Crítica | A Cura: um bom suspense com final questionável

“Fulano larga tudo para viajar pelo mundo; casal deixa carreiras promissoras e vai se aventurar…”, há um tempo notícias como essas chamam atenção na imprensa, afinal, os corajosos que ousaram abandonar a pressão de um mundo cada vez mais caótico são admirados (invejados). Em A Cura (A Cure For Wellness), foi isso que aconteceu com o chefe de Lockhart (Dane DeHaan), que resolveu se isolar em um refúgio de bem-estar nos Alpes suíços enquanto sua companhia milionária passava por um processo de fusão.

Lockhart, que para conseguir uma promoção, descumpre leis tributárias que poderiam levá-lo à cadeia, foi enviado para buscá-lo, mas logo percebe que o tal Spa, está mais para hospício com tratamentos suspeitos e pessoas que aparentam uma certa dormência. No caminho até lá, ele descobre uma espécie de lenda sobre o terreno onde a instalação foi construída, que gera o ódio do povo local contra o retiro. Se você está esperando um filme de terror, por conta do diretor ser Gore Verbinski (O Chamado), anime-se para um suspense que intriga em boa parte do filme.

A presença de Hannah (Mia Goth), uma jovem introspectiva que difere muito dos demais pacientes, em sua maioria idosos, é mais um impulso que faz Lockhart querer desvendar os segredos do lugar, mas ele encontra muitas barreiras na equipe do Dr. Volmer (Jason Isaacs), que está parecido com o personagem que fez em The OA da Netflix, quem já assistiu vai notar as semelhanças dos cientistas interpretados por Isaacs.

Por mais que não seja um filme de terror, há momentos realmente aterrorizantes, cenas que despertam desconforto e vão testando a sanidade de Lockhart junto com a do espectador. Será mesmo que ele não está enlouquecendo e tudo de absurdo que acontece por ali não passa de alucinações de sua mente? Os detalhes fazem a diferença na hora de amarrar os fios soltos.

O problema é que todo o mistério e o pano de fundo que dão à história, não fazem parte do quebra-cabeça, mas sim são o próprio quebra-cabeça. Me incomoda um pouco que as respostas venham ser mais para o lado fantástico (falando do gênero fantasia mesmo), em um filme com questões tão humanas como o questionamento do modo de vida vigente e a loucura do dia a dia, que leva as pessoas a quererem uma cura. O desfecho tem um toque sobrenatural e deixa um gosto amargo.

Distribuído pela Fox Film do Brasil, a estreia acontece em 16 de fevereiro.