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Crítica | Assassin’s Creed não consegue explorar o potencial que tem

Assassin’s Creed é uma das franquias mais conceituadas do mundo dos games da última década. Os jogos deram origem a interessantes livros que exploram todo o seu potencial histórico.

Faltava o desafio de adaptar esse rico universo para as telonas, algo que a Ubisoft planejava há alguns anos. Porém, um filme inspirado em games já carrega um fardo e uma rejeição dos críticos, algo que as adaptações de quadrinhos sofreram no início. Contudo, com uma visão mais otimista, Assassin’s Creed soa como um bom filme de ação, isso se tivesse um outro título. Mas, levando para as telonas um material promissor, a pressão de realizar um grande filme do gênero mais uma vez pesou, não saindo do grande desempenho técnico e boas sequências de ação. Algo que já era esperado.

Na trama, Michael Fassbender interpreta Callum Lynch, um condenado à morte que de repente foi levado para uma instalação misteriosa de propriedade da Abstergo Industries. Lá ele conhece a Dra Sofia Rikkin (Marion Cotillard), filha do CEO da empresa e líder do projeto Animus vivido por Jeremy Irons. O Animus permite a Cal explorar as memórias genéticas de seu antepassado, o assassino Aguilar de Nerha, e viajar de volta no tempo para experimentar os eventos na Espanha do século 15, quando Aguilar tenta impedir a Ordem Templária de obter A Maçã do Éden e usá-la para erradicar o livre-arbítrio.

A produção realizou ótimas escolhas começando pela direção de Justin Kurzel. Responsável pelo ótimo Macbeth, também estrelado por Fassbender e Cotillard, o cineasta busca uma identidade própria para a obra, não ficando a mercê de todo o material do game. Talvez, por isso, houve a opção de criar um personagem fora da franquia de games. Depois, a escolha do elenco foi acertada. Fassbender e Cotillard se esforçam para dar seriedade à história e não desapontam em suas performances. Finalizando, a narrativa em seu primeiro ato consegue com eficiência situar aqueles leigos que jamais tiveram contato com os games.

Da forma mais básica, somos apresentados aos Assassinos, Templários e a Maçã do Éden. Porém, o segundo e terceiro ato do filme são cheias de buracos, principalmente quando tenta trabalhar a motivação de seus personagens. Callum Lynch é apresentando somente como um homem responsável por um assassinato. Rapidamente, a Dra Sofia Rikkin explica que a violência está em seu sangue. E basta. Sem mais desculpas ou explicações.

Na verdade, o momento que o filme se passa no presente é o grande problema e, que tira o interesse de continuar acompanhando aquela história. É muito disse me disse para pouco conteúdo. Apesar dos esforços de Cotillard fazer o seu melhor como a Dra Sofia, seus diálogos se resumem em explicar a importância de seu trabalho e como ela irá cuidar de Cal. Não há uma conexão necessária entre os dois. Tudo se resume apenas em rebuscar as memórias do ancestral Aguilar. A maneira como Cal é induzido ao Animus também não é compreensível. Como o dispositivo foi criado, como ele chegou até ali e se outros antes de Cal utilizaram não é explicado. É sempre tudo jogado e o público que se vire para compreender.

Contudo, há uma compensa boa nas cenas de ação de Aguilar na Espanha em raros momentos onde nos sentimos dentro do filme ou como se estivéssemos jogando Assassin’s Creed.  Fassbender faz de Aguilar um personagem interessante e, que poderia se encaixar perfeitamente em futuros jogos. Ao contrário de Callum, Aguilar não precisava de um backstory. A boa sequência inicial onde o personagem é introduzido bastou, algo que faltou em Callum. Também é interessante a relação de Aguilar com a assassina Maria (Ariane Labed). Sem forçar a barra para um romance, a sintonia entre Maria e Aguilar acontecem quando estão em batalha e com isso a relação entre os dois flui naturalmente.

No mais, Assassins’s Creed não merece toda essa aversão que ocorreu nas últimas semanas. Não é um filme excelente, mas também não se pode dizer que é ruim. Um longa caprichado em seu visual e que funciona como um filme de ação. Mas como adaptação de game, não teve seu potencial explorado com eficiência.