Crítica | Com o mesmo molde dos anteriores, Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar cumpre seu objetivo de divertir o público

Já estamos em 2017 e cá estamos nós indo ao cinema ver mais um filme da franquia Piratas do Caribe. 14 anos após o lançamento de A Maldição do Pérola Negra, a saga retorna as telas com A Vingança de Salazar, sem deixar de lado seus protagonistas presentes desde o início. Os fãs que acompanham a história desde o começo irão gostar e ficar satisfeitos com o que nos é apresentado durante as duas horas e meia de duração, e por mais que muitos já estejam relativamente cansados de Sparrow e seus amigos, sairão do cinema com um leve gostinho de “quero mais um”.

O formato de filme continua exatamente o mesmo, inclusive com a cena extra pós créditos iniciando uma possível continuação. A cada nova produção da franquia temos mais certeza de que o objetivo central de Piratas do Caribe deixou de ser apenas uma trama de ação, mas sim um emaranhando de aventura, comédia, fantasia e claro…piratas para todo o lado. A Vingança de Salazar nos faz matar a saudade de Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley), que estavam ausentes no último filme da franquia, mesmo que Knightley não tenha nenhuma fala e só apareça por cerca de 10 segundos. Além deles, outros rostos conhecidos apresentam-se ao longo da trama, como o Capitão Barbossa (Geoffrey Rush) e os fiéis Joshamee Gibbs (Kevin McNally) e Scrum (Stephen Graham). Dessa vez, entretanto, os protagonistas não são mais Bloom e Knightley, mas sim o filho do casal Henry (Brenton Thwaites) e a jovem Carina (Kaya Scodelario), além de Jack Sparrow (Johnny Depp), obviamente.

Divulgação / Disney

A nova história acompanha Henry em sua busca incansável por uma solução para a maldição de seu pai, condenado a viver para sempre como capitão do Holandês Voador; trama que foi iniciada no terceiro filme da saga: No Fim Do Mundo. A última esperança de Turner está nas mãos de ninguém menos do que Jack Sparrow, único pirata que pode encontrar o poderoso Tridente de Poseidon, um objeto mágico com poder de controlar todo o oceano e acabar com todas as maldições que nele reinam. Ao mesmo tempo conhecemos a história do personagem que dá nome ao filme, o Capitão Armando Salazar (Javier Bardem), um lendário caçador de piratas espanhol, preso como morto-vivo no Triângulo do Diabo. Após ser libertado, seu único objetivo é vingar-se (explicando o título) daquele que o transformou no monstro que é, além de destruir a vida de todos os outros piratas do mundo. Para isso ele busca o mesmo artefato procurado por Henry, resultando em uma caçada insana pelo Tridente e por Jack, seja pela Marinha Britânica ou por Salazar.

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Depp repete as piadas e o estilo do velho capitão (velho mesmo, pois a idade chega até para Johnny Depp), mas ainda consegue agradar a quem sempre admirou seu trabalho. Ele ainda é o chamariz da franquia e exerce tal papel com muita facilidade. As atuações de Thwaites e Scodelario surpreenderam e se destacam dentre tantos outros membros da “velha guarda”, trazendo de volta o toque jovial que existia na primeira obra. Javier Bardem representa outro dos clichês da saga, ao viver um vilão monstruoso e temido em todos os sete mares, mas que só é mencionado no momento adequado para o filme ser produzido, assim como aconteceu com Davy Jones (Bill Nighy) nos lançamentos anteriores. O sotaque latino e o charme de Bardem – mesmo abominável ele ainda existe – são bem aproveitados, mas não o suficiente para torná-lo memorável.

A trilha sonora também marca presença com o belo trabalho de Hans Zimmer, e a música é ouvida em (praticamente) todas as grandes cenas de ação. Não espere um roteiro extremamente elaborado, pois ele não existe, mas os elementos que fizeram com que nos apaixonássemos por Piratas do Caribe existem e nos pegamos sorrindo ao assistir. A correria entre um momento e outro também está lá, e até mesmo Jack correndo, literalmente, sobre algo pode ser visto. Com situações frenéticas e até mesmo confusas com tanta informação, essa nova produção repete a fórmula e adiciona novos elementos necessários após quatro filmes extremamente semelhantes. Até mesmo o cantor Paul McCartney foi utilizado como atração e por mais que tenha sido curta, serviu para divertir o público, o que é o principal objetivo da franquia.

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Crítica | Uma Dama De Óculos Escuros Com Uma Arma No Carro é a prova de que fugir dos blockbusters pode ser muito bom!

Dany Dorémus (Freya Mavor) é uma mulher aparentemente discreta, ao aparecer pode-se até a confundir com uma freira, mas ela é secretária numa agência de publicidade e nutre uma paixão secreta por seu chefe, Michel Caravaille (Benjamin Biolay), que casou com uma antiga colega sua, Anita (Stacy Martin). Quando o chefe a convida para um trabalho extra de última hora, em sua casa, é que as coisas começam a se desenvolver.

Nota-se uma leve rivalidade entre Dany e Anita, provocações discretas, sempre não ditas, mas percebidas. Após finalizar seu trabalho, é pedido para que ela deixe a família no aeroporto (eles têm uma filhinha), e depois leve o carro de volta até a casa, acontece que Dany nunca viu o mar e está disposta a cair na estrada com carrão do chefe, um Ford Thunderbird, para chegar até lá.

O que começa como uma jornada de libertação, logo se transforma em um suspense psicológico dos bons. Por onde passa, Dany é reconhecida, ela tem diversos encontros ao longo do caminho, em que as pessoas alegam se lembrar dela. Normalmente, assumiríamos que todos esses esquisitos – do restaurante, do posto de gasolina e do hotel – estavam de alguma forma loucos, mas o diretor, Joann Sfar não nos deu qualquer razão para considerar sua heroína confiável, o que certamente complica as coisas quando ela descobre um corpo no porta-malas e um rifle escondido no banco de trás.

Passamos a questionar a sanidade da personagem principal, em especial pelos truques alucinatórios que Sfar utiliza, nos quais o tempo parece retroceder ou então avançar para algum futuro possível. O condutor faz tudo parecer surreal o suficiente para que não nos detenha a considerar a única explicação lógica. Será mesmo que ela é uma assassina? Como todos já a conheciam antes mesmo de ela estar ali? Qual é a solução do mistério, afinal?

Essas e outras perguntas serão feitas até o final do filme, que bom… É claro que não vou revelar, mas ao menos, se não for satisfatório, não se pode negar que é surpreendente! Baseado em um romance policial do autor Sébastien Japrisot, o filme francês é uma refilmagem de uma outra versão de 1970, Lady. Estreia no Brasil no dia 11 de maio.

Divulgação (Mare Filmes)

 

(Foto: Divulgação/Fox)

Crítica | Alien: Covenant consegue ser um grande filme e ao mesmo tempo uma pândega

(Foto: Divulgação/Fox)

Com Prometheus, Ridley Scott prometeu ir mais afundo sobre o que aconteceu antes da franquia Alien. O primeiro prelúdio chegou repleto de expectativa sobre os tais Engenheiros, responsáveis pela origem de tudo. Porém, apesar de suas qualidades, foi uma produção que deixou mais perguntas ao invés de repostas. Com isso, chega Alien: Covenant, segundo capítulo do prelúdio. A princípio, é o filme mais eficiente do diretor, que resgata elementos que fizeram da série tão importante. Resumindo, Scott não inventa conceitos metafísicos abstratos com muitos e muito enigmas. Em Covenant, ele faz um “feijão com arroz” com uma história mais coesa, um visual agradável, cenas viscerais e ainda tentando responder as perguntas deixadas em Prometheus de uma forma pragmática, mas pelo menos convincente.

A trama se passa em 2104. Viajando pela galáxia, os tripulantes da nave colonizadora Covenant encontram um planeta remoto com ares de paraíso inexplorado. Encantados, eles acreditam na sorte e ignoram a realidade do local: uma terra sombria que guarda terríveis segredos e tem o sobrevivente David (Michael Fassbender) como habitante solitário.

O início da película é deveras intrigante com a trama trazendo importantes discussões que Scott adora trabalhar em seus longas, como o nascimento e morte, Deus e homem e mito da criação.

O nascimento do sintético David (Michael Fassbender) mostrado no início destaca uma importante frase: “Grandes coisas têm começos pequenos.” Sem querer entrar em detalhes, mas é a partir dessa frase que entendemos a visão que o androide tem sobre o mundo e a criação.

Alien: Covenant investe no terror visceral homenageando os 40 anos do primeiro filme. E somente aí que a produção está eficiente. Os Engenheiros são ignorados, tendo destaque em apenas uma sequência nada produtiva. Somente no ato final há uma resposta para que aconteceu no longa anterior, que convence pela performance enigmática de Fassbender. Mas ao final, fica entender que os dois prelúdios são desnecessários.

Em relação ao elenco, somente Michael Fassbender se sobressai. Suas performances como David e Walter, o último uma versão mais avançada dos sintéticos, é  que carrega o filme, porque as outras atuações são abaixo do esperado. Daniels (Katherine Waterson) está longe de ser uma Ripley. O restante do elenco não é nada atraente e, a inteligência parece não ser uma virtude da tripulação.

Alien: Covenant consegue ser um grande filme e ao mesmo tempo uma pândega. É um filme com dois lados. Se você quer uma sequência de Prometheus vai permanecer com dúvidas na cabeça. Escolhi o lado de ver um terror no espaço e Covenant é um filme estruturalmente desafiador, que apesar de todas as suas falhas, não é ruim. É, não vai ser o seu filme favorito da franquia, mas que merece ser assistido.

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Crítica | O Dia do Atentado destaca a importância da comunidade e heroísmo

Foto: Divulgação / Paris Filmes

A priori, quando anunciado que o Atentado à Maratona de Boston em 2013 ganharia filme, me soou desnecessário. Adaptar algo que marcou profundamente uma cidade e as vítimas seria realmente digno e apropriado? Para a surpresa, o diretor Peter Berg entregou um filme de caráter quase documental sem focar no terrorismo e o sofrimento, mas no surgimento de heróis improváveis. Pode parecer ufanista, mas o longa a partir da perspectiva desses personagens comuns resulta em um bom thriller.

Berg retoma a parceria com Mark Wahlberg (de O Grande Herói e Horizonte Profundo), que interpreta um personagem ficcional na trama. O sargento de polícia Tommy Saunders é baseado em vários oficiais e investigadores que trabalharam no atentado. A princípio, a escolha de Wahlberg daria entender que ele seria o super-herói parrudo, mas não. Visivelmente fora de forma (intencional ou não), o ator consegue transmitir o cotidiano de um policial, que comete erros e acertos para exercer sua função. Tudo é realizado de forma orgânica.

Na trama, após os atentados terroristas durante a Maratona de Boston em 2013, um grupo formado pelo Sargento da Polícia Tommy Saunders (Mark Wahlberg), o Agente Especial Richard Deslauries (Kevin Bacon), o Comissário da Polícia Ed Davis (John Goodman), o Sargento Jeffrey Pugliese (J.K. Simmons) e a enfermeira Carol Saunders (Michelle Monaghan) se une aos bravos sobreviventes para identificar e capturar os responsáveis pelo ataque terrorista antes que eles possam fazer novas vítimas.

A produção acerta em não dar tanta ênfase ao momento do bombardeio. Um respeito às vítimas e aos familiares. Porém, a sequência do atentado é eficiente ao apresentar um visual documental e duro no momento certo. Peter Berg foca na investigação e nos desentendimentos entre a investigação local e federal.

Alex Wolff e Themo Melikidze vivem os irmãos Tsarnaev, responsáveis pelo ataque. Eles desempenham atuações sóbrias como sujeitos metódicos e cientes do que estavam fazendo. Os fãs da série Supergirl terão a surpresa de ver Melissa Benoist aparecendo como esposa de Tamerlan Tsarnaev, Katherine Russell. A atriz apresenta uma performance bastante diferente e madura, que resulta em uma das cenas mais tensas durante o seu interrogatório.

Na parte técnica, a decisão de Berg de rodar a grande maioria do filme com a câmera de mão causa uma estranheza de início, mas contribui significativamente para a sensação de que você está lá junto com os personagens. Essa qualidade é eficaz especificamente durante a ótima sequência do tiroteio durante a captura dos terroristas.

Apesar do título original ser Patriot’s Day (algo com o Dia do Patriotistmo), Peter Berg dispensa o ufanismo americano, e faz de O Dia do Atentado um filme que destaca a importância da comunidade e heroísmo, que nos momentos mais difíceis se unem e se erguem novamente.

Crítica | Corra! não é apenas um ótimo suspense, mas também um longa bastante reflexivo

Nos últimos anos a Blumhouse Productions vem se estabelecendo como um estúdio especializado em produções de baixo orçamento do gênero suspense/terror aclamados pela crítica e pelo público em geral. A Bruxa, A Visita e o recente Fragmentado foram gratas surpresas e que colocam o estúdio agora como um dos principais em Hollywood. Todas os longas fogem do clichê e buscam, no bom sentindo, dividir opiniões. Cada espectador terá uma opinião distinta do que viu em tela.

Corra! (Get Out) é dirigido por Jordan Peele, ator conhecido pelo trabalho no programa de comédia Key & Peele. Seu primeiro trabalho como diretor surpreende em um filme ousado com emoção, humor e terror fora do padrão. O humor utilizado aqui é ácido e inteligente. Causa aquele riso, mas ao mesmo tempo nos levar a perguntar do porquê estamos rindo. Afinal de contas, é um longa de terror focado na onda de racismo nos EUA.

A história acompanha um final de semana na vida de Chris (Daniel Kaluuya), um jovem afro-americano que visita a propriedade da família de sua namorada Rose (Allison Williams). A princípio, Chris vê o comportamento exageradamente hospitaleiro da família como uma tentativa desajeitada de lidar com a relação interracial da filha, mas, no decorrer do final de semana, uma série de descobertas perturbadoras o levam a uma verdade que ele nunca poderia imaginar.

Qualquer informação a mais sobre a trama seria entregar momentos importantes da fita. Mas o que pode se dizer que a narrativa é eficiente criando uma atmosfera pra deixar o espectador ligado em tudo que acontece ao redor. Nada é aquilo que parece e, a atuação de Daniel Kaluuya é importante para isso. Ele consegue passar com seu olhar e trejeitos a sensação de desconforto ao se sentir literalmente como o prato do dia durante a estadia na casa dos pais da namorada.

Conhecida pela série Girls, Allison Williams apresenta um ótimo desempenho e tem uma reviravolta impressionante. Os experientes Bradley Whitford e Catherine Keener vivem os patriarcas da residência Armitage em atuações assombrosas. Uma outra performance que parecia ser apenas um alívio cômico, mas se torna elemento importante no último ato é Lil Rel Howery no papel de Rod, o amigo de Chris. O fato de Rod ser desconfiado e paranoico com o amigo negro estar ao redor de pessoas brancas não é por menos. Rod é um oficial do TSA, responsável por zelar a segurança e controle de imigração dos transportes nos EUA.

Corra! não é apenas um ótimo suspense, mas um longa bastante reflexivo sobre a nossa sociedade que tapa os olhos com a peneira sobre a questão do racismo. Com uma premissa bem escrita e executada, a produção é uma das grandes surpresas do ano. Recomendo!

 

Crítica | Segunda temporada de Sense8 caracteriza a evolução e maturidade da série

Lembrada por todos como a série onde todos os personagens participam da mesma relação sexual, Sense8 estreou em 2015 e logo de cara conquistou os mais diversos públicos – desde adolescentes românticos a adultos céticos. Da mesma maneira rápida que chegou, a primeira temporada foi devorada pelo público, começando então a maldita espera de quase 2 anos por uma continuação. Para saciar nossa curiosidade voraz, os diretores resolveram lançar o especial de Natal, duas horas intensas e frenéticas com os “clássicos” elementos de Sense8: a perseguição do cluster por Whispers, Will se sacrificando pelo bem maior, muita luta e ação por parte de Wolfgang e Sun, e claro…uma cena de sexo grupal envolvendo não apenas os membros do grupo, mas também seus respectivo parceiros. O público? Amou, obviamente, e recebeu com a mesma paixão dos 11 episódios anteriores.

Enfim maio chegou e com ele os episódios restantes da segunda temporada. Caso você tenha amado o especial de Natal, é melhor sentar, pois definitivamente não estávamos preparados para isso. O alvo da história ainda é o “vilão” Whispers, mas se ele estava presente em alguns momentos no começo, agora não aguentamos mais os óculos redondos e a barba grisalha. A temática da perseguição e das conexões entre cada um ganham uma nova dimensão muito mais desenvolvida e complexa, entrelaçando não apenas nosso querido cluster, mas muitos outros espalhados pelo mundo. As irmãs Wachowski fizeram questão de manter os olhos do espectador grudados na tela durante os 60 minutos de cada episódio, e o mero desvio de atenção pode comprometer a sua compreensão de tudo que vem pela frente.

A história recomeça de onde o especial de Natal terminou, inserindo o começo de um conflito que irá durar até o minutos finais do décimo primeiro episódio – e não vai acabar aí. Além de um maior número de brigas, tramas e informações, o cluster está mais unido do que nunca e não no sentido sexual. Enquanto procuram encontrar uma forma de evitar a invasão mental de Whispers, cada personagem tem sua própria guerra interior para resolver, seja ela com a família ou com o trabalho. São nesses momentos “um por todos e todos por um” que vemos o quão forte é o laço estabelecido entre eles e o quão longe estão dispostos a ir para que o outro esteja seguro. Não há mais aquela confusão da primeira temporada onde os “poderes”estavam surgindo, os sensates agora se conhecem muito bem e sabem quando cada um pode precisar de um ombro, um punho ou um corpo amigo.

Não se engane, porém, pensando que Sense8 perdeu seu charme. A ação existe e está presente em boa parte da trama, mas ainda são emocionantes os momentos onde tudo parece dar certo. Os relacionamentos entre Nomi e Amanita, Lito e Hernando, Will e Riley, Wolfgang e Kala e até mesmo Capheus e sua parceira, atingem um novo patamar e o cluster parece ser formado por muito mais do que 8 pessoas. Todos estão unidos na busca contra Whispers e por uma vida normal como uma grande família – da qual queremos fazer parte também. A tão aguardada cena gravada no Brasil na Parada do Orgulho LGBT em São Paulo, entretanto, decepcionou e durou pouco mais de 1 minuto. As milhares de fotos que circularam na internet após o acontecimento possuem muito mais química e sentido do que o que foi exposto e mal podemos perceber a presença de todos.

A complexidade alcançada no final da temporada é extremamente elevada e até mesmo confusa, gerando um certo medo de que tudo se perca mais adiante e os mistérios se desdobrem em algo morno e simples como aconteceu com Lost (não tome como crítica, eu gostei do final). Assim como na anterior, essa temporada termina com uma cena inacabada que será, ou não, resolvida no futuro e provavelmente teremos de esperar mais 2 anos para saber a conclusão. Chega um momento em que temos de parar a reprodução para tentar desfazer o nó criado na cabeça, mas como nada obteve resposta, muito menos nossas teorias.

A descoberta de novos sensates pelo mundo quadruplica o universo dos clusters, assim como as perguntas geradas a partir disso. Quem pode se conectar com quem? Como ocorre essa conexão? Outra novidade é a existência dos bloqueadores, pílulas pretas que possuem a mesma função da cocaína no sangue de Will: impedir que Whispers entre na mente de todos eles e obtenha suas conexões. Parece simples não? Kala consegue recria-los em poucos segundos no laboratório, mas nunca sabemos quando estão sendo usados ou não.  11 episódios se passaram e as teorias borbulham na cabeça, sem a menor previsão de um desfecho. Apesar de estarmos no meio de um labirinto e longe de encontrar a saída, não há como negar que o nível da série aumentou e muito, sem depender do clássico banal para fazer sucesso. Com uma trilha sonora fantástica acompanhando cada situação, do romance ao frenético de um luta ou uma festa, o público se encontra mais envolvido do que nunca com os episódios maravilhosos dessa temporada. Se você ainda achar que Sense8 é uma série sobre sexo depois de assistir aos 11 episódios, melhor retomar ao começo e assistir tudo de novo.

Crítica | Feud – 1ª Temporada: Uma aula de como se fazer série em mais um trabalho impecável de Ryan Murphy

Ryan Murphy é definitivamente uma das mentes mais criativas no mercado televisivo. O diretor, produtor e roteirista consegue se comunicar com público de todas as idades com produções versáteis, desde o musical Glee a série mais adultas como American Horror Story. Mas foi com a antologia American Crime Story  que ele caiu no gosto da crítica especializada e, agora com Feud, Murphy dá uma aula de como se fazer uma série de TV.

Feud, uma expressão que significa rixa será mais uma antologia com cada temporada abordando fatos sobre celebridades. A primeira temporada intitulada Bette and Joan acompanha a rivalidade profissional das atrizes de Hollywood Bette Davis (Susan Sarandon) e Joan Crawford (Jessica Lange) quando dividiram a telona no clássico What Ever Happened To Baby Jane. Ter grandes nomes em uma produção é ótimo para os executivos que pensam na recepção $$$ que o filme irá obter. Porém, quando se escala duas atrizes excêntricas e com os egos inflados, o tiro pode sair pela culatra.

As farpas trocadas entre as duas se tornaram um prato cheio para a mídia, que passou a se aproveitar da situação criando muitos conteúdos superficiais e fofocas em torno da relação das atrizes nos bastidores. Contudo, não era uma apenas questão de vaidade. Sim, as Bette e Joan buscavam superar uma a outra, mas ela não se odiavam. Pelo contrário, embora não admitissem em público, havia um respeito mútuo entre elas. Um exemplo fajuto, mas elucidativo, é que a relação de ambas seria como uma partida de futebol entre Barcelona x Real Madrid ou Fla x Flu. Quando estavam em campo era uma guerra pela vitória, mas quando a partida acabava cada um seguia o seu caminho e bola pra frente. Mas assim como no futebol, a imprensa gosta de se aproveitar da rivalidade e, por muitas vezes, acabava aumentando e piorando em busca de audiência.

Durante os oito episódios, entendemos que as intrigas entre Joan e Bette eram causadas por algo muito simples. Uma completava a outra. Joan era obcecada com sua aparência e Bette era obcecada com seu talento. As duas em cena se completavam, mas uma queria o que a outra tinha de melhor. Com isso, Ryan Murphy estabelece uma profunda análise do quando o mercado fonográfico pode inspirar e colocar um astro de cinema no topo, mas em um piscar de olhos pode destruir. Joan e Bette foram duas vítimas do próprio talento que possuíram.

A escolha das atrizes Jessica Lange e Susan Sarandon foram pontuais. Vai ser difícil alguma atuação na TV superar as duas e olha que estamos apenas no primeiro semestre. Susan interpreta uma Bette altiva e sisuda, enquanto Jessica comove em construir uma Joan cheia de fragilidades com uma atuação no episódio final deveras emocionante.

Feud foi mais que uma série sobre rivalidade. Uma produção sobre duas estrelas do cinema que buscavam a perfeição, se superar em cada atuação para deixar sua marca em Hollywood. Porém, os anos 50 e 60 enalteciam suas jovens atrizes taxando-as de divas até o momento de descarta-las por serem velhas demais para o mito da eternidade e beleza da cultura pop.

Crítica | Guardiões da Galáxia Vol. 2 é a prova de que menos é mais

Guardiões da Galáxia foi uma enorme surpresa para os fãs do Universo Cinematográfico da Marvel e, além disso, para os amantes de cinema. James Gunn conseguiu apresentar um novo grupo de heróis em um roteiro bem elaborado que mescla humor, ação e um ótimo desenvolvimento de seus personagens. O diretor conseguiu perpetrar um trabalho que conquistou os fãs e que angariou em um contrato para mais dois filmes dos heróis espaciais. A sequência, titulada de Volume 2, tem a missão de superar (ou igualar) as expectativas dos fãs e de trazer novidades a mais nova franquia da Marvel Studios.

A história mostra a equipe atuando em missões em torno da galáxia após seis meses dos acontecimentos do primeiro filme. Em meio a viagens em torno do universo, Peter Quill (Chris Pratt) encontra seu pai, Ego (Kurt Russel) e começa a aprender sobre o seu passado, como também sobre seus genes alienígenas. Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Baby Groot (Vin Diesel) e Rocket Raccoon (Bradley Cooper) acompanham o Senhor das Estrelas em sua jornada pessoal, além de contarem também com a ajuda de Yondu Udonta (Michael Rooker), Nebulosa (Karen Gillian) e Mantis (Pom Klementieff).

James Gunn não só mantém a base do primeiro filme, como também a exagera. Algumas decisões do diretor para sua sequência desagradam, sendo que duas delas foram as que mais agradaram no seu filme de 2014: o humor e a trilha sonora. O filme perde a sutileza e originalidade, embora consiga trazer boas risadas pelo ótimo timing do elenco. O diretor encaixa piadas e sátiras em praticamente todas as cenas de sua trama; umas são realmente engraçadas e outras não chegam perto disso. Drax, outrora engraçado por não entender metáforas e manter-se sempre com uma postura séria, agora virou o principal alívio cômico. As músicas eram encaixadas de forma sutil e acompanhavam perfeitamente o que determinada sequência nos mostrava, mas em sua continuação elas são extremamente forçadas. Os personagens do filme pedem a todo o momento alguma música, mesmo que ela de nada sirva para a ocasião (na maioria das vezes). Em outros pontos da trama existem explicações da letra de uma determinada canção para a história, subestimando o espectador a interpretar e encaixá-la dentro do contexto do enredo, como no primeiro filme.

Apesar desses erros específicos, o contexto da história acerta em fechar arcos importantes que envolvem Peter Quil e seu parentesco desconhecido; Gamora e a relação com sua irmã, Nebulosa; Yondu e seus motivos obscuros para não ter entregado Peter ao seu pai. Todos esses pontos são bem desenvolvidos e alcançam a sensação de continuidade e de que os personagens estão em evolução. Outro elogio que a produção merece é quanto à fotografia e a coreografia das cenas de ação. É indubitável que Thor: Ragnarok pegou como inspiração o visual colorido e vivo de Guardiões da Galáxia, sem contar no enorme trabalho visual que Steve Dikto e Jack Kirby deixaram nos arquivos da Marvel. Alguns momentos do filme parecem ter sido retirados do visual psicodélico de Doutor Estranho (2016, Scott Derrickson), trazendo à tona que James Gunn não tem medo de fazer filmes que sejam baseados em quadrinhos. Pelo contrário, o diretor (também roteirista do filme) homenageia e faz referências a eles sempre que possível.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 não tem a mesma urgência do seu antecessor, tampouco o mesmo peso. James Gunn nos conta uma história que não tem a devida grandiosidade para o momento em que o Universo Cinematográfico da Marvel está, sem contar a terrível sensação episódica, que ao contrário do recente Star Trek: Sem Fronteiras (2016, Justin Lin), não é nada boa. O diretor repete a estrutura narrativa do primeiro e exagera onde acertou, trazendo um bom filme de comédia ao público, mas que não leva a lugar algum; prova de que menos sempre é mais.

Observação: o filme possui mais de duas cenas pós-créditos, sendo que algumas estão entre os créditos e outras depois. Permaneça até o final.

Crítica | Paixão Obsessiva não sustenta o clima tenso que prometeu

Assistir o trailer de um filme pode muitas vezes prejudicar a obra como um todo após o seu lançamento. Seja por revelar de mais ou por oferecer uma imagem irreal, aqueles singelos dois minutos conseguem se sobrepor aos restantes em alguns casos – como aconteceu em Paixão Obsessiva. O longa estreia em uma época onde o público feminino está em alta, liderando séries e filmes e assumindo papéis de destaque no mercado, e promete um enredo centralizado no medo, na tensão e no suspense entre duas mulheres. A pretensão existiu, mas provavelmente ficou apenas no papel.

Katherine Heigl (de Grey’s Anatomy) assume o papel da vilã Tessa, e é um dos poucos pontos positivos do filme com uma atuação excelente. A ex-esposa de David (Geoff Stults) embora não demonstre a paixão presente no título – por culpa dos produtores -, transmite o lado psicopata e possessivo necessário. Do outro lado temos Julia (Rosario Dawson de Demolidor), que apesar de não precisar de grandes atuações como Heigl, satisfaz a figura romântica em busca de uma nova aventura ao lado do homem que ama. David por sua vez está mais perdido do que o espectador e se torna até dispensável, visto que não se comporta da maneira esperada em situações como as presentes na história. A fraqueza de Paixão Obsessiva não está no elenco, pois seus intérpretes não têm a oportunidade de exercer tudo aquilo que são capazes com um enredo tão fraco.

A vida de Julia vira de cabeça para baixo quando ela se muda para uma pequena cidade na costa oeste para morar com o futuro marido. Como em todo casamento, a família vem de brinde e em alguns casos isso pode ser pior do que parece. Enquanto Julia tenta esquecer o passado traumático de seu ex-namorado violento e abusivo, Tessa não consegue parar de pensar nos tempos em que era feliz com David. Além dela, a jovem Lily – filha do casal – passa a conviver diariamente com Julia, o que perturba ainda mais a cabeça da mãe da criança. Tendo seu “reino” ameaçado, a loira usa tudo em seu poder para destruir a imagem da rival para o ex-marido, mesmo que tenha que revirar o lado mais obscuro da internet e usar ações inescrupulosas contra Julia.

Paixão Obsessiva tinha todos os elementos necessários para fazer um ótimo thriller com tanto sucesso quanto produções semelhantes anteriores, como A Garota no Trem e Garota Exemplar. A obviedade é algo presente desde o início, mas sempre há a esperança de que algo realmente surpreendente está por vir – e não vem. O filme lida com assuntos realmente complexos, polêmicos e atuais e nem ao menos da-se ao trabalho de abordar mais ampla e detalhadamente cada um, apenas joga na tela e deixa para o espectador aceitar como foi apresentado. Os fatos acontecem muito rápido e não há um ritmo característico no decorrer trama, apenas cenas repetitivas com diferentes cenários e trilha sonora – que também não ajuda.

 Nem mesmo a atuação dos personagens consegue salvar a história, afinal estão seguindo um roteiro. Diálogos e brigas dignos de novelas mexicanas, onde um atiçador nem ao menos encosta na cabeça do homem e ele já cai no chão ensanguentado -, permeiam pelos longos 100 minutos de duração do filme e quando achamos que não poderia piorar, chega o final. Da mesma maneira rápida que a obra começa, como um passe de mágica tudo se resolve e se transforma em um conto de fadas. Por fim, a quase participação especial de Cheryl Ladd nos momentos finais apenas agrega a outros momentos dispensáveis em Paixão Obsessiva. Os créditos surgem e temos a sensação de perder 100 minutos de nossa vida.

Crítica | Vida: com um toque de Alien, suspense traz uma caçada espacial frenética

Imagine só que uma equipe de cientistas da Estação Espacial Internacional consegue uma amostra de vida obtida diretamente de Marte. A primeira prova concreta que há vida extraterrestre pode ser o sonho de qualquer astronauta, mas para a missão de Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson e Ryan Reynolds, ficou mais parecido com um pesadelo sem fim.

O suspense de ficção científica prende o espectador em uma caçada sufocante dentro de um pequeno espaço, em que a cada momento, um de seus personagens está em perigo evidente. Calvin, como é nomeada a amostra, é muito mais inteligente do que se pensava, mas precisa de um hospedeiro para se alimentar e, como podemos perceber, está faminto.

Gyllenhaal é o discreto e introspectivo Dr. David Jordan, Ryan Reynolds interpreta o temperamental membro da tripulação Roy Adams, que é um bom amigo do cientista-chefe Dr. Hugh Derry, vivido por Ariyon Bakare. Rebecca Ferguson interpreta a médica supervisora Miranda Norte, Hiroyuki Sanada é o responsável pela comunicação Sho Murakami e Olga Dihovnichnaya é outra cientista, Ekaterina Golovkina.

Pode-se dizer que os roteiristas de Vida, Rhett Reese e Paul Wernick (conhecidos por Deadpool), parecem ter ficado fascinados pelo drama de ficção científica Gravidade de Alfonso Cuarón, com suas cenas de astronautas solitários balançando fora da nave espacial. Cenas de silenciosa tensão que em nada aliviam a corrida frenética dentro da estação.

Calvin cresce a um ritmo alarmante em sua placa de Petri, como uma pequena medusa de dois braços, inicialmente do tamanho de uma moeda. Em seguida, já maior e mais forte, agarra a pequena espátula com a qual o cientista Hugh Derry a está cutucando, com surpreendente hostilidade. E ele continua crescendo. E é claro, muitas coisas começam a dar errado.

Um dos problemas de Vida é que ao longo de todo o processo de crescimento da amostra, não se explica nada. Só vemos Calvin ganhar força, inteligência e tamanho sem saber como tudo isso aconteceu e à medida em quese torna cada vez maior e mais engenhoso, o filme parece estar sempre ecoando ao som de portas e escotilhas sendo fechadas, bem em tempo – ou tarde demais. E aí, torna-se aquele tipo de filme agitado, no qual se torce para que ao menos um personagem sobreviva e mesmo sabendo que Calvin é uma mistura de alien com anaconda, você mantém a esperança de que ao menos a Terra ficará segura.

Se durante toda a trama você não se sentiu desconfortável e ansioso pela tensão, a sequência final definitivamente vai te fazer pular da cadeira com uma surpresa que pode até sugerir que outro filme está por vir, afinal, a vida se renova e se adapta sempre. Estreia dia 20 de abril nos cinemas brasileiros.

Crítica | Apesar da mesma fórmula, Velozes e Furiosos 8 surpreende e supera os anteriores

Você provavelmente se perguntou: “Nossa, mais um Velozes e Furiosos? Eles não cansam não?”
Com 8 filmes, a franquia se mostra longe de encerrar as produções, tendo ainda mais dois confirmados pelo próprio Vin Diesel. Mesmo após a morte de um de seus protagonistas em novembro de 2013, a “nova família” consegue suprir a ausência de Paul Walker – apesar da falta de um parceiro para Toretto -, sempre fazendo questão de homenagear o ator em algum momento.

Velozes e Furiosos já deixou de ser sobre mulheres seminuas e rachas de carros faz tempo, mas escolhe sempre ter uma passagem do tipo para manter suas origens. Depois de conquistar um público fiel, o novo filme chega a nos lembrar de filmes de super heróis, com situações recheadas de ação e cenas absurdas de explosões, tiroteios e até mesmo acidentes glaciais envolvendo um submarino de guerra. Outra semelhança é o fato de todos os personagens possuírem o dom da imortalidade. É sério, ninguém morre nos filmes da franquia – mesmo quando morre na vida real. A produção tem até mesmo sua própria versão havaiana do Hulk, vivido pelo policial Luke Hobbs (Dwayne “The Rock” Johnson).

No oitavo filme da série, Domic Toretto (Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) estão finalmente descansando e passando sua lua de mel em Cuba, tentando viver uma vida pacata e fora de grandes emoções. A adrenalina, entretanto, parece perseguir Dom e qualquer desentendimento vira motivo para se disputar um carro e formar uma aliança para mais tarde. E o mexicano sempre ganha, mesmo que tenha que saltar de um carro em chamas, correndo em alta velocidade e sair sem ao menos rasgar a camisa branca apertada. E claro, não podiam faltar os bonitos cenários paradisíacos clássicos, com suas ruas prontas para abrigar rachas de velocidade insana e obstáculos desleais, sem uma só sirene de polícia ser disparada.

Os problemas do casal começam quando uma misteriosa mulher, a Cipher (interpretada pela vencedora do Oscar, Charlize Theron) aparece em Cuba e faz com que o chefe da família abandone as músicas e noites calientes, e retorne ao mundo da velocidade e do crime. O diretor F. Gary Gray (Código de Conduta) optou por revelar ao público muito cedo o motivo de Dom resolver trabalhar para a hacker, o que teria despertado mais a curiosidade e emoção do público caso fosse mostrado minutos mais tarde. Até agora parece o mesmo molde de todos os filmes anteriores, certo? Acontece que, de repente, Toretto torna-se o inimigo a ser combatido.

Outro elemento presente no filme que irá saciar a nostalgia daqueles que acompanham a franquia é o típico retorno de toda a família, dessa vez sem o patriarca. Trabalhando em prol de seu país, mas sem o consentimento do mesmo, a turma se reúne sob a liderança de Hobbs – que só queria poder treinar o time de futebol da filha (ótima cena, por sinal) -, para enfrentar seu líder em uma caçada nuclear, envolvendo Nova York, Berlim, Rússia, um submarino de guerra, armas dos mais diversos tipos, mísseis e claro, os melhores e mais rápidos carros do mundo (e um tanque).

Estão todos lá, o sempre engraçado e extravagante Roman Pearce (Tyrese Gibson), os hackers Tej (Ludacris) e Ramsey (Nathalie Emmanuel) e a esposa sempre fiel Letty. Alguns outros membros foram “contratados” de última hora, como os irmãos ex-presidiários Deckard e Owen Shaw (vividos por Jason Statham e Luke Evans, respectivamente), sua mãe Magdalene Shaw (Helen Mirren) o representante do governo Frank Petty (Kurt Russell) e o jovem Eric Reisner (Scott Eastwood). A doída ausência de Mia (Jordana Brewster) e Brian (Paul Walker) é justificada como uma aposentadoria do casal, já que foi decidido que o personagem de Walker não teria o mesmo destino de seu intérprete.

Apesar de manter a mesma fórmula, o oitavo filme supera seus anteriores. Feito para divertir o público e agradar os já fãs da franquia, a produção é feita de forma limpa e sem muita enrolação, entregando uma peça melhor do que esperávamos ver. A família continua unida, os carros continuam evoluindo e a ação só aumenta, então por que não continuar? Os elementos de sempre estão todos presentes, com um toque a mais de emoção e um ritmo frenético do início ao fim.

Colaboração: Paula Ramos

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É claro que a homenagem a Paul Walker não podia faltar e Dom resolve fazer o que Vin Diesel fez na vida real: deu o nome do amigo a seu filho (no caso Pauline, pois Diesel teve uma menina). Uma vez que Brian ainda está vivo na trama, teria sido mais bonito e tocante nomeá-lo Paul, que infelizmente não está mais presente.

Crítica | 13 Reasons Why é uma das melhores adaptações já feitas pela Netflix

Muito se esperou desde o lançamento do livro Os 13 Porquês de Jay Asher – em 2007 -, até o dia em que a história seria adaptada para uma série na Netflix. O fatídico dia chegou na última sexta-feira (31/03) e desde então, a internet não sabe falar de outra coisa. Caso você seja daqueles – como eu – que sempre prefere ler antes de ver nas telas, já fiz uma matéria falando sobre o livro aqui .

Apenas lendo a sinopse pode-se perceber que 13 Reasons Why não é mais um seriado adolescente que se passa em uma escola norte-americana. Não, é algo muito mais denso e sério do que isso. O assunto principal é o suicídio de uma jovem adolescente, que após ser alvo de boatos, fofocas e outras maneiras de bullying, resolveu acabar com a própria vida dentro de uma banheira. Hannah Baker (Katherine Lengford) não era diferente de muitos que circulam em nosso ciclo escolar – ou na faculdade, trabalho, etc… -, e o que aconteceu com ela, acontece com diversos jovens em todo o mundo. É por isso que a trama de Jay Asher é tão maravilhosa, pois ao mesmo tempo que nos entretem, nos abre os olhos para coisas que até então não percebíamos.

A trama se passa em uma pequena cidade norte-americana, onde praticamente todos se conhecem – principalmente os adolescentes. Como não podia faltar, temos uma escola (Liberty High) tradicional dos filmes de Hollywood, com aqueles armários que sempre sonhamos, refeitórios com grandes mesas e um ginásio. Como também não podia faltar, essa escola apresenta sua hierarquia entre os alunos, desde os ‘valentões’ ricos jogadores de basquete, até os nerds silenciosos que passam no corredor sem ser notados. Um desses nerds é Clay Jensen (Dylan Minnette), que apesar de sua posição baixa na “cadeia alimentar”, tem um bom relacionamento com boa parte de seus colegas. Clay segue a rotina de um garoto normal de 17 anos: acorda, vai para a escola de bicicleta, volta para casa,  faz seus deveres de casa e vai dormir. O ritual de Clay acaba quando ele recebe 13 fitas em uma caixa de sapato.

 Há quem vá dizer que a série deve ter uma segunda temporada, pois alguns pontos ficaram em aberto. Sinceramente, espero que não tenha. 13 Reasons Why não é o tipo clássico de série com diversas temporadas e história a serem contadas. O programa tem uma mensagem a ser passada e cumpriu seu objetivo. Muitas mudanças foram adicionadas a trama original, visando provavelmente adicionar mais emoção e intensidade a determinados momentos. No livro temos apenas os pontos de vista de Clay e Hannah, deixando de fora cenas como os encontros entre os outros personagens das fitas ou os diálogos entre os pais da menina. Vale mencionar o excelente trabalho de Brian d’Arcy James e Kate Walsh como Sr e Sra Baker, expressando intensamente o sentimento de pais nesse tipo de situação.

A série mal estreou e uma campanha já surgiu na internet, intitulada Não Seja Um Porquê, com o objetivo de abrir nossos olhos para possíveis brincadeiras que façamos, sem perceber que estamos machucando alguém. Estamos rodeados de Justins (Brandon Flynn), Courtneys (Michele Selene Ang) e até mesmo Bryces (Justin Prentice), escondidos sob máscaras de boas pessoas e muitas vezes nunca revelados. Em treze episódios – cada um contando uma fita -, Hannah vai delatando cada um responsável por sua decisão, desde um motivo simples como esconder elogios, até um estupro. Sim, estupro e depressão são alguns dos assuntos abordados em 13 Reasons Why, e ainda há quem pense ser uma simples série adolescente?

Diferentemente do que acontece com os seriados com os quais estamos acostumados, não adianta torcer para o casal principal dar certo, pois Hannah está mesmo morta e temos de lidar com nossa desilusão. A história do livro acabou, então não sei se sou favorável a uma renovação para segunda temporada. A mensagem já foi passada, não há mais o que inventar. 13 Reasons Why é uma série intensa, triste e real, mostrando o quão humano um show pode ser. A produtora Selena Gomez está de parabéns por seu trabalho, tendo participado de uma das melhores produções já feitas pela Netflix. Mesmo que não seja sua temática preferida, dê uma chance de aprender mais um pouco sobre a vida. E principalmente: Não Seja Um Porquê.

Crítica | Grimm conclui seus mistérios e foi um adeus tocante para os fãs

Ao longo de seis temporadas acompanhamos a jornada de Nick Burkhardt (David Giuntoli) em Grimm, série da NBC inspirada nos contos dos irmãos Grimm. O último episódio da série, “The End”, foi exibido no último dia 31 de março e foi o finale com todos os elementos para agradar os fãs do show.

                                                                      CUIDADO COM OS POSSÍVEIS SPOILERS A SEGUIR!

Os criadores David Greenwalt e Jim Koufenviou transportaram Nick para uma viagem de pesadelo. O detetive se encontra inútil ao ver todos as pessoas que ama morrerem já no impactante penúltimo episódio da série. E a matança continua em “The End”.

Greenwalt e Kouf fizeram do episódio final um conto de fadas clássico e obscuro dos irmãos Grimm com um toque contemporâneo sobre o duelo derradeiro de Nick contra o Zerstorer. O plot twist que os showrunners prepararam foi surpreendente e um dos pontos altos do episódio.

Guintoli fez um trabalho notável aqui, mostrando com eficiência o desespero, raiva e dor que parecia esmaga-lo morte após morte dos seus entes queridos. Mas Nick suportou. Nick tenta usar a vara mágica, o antigo tesouro que seus antepassados enterraram na Floresta Negra há séculos. Mas nada parece trazer seus amigos de volta à vida. Porém, tudo era uma experiência de Nick no “outro lugar” – ainda há esperança.

Com o retorno de queridos personagens e reviravoltas inesperadas, Nick supera seus próprios limites com a ajuda essencial de Trubel (Jacqueline Toboni), que se mostrou uma parceira importante desde a sua introdução na série.

Grimm foi inexplicavelmente subestimada. Talvez a forma prematura da NBC cancelar suas séries tenha sido um aviso para não assisti-la. Mas, por seis anos, foi uma das produções que mais souberam aproveitar o gênero procedural/sobrenatural. Além disso, entregou um final conclusivo sobre os mistérios e foi um adeus tocante para os fãs.

A NBC, que não é boba, deixa um potencial spin-off a ser desenvolvido no futuro. Mas, por ora, fica registrado ‘um obrigado’ para todos os envolvidos desse show.

 

Crítica | A Cabana estende e aprimora as emoções presentes no livro

Recentemente escrevi uma matéria falando sobre o livro A Cabana (aqui), de William P. Young, e recentemente tive o prazer de ver sua obra exposta em uma tela de cinema 10 anos depois. Felizmente, a história de Young se manteve intacta a medida que as cenas decorriam, modificando apenas alguns detalhes e/ou omitindo outros, sem que o roteiro como um todo fosse prejudicado. Além disso, um dos pontos negativos do trabalho de Young é a lentidão como os fatos acontecem, tornando o livro monótono e difícil de capturar a atenção de seu leitor durante algumas passagens; entretanto no filme, uma vez que ao invés de palavras temos cores, pessoas – ótimas, por sinal – e um cenário maravilhoso, é fácil a maneira como tudo flui, e antes que possamos perceber, acabou.

Mackenzie é vivido por Sam Worthington (de “Avatar” e “Fúria de Titãs“), que apesar de representar bem o estilo “lenhador bruto e solitário”, não atinge o nível de emoção necessário para se igualar ao personagem do livro. O Mack que Young nos apresenta derrama lágrimas do início ao fim, principalmente a medida que vê suas amarguras expostas por Deus, Jesus e Sarayu. O lado frio é deixado de lado e um novo homem surge na Cabana, mas Worthington nos mostrou apenas a primeira versão. O objetivo geral de seu personagem não foi comprometido, apenas deixou um pouco a desejar para os leitores que já imaginavam a transformação de Mack acontecendo gradualmente.


A Santíssima Trindade é interpretada por Octavia Spencer (de “Estrelas Além do Tempo“), como Deus, Aviv Alush (Jesus) e Sumire (Sarayu), e o destaque óbvio é para a vencedora do Oscar. Octavia interpreta com maestria um papel de tamanha importância – não apenas na trama -, adicionando um lado engraçado, simples e materno a Deus. Como a própria atriz citou na coletiva de imprensa, ela transmite a imagem de mãe para Mackenzie, e não o Deus de histórias e crenças. Outra surpresa é o “desconhecido” Alush, que encarna o lado humano das divindades, a quem Mack mais se identifica. É ao dele um dos momentos chave do filme: o andar sobre a água, e ter a figura de um rapaz jovem de cabelos encaracolados no papel de Jesus Cristo, facilita a quebra da barreira que o homem construiu após a morte da filha. Finalmente temos Sarayu, desconhecida por muitos que não entendem de religião, mas que conhecem a existência de um Criador. A beleza e o colorido do jardim da moça trazem paz até mesmo para o espectador que assiste pela tela, representando muito bem o que foi descrito pelas palavras de Young.

Muitos podem pensar que A Cabana é um livro sobre religião e por isso aqueles que não acreditam em Deus não irão gostar. Melhor parar por aí e dar uma chance ao filme de te provar o contrário. A naturalidade e fluidez com que a história vai passando e abordando temas como crer, perdão, vingança e saudade, é cativante e curioso ao mesmo tempo, e é exatamente sobre isso que a trama de Young tenta nos mostrar. O filme é cheio de frases de efeito – assim como o livro – ditas por Jesus, Sarayu e Deus, e nos identificamos com a maioria delas, seja você da religião que for. Os personagens típicos e simples do interior vividos pelos protagonistas e pelos atores secundários (Tim McGraw, Radha Mitchell, Graham Greene, Megan Charpentier, Gage Munroe e Amélie Eve) não necessitam de muito esforço para trabalhar seu papel, visto que o filme todo decorre de maneira orgânica e emocionante.

Apesar de ser uma adaptação, A Cabana é muito fiel a sua história original e traz para fora das páginas tudo aquilo que imaginamos. É um daqueles raros exemplos em que a versão do cinema se iguala a da livraria, principalmente com a fotografia e trilha sonora acrescentadas. O diretor Stuart Hazeldine soube interpretar muito bem os detalhes abstratos descritos por Young, como as luzes coloridas representando os filhos de Deus. A cena em que Mack reencontra seu pai poderia ter sido melhor trabalhada, porém, dando a ideia de ter sido encaixada de última hora na trama. Fora isso, o filme é ótimo! Um destaque que deve ser mencionado é a participação de Alice Braga como a Sabedoria, protagonizando uma das cenas mais bonitas. Octavia mencionou inclusive, ter sido essa sua cena favorita.

Não há muito o que reclamar a respeito da adaptação cinematográfica de A Cabana. Salvo alguns detalhes e cenas que poderiam ter sido mais bem desenvolvidas, a produção retrata muito bem as palavras do autor William P. Young. Octavia Spencer não poderia ter executado melhor seu papel como Deus, adicionando graça, comédia e leveza a um personagem tão imponente e pesado. A trama é feita para os dois tipos de público: os que leram o livro e os que mesmo dez anos após sua publicação não o fizeram. Com um cenário colorido, lugares paradisíacos e uma forte presença de elementos da natureza, o filme estende e adiciona emoção as passagens extensas e lentas da obra original, nos proporcionando algo orgânico e prazeroso de assistir. Hazeldine acertou em cheio no elenco, na trilha sonora e na maneira como detalhou a história, não a tornando monótona como no livro.