Quando recebi em casa o livro Big Rock de Lauren Blakely, publicado pela Faro Editorial, não me animei nem um pouco para começar a lê-lo. Depois do enorme sucesso da saga Cinquenta Tons, inúmeras obras de conteúdo erótico começaram a estampar livrarias, o que me causou um certo sentimento de “modinha” para com todos eles. Apenas pela capa escolhida por Blakely consegue-se perceber o tipo de história que teremos de lidar, mas assim como na série de E. L. James, é o romance entre os protagonistas que nos faz devorar as páginas. As semelhanças não param por aí, mas Big Rock está longe de ser um plágio. O livro conquista com seu próprio conteúdo.

O movimento das ondas é importante, minhas amigas, mas não é tudo. O tamanho do barco não deve ser desprezado. E eu tenho os dois de sobra. Na verdade, eu tenho TODOS os atributos. Boa aparência, inteligência, dinheiro e um grande instrumento. Você deve estar pensando que sou um cretino. É o que parece? Sou sexy como o pecado, rico como o paraíso, esperto feito o diabo e muito, muito bem dotado. Mas você ainda não conhece a minha história.  

Sim, Spencer Holiday tem não apenas um ego enorme, mas também plena consciência disso. Diferente do que pode parecer, porém, a falta de humildade só traz vantagens para o livro e é responsável por boa parte das risadas que damos ao lê-lo. É ele que narra a história, então não temos um outro ponto de vista para analisar a veracidade de suas informações, mas não cabe a nós duvidar.

Holiday é o paraíso das mulheres: bonito, gostoso, muito rico e com a habilidade de fazê-las ter orgasmos múltiplos e inesquecíveis. A razão disso? O excelente desempenho de seu pênis enorme (palavras dele) – se tem algo que o protagonista gosta de fazer é elogiar o próprio “membro”. Ele, inclusive, possuí uma vocabulário extremamente vasto quando se trata de nomes para se referir a ele, e alguns beiram o ridículo. Essa talvez seja uma das poucas críticas negativas que tenho a fazer ao livro, visto que se torna extremamente repetitivo após páginas e páginas. Spencer, apenas pare de elogiar seu pinto, nós já entendemos! 

“Eu posso ser um mestre na arte de trepar, mas também sou um cavalheiro. Eu abro as portas do seu coração antes de abrir as suas pernas.”

A trama começa a tomar forma quando Spencer convence sua melhor amiga Charlotte a se tornar sua noiva, buscando passar a imagem de bom moço para um possível comprador da joalheria de seu pai. Ela concorda desde que não haja sentimento envolvido e que os dois sejam apenas amigos com benefícios,  mas não é difícil imaginar o que acaba acontecendo. Enquanto Charlotte descobre todos os atributos sexuais do amigo, ele percebe o surgimento de algo desconhecido em seu coração. Juntos, os dois conhecem um outro lado da amizade e se assustam com a dimensão que tudo começa a adquirir. A narração pelo ponto de vista masculino foi a grande sacada de Lauren, já que estamos acostumados a ler romances contados pelo outro lado da história. O clássico romance meloso é substituído pelo amor objetivo e relutante de um homem acostumado com a vida de solteiro, e é justamente essa transformação que nos encanta. Mesmo não sendo o tradicional príncipe com cavalo branco, Spencer Holiday conquistou não só Charlotte. 

Diferente do personagem criado por E. L. James, o de Blakely não apresenta nenhum gosto peculiar, muito pelo contrário. Spencer se considera incrível, e através de seu ego inflado conquista as mulheres. A medida que seu relacionamento com Charlotte se desenvolve, acabamos torcendo para que o casal dê certo – mesmo sabendo que isso certamente acabará acontecendo. O livro poderia ter oferecido um pouco mais de surpresa, uma vez que é possível adivinhar o final antes mesmo de chegarmos na metade. Mesmo com toda a previsibilidade e com a quantidade de vezes que Spencer se refere ao próprio pênis, Big Rock é a clássica comédia romântica entre o homem maravilhoso e a mulher igualmente bonita, mas que nunca tentaram algo até aquele momento. Realmente deve ser muito difícil se apaixonar pelo seu melhor amigo e ele ser extremamente rico, bonito e bem dotado.

“Vai ser a melhor coisa que já experimentou na vida. Abra o zíper da minha calça, segure meu membro e vem comigo numa viagem ao paraíso. Você vai ver estrelas, vamos mover montanhas e a Terra vai estremecer.”

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