Crítica | O Regresso proporciona uma incrível experiência

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Lionel Messi é considerado o melhor jogador do mundo, mas nunca ganhou uma Copa do Mundo, que o tira daquela lista de craques como Pelé, Maradona e Zidane, campeões mundiais por suas respectivas seleções. Mas porque estou falando de futebol se o papo aqui é cinema? Ora vejamos, Leonardo DiCaprio é um dos grandes atores de Hollywood, e aos 41 anos e com cinco indicações ao Oscar, nunca levou a premiação da Academia, a Copa do Mundo para os atores.

Isso não deprecia a carreira sólida do ator, responsável por grandes atuações, que já mereciam algumas estatuetas. Mas, falta a cereja do bolo para coroar e ingressar DiCaprio na valiosa lista de fenomenais atores agraciados com o Oscar como Daniel Day-Lewis, Meryl Streep, Sean Penn, entre outros. Sim, DiCaprio é fenomenal como os atores citados. O Regresso é o longa que mais exigiu do ator e ele não decepciona.

Inspirado parcialmente no livro de Michael Punke, O Regresso tem como base uma história real no ano de 1820. Na trama, Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é um forasteiro, que ao lado do filho de origem indígena, trabalha como guia para americanos caçadores de pele. Quando o grupo é atacado por uma tribo, Glass usa sua experiência para se proteger nos locais mais remotos, mas habitados por ursos. Eis que ele é surpreendido com o ataque de um grande urso, que o deixa entre a vida e a morte. John Fitzgerald (Tom Hardy), que estava sendo guiado por Hugh, decide abandona-lo e ainda assassina covardemente o seu filho. Enterrado vivo, Glass acaba sobrevivendo e tem um único objetivo: vingança.

Depois do excelente Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), Alejandro González Iñárritu emplaca mais uma grande produção, um deleite para qualquer cinéfilo atento para os detalhes técnicos. Começando pela fotografia do sempre competente Emmanuel Lubezki (de Birdman, Gravidade, A Árvore da Vida). Mais uma vez inspirado, Lubezki estabelece um plano-sequência incrível, com cenas pesadas atreladas a uma beleza estética estonteante. Todo o cenário soturno das montanhas guardam uma beleza, mas esconde um terror. Isso é utilizado de maneira eficiente.

A montagem de Stephen Mirrione (Traffic) consegue manter um ritmo alucinante em suas 2 horas e 26 minutos de projeção. Interessante o paralelo estabelecido entre o homem e a natureza. Por muitas vezes, nós, os seres humanos, é que somos os predadores a ser temidos.

A trilha sonora de Ryuichi Sakamoto (O Último Imperador) é deveras eficaz. Não se sobrepondo ao filme, ela segue delicada, se misturando ao som ambiente, algo que estabelece o público dentro daquele cenário.

Iñárritu inova na direção de O Regresso, mostrando ser um diretor versátil. Aqui, ele posiciona a câmera sempre bem próxima do rosto de Hugh. Sentimos sua respiração ofegante, que entrega sofrimento e raiva. A direção estabelece uma comunicação direta entre personagens, paisagem e o público assistindo. A tal cena comentada do ataque do urso é realmente sublime e com uma direção impecável .

DiCaprio é o carro-chefe do longa. O projeto não teria tanto êxito se não fosse a entrega do ator para o papel. Mesmo com poucos diálogos, a transformação física do ator de um sujeito experiente e confiante no início para alguém derrotado, enfraquecido e lutando para sobreviver durante o segundo e terceiro ato do longa, entrega uma atuação emblemática e digna de todos os elogios.

A força do longa não está somente na sólida interpretação de DiCaprio. Indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, Tom Hardy desempenha um papel muito além do vilanesco. Fitzgerald é um homem que acredita em seus princípios. O diálogo na fogueira com o jovem Will Poulter exemplifica a complexidade de Fitzgerald, que não demonstra remorso pelo que fez. Todas as ações são motivadas pelo medo de estar vivendo constantemente em um ambiente hostil, que requer decisões extremas. O dilema entre homem e a natureza citado anteriormente.

O Regresso é um daqueles filmes que vai prender seus olhos na telona do início ao fim. Sem pausa para conversar, olhar para o lado, pedir uma pipoca, você estará totalmente envolvido na jornada de sobrevivência e vingança de Hugh Glass. Um filme que destaca um ator fenomenal e um diretor mais fenomenal ainda. Belíssimo!