários balançando fora da nave espacial. Cenas de silenciosa tensão que em nada aliviam a corrida frenética dentro da estação.

Calvin cresce a um ritmo alarmante em sua placa de Petri, como uma pequena medusa de dois braços, inicialmente do tamanho de uma moeda. Em seguida, já maior e mais forte, agarra a pequena espátula com a qual o cientista Hugh Derry a está cutucando, com surpreendente hostilidade. E ele continua crescendo. E é claro, muitas coisas começam a dar errado.

Um dos problemas de Vida é que ao longo de todo o processo de crescimento da amostra, não se explica nada. Só vemos Calvin ganhar força, inteligência e tamanho sem saber como tudo isso aconteceu e à medida em quese torna cada vez maior e mais engenhoso, o filme parece estar sempre ecoando ao som de portas e escotilhas sendo fechadas, bem em tempo – ou tarde demais. E aí, torna-se aquele tipo de filme agitado, no qual se torce para que ao menos um personagem sobreviva e mesmo sabendo que Calvin é uma mistura de alien com anaconda, você mantém a esperança de que ao menos a Terra ficará segura.

Se durante toda a trama você não se sentiu desconfortável e ansioso pela tensão, a sequência final definitivamente vai te fazer pular da cadeira com uma surpresa que pode até sugerir que outro filme está por vir, afinal, a vida se renova e se adapta sempre. Estreia dia 20 de abril nos cinemas brasileiros.