Essa semana, baseada na posse de Donald Trump nos Estados Unidos, resolvi falar de um livro que me marcou muito, dentre todos que já li até hoje. O livro é relativamente antigo, assim como o filme de mesmo nome, que foi muito bem adaptado para o cinema em 2008, mas ainda permanece com um dos mais importantes.

John Boyne criou uma história onde os dois protagonistas são crianças por volta de seus 9 anos de idade. Enquanto um é filho de um oficial nazista, o outro é judeu. Juntos, Bruno e Shmuel criam a mais proibida e pura das amizades, caracterizando a inocência de uma criança em relação a religião, cor da pele e outros tipos de “distinções”.

O Menino do Pijama Listrado descreve o surgimento de uma amizade entre um judeu e um alemão, em plena Segunda Guerra Mundial, que de tão comovente parece real. Enquanto o pai e o professor de Bruno tentam convencer o menino de que os judeus são a pior raça possível, ele só quer ser um explorador e conhecer o mundo. Durante uma de suas pequenas expedições no quintal, ele se depara com uma enorme cerca e diversas pessoas vestindo pijamas listrados. Uma delas, é Shmuel.

Aos 9 anos de idade, tudo que uma criança quer é brincar e fazer amigos, e Bruno não é diferente disso. É com esse pensamento que o menino se aproxima do jovem judeu, e o trata com seu igual, independente do fato de Shmuel não ter cabelo, ser magro e todo sujo. Curiosamente, os dois nasceram no mesmo dia, e a partir dessa descoberta a amizade só floresce, assim como os questionamentos de Bruno perante os adultos.

Uma das principais lições que o livro nos dá é a ingenuidade das crianças, que não entendem o ódio, o medo e a repulsa de pessoas que, sem nenhum motivo aparente, são taxadas de diferentes. Tudo que Bruno quer é um amigo e o encontra do outro lado de uma cerca de arame farpado.

“A infância é medida por sons, aromas e visões, antes que o tempo obscuro da razão se expanda.”

“Você é o meu melhor amigo, Shmuel”, disse ele. “Meu melhor amigo para a vida toda.”

Toda criança, jovem ou adulto deveria ler O Menino do Pijama Listrado. Diariamente temos mais e mais confirmações do quão racista e preconceituoso o mundo está, e encontrar uma história de amizade em meio a tudo isso é algo que deve ser mencionado. O nazismo de Hitler é apenas um exemplo do ódio disseminado por palavras e ações, mas assim como ele, muitos outros ainda existem e surgem por aí.

Com apenas 192 páginas, o livro é curto e a leitura rápida, o que não o torna menos bonito ou profundo. O conteúdo foi todo adaptado para o cinema, em um filme igualmente emocionante, mas vale a leitura primeiro. John Boyne conseguiu tratar um assunto tão polêmico e pesado, de maneira infantil e graciosa, abrindo os olhos de quem lê sua trama. O Menino do Pijama Listrado é, até hoje, um dos meus livros favoritos e considero obrigatória a sua leitura!

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