(Divulgação / Paris Filmes)
Foto: Divulgação / Paris Filmes

A priori, quando anunciado que o Atentado à Maratona de Boston em 2013 ganharia filme, me soou desnecessário. Adaptar algo que marcou profundamente uma cidade e as vítimas seria realmente digno e apropriado? Para a surpresa, o diretor Peter Berg entregou um filme de caráter quase documental sem focar no terrorismo e o sofrimento, mas no surgimento de heróis improváveis. Pode parecer ufanista, mas o longa a partir da perspectiva desses personagens comuns resulta em um bom thriller.

Berg retoma a parceria com Mark Wahlberg (de O Grande Herói e Horizonte Profundo), que interpreta um personagem ficcional na trama. O sargento de polícia Tommy Saunders é baseado em vários oficiais e investigadores que trabalharam no atentado. A princípio, a escolha de Wahlberg daria entender que ele seria o super-herói parrudo, mas não. Visivelmente fora de forma (intencional ou não), o ator consegue transmitir o cotidiano de um policial, que comete erros e acertos para exercer sua função. Tudo é realizado de forma orgânica.

Na trama, após os atentados terroristas durante a Maratona de Boston em 2013, um grupo formado pelo Sargento da Polícia Tommy Saunders (Mark Wahlberg), o Agente Especial Richard Deslauries (Kevin Bacon), o Comissário da Polícia Ed Davis (John Goodman), o Sargento Jeffrey Pugliese (J.K. Simmons) e a enfermeira Carol Saunders (Michelle Monaghan) se une aos bravos sobreviventes para identificar e capturar os responsáveis pelo ataque terrorista antes que eles possam fazer novas vítimas.

A produção acerta em não dar tanta ênfase ao momento do bombardeio. Um respeito às vítimas e aos familiares. Porém, a sequência do atentado é eficiente ao apresentar um visual documental e duro no momento certo. Peter Berg foca na investigação e nos desentendimentos entre a investigação local e federal.

Alex Wolff e Themo Melikidze vivem os irmãos Tsarnaev, responsáveis pelo ataque. Eles desempenham atuações sóbrias como sujeitos metódicos e cientes do que estavam fazendo. Os fãs da série Supergirl terão a surpresa de ver Melissa Benoist aparecendo como esposa de Tamerlan Tsarnaev, Katherine Russell. A atriz apresenta uma performance bastante diferente e madura, que resulta em uma das cenas mais tensas durante o seu interrogatório.

Na parte técnica, a decisão de Berg de rodar a grande maioria do filme com a câmera de mão causa uma estranheza de início, mas contribui significativamente para a sensação de que você está lá junto com os personagens. Essa qualidade é eficaz especificamente durante a ótima sequência do tiroteio durante a captura dos terroristas.

Apesar do título original ser Patriot’s Day (algo com o Dia do Patriotistmo), Peter Berg dispensa o ufanismo americano, e faz de O Dia do Atentado um filme que destaca a importância da comunidade e heroísmo, que nos momentos mais difíceis se unem e se erguem novamente.

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