Review: A Rainha Vermelha | Uma distopia que aperfeiçoou as demais

O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe — e Mare contra seu próprio coração.

Distopias e Young Adults (Jovem adultos) tem sido os gêneros mais bem sucedidos do último ano, tendo em conta títulos como Jogos Vorazes, Divergente, os títulos de John Green, As vantagens de ser invisível, os brasileiros Fazendo meu filme e Minha vida fora de série e demais obras que dominaram as listas dos mais vendidos nos últimos tempos.

Não há dúvidas de que os dois gêneros são os que mais agradam aos jovens leitores. Mas o que dizer de uma obra literária que junta distopia, young adult e uma pitada da temática de Game of Thrones? E isso incluí mortes, várias mortes.

Essa é a proposta de Victoria Aveyard, uma escritora de vinte e dois anos que teve seu primeiro livro imediatamente na lista dos mais vendidos dos maiores jornais dos Estados Unidos e seus direitos comprados antes mesmo de chegar às livrarias.

A Rainha Vermelha (Red Queen), teve seu lançamento oficial em Fevereiro deste ano e chegou ao Brasil no começo de Junho, já sendo um dos livros mais aguardados do ano – como listado na matéria Os próximos queridinhos literários, aqui no Poltrona.

O problema desse alvoroço todo é que quando se espera demais, se quer demais e isso pode levar a grandes decepções. Contudo, Victoria Aveyard alcançou seu patamar na literatura com mérito e A Rainha Vermelha é o grande lançamento de 2015, sem dúvidas.

Em suma o livro é uma mistura perfeita de grandes trilogias e sagas de sucesso. O mundo proposto nos remete a Seleção e também a Game of Thrones (inclusive, uma das inspirações e fontes de pesquisa para a escrita foi George R.R. Martin), onde encontramos uma nova Monarquia e situações políticas que geram guerras. Inclusive, é possível remeter vários personagens da coroa a família Baratheon.

A ponte com Jogos Vorazes fica por conta da linha clara de divisão que é feita entre os povos: vermelhos nasceram para servir e prateados para força e poder. Mas desta vez não temos arenas onde pobres jovens se enfrentam até a morte e sim exibições de grandes poderosos em batalhas para mostrar quem está no auge da força e manter todo o resto debaixo de suas ordens.

Por último podemos encontrar alguns pontos com a obra de Veronica Roth, onde um grupo de personagens pretende mudar a ordem das coisas (o que também é um segundo ponto de ligação com a trama de Katniss).

Talvez tudo isso faça com que as pessoas pensem que A Rainha Vermelha é só um punhado de várias outras coisas que já vimos: só que não. Victoria faz as amarras de forma inteligente e cria seu próprio mundo e seus próprios detalhes, se sobressaindo de suas referências.

“Mas ele não é o mesmo. Assim como você não é a mesma.” p. 411

Em primeiro lugar temos personagens que se diferem e se impõe durante a obra. Há mesmo personagens que sequer aparecem na maior parte do enredo, mas tem sua marca e farão com que você não os esqueça e espere por mais deles – que é o caso de Gisa, a irmã mais nova de Mare,  Shade, o irmão que foi para a guerra e Kilorn, o melhor amigo com um destino trágico. As reviravoltas acerca dos personagens também são bem formuladas e nada é o que parece.

“Um dia Gisa nos salvará apenas com uma linha e uma agulha.”  p. 19

Mare é bem colocada no plano de fundo vida de plebeia x princesa, onde podemos ver pequenas nuances de como o ambiente influencia a construção de sua personalidade ao longo das páginas e encaminha o enredo para seu objetivo.

“Você é agora vermelha na cabeça, prateada no coração.” p. 105

O romance é levado de maneira leve, sendo um ponto importante da obra, mas não um dos principais – é certeiro para agradar os fãs de Young Adult e para aqueles que preferem mais ação a momentos melosos demais. Não deixa de surgir em momentos corretos, mas também não é feito para focar o leitor em seu desfecho.

A Rainha Vermelha é sobre a ascensão de Mare e seu sangue vermelho sobre uma força prateada e suas lacunas escondidas do mundo. Mas não se preocupem, amantes de triângulos amorosos, você será Team Cal ou Team Maven, eventualmente.

“Mas ele vai partir para a guerra, para a morte, talvez.” p. 236

A política proposta também é fácil de compreender e não é deixada de lado ao decorrer da obra. Cada parte tem detalhes a serem desenvolvidos que só enriquem o novo mundo de Aveyard.

Para leitura de A Rainha Vermelha esteja preparado para desvendar mundos antes já trabalhados de uma nova perspectiva, uma revolução sangrenta e poderes extraordinários.

“A aurora está chegando” p. 353