O que é literatura, afinal?

Essa questão está muito além do que sou capaz de responder e, provavelmente, além do que a maioria dos intelectuais no ramo irão responder. Se você já assistiu “Sociedade dos Poetas Mortos”, percebeu que literatura é tudo e nada ao mesmo tempo. É a construção das palavras e dos sentimentos sobre essa sociedade (aí está a mágica da coisa) em que vivemos e sobre tudo o que lutamos para ser.

Na coluna passada, decidi que era hora de falar mais sobre a literatura. Sobre mim e sobre minha carreira, fugindo da parte técnica, afinal, este é meu diário. Então vou tentar responder este dilema.

Literatura, em minha mais modesta opinião, caro leitor atrevido, é o meio termo de todas as artes. A música, uma das artes mais utilizadas hoje em dia, fala na cara. Às vezes com letras políticas e outras vezes com letras românticas, usa de seus artifícios poéticos para descrever o que sentimos e nos dizer que é exatamente assim. Porém, a literatura é muito mais complexa e assustadora.

Literatura necessita compreensão, especialmente por parte de quem conta.

Quantas são as vezes em que Jack Kerouac, um dos autores que mais gosto, não se compreendeu? Ou Victor Hugo tentou declarar a infâmia de sua sociedade narrando seus podres (o realismo, dentro do padrão fútil das escolas literárias, é um dos que mais me apetece). Não creio jamais que literatura possa ser classificada em padrões e gêneros. Existe uma complexidade que não permite isso e jamais pode ser vulgarmente chamada de “simbolismo” como fazem aqueles que se acham profundos conhecedores da arte. Não se julga arte e muito menos se classifica.

Essa é a beleza.

Arte consegue andar sozinha, evoluindo aos poucos e sendo simplesmente o que é. E literatura, para mim, é isto. É uma explosão de palavras, ações e pensamentos ideológicos de seus autores. Não escrevemos porque queremos escrever ou passar uma mensagem para alguém. Já diria Asimov – um dos pais da ficção científica – “um escritor que não escreve está morto”. Talvez não seja bem assim, mas é por aí. Nossa necessidade de escrever vem de dentro, da própria arte. Analisamos o mundo com olhos curiosos, percebemos o farfalhar das folhas e então é isto. Precisamos contar isso. Declarar aos outros como enxergamos, sem sermos classificados como “realistas” ou “românticos”. Literatura é tudo e é nada. Está dentro do mundo, em nossos olhos, nossas almas e nossos corações. Você não precisa ser um escritor, um mestre e um grande intelectual para ser um literário.

Faça dois versos sobre a vida e a complexidade humana e estará fazendo literatura.

 

E aí, já está curtindo minha página? Curte lá e saiba mais das minhas peripécias.

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