Crítica | Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood é uma tocante homenagem ao filme original

Quando anunciado que Os Saltimbancos Trapalhões (1981) ganharia uma continuação, havia um certo receio de que a memória de um clássico do cinema nacional fosse destruída. Inspirado na obra musical de Chico Buarque de Hollanda, o longa trazia a querida trupe dos Trapalhões com Didi, Dedé, Mussum e Zacarias no auge da carreira. 36 anos depois, surge a continuação Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood, agora somente com Didi e Dedé. O resultado é um filme correto, leve, divertido e carregado de nostalgia.

Dirigido por João Daniel Tikhomiroff, o longa aposta no sonho por dias melhores de Didi (Renato Aragão). Com muitas ideias que surgem enquanto dorme, o faz de tudo no Grande Circo Sumatra, acredita que ainda há esperança para os artistas circenses, quando o local começa a perder espaço para leilões e comícios políticos organizados pelo prefeito da cidade (Nelson Freitas), que tem como objetivo destruir o lugar. Com a ajuda dos funcionários e, em especial, da bela Karina (Leticia Colin), a filha do Barão (Roberto Guilherme), eles organizam um espetáculo musical acreditando serem capazes de atrair o público novamente e reverterem a crise financeira.

Apesar do roteiro raso, o filme aborda temas sérios como a não utilização de animais em circo e a perda do interesse em números circenses. Porém, faltou uma profundidade nos temas sempre sugeridos durante a narrativa.

O que o longa consegue prender é na sintonia entre Renato Aragão e Dedé Santana. Mesmo sem aquela desenvoltura de outrora por conta da idade avançada, a dupla consegue desempenhar divertidos momentos cômicos. Vê-los ali contracenando novamente foi como fazer uma viagem de volta para uma época ingênua e feliz de nossa infância.

Se já não basta a emoção de ver Didi e Dedé juntos novamente nas telonas, o longa ainda reserva uma emocionante homenagem aos falecidos Mussum e Zacarias. O grande objetivo dessa sequência foi celebrar a obra Os Trapalhões. E assim, o filme foi eficiente.

Por fim, Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood é uma homenagem justa ao filme original e que vai agradar o espectador em diversos momentos.
Não é uma produção para ser levada a sério tecnicamente, vale pela nostalgia em revisitar personagens que estarão para sempre em nossos corações.

Crítica | Transbordando romance, Aliados diverge dos clássicos filmes sobre Segunda Guerra Mundial

Sempre que Hollywood lança mais um filme sobre Segunda Guerra Mundial, vem aquele sentimento de que será apenas mais um. Muito ja foi abordado sobre o tema, então encontrar algo original se torna cada vez mais raro. Robert Zemeckis, porém, resolveu tentar a sorte. E conseguiu não apenas agradar, mas também surpreender a quem assistiu seu mais novo filme.

Uma história envolvendo espionagem, paixão, confiança, amor e traição, é o que representa Aliados, produção de Zemeckis (diretor de filmes como a franquia De Volta para o Futuro e os filmes Náufrago e ForrestGump – O Contador de Histórias).

A história traz um clima de Sr. e Sra. Smith dos anos 40, onde o casal protagonista é vivido por Brad Pitt e Marion Cotillard, dois espiões escalados para uma missão em Casablanca, no Marrocos. Apesar de todos os motivos desfavoráveis, Max Vatan e Marianne Beausejour se apaixonam em meio a guerra e ao caos. Provando que o amor pode superar qualquer coisa, eles se casam, têm uma filha e resolvem viver uma vida calma e normal no interior.

O público é levado pela história por meio de uma ótima trilha sonora, criando os momentos de tensão e drama na hora certa. Além disso, o figurino típico da época somado a belos cenários, acrescentam a toda a trama o clima necessário para entreter o espectador. Nem muito longo e nem curto, o filme dura o suficiente para não nos deixar piscar até os créditos começarem a surgir nas telas.

Tudo ia bem para Max e Marianne, até uma suspeita conexão entre ela e os alemães surgir nos arquivos ingleses. Cego pelo amor, ele primeiramente desacredita, mas logo se vê consumido pela dúvida e resolve investigar. É a partir daí que o filme adquire um ritmo frenético, e todo o romantismo desaparece. Max utiliza todos os recursos disponíveis para descobrir a verdade, antes da confirmação pelo exército, que resultaria em execução.

A genialidade de Zemeckis leva o público a investigar junto com Max, nos surpreendendo a cada revelação e sofrendo com ele a cada descoberta. O mais importante do filme, porém, não está no desfecho, no decorrer e muito menos no início dele, mas sim na mensagem que ele nos oferece.Até que ponto a política, a economia, o poder e a ganância são mais importantes do que a construção de uma família, de um lar ou de apenas um relacionamento ?

Sem a menor dúvida, Aliados é daqueles filmes que vemos, revemos, indicamos e assistimos novamente com os amigos sempre que der. Sem grandes produções e efeitos, prova que desde que o roteiro seja coerente, denso e bem trabalhado, e que seus protagonistas exerçam seu melhor potencial, uma grande produção é feita e o sucesso é garantido. Para os fãs de drama, espionagem, suspense e ação, é um prato cheio e prazeroso de se assistir.

Crítica | Desventuras em Série decepciona e parece ser feita apenas para Neil Patrick Harris

Uma das séries mais esperadas do ano, Desventuras em Série chegou a Netflix no último dia 13. Na mesma hora, milhares de fãs correram para assistir e descobrir mais uma adaptação da obra de Lemony Snicket.

Todo o fervor apenas aumentou quando Neil Patrick Harris foi escalado para viver o pavoroso Conde Olaf, e podemos dizer, nisso a Netflix acertou em cheio. Após uma adaptação onde Jim Carey viveu o Conde, apenas alguém com extremo talento poderia assumir o papel, e todos sabemos que Harris tem de sobra.

Apesar de uma ótima história e um excelente vilão, a série deixa muito a desejar. Diferente da trama dos livros, a adaptação adquiriu um caráter infantil e forçado, com cenas mal produzidas e interpretadas. Uma pena, pois os cenários são bem feitos e trabalhados, os personagens se encaixam nos originais e tudo junto poderia virar uma versão superior a do filme de 2004.

Alguns pontos positivos, porém, devem ser destacados para mostrar que nem tudo está perdido. Com exceção de poucos momentos, a história se mantém fiel aos livros e a ideia de separar 2 episódios para cada um, funcionou muito bem. Além disso, o pequeno caráter musical que a série adquiriu com as aberturas diferentes e com a última cena, ofereceu um lado alegre a uma história tão sombria.

Todo o esforço gasto para a produção de Conde Olaf deveria ter sido investido no restante da série. As cenas entre as aparições do vilão são curtas e apenas nos levam para a próxima. Desventuras em Série é mais do que apenas o Conde, e seus protagonistas são os três jovens irmãos, diferente do que é mostrado no programa.

Infelizmente, a produção da Netflix adquiriu um caráter infantil e fez uma série boba. Para aqueles que tiveram a chance de ler os livros e até mesmo ver o filme, tem a consciência de que Desventuras em Série está longe de ser algo desse tipo. Tendo tempo para desenvolver as primeiras histórias, que são mais curtas, era de esperar algo muito melhor do que o que nos foi apresentado. A segunda temporada foi confirmada, nos resta é esperar que os erros sejam reparados.

Crítica | Com um ótimo repertório, La La Land: Cantando Estações eleva o nível dos filmes musicais

No último dia 08, aconteceu o Globo de Ouro, evento em que premiações são entregues anualmente aos melhores profissionais do cinema e da televisão, dentro e fora dos Estados Unidos. Todo ano temos um destaque dentre os indicados, e dessa vez não foi diferente. O filme La La Land: Cantando Estações, de Damien Chazelle (o mesmo de Whiplash: Em Busca da Perfeição) foi indicado a 7 categorias…e ganhou as 7!

Por mais que muitas vezes tenhamos de discordar das grandes premiações, no que diz respeito ao filme de Chazelle, boa parte foi muito bem escolhida. Por meio de um ótimo roteiro, grande química entre seus protagonistas e, principalmente, um ótimo repertório musical, La La Land – Cantando Estações se destaca no cardápio de filmes recentes, principalmente os musicais.

O filme conta a história de Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling), um casal de artistas em busca de seus sonhos. Enquanto ele quer abrir seu próprio bar de jazz, ela quer ser atriz, mas a concorrência no mercado torna tudo mais difícil para ambos. Durante a busca por seus sonhos, Mia e Sebastian descobrem o amor em cada um, além de uma grande força necessária para correr atrás de seus maiores objetivos.

Chazelle certamente acertou na escolha dos protagonistas, pois apesar de uma atuação mediana dos dois, é inegável a existência de uma química entre Ryan Gosling e Emma Stone. Em uma premiação nível Globo de Ouro, talvez tenham ocorrido equívocos na entrega dos prêmios a Gosling e Stone, já que não demonstram nada de muito extraordinário em seus papéis (ela concorreu com Meryl Streep, por exemplo, e saiu vencedora). Mas ainda assim, não deixam nada a desejar, pelo contrário, te envolvem completamente na trama.

Apesar de ser um diretor ainda novo no cinema, já é possível perceber as marcas de Chazelle em seus filmes. Por mais que sejam de estilos diferentes, La La Land tem muito em comum com Whiplash, principalmente no que diz respeito a busca da perfeição. Mia e Sebastian fazem de tudo para conseguirem aquilo que desejam, mesmo que tenham que abdicar das coisas mais importantes de suas vidas em determinado momento, mostrando que realizar sonhos nem sempre é do jeito que pensamos.

Por ser um musical, o filme é bastante dinâmico durante todo o tempo, o que prende a atenção de seu espectador. No decorrer da trama, algumas cenas são um pouco fora do contexto e até mesmo forçadas, onde os atores simplesmente começam a cantar a partir do nada, muito comum em musicais, mas que ainda causam estranhamento. Os outros momentos da produção, entretanto, compensam e entrelaçam toda a narrativa principal.

Com colaboração de Monique Souza.

Crítica | Assassin’s Creed não consegue explorar o potencial que tem

Assassin’s Creed é uma das franquias mais conceituadas do mundo dos games da última década. Os jogos deram origem a interessantes livros que exploram todo o seu potencial histórico.

Faltava o desafio de adaptar esse rico universo para as telonas, algo que a Ubisoft planejava há alguns anos. Porém, um filme inspirado em games já carrega um fardo e uma rejeição dos críticos, algo que as adaptações de quadrinhos sofreram no início. Contudo, com uma visão mais otimista, Assassin’s Creed soa como um bom filme de ação, isso se tivesse um outro título. Mas, levando para as telonas um material promissor, a pressão de realizar um grande filme do gênero mais uma vez pesou, não saindo do grande desempenho técnico e boas sequências de ação. Algo que já era esperado.

Na trama, Michael Fassbender interpreta Callum Lynch, um condenado à morte que de repente foi levado para uma instalação misteriosa de propriedade da Abstergo Industries. Lá ele conhece a Dra Sofia Rikkin (Marion Cotillard), filha do CEO da empresa e líder do projeto Animus vivido por Jeremy Irons. O Animus permite a Cal explorar as memórias genéticas de seu antepassado, o assassino Aguilar de Nerha, e viajar de volta no tempo para experimentar os eventos na Espanha do século 15, quando Aguilar tenta impedir a Ordem Templária de obter A Maçã do Éden e usá-la para erradicar o livre-arbítrio.

A produção realizou ótimas escolhas começando pela direção de Justin Kurzel. Responsável pelo ótimo Macbeth, também estrelado por Fassbender e Cotillard, o cineasta busca uma identidade própria para a obra, não ficando a mercê de todo o material do game. Talvez, por isso, houve a opção de criar um personagem fora da franquia de games. Depois, a escolha do elenco foi acertada. Fassbender e Cotillard se esforçam para dar seriedade à história e não desapontam em suas performances. Finalizando, a narrativa em seu primeiro ato consegue com eficiência situar aqueles leigos que jamais tiveram contato com os games.

Da forma mais básica, somos apresentados aos Assassinos, Templários e a Maçã do Éden. Porém, o segundo e terceiro ato do filme são cheias de buracos, principalmente quando tenta trabalhar a motivação de seus personagens. Callum Lynch é apresentando somente como um homem responsável por um assassinato. Rapidamente, a Dra Sofia Rikkin explica que a violência está em seu sangue. E basta. Sem mais desculpas ou explicações.

Na verdade, o momento que o filme se passa no presente é o grande problema e, que tira o interesse de continuar acompanhando aquela história. É muito disse me disse para pouco conteúdo. Apesar dos esforços de Cotillard fazer o seu melhor como a Dra Sofia, seus diálogos se resumem em explicar a importância de seu trabalho e como ela irá cuidar de Cal. Não há uma conexão necessária entre os dois. Tudo se resume apenas em rebuscar as memórias do ancestral Aguilar. A maneira como Cal é induzido ao Animus também não é compreensível. Como o dispositivo foi criado, como ele chegou até ali e se outros antes de Cal utilizaram não é explicado. É sempre tudo jogado e o público que se vire para compreender.

Contudo, há uma compensa boa nas cenas de ação de Aguilar na Espanha em raros momentos onde nos sentimos dentro do filme ou como se estivéssemos jogando Assassin’s Creed.  Fassbender faz de Aguilar um personagem interessante e, que poderia se encaixar perfeitamente em futuros jogos. Ao contrário de Callum, Aguilar não precisava de um backstory. A boa sequência inicial onde o personagem é introduzido bastou, algo que faltou em Callum. Também é interessante a relação de Aguilar com a assassina Maria (Ariane Labed). Sem forçar a barra para um romance, a sintonia entre Maria e Aguilar acontecem quando estão em batalha e com isso a relação entre os dois flui naturalmente.

No mais, Assassins’s Creed não merece toda essa aversão que ocorreu nas últimas semanas. Não é um filme excelente, mas também não se pode dizer que é ruim. Um longa caprichado em seu visual e que funciona como um filme de ação. Mas como adaptação de game, não teve seu potencial explorado com eficiência.

Crítica | Com Animais Noturnos, Tom Ford pavimenta seu caminho como grande diretor

O estilista Tom Ford surpreendeu em 2009 com sua estreia na direção em Direito de Amar. Sete anos depois, ele comprova seu talento na sétima arte com o ótimo suspense Animais Noturnos, adaptação ao cinema do romance Tony and Susan, de Austin Wright.

Ford realiza mais um filme que foge um pouco dos padrões hollywoodianos. Pode-se dizer que é um longa inovador, com uma narrativa não-linear. São três histórias que se conectam e intrigam a partir da belíssima entrada, que explora o estético e define a atmosfera de seus personagens.

Na trama, Amy Adams interpreta Susan, dona de uma galeria de arte, que demonstra insatisfação com seu segundo casamento ao lado de Walker (Armie Hammer). Ela é surpreendida ao receber o rascunho de um romance intitulado Animais Noturnos, escrito pelo ex-marido escritor, Edward (Jake Gyllenhaal).

O romance, que acaba se tornando um personagem a parte, narra o drama de um sujeito (também vivido por Gyllenhaal) em viagem com sua esposa e filha. Eles são abordados por um grupo de arruaceiros liderados por Ray (Aaron Taylor-Johnson). O resultado não é feliz e, Susan, começa a relembrar da sua relação complexa com Edward.

Com três histórias paralelas (a de Susan no presente e passado e o romance de Edward) a parte da leitura de Susan do romance de Edward acaba sendo o mais atrativo e impactante. Muito se deve as performances soberbas de Aaron Taylor-Johnson e Michael Shannon. Ray (Taylor-Johnson) representa a brutalidade humana, enquanto o xerife interpretado por Shannon representa o sujeito moldado pelas circunstâncias em que vive.

Contudo, Amy Adams emprega mais uma brilhante atuação no ano. Suas performances em A Chegada e agora em Animais Noturnos representam o amadurecimento da atriz, que está em sua melhor forma. Adams figura uma mulher atormentada por demônios interiores, que guarda uma culpa por erros do passado e se vê desconfortável com a dedicatória à ela no livro do ex-marido. Seria o troco pelo fim do casamento?

Jake Gyllenhaal também merece destaque, ainda mais porque interpreta dois papéis em situações distintas. Porém, de certa forma, ambos são vítimas e, abraçam a escuridão no momento final da fita.

Sem esquecer o lado estético com um figurino caprichado e takes belíssimos como a sequência inicial, Animais Noturnos é a prova do caminho construído por Tom Ford para o hall dos grandes cineastas. Um longa que leva o telespectador a se questionar sobre os rumos que a história leva e que todos terão o seu julgamento sobre o caso. Se será o certo… é uma questão de perspectiva.

Crítica | Capitão Fantástico é uma drama emotivo e forte sobre o amor paternal

Depois de uma estreia discreta na direção em 28 Hotel Rooms, o ator Matt Ross (Psicopata Americano) ganhou a atenção em festivais de cinema com a dramédia indie Capitão Fantástico.

O longa, também escrito por ele, estabelece de uma forma divertida e diferente o conceito de família. Digo, “estranho”. Porque é raro um pai e mãe se dedicar ao máximo para que os filhos estejam preparados para o mundo. Enfim, é uma discussão que gera uma crítica somente para isso. Mas, resumindo, a criação familiar está muito deturpada, com apenas cobranças como passar no vestibular e bla bla bla. Com ressalvas.

Na trama, Ben (Viggo Mortensen) é o pai de seis crianças, que decide fugir da civilização e criar os filhos nas florestas selvagens do Pacífico Norte. Ele passa os seus dias dando lições às crianças, ensinando-os a praticar esportes e a combater inimigos. Um dia, no entanto, Ben é forçado a deixar o local e retornar à vida na cidade. Sua esposa, que havia retornado por problemas de saúde, acabou falecendo. A partir daí, começa o aprendizado do pai, que deve se acostumar à vida moderna. Além disso, o avô das crianças (Frank Langella) é um crítico severo com a forma em que os netos são criados, iniciando uma luta pela guarda dos seis jovens.

A narrativa de Capitão Fantástico é dividida em dois pontos. O primeiro com a posição de Ben e seus filhos, que seguem uma vida que bate de frente com o sistema. Desde a leitura de obras literárias, músicas clássicas e alimentação saudável do que eles colhem e caçam na floresta. Um sujeito de vida urbana os taxariam como brutamontes, mas Ben os prepara para todas as situações, inclusive, para sua visão, o maior predador do mundo: o ser humano. A cena em que sua filha de oito anos expressa sua opinião política e solta “resistir é poder”, enquanto seu sobrinho mais velho da cidade nem sequer sabe o que são direitos civis, é uma crítica, por mais sutil que seja, da sociedade artificial em que se vive. Tudo é baseado em consumo, ganância e exageros.

O outro ponto é o forte laço familiar que Ben e seus filhos possuem. Há momentos de tensão e discussão, mas o que encanta no longa é a maneira como ele trata seus filhos na base da sinceridade, sem delongas. Como a divertida cena em que ele explica o que é relação sexual para uma das crianças.

Seguindo um bom road movie, o longa apresenta um trabalho técnico competente, usando bem a fotografia traçando o ambiente selvagem, mas belo em que convivem. A trilha sonora se destaca pela belíssima cover de “Sweet Child O’Mine”, da banda Guns N’ Roses.

Viggo Mortensen emprega uma atuação hipnotizante. A indicação ao Globo de Ouro por melhor ator de comédia ou musical foi justa, embora estranha. Há momentos cômicos em sua performance, mas como o patriarca da família, o ator se destaca no aspecto dramático, pela forma amorosa em suas ações como Ben. Dados momentos, ele mais parece um leão. Robusto, temido, mas que protege com sua própria vida sua família. Contudo, Ben tem ciência de que eles precisarão seguir seu próprio caminho um dia. Ou seja, com seus preceitos respeitados à risca, ele prepara seus filhos pra serem independentes. Seguindo a ótima atuação de Viggo, o elenco jovem é cativante pela doçura e espontaneidade de cada um em cena.

Capitão Fantástico é uma mistura de reflexões. Começando com o sentimento de fugir para a natureza selvagem, viver em harmonia e com mais liberdade. Uma forma de escapar de uma sociedade tão consumista, cruel e individualista.
Por outro lado, o filme define como a sociedade rotula de maneira precipitada e com base em preconceitos uma família por ser diferente ou seguir um outro tipo de educação. Infelizmente, não há espaço e tolerância para Ben e sua família na atualidade.

Crítica | Sully – O Herói do Rio Hudson exalta a competência do homem comum

Assistir Sully – O Herói do Rio Hudson, o mais novo filme de Clint Eastwood, foi um pouco duro depois do trágico acontecimento com a delegação do clube Chapecoense. O longa que deveria ter estreado no final de novembro, acabou sendo adiado por conta do ocorrido. A produção conta os bastidores do pouso de emergência de um avião com 155 passageiros no Rio Hudson em 2009. O que seria um acidente com vítimas fatais, acabou se tornando um ato de competência, algo que faltou no piloto do avião da Chape.

Inspiro no livro Highest Duty, o roteiro de autoria de Todd Komarnicki não exalta o piloto Chesley Sullenberger (Tom Hanks) como o típico herói americano. A trama mostra um sujeito comum, que estava apenas exercendo seu trabalho. Mas em todo caso envolvendo acidentes aéreos, há uma investigação profunda e, o longa mostra os bastidores com a NTSB desmistificando a figura de Sully, indo de encontro se o pouso forçado foi realmente necessário ou se poderia ter sido evitado, já que por pouco não houve vítimas fatais.

Ou seja, alguém tem que pagar o preço. E neste caso, Sully é o alvo. E não poderia haver uma melhor escolha para o papel que não seja Tom Hanks. O ator que já possui uma afeição imediata do público, traz uma performance que pode classificar como humana, gente como a gente. Sully é apresentado como um homem amado pelo público, mas questionado pela imprensa e a agência investigadora. Em nenhuma das situações, ele se sente confortável. Nunca precisou responder tantas perguntas ou imaginou se tornar um persona popular. Com uma simplicidade peculiar, Hanks emprega com eficiência esse confronto diário de Sully.

Eastwood desempenha uma direção meticulosa focando mais na investigação do que no acidente em si. Interessante que a sequência do impacto do avião é apresentada em meio a flasbacks inicialmente, como se quisesse dizer que o importante não está lá. Mas durante o segundo para o terceiro ato, a sequência é apresentada por inteira e o resultado é impressionante.

Mesmo se rendendo ao melodramático no final, Sully – O Herói do Rio Hudson é um importante retrato sobre a coragem do homem comum. Há muitos Sullys por aí, que arriscam suas vidas, que trabalham duro e não esperam e nem querem nada em troca. Por fim, uma produção pequena, mas um dos melhores trabalhos de Clint Eastwood e uma baita atuação de Tom Hanks.

Crítica | Rogue One – Uma História Star Wars é o resultado de um fanservice bem feito

Rogue One – Uma História Star Wars tinha um caminho, no mínimo, complicado para trilhar: ser parte integrante do Universo de Guerra nas Estrelas e ainda adicionar algo novo à franquia. Inicialmente, o longa consegue atingir ambas as expectativas e deixar, principalmente, o público mais saudosista impactado com toda a sua reverência à série clássica. Rogue One usa e abusa do fanservice, o que para muitos foi o grande problema do filme, mas não é o caso. As presenças de personagens clássicos da franquia como: General Tarkin, o Senador Organa e, principalmente, Darth Vader são elementos nostálgicos muito bem-vindos.

Ainda falando sobre a história, o filme utiliza o não explicado roubo dos Rebeldes dos planos da Estrela da Morte para se desenvolver e também aproveita para responder algumas dúvidas antigas. Um dos pontos negativos do longa está, justamente, no começo arrastado e pouco interessante. A apresentação do personagem de Mads Mikkelsen é necessária, mas o desenvolvimento é muito monótono. Já o maior problema do filme reside na protagonista Jyn Erso, interpretada pela atriz Felicity Jones, as motivações da personagem são pouco desenvolvidas e seu ponto de virada é muito conveniente e pouco verossímil. A comparação fica ainda mais pesada, quando olhamos para Rey, ou para os próprios personagens secundários do filme.

Talvez o maior destaque do filme fique por conta dos personagens secundários extremamente carismáticos do filme. As participações de Diego Luna como Cassian Andor, Donnie Yen como Chirrut Imwe e o robô K-2SO interpretado por Alan Tudyk são ótimas. Aliás, grande parte das piadas são relacionadas a K-2SO e são extremamente divertidas. O maior feito de Rogue One é conseguir explorar a guerra entre Império e Rebeldes por outro ângulo, mostrando os horrores da qualquer conflito armado, as decisões dúbias que precisam ser tomadas e se afastar da atmosfera positiva dos filmes clássicos. Todos esses pontos podem ser creditados a excelente direção de Gareth Edwards. É curioso que um filme com tal premissa tenha demorado tanto para dar as caras, levando em conta o riquíssimo mundo de Star Wars.

Os efeitos especiais de Rogue One são sensacionais, tornando quase impossível diferenciar o que é efeito prático e o que é CGI – vale destacar as aparições de personagens clássicos usando a computação gráfica. Outro elogio a computação gráfica fica por conta da épica batalha espacial ocorrida no final do filme, que é a mais verossímil de toda a franquia.

Em termos dos elementos clássicos, é aqui que o filme cresce. A participação magistral de Darth Vader adiciona um elemento interessante a trama e mostra toda a imponência do maior vilão de todos os tempos. Todas essas referências são muito bem-vindas, mas talvez falhem em conversar com o público não fã de Star Wars, mas isso é um detalhe, já que o filme é realmente mais voltado para os fãs da trilogia original.

Rogue One – Uma História Star Wars cumpre seu papel como primeiro filme derivado da franquia. Apesar de focar mais nos fãs antigos, a boa dose de fanservice, os personagens secundários cativantes, as respostas a perguntas antigas e atmosfera de filme de guerra, transformam o longa em um dos melhores blockbusters de 2016.

Crítica | Moana – Um Mar de Aventuras: uma viagem mística em busca de si mesmo

Uma das coisas que mais me chamou atenção no novo filme da Walt Disney Animation Studios, Moana – Um mar de Aventuras, foi a relação da protagonista com sua avó. Desde as historinhas que a velha senhora contava à pequena, até a conexão que fazia com que elas fossem muito parecidas – seres que ansiavam por mais do que viviam -, pois entendiam o chamado da natureza.

Moana Waialiki (Auli’i Cravalho) é uma jovem, filha do chefe de uma tribo na Oceania, e isso foi deixado bem claro no filme, ela não é uma princesa, é filha do chefe (“se você usa um vestido e tem um companheiro animal, você é uma princesa”). Consequentemente, ela assumiria o poder na ilha, mas isso foi tratado bem naturalmente, sem nenhum questionamento sobre o papel da mulher ser apenas figurativo, Moana desde cedo, foi ensinada a já trazer soluções e liderar seu povo.

Moana cresceu ouvindo as histórias de sua avó Tala e sente que o seu destino não está apenas em liderar sua tribo dentro do perímetro da Ilha, mas que ir além do oceano é um chamado que precisa ser cumprido. Assim que ela descobre que a ilha está em apuros, ela sabe, por conta das histórias de sua avó, que é preciso devolver o coração da deusa Te Fiti, que foi roubado pelo semideus Maui (Dwayne Johnson). E assim, Moana, literalmente com o coração na mão, decide partir até a ilha onde o semideus está recluso – levando, sem querer, seu companheiro, scrappy – para forçá-lo a devolver o coração a Te Fiti.

A magia presente no filme está na utilização dos recursos visuais, algo que sempre foi uma característica das animações da Disney, mas é especialmente bem utilizado nesta animação. Em alguns casos, ajuda a impulsionar a história. Por exemplo, o enorme corpo de Maui está coberto de tatuagens que contam sua história, aliás, um desenho que trata tatuagens de forma tão natural é mais um avanço para o gênero.

A parte musical é também chamativa, mas para quem espera um sucesso nível “Let it go”, pode esquecer. As músicas compõe bem o filme, mas não são tão chicletes como de costume.

moana-voA animação tem um realismo mágico, com uma imaginação desenfreada, que trazem resultados engraçados e mesmo imprevisíveis. Além de ter uma heroína forte, que chama os jovens a abraçar sua família e comunidade, e ao mesmo tempo, ser corajoso e autêntico.

Por fim, o mais importante é que ao longo de sua jornada, Moana aprende a navegar seguindo as estrelas, que coragem e valor não são apenas para semideuses, e que é importante saber quem você é e de onde você veio, se deseja ser um bom líder.

Dirigido pela dupla Ron Clements e John Musker (A Pequena Sereia, Aladdin, A Princesa e o Sapo), Moana – Um Mar de Aventuras estreia em 05 de janeiro de 2017 no Brasil.

 

Crítica | Sing – Quem canta seus males espanta: uma divertida mensagem sobre sonhos e determinação

“Você não pode deixar com que seu medo impeça de fazer o que ama”. Buster Moon (Matthew McConaughey) é um sonhador. Mas, como já se dizia em Amelie Poulain, são tempos difíceis para os sonhadores, mesmo que você seja um coala em um mundo em que os animais são antropomórficos (com aspectos humanos). Moon se apaixonou pelo show business ainda criança, quando seu pai o levou ao teatro pela primeira vez, desde então, com a ajuda do pai, persegue seu sonho de ser bem sucedido fazendo o que ama: produção musical.

Acontece que seu teatro está falido e é preciso agir rápido para recuperá-lo. Com o apoio de sua assistente Dona Kiki (Garth Jennings), Moon tem a ideia de um concurso musical para devolver os dias de glória ao seu empreendimento. Afinal, quem não gosta de um reality show musical? Mas, Dona Kiki é uma iguana já velhinha e pode ter cometido um pequeno erro quando imprimiu o material de divulgação com o valor do prêmio: U$ 100.000.

A novidade se espalha pela cidade e aí, vamos conhecendo os outros simpáticos personagens. A porca Rosita (Reese Witherspoon) é uma talentosa cantora, mas abandonou seus sonhos para criar seus 25 porquinhos e é constantemente negligenciada por seu marido, o workaholic Norman (Nick Offerman). A elefante Meena (Tori Kelly) possui um vozerão, mas tem muito medo de se apresentar em público. O rato Mike (Seth MacFarlane) é um músico de rua com talento de Frank Sinatra, mas não consegue fazer muito dinheiro.

Já o talentoso gorila Johnny (Taron Egerton), é filho de um bandido que quer que ele siga seus passos no mundo do crime. Ash (Scarlett Johansson), uma porca-espinho adolescent,e faz dupla com seu namorado Lance (Beck Bennett), que é crítico ferrenho de seu estilo e limita seu talento.

Quando todas essas histórias se juntam no palco do Teatro Moon é que a coisa fica divertida e interessante. Com muitos hits do mundo pop, a animação funciona muito bem como comédia e musical, fazendo com que você tenha muita vontade de cantar e dançar junto com os passos do porco, fã de Lady Gaga, Gunther (Nick Kroll).

Mesmo com o talento de seus eleitos, Moon enfrenta muitas dificuldades para fazer com que o show seja um sucesso. Ele chama a atenção por sua persistência e carinho com a memória do pai. Quando as coisas não saem do jeito que imaginava, mesmo desanimado, há ainda forças para levar tudo adiante, afinal, “quando se chega ao fundo do poço, o único lugar que se pode ir é para cima”.

É muito bacana que durante o filme, você vai se identificando com cada personagem, pois são histórias muito próximas da nossa realidade, que trazem uma reflexão, mas de forma bem leve. Além disso, mostra que o incentivo à cultura é algo totalmente relevante para qualquer sociedade, seja ela animal ou não. Sing – Quem Canta Seus Males Espanta é produzido pela Illumination Entertainment e será lançado pela Universal Pictures dia 22 de dezembro no Brasil e tem tudo para ser uma animação de sucesso que vale muito a pena conferir. Um verdadeiro presente para este Natal!

(Assisti à versão legendada, a versão dublada está recheada de cantores brasileiros como Sandy, Wanessa e Fiuk).

Crítica | Com um tema já exaustivo, 3% deixa a sensação de potencial desperdiçado

3_onesheet_330_rgb_v7Idealizada em 2011 como uma websérie no Youtube, 3% chega cinco anos depois na Netflix com o peso de ser a primeira produção totalmente nacional do serviço de streaming.

A ideia de um futuro distópico onde a humanidade luta por sobrevivência é instigante, mas depois do tema ser adaptado exaustivamente em Jogos Vorazes, Divergente, Elysium, Maze Runner, entre outros, tornam a série pouco atrativa.

Além disso, 3% sofre com um roteiro raso e que não sabe aproveitar todo o potencial que tinha ao redor. O conceito da seleção é similar em Jogos Vorazes e a visão do país dividido, e os mais pobres buscando uma entrada no lugar mais rico, é a mesma ideia de Elysium.

Depois da primeiras impressões durante a press junket, os oito episódios da série se resumem apenas em explorar a competição de jovens de 20 anos que vivem nos locais mais escassos e caóticos do país para terem acesso ao Maralto, ambiente onde terão todos os recursos para uma qualidade melhor de vida.

Mas o acesso não será fácil, apenas 3% dos competidores conseguirão passar. Além disso, um movimento conhecido como A Causa é contra essa competição, colocando infiltrados para sabotar a seleção.

O que surpreende, mas de maneira negativa, é que em nenhum momento somos motivados durante os oito episódios. Primeiro, não entendemos o porque dos jovens que disputam a vaga estão ali, porque eles querem tanto passarem para o “Lado de Lá”. Se eles vivem em ambiente desagradáveis e inabitáveis, porque alguns candidatos que moram em locais paupérrimos, estão sempre com a barba feita e não transparece que estão vivendo de maneira degradante. Além disso, a série mostra que A Causa está ali para impor igualdade. Somos incitados que eles são um grupo organizado e metódico, que na série ficou resumida por uma ação durante o penúltimo episódio, que posso classificar como desorganizada, porque nada conseguiram ali.

Com um elenco nível Malhação, as atuações de 3% são fracas. Não há dramaticidade, não há emoção, não há uma torcida sequer por um personagem. A única que se esforça é Bianca Comparato (Michele), mas a inconsistência do roteiro prejudica seu desenvolvimento.

No mais, 3% é um desperdício de potencial. Somente três episódios (quinto, sexto e sétimo) agradam, mas o roteiro pouco original deixa a sensação de que ficou devendo (e muito!). Não foi o bastante para ficar na expectativa por uma segunda temporada depois de um final sem impacto algum.

Crítica | A Chegada é uma das experiências cinematográficas mais transformadoras e emocionantes do ano

poltrona-a-chegada-posterFilmes com a temática invasão alienígena já está deveras saturado em Hollywood, mas continua atraindo um grande público. As mais recentes experiências, como Independence Day: O Ressurgimento, seguiram o mais do mesmo com o clichê de que eles estão aqui para nos conquistar e a Terra será totalmente devastada. Mas, e se fosse o contrário? Se os alienígenas chegassem em nosso planeta com o propósito de ajudar?

É a plot inicial de A Chegada, novo longa do talentoso diretor canadense Denis Villeneuve, que vem realizando grandes produções desde o surpreendente Incêndios. Em seu quinto filme, o cineasta mostra sua versatilidade em saber abraçar diversos gêneros (aqui, ficção científica com drama).

A Chegada é uma obra contemporânea com influências a filmes que, com certeza, inspiraram o diretor quando mais jovem. Nesta produção, fica clara uma referência ao clássico O Dia em que a Terra Parou. Com o roteiro de Eric Heisserer, Villeneuve nos conta uma história com assuntos pertinentes nos dias atuais e que merecem uma reflexão.

Uma delas é qual seria o grande problema da nossa sociedade? Não é preciso racionar muito que a comunicação está entre os principais problemas. A falta de comunicação entre os povos culminou e continua resultando em guerras sem fim. Tudo por julgamentos precipitados, a arrogância e prepotência de alguns povos.

Na trama, quando doze naves alienígenas chegam a vários locais na Terra, o Coronel Weber (Forest Whitaker) está à procura de uma linguista para compreender o que eles estão fazendo no planeta. Para isso, a Dra. Louise Banks (Amy Adams) é requisitada, e se junta com o cientista Ian Donnelly (Jeremy Renner) para decifrarem a mensagem dos seres. Mas, eles precisam correr contra o tempo; quando outros países não demonstram tanta paciência, como a China, que encara a visita inesperada dessas naves como o início de uma guerra mundial.

Daí, começa o grande problema da humanidade em julgar antes de pensar com racionalidade. O longa apresenta com eficiência que a comunicação é um desafio árduo, principalmente, em um mundo onde a maioria das pessoas de todas as raças, credos e espectros políticos não estão dispostas a ouvir.

Louise percebe que os aliens não são hostis, e na medida que ela aprende mais sobre como se comunicar com eles, entende que algo grandioso está por vir. Porém, é mais fácil expulsar os aliens (porque são diferentes!) do que compartilhar alguma experiência com eles.

Amy Adams está soberba aqui e apresenta a melhor atuação de sua carreira. De início, sua personagem parece uma mulher fragilizada, mas logo demonstra ser uma heroína dando uma lição nos militares. Notem na cena de sua chegada ao centro militar, um certo olhar de desdém por uma mulher adentrar em um ambiente masculino. Porém, ela demonstra algo que eles nunca teriam no momento do primeiro contato com os aliens: empatia, paciência e inteligência em não deixar o preconceito prejudicar suas ações.

Jeremy Renner e Forest Whitaker também merecem destaque. As atuações de ambos são interessantes, porque cada um representa um pólo. Renner representa um cientista encarando a situação como uma verdadeira descoberta e aprendizado, enquanto Whitaker representa um militar que precisa de respostas imediatas para seus superiores e pouco está se importando no que a visita alienígena está representando para o mundo.

Com uma atmosfera de intensa força emocional, Denis Villeneuve introduz os aliens de maneira eficiente. A câmera acompanha de uma forma que representa o temor do olhar humano em conhecer algo nunca antes visto. Da mesma forma que os humanos encaram com medo os alienígenas, o longa mostra que eles também tem um certo receio, mas o avanço que eles já possuem por anos de experiência com outras raças, sugere que eles já estavam preparados para uma recepção negativa. Algo pequeno para o desafio maior que eles teriam com a humanidade.

A Chegada é um longa desafiador, que vai emocionar e fazer refletir sobre nossa verdadeira função no universo. O resultado é uma das experiências cinematográficas mais transformadoras do ano. Este é o melhor filme de 2016.

Crítica | Animais Fantásticos e Onde Habitam supera até mesmo alguns filmes da saga Harry Potter

Essa crítica não contém spoilers! 

Ainda estou me recuperando psicologicamente do que acabei de ver. Eu, como fã do universo de J.K. Rowling desde os 7 anos de idade, estava mais do que ansiosa (contando os dias, chorando com os trailers, etc) para ver o novo filme da autora nos cinemas, Animais Fantásticos e Onde Habitam. E agora estou sofrendo por ter de esperar dois anos pelo próximo.

Desde 2001, vivíamos na expectativa de quando o próximo filme seria lançado. Uma vez que muitos já tinham lido os livros, a teoria já existia e a prática é que era aguardada. Agora, todos estávamos no mesmo barco, apenas com informações de trailers e no máximo o nome do protagonista e suas criaturas (para quem não sabe, existe um pequeno livro homônimo lançado por Rowling, que introduz a história de Newt Scamander).

O melhor da produção é o elenco. Eddie Redmayne demonstrou, mais uma vez, porque já recebeu um Oscar, desenvolvendo mais uma atuação brilhante, que só coroou um filme já maravilhoso. Todos irão amar Newt Scamander, e isso se deve unicamente ao ator que o interpretou. Não é só ele, porém, que merece créditos por atuação, mas todo o elenco se encaixa perfeitamente em seus respectivos personagens, com destaque para Dan Fogler (Jacob Kowalski), Ezra Miller (Credence Barebone) e Alison Sudol (Queenie Goldstein). Fogler conseguiu, por exemplo, que um No-Maj fosse uma das grandes atrações da trama, trazendo grande parte do alívio cômico em meio a tantas aventuras.

Outro ponto muito positivo de Animais Fantásticos, é a independência em relação a saga Harry Potter. As referências existem? Sim, afinal estamos falando de um aluno de Hogwarts, que foi ensinado por Alvo Dumbledore. As semelhanças, entretanto, acabam aí. É uma história completamente nova, com um assunto completamente original e personagens completamente únicos. Obviamente que ter assistido aos filmes anteriores irá ajudar em alguns momentos, mas toda a nova geração de fãs pode aproveitar o presente, tendo curiosidade em conhecer o passado.

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Finalmente, os animais fantásticos. Como o título do filme já diz, os grandes protagonistas são as criaturas da maleta de Newt, e eu duvido você não querer levar algumas pra casa. A fotografia do filme é sensacional, a computação gráfica é literalmente mágica e a trilha sonora irá transportar todos para 2001, sendo semelhante aos filmes de Harry Potter. Quase tudo é feito no computador, com exceção dos personagens humanos, então era necessário um trabalho excepcional para que desse certo. E deu, muito. O 3D, por exemplo, acrescenta muito e transporta você de uma maneira espetacular ao universo mágico retratado na tela.

Animais Fantásticos e Onde Habitam superou todas as minhas expectativas. Imaginei que fosse ser ótimo, mas é mais do que isso. Para os fãs da saga Harry Potter, é mais uma chance de ver o nome de J.K. Rowling em uma tela de cinema, de ouvir a tradicional música com o símbolo da Warner, e principalmente, de esperar por um próximo filme. E mesmo para quem está iniciando agora no universo de Rowling, é uma excelente maneira de começar, além de despertar o interesse por seus antecessores. Só temos a agradecer a David Yates por tirar essa ideia do papel, e transformar um livro de 64 páginas em um novo universo.

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Animais Fantásticos e Onde Habitam é sensacionalmente bom, superando até mesmo boa parte dos filmes de Harry Potter (com exceção dos dois primeiros). A nova produção é mais mágica, com efeitos maravilhosos e um elenco fenomenal. É realmente o início de uma nova era.