Crítica | Amy expõe a ascensão e a queda da cantora britânica

poltrona_amyA vida de Amy Winehouse era uma tragédia anunciada. A cantora britânica dona de um vozeirão incomparável era admirada por vários nomes importantes do jazz, entre eles, Tony Bennett, mas não conseguia superar o vício por drogas e álcool.

A brincadeira de vários comediantes e, inclusive, fãs da cantora, era adivinhar qual seria o dia de sua overdose fatal. Infelizmente, era só uma questão de tempo. É o que mostra o documentário Amy, dirigido por Asif Kapadia (Senna).

Assim como o ídolo brasileiro, o diretor mostra a ascensão e a tragédia de Amy Winehouse, que nem imaginava que se tornaria uma artista um dia. Mas seu talento logo foi notado e com o segundo álbum Back to Black, se tornou um verdadeiro fenômeno no Reino Unido.

Kapadia utiliza de maneira eficiente as letras compostas pela britânica para detalhar seus momentos de vida. Surpreende como a cantora já demonstrava sinônimos de fraqueza e, principalmente tristeza com seu relacionamento familiar e conjugal. Com a ajuda de vários depoimentos de amigos próximos, familiares e namorados, o documentário ajuda a compreender o mundo obscuro de Amy, que afogava suas decepções e mágoas com o uso abusivo de álcool e drogas.

As críticas de que o documentário procura estabelecer o pai da cantora e o ex-marido Blake Fielder-Civil como os vilões e responsáveis pela recorrentes recaídas da cantora, acabam sendo justas. É evidente que o pai de Amy sempre foi uma figura distante durante seu crescimento (se aproximando apenas nos momentos musicais da cantora), enquanto Blake acabou sendo o responsável pelo uso de drogas pesadas, o que destruiu aos poucos o físico e mental da cantora.

Contudo, o documentário não estabelece Amy Winehouse como uma coitada e santa. As más companhias e o uso excessivo de entorpecentes fizeram da artista um monstro capaz de abandonar shows e agredir o público e fotógrafos que chegassem perto. Por mais que os amigos e a família tentassem recuperá-la, já era tarde demais.

Amy Winehouse morreu em 2011. A causa da morte foi o alto índice de álcool em seu sangue, que fez o seu coração parar. Assim como Kurt Cobain, Jimmi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison, cantora tinha apenas 27 anos. Além da semelhança na idade do óbito, todos esses artistas tinham um talento único e, utilizavam a música para expor seus medos e dor em um apelo para serem compreendidos. Em troca, tiveram suas vidas reviradas por tabloides, que apenas esperavam a próxima polêmica para se enriquecerem.