O estilista Tom Ford surpreendeu em 2009 com sua estreia na direção em Direito de Amar. Sete anos depois, ele comprova seu talento na sétima arte com o ótimo suspense Animais Noturnos, adaptação ao cinema do romance Tony and Susan, de Austin Wright.

Ford realiza mais um filme que foge um pouco dos padrões hollywoodianos. Pode-se dizer que é um longa inovador, com uma narrativa não-linear. São três histórias que se conectam e intrigam a partir da belíssima entrada, que explora o estético e define a atmosfera de seus personagens.

Na trama, Amy Adams interpreta Susan, dona de uma galeria de arte, que demonstra insatisfação com seu segundo casamento ao lado de Walker (Armie Hammer). Ela é surpreendida ao receber o rascunho de um romance intitulado Animais Noturnos, escrito pelo ex-marido escritor, Edward (Jake Gyllenhaal).

O romance, que acaba se tornando um personagem a parte, narra o drama de um sujeito (também vivido por Gyllenhaal) em viagem com sua esposa e filha. Eles são abordados por um grupo de arruaceiros liderados por Ray (Aaron Taylor-Johnson). O resultado não é feliz e, Susan, começa a relembrar da sua relação complexa com Edward.

Com três histórias paralelas (a de Susan no presente e passado e o romance de Edward) a parte da leitura de Susan do romance de Edward acaba sendo o mais atrativo e impactante. Muito se deve as performances soberbas de Aaron Taylor-Johnson e Michael Shannon. Ray (Taylor-Johnson) representa a brutalidade humana, enquanto o xerife interpretado por Shannon representa o sujeito moldado pelas circunstâncias em que vive.

Contudo, Amy Adams emprega mais uma brilhante atuação no ano. Suas performances em A Chegada e agora em Animais Noturnos representam o amadurecimento da atriz, que está em sua melhor forma. Adams figura uma mulher atormentada por demônios interiores, que guarda uma culpa por erros do passado e se vê desconfortável com a dedicatória à ela no livro do ex-marido. Seria o troco pelo fim do casamento?

Jake Gyllenhaal também merece destaque, ainda mais porque interpreta dois papéis em situações distintas. Porém, de certa forma, ambos são vítimas e, abraçam a escuridão no momento final da fita.

Sem esquecer o lado estético com um figurino caprichado e takes belíssimos como a sequência inicial, Animais Noturnos é a prova do caminho construído por Tom Ford para o hall dos grandes cineastas. Um longa que leva o telespectador a se questionar sobre os rumos que a história leva e que todos terão o seu julgamento sobre o caso. Se será o certo… é uma questão de perspectiva.

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