Crítica | A Teoria de Tudo

A Teoria de Tudo
A Teoria de Tudo

A Teoria de Tudo é o tipo de filme para agradar a Academia do Oscar. Além de ser inspirada na história real do físico Stephen Hawking, o longa conta com uma atuação impecável de um jovem ator em ascensão, que se entregou ao personagem ficando irreconhecível por tamanha transformação física.

Dirigido por James Marsh (O Equilibrista), o longa segue o caminho burocrático, algo já comum em Hollywood, que prefere seguir o básico para concorrer aos prêmios e não ir afundo na história. E qual a melhor maneira de fazer isso? Pegar um dos momentos mais amenos da trajetória de Hawking, seu relacionamento com Jane, sua primeira esposa. Embora conturbado pela relação marcar o início da doença degenerativa do físico, a produção opta pelo romance ao invés da ciência. O resultado é até safisfatório, já que Eddie Redmayne e Felicity Jones estão incríveis como protagonistas e merecem todos os elogios possíveis.

O roteiro é inspirado no livro de memórias de Jane fazendo com que o longa esteja sob seu ponto de vista. Stephen e Jane se conheceram ainda jovens na faculdade e logo se apaixonaram. Contudo, o jovem cientista descobre ser portador de esclerose lateral amiotrófica, que o condena em uma cadeira de rodas. Com uma expectativa de vida de dois anos dada pela médico, Hawking luta contra suas limitações ao lado da esposa, o que marca o início de uma jornada desafiadora para o cientista.

Apesar de focar no romance, o roteirista Anthony McCarten aborda algumas polêmicas, o que chega a surpreender. Declarado um ateu, logo de início vemos o físico questionando sobre a origem dos seres humanos, um dos poucos momentos que acompanhamos as reflexões de Hawking. Mas nada para gerar controvérsias, porque no ato final da fita, há uma verdadeira lição do próprio para aqueles que o criticam sobre a existência de Deus ou não. E como o longa está sob os olhos de Jane, acompanhamos de perto seu sofrimento com a doença do marido e o quanto isso a desgastou emocionalmente. Aí aparece a figura de Jonathan Hellyer Jones (Charlie Cox), um amigo do casal que se aproxima mais de Jane, dando início um triângulo amoroso. O mais importante é que a relação se apresenta de forma madura e natural e não com o melodrama, que acabaria estragando toda a história.

Falando em maturidade, Eddie Redmayne apresenta uma postura soberba no papel de Hawking. O ator consegue capturar seu carisma com o simples olhar e um sorriso em meio a limitação motora. São nas simples cenas, que podem passar em branco para alguns, que ele consegue estabelecer sua grande performance. Em alguns momentos sua atuação lembra Daniel Day-Lewis no emocionante Meu Pé Esquerdo. Será difícil o Oscar escapar do jovem ator.

Felicity Jones está impecável na figura sutil e amável de Jane. A atriz emprega uma performance emocional impressionante. De forma quase que documental, acompanhamos que a transformação física também aconteceu com Jane, que passou de uma linda jovem cheio de vida a uma mulher desgastada diante de tanto sofrimento ao acompanhar o marido na situação que se encontra.

Com uma fotografica caprichada de Benoît Delhomme, com destaque para a belíssima cena no baile, A Teoria de Tudo é um retrato justo sobre um homem que ensinou para o mundo que não deve haver limites para o ser humano.