Ler é Bom, Vai | Cormoran Strike, os misteriosos e desconhecidos romances policiais de J.K. Rowling

Não, você leu não errado e nem a pessoa que vos escreve está ficando maluca. A aclamada autora da saga Harry Potter, J.K. Rowling, escreveu três romances policiais nos últimos anos – sob o pseudônimo de Robert Galbraith – e eles são excelentes! Por que Rowling optou pelo nome falso? Simples, ela não queria que as pessoas lessem suas histórias apenas por ela ser quem é, mas sim pelas palavras e pelo conteúdo presente em suas novas produções. Até agora foram três livros publicados, mas Rowling já afirmou que o quarto está em produção. O sucesso foi tanto que a HBO, em parceria com a BBC One, adquiriu os direitos de produção e Cormoran Strike se transformou em The Strike Series, futura série de televisão britânica com 7 episódios.

O primeiro livro recebeu o nome de O Chamado do Cuco e é o primeiro caso de Cormoran a que temos acesso. Após perder a perna e ser considerado um herói de guerra, Strike adentra no mundo de detetives particulares e é contratado para investigar a morte de uma super modelo, Lula Landry, considerada suicídio pela polícia, mas não por seu irmão. Enquanto isso, uma empresa de  funcionários temporários lhe envia semanalmente uma secretária, e por não poder arcar com as despesas, ele acaba as dispensando. É então que chega Robin Ellacot – bela, objetiva e inteligente -, que desperta no detetive um ânimo que ele há muito não encontrava. No fim da semana, ele acaba indo contra seus princípios e contratando-a. É o começo de uma maravilhosa parceria que irá nos fazer suspirar e gargalhar pelas páginas, além de nos deixar em dúvida sobre torcer ou não para um suposto casal.

Tenho de confessar que esse é o meu menos favorito dos três, pois a medida que Galbraith nos apresenta as características de Cormoran, acaba fornecendo detalhes demais e o livro se torna maçante. O detetive é muito complicado na vida e em seus relacionamentos, e no começo da história, não há nada de muito interessante que nos obrigue a prestar atenção. Não demora muito, porém, para a história engrenar e as teorias começarem a surgir na cabeça. Enquanto os primeiros capítulos passam lentamente, do meio para o fim não podemos piscar e a trama já se mostra dinâmica, inteligente e muito bem escrita. Com um desfecho surpreendentemente sensacional, o autor encerra seu primeiro caso e abre o caminho para uma ótima série de livros policiais.

“O que realmente nos faz falta, se formos honestos o suficiente para admitir, são as travessuras divertidas dessa garota de boa vida e fina como papel, de cuja existência de quadrinhos marcada por abuso de drogas, vida tumultuada, roupas elegantes e namorado perigoso e errante, não podemos mais desfrutar.”
Em O Bicho da Seda a história já engrena mais cedo, visto que não temos toda a introdução ao personagem de Cormoran. Neste caso, assim como no anterior, temos um parente da vítima (a esposa Leonora) acreditando que algo diferente aconteceu. O escritor Owen Quine desapareceu repentinamente, e por mais que a senhora tivesse todas as razões para acreditar que era outro dos típicos sumiços do marido – feito para que alguém sentisse sua falta e envaidecesse seu ego – ela contrata Strike para encontrá-lo. Tratando-se de J.K. Rowling, não poderia ser um simples caso de desaparecimento, e não demora muito para descobrirmos o porque. Assim como o detetive, nos deparamos com uma rede de corrupção e falsidade exposta no último livro de Owen, resultando em uma série de pessoas que desejariam silenciá-lo.

Leonora não tarda para ter suas respostas e seu marido logo é encontrado brutalmente assassinado, o que só instigou Cormoran a descobrir o motivo de um crime tão macabro. Para nossa felicidade – ou não – o lado detalhado de Galbraith retorna nesse momento e cada parte do corpo do escritor é descrita, incrementando ainda mais o horror na morte de Owen. Robin e Strike se desdobram para investigar a complexa vida do morto e tudo aquilo que o rodeia, e Galbraith consegue sem esforços, nos trazer para dentro do processo. O relacionamento entre os dois já está mais desenvolvido e uma chama de torcida para um suposto casal florece no leitor. Pistas e informações vão surgindo, assim como teorias e hipóteses em nossas cabeças.  Quando tudo parece estar claro, percebemos que não estamos nem perto do veredicto. Se você achou o final de O Chamado do Cuco surpreendente, prepare-se para O Bicho-da-Seda. Apesar de ser um novo caso sem a menor relação com o anterior, ler o primeiro é estritamente recomendável devido a união entre os dois protagonistas, que vai se desenvolvendo com o decorrer das histórias.

“Owen Quine pensava que as mulheres não tinham lugar na literatura: ele, Strike, também tinha um preconceito secreto – mas que alternativa tinha agora, com o joelho gritando por misericórdia e nenhum carro com direção automática para alugar?”

Finalmente chegamos ao último livro da série publicado até agora, e também o meu favorito, sendo aquele que li mais rápido entre os três. Se você chegou até aqui é porque se encantou pelas palavras de Galbraith e por seus dois protagonistas, e felizmente (ou não) nesse livro a torcida por Robin e Cormoran fica mais forte do que nunca. Apesar de ambos estarem em um relacionamento sério, ela tem o “poder” de fazer Strike se abrir e olhar para dentro de si, revelando o melhor lado do investigador e impedindo que ele consiga viver sem ela. Ele por outro lado é o alvo das brigas entre Robbie e Matthew, e a secretária prefere um inferno astral em casa a sair do escritório pequeno. A moça conquistou espaço não apenas no protagonismo da saga, mas também em nossos corações.

O macabro nos pega logo no início, quando a secretária recebe nada mais do que uma perna decepada pelo correio e desperta em Strike memórias de quatro possíveis pessoas que poderiam ter enviado-a. O que todos tem em comum? Simples, o fato de serem extremamente violentos, perigosos e odiarem o detetive. Diferente das outras histórias de Galbraith, onde a dupla apenas investigava os crimes, nessa eles são o alvo de tudo – principalmente Cormoran -, tendo que descobrir o mais rápido possível para salvar suas vidas. Pouco a pouco vão revendo casos antigos de Cormoran, investigando cada suspeito a fundo e desenredando uma rede de informações interligadas e mal resolvidas do passado.

Outra divergência nesse livro é o ponto de vista do vilão, entreposto entre os capítulos e aguçando ainda mais nosso desejo de descobrir quem é o responsável por pensamentos tão sombrios e pútridos. Os pensamentos do assassino são expostos desde o início da trama e o tempo todo nos vemos com vontade de invadir as páginas e alertar Robin do que está por vir. Vocação para o Mal é a prova de que mesmo após tantos trabalhos publicados – incluindo outros dois livros da série – Rowling ainda consegue nos surpreender e deixar-nos de queixo caído. Se você não havia se surpreendido com os dois primeiros desfechos, duvido que não o faça nesse, e se fizer….parabéns Cormoran!

“Ele pretendia infligir tanta dor em Cormoran Strike, uma dor sobre-humanamente possível. Iria muito além de uma facada nas costas no escuro. Não, o castigo de Strike seria mais lento e mais inusitado, assustador, tortuoso, e por fim devastador.”

Ler é Bom, Vai | O colorido e magnífico universo de WondLa

Muitas são as vezes em que um livro nos engana pela capa. Cores brilhantes e chamativas, desenhos bem trabalhados ou paisagens enigmáticas são alguns dos exemplos mais conhecidos, mas graças à tecnologia e a criatividade de seus autores, são inúmeras as opções. Quando recebi em casa o exemplar de A Batalha por WondLa, do autor e ilustrador Tony DiTerlizzi (de “As Crônicas de Spiderwick”) e publicado pela Editora Intrínseca, descobri ser o último de uma trilogia iniciada em 2012. As ilustrações das capas, os desenhos estampadas nas páginas e os comentários de Rick Riordan na frente dos três livros aguçaram minha curiosidade e quando percebi já estava com os dois precursores nas mãos.

DiTerlizzi criou um mundo mágico recheado de fantasia, cores e personagens maravilhosos, além de desenvolver um enredo entrelaçado durante os três livros, que irá captar a atenção do leitor até o fim. As três edições foram elaboradas com primor, compostas por páginas grossas e intercaladas com as ilustrações do autor, sempre muito bem feitas e relevantes em um universo tão abstrato. Os seres que habitam o planeta Orbona são desconhecidos, apesar de bem detalhados, tornando fundamentais as “fotos” idealizadas por Tony.

Nomeado Em Busca de WondLa, o primeiro livro narra a jornada de Eva Nove, uma menina de 12 anos que vive com sua mãe, a robô Mater, em uma espécie de bunker completamente automatizado no subsolo. A menina foi criada no Santuário e nunca viu o mundo exterior, nunca conheceu ninguém além da robô e nunca comeu ou bebeu nada que não fossem comprimidos, purificadores de água ou NutriBarras. Eva sonha em conhecer a superfície e encontrar outros de sua espécie – humanos -, mas de acordo com Mater e seu Onipod, ela precisa estar preparada. A menina passa pelas mais variadas simulações holográficas, representando situações de risco que poderiam vir a ocorrer, inclusive perigos fatais.

Logo ficamos sabendo de onde vem a palavra que dá nome ao título. Durante uma de suas muitas explorações pelo Santuário, Eva encontrou um pequeno azulejo com a imagem de uma menina de mãos dadas com um homem e um robô exalando felicidade, e decidiu que era aquilo que queria para sua própria vida. Por mais que estivesse quebrado, ainda foi possível distinguir as letras W-O-N-D-L-A, e desde então, Eva passou a procurar o seu WondLa. A segurança da criança é dissolvida quando uma gigante criatura invade o Santuário e destrói tudo, restando a Matter enviar a menina para a superfície. DiTerlizzi descreve minuciosamente cada segundo e transparece a angústia das duas ao ver sua vida virar um caos, e antes que percebamos estamos torcendo para que tudo dê certo.

Você deve estar se perguntando quem é a criatura à esquerda na foto e ele é simplesmente o segundo melhor personagem da história – você já vai conhecer o primeiro. Eva descobre um mundo completamente diferente daquilo que Mater lhe ensinou, começando pelo nome: a Terra agora se chama Orbona, e é habitada pelos mais diversos e curiosos alienígenas. Entre eles está Andrílio Kitt (o azul da foto), um cæruleano simpático e gentil que se transforma no melhor amigo de Eva, servindo de conselheiro e protetor quando ela mais precisa. É graças a Andri que a menina consegue desvendar os mistérios do planeta e seguir sua busca por outros humanos, mesmo que acabe encontrando os piores problemas de sua vida. No final do primeiro livro conhecemos Hayley, o primeiro garoto que Eva conhece na vida e que está disposto a levá-la para seu grande sonho.

O primeiro melhor personagem é, em minha opinião, o gigante urso-d’água Otto. Extremamente fiel a criança, ele acompanha a trupe em busca dos humanos de Nova Ática – uma cidade habitada por pessoas que assim como Eva, nunca viram o mundo. O que parecia um sonho, logo se torna no pior pesadelo possível e os habitantes da cidade – principalmente o líder Cadmus – revelam-se piores do que o desconhecido do lado de fora.Aqui Tony nos introduz uma Eva mais madura após a perda da mãe, e já não é mais a garota mimada do primeiro livro. Mais uma vez, graças as ilustrações do autor, acompanhamos “de perto” a transformação física da menina e de tudo a sua volta, descrito no vocabulário criado por Tony dentro desse universo tão complexo e encantador. Logo nos transportamos para Orbona e viajamos na imaginação.

Fala sério, quem não gostaria de levar o Otto para casa?

Em 2017 finalmente a trilogia chegou ao fim com o livro A Batalha de WondLa e quem diria, deixou aquela sensação de vazio quando a história acabou. Tony nos prende tanto a sua trama que três “livros infantis” foram devorados em menos de uma semana, e ver um desfecho se aproximando é desanimador. Ver o quanto Eva cresceu nos enche de orgulho e aprendizado, pois assim como ela, não conhecemos todo o mundo que vivemos. Amizade, confiança, amor e lealdade são alguns dos princípios muito valorizados do início ao fim, e quando algum deles é quebrado, temos vontade de entrar nas páginas e ajudar a menina a resolver. Não se desespere se parecer que as páginas estão passando e os perigos aparentam estar longe de uma solução, pois não é agora que DiTerlizzi nos decepciona. 

A tão sonhada família de Eva brota diante de seus olhos a medida que ganha novos amigos. Não é porque é composta de humanos e alienígenas que não pode representar uma família, certo? Diante da possibilidade de perder tudo e todos que mais ama, a menina se vê no meio de uma guerra de traições, egoísmo, egocentrismo e covardia, e tem de apelar para o âmago de sua personalidade para não desmoronar. Assim como toda fábula, a história de Tony tem um fim e a forma como ele chega e é exposto ao leitor não poderia ser diferente de esplêndida. Um belo desfecho para uma história tão bonita e criativa, certamente algo muito divergente do que esperava quando abri a primeira página do primeiro exemplar.

Ler é Bom, Vai | O Extraordinário mundo de Auggie, por R.J. Palacio

Não falta muito para vermos Jacob Tremblay (de “O Quarto de Jack“) na pele de August Pullman – ou Auggie – nos cinemas. O menino é o protagonista e narrador de Extraordinário, filme baseado no livro homônimo de R.J. Palacio de 2013. Quatro anos depois, Stephen Chbosky,  autor de “As Vantagens de Ser Invisível  “(confira a matéria sobre o livro aqui), assumiu a direção e resolveu levar a história de Palacio as telas no dia 11 de maio, razão pela qual estou escrevendo sobre ela agora. Coincidentemente, ontem recebi da Editora Intrínseca o livro Somos Todos Extraordinários, uma espécie de história em quadrinho escrita e ilustrada pelo mesmo autor. Com apenas 32 páginas, é uma excelente adição a trama original, principalmente para o público infantil.

“A única razão de eu não ser comum é que ninguém além de mim me enxerga dessa forma.”

O que faz de Auggie um garoto extraordinário? O que o torna diferente de todos os outros? Primeiramente, suas características físicas. August nasceu com uma síndrome genética rara que deformou seu rosto com o tempo, mesmo após inúmeras tentativas cirúrgicas e idas ao hospital. Não é sua aparência, porém, que o torna especial, mas sim a maneira como ele enxerga o mundo e nos relata por meio de seu ponto de vista. Tudo começa quando um de seus maiores desejos e medo se tornam reais e seus pais decidem enviá-lo para escola. Todos sabemos o quão desafiador pode ser começar em uma escola nova, onde ninguém lhe conhece e os grupos já estão formados. Imagine então fazer isso com uma deformidade no rosto. Crianças não possuem o mesmo senso crítico que muitos adultos – por mais que muitos ainda não o tenham -, e logo piadas cruéis surgem na vida de Auggie.

Ser narrado pelo ponto de vista do menino é o que faz o livro tão especial, pois nos mostra realmente o que se passa na cabeça de uma criança vítima do bullying e do preconceito, ao invés da visão enraizada de um adulto. Não pense você que isso torna a trama infantil. Auggie é um menino extremamente maduro, consciente, inteligente e de mente aberta, encarando todas as situações da melhor maneira possível. Sua ingenuidade e pureza não o permite desenvolver raiva, mesmo quando percebe as pessoas encarando-o, chamando-o de aberração em voz alta ou simplesmente desviando o olhar. Como todo humano, ele chora e se revolta com as situações, mas busca sempre enxergar o lado irônico e positivo de tudo. A personalidade jovem e engraçada de Auggie vai fazer você se apaixonar por ele desde as primeiras páginas, além de se emocionar com as belas palavras do menino.

Eu gostaria que todos os dias fossem Halloween. Poderíamos ficar mascarados o tempo todo. Então andaríamos por aí e conheceríamos as pessoas antes de saber como elas são sem máscara.”

Palacio optou por uma forma simples de conduzir sua trama, através de expressões fáceis e típicas de uma criança de dez anos. Muitos lilvros são narrados pelo protagonista, mas percebemos ser apenas uma visão retratada do(a) autor(a). Em Extraordinário isso não acontece. Temos a impressão de estar lendo um diário de Auggie, onde ele deposita seus desabafos, suas birras e insatisfações com o mundo ao seu redor. A intensidade é tanta que você vai querer entrar no livro e dar um grande abraço no menino, dizer-lhe que tudo vai ficar bem e que o mundo não é tão cruel assim. Mas ele é.

Extraordinário é um daqueles livros que deveriam ser adotados em escolas, independente da série ou da faixa etária de seus leitores. Assim como Auggie, diversas pessoas passam por problemas semelhantes e não tem a mesma percepção positiva sobre tudo. O menino nos dá uma aula de como viver e como tratar o próximo, independente do que ele tenha feito conosco. Amigos de verdade não se importam com a maneira como nos vestimos ou parecemos fisicamente. Se algum dos seus faz isso, é melhor rever a amizade.

“Deveríamos ser lembrados pelas coisas que fazemos. Elas importam mais do que tudo. Mais do que aquilo que dizemos ou do que nossa aparência. As coisas que fazemos sobrevivem a nós. São como os monumentos que as pessoas erguem em honra dos heróis depois que eles morrem.”

Ler é Bom, Vai | A Cabana oferece uma visão ampla e literária sobre religião

“Os humanos estão tão perdidos e estragados que para vocês é quase incompreensível que as pessoas possam trabalhar ou viver juntas sem que alguém esteja no comando.”

Há muito tempo não ouvíamos falar de A Cabana, livro de William P. Young. Publicado em 2007 nos Estados Unidos e em 2008 no Brasil, a obra já vendeu mais de 18 milhões de cópias no mundo, e voltou a ser assunto em redes sociais esse ano. O motivo? Simples, Young terá sua história transmitida nas telas de cinema, 10 anos depois, contando com um elenco de peso na pele de seus personagens ( Sam Worthington, Octavia Spencer, Alice Braga e muitos outros).

Muitos irão questionar os motivos de Young ter publicado seu livro e do mesmo ter feito tanto sucesso. A Cabana é basicamente um livro – polêmico – sobre religião, fé e principalmente, até que ponto um homem está disposto a ir para atingir o fundo do poço. Não pense, porém, que caso você não acredite em Deus – como eu – esse livro não é para você. Existe algo muito maior nas palavras do autor que irá captar sua atenção e surpreendê-lo a medida que a trama se desenvolve. Entretanto, nem tudo são flores. A leitura desse livro é monótona e carregada de discursos longos, que me fez chegar muito próximo de largá-lo de lado e procurar uma história de ficção. Os momentos de resolução do crime principal são curtos, rodeados de momentos de reflexão que poderiam ter durado muito menos.

A Cabana conta a história de Mackenzie Allen Phillips (Worthington), um pai que vive em uma espécie de “bolha de tristeza” após a morte de sua filha mais nova, Missy. A maneira como a menina foi levada de sua vida e do mundo acabou com a vida de Mack e de sua família, além de devastar o resquício de fé que ele tinha em Deus. Quatro anos depois da tragédia, um singelo bilhete surge na caixa de correio da família endereçado a Mack, e o que parecia ser apenas uma brincadeira se transforma na corda que irá tirá-lo do fundo de sua Grande Tristeza. Disposto até mesmo a aceitar o fim da própria vida, ele retorna a fatídica Cabana, local onde seu pior pesadelo começou, esperando encontrar o assassino de sua filha. O que ele encontra, porém, são as últimas pessoas que imaginara ver um dia: Deus, Jesus e o Criador.

“Só porque você acredita firmemente numa coisa não significa que ela seja verdadeira.”

Mack precisa de uma redenção em sua vida, carregada pelo fantasma da morte de Missy, e a encontra nas palavras e ações do trio celestial presente na cabana. Lá, o homem aprende importantes lições como o perdão, a tristeza, a aceitação e a vingança. Para muitos tudo pode não passar de asneiras motivacionais, ou até mesmo um livro de auto ajuda, mas não devemos ser tão céticos assim ao ler A Cabana. O livro de Young carrega termos e cunhos religiosos, mas oferece uma trama simples e densa, onerada pelo desconsolo da perda de alguém tão próximo. Não é preciso acreditar em Deus para entender o sofrimento de Mack e solidarizar-se com as lágrimas derramadas. As lições ensinadas por Papai, Jesus e Sarayu são ao mesmo tempo profundas e rasas, relembrando-nos de circunstâncias banais onde possamos ter julgado errado, interpretado errado e por consequência, reagido errado.

“Deus não precisa castigar as pessoas pelos pecados. O pecado já é o próprio castigo, devora as pessoas por dentro. O objetivo de Deus não é castigar, Sua Alegria é curar.”

A Cabana diverge a opinião de quem o lê. É daqueles livros que ou você ama, ou odeia, visto que é preciso paciência para chegar até o fim. O desfecho da trama é surpreendentemente bonito e feliz, após páginas e páginas de dor e sofrimento. A maneira como Young transcorre o delicado – e polêmico – assunto de religião é diferente de muitas “lavagens cerebrais” que encontramos por aí. Em momento algum o autor te força a acreditar em tudo aquilo que está escrevendo, mas o tema fé está presente em cada acontecimento descrito. Então se você é um ateu radical indisposto a ler qualquer tipo de matéria que carregue o nome Deus, esse livro não é para você. Caso você não seja, apesar dos momentos lentos e extensos, A Cabana é um livro que nos faz abrir a cabeça e pensar muito naquilo que fazemos.

Não estou pedindo que acredite em nada, mas vou lhe dizer que você vai achar este dia muito mais fácil se simplesmente aceitá-lo como é, em vez de tentar encaixá-lo em suas idéias preconcebidas.

Ler é Bom, Vai | Antes que Eu Vá reflete sobre a curta duração de uma vida

Essa semana resolvi continuar o que vinha fazendo nas postagens anteriores…falar sobre livros que tiveram ou terão sua história adaptada para as telas. Diferente dos anteriores, Antes que Eu Vá será exibido nos cinemas e não na tela do computador ou televisão, razão pela qual precisava falar sobre ele após recebê-lo em casa (obrigada Intrínseca!).

Já imaginou o que aconteceria se juntássemos Meninas Malvadas, Como se Fosse a Primeira Vez e Contra o Tempo? Não? Provavelmente teríamos a história de Antes que Eu Vá, livro de Lauren Oliver. Apenas pela sinopse podemos perceber a referência ao primeiro filme, visto que “Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no Thomas Jefferson, o colégio que frequenta — da melhor mesa do refeitório à vaga mais bem-posicionada do estacionamento”. Ter tudo, porém, não significa nada quando você morre, já que a morte é algo que todos irão passar um dia -independente de seu nível de popularidade.

“Você acha que eu estava sendo tola? Ingênua? Tente não me julgar: lembre-se que somos iguais, eu e você.
Também pensei que fosse viver para sempre…”

Um terrível acidente de carro termina com o reinado de Sam e seus privilégios, mas diferentemente do que acontece com a maioria das pessoas, ela não permanece morta. Durante uma semana a vida da menina sofre um ‘reset’ e começa na manhã do dia 12 de fevereiro — o dia do acidente —, com a diferença de que ela lembra de tudo o que aconteceu no “dia anterior”. E as pessoas não.

Ser obrigada a lidar com a morte, esquecimento, fim e solidão mexe com a cabeça de Sam, e a fazem enxergar a vida com outros olhos. Lauren Oliver começa aí sua aula, mostrando ao leitor o verdadeiro significado de nossas ações. Será que um simples olhar ignorado no corredor ou receber uma rosa — ou um buquê — no Dia do Cupido tem a mesma importância para todos? Sam descobre que não da pior maneira possível.

“As crianças sempre fazem esse tipo de coisa umas com as outras. Não é nada demais. Sempre vai haver uma pessoa rindo e outra sendo o motivo da graça. A grande questão em crescer é aprender a ficar do lado de quem ri.”

A cada dia que passa, Sam procura corrigir as coisas que fazia antes do acidente e acaba por descobrir segredos há muito escondidos e nunca revelados, que podem levar uma pessoa a querer tirar sua própria vida. É o que aconteceu com Juliet Sykes, uma menina do colégio vítima de bullying há anos, originado no grupo de amigas de Sam. Ver uma outra jovem estar disposta a acabar com a própria existência — coisa que Sam está tentando evitar — a faz repensar seus atos, e ela toma como meta de vida, evitar um suicídio. Entretanto, uma série de acontecimentos estão interligados e culminam para o que Juliet está prestes a fazer, razão pela qual estereótipos têm de ser deixados de lado e preconceitos desfeitos para que tudo dê certo. Mais uma vez, Lauren expõe comportamentos de Sam que certamente serão semelhantes a muitos que um dia tivemos na vida. Muitos leitores estarão do lado da protagonista, mas muitos estarão também, do lado de Juliet.

É claro que o amor não ficaria de fora de tudo isso, afinal estamos falando de uma adolescente popular no auge de seu ensino médio. Não é muito difícil imaginar o namorado de Sam, após toda a descrição feita até aqui. Rob é igualmente popular e desejado por várias outras meninas, mas sem possuir um só neurônio. O oposto é revelado em Kent McFuller, o nerd dos olhos claros apaixonado por Sam e alvo de boa parte de suas piadas. A imagem dos dois garotos é igualmente construída e desconstruída pela autora nos momentos certos, a medida que passam as páginas. Não é sempre que o óbvio é a melhor opção, por mais que muitas vezes preferimos optar pelo mais fácil. Kent é o responsável pela única ponta de esperança que tudo corra bem no fim, pois diferentemente do que acontece na maioria das vezes, é pelo nerd que nos apaixonamos.

“Quando sairmos do colégio, vamos olhar para trás e saber que fizemos tudo certo, que beijamos os caras mais bonitos, fomos às melhores festas, fizemos bastante besteira, ouvimos música alto demais, fumamos cigarros demais, bebemos demais, rimos demais e ouvimos de menos, se é que ouvimos alguma coisa.”

O único ponto negativo do livro é uma certa repetitividade, uma vez que o mesmo dia recomeça sete vezes. Chegamos a um ponto da leitura que a mesma se torna cansativa e dá vontade de pular logo para o final. Tenham paciência, Oliver fez questão de nos compensar. Confesso que fiquei com medo em relação ao desfecho, pois após 350 páginas de comportamentos fúteis e imaturos por parte de Sam, um final de conto de fadas seria inconcebível. Entretanto, não há como não ficar triste pela morte de Sam, mesmo que seja uma tristeza boa. A menina que começou o livro não é a mesma que o termina, e sentimos orgulho pelas decisões que ela resolve tomar. A lição final que Lauren nos dá pode ser resumida em uma famosa frase de Antoine de Saint-Exupéry, autor de “O Pequeno Príncipe”: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. E Sam se tornou.

Ler é Bom, Vai | O denso e maravilhoso universo de Os Treze Porquês

Antes de Os 13 Porquês, o livro mais rápido que li na vida tinha sido em 6 horas e foi O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Diversas pessoas me recomendaram a leitura da obra de Jay Asher, alegando ter sido um dos melhores que já leram…e agora, 4 horas depois,  posso dizer que compartilho a opinião.

Como é de se imaginar após o tempo que leve para concluir a trama, Os 13 Porquês tem uma leitura extremamente fácil, gostosa e fluida – dessas que não nos dá vontade de parar -, instigando o leitor a concluir a história o mais rápido possível. Além disso, a maneira como nos identificando com os dois protagonistas nas mais distintas maneiras pode lhe assustar. Obviamente, não estou dizendo que você vai terminar o livro e querer cometer suicídio, pelo amor de Deus, mas irá abrir os olhos para as pessoas que estão ao redor. Um sorriso no rosto nem sempre significa um sorriso interno.

“É importante estarmos consciente do modo como tratamos os outros. Mesmo que alguém pareça ignorar um comentário casual ou não se deixar afetar por um boato, é impossível saber tudo o que se passa na vida daquela pessoa e o quanto podemos ampliar sua dor.”

O livro conta a história de Clay, um adolescente que recebeu uma caixa de fitas cassete no correio, numeradas de 1 a 13. As fitas por sua vez contam a história de Hannah Baker, jovem que tirou a própria vida duas semanas antes e quer que um grupo seleto de pessoas ouça o motivo por tal radical decisão. Por meio de uma lista numérica, as fitas são passadas através do grupo até o número 13, oferecendo as versões de Hannah de boatos que circulavam na escola. Chegou a vez de Clay ouvir, e com ele, tomamos conhecimento do conteúdo de cada um.

A narrativa intercala os dias atuais – com os pensamentos de Clay a medida que ele ouve a histórias -, e duas semanas antes, quando Hannah ainda pensava sobre sua vida. Personagens secundários vão surgindo a cada vez que o menino aperta o play, descritos por ele e pela jovem de sua própria percepção. Por mais que você não esteja mais na escola, duvido não se identificar com os problemas relatados pela menina, ou que até mesmo já tenha passado por isso. As palavras de Asher conseguem entrar na cabeça e nos transportar para a mente de Clay, compartilhando suas agonias e irritações com os responsáveis pela morte de Hannah.

“Vocês não sabem o que estava passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser a de vocês. E quando estragam alguma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não dá para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga uma parte da vida de alguém, você estraga a vida inteira da pessoa. Tudo… é afetado.”

Os 13 Porquês pode ser considerado um livro de auto-ajuda, para crianças e adolescentes que sofrem calados. O número de jovens que optam por acabar com a própria vida para fugir do sofrimento é maior do que muitos de nós imagina, e ter isso retratado não apenas na literatura, mas também em uma série é essencial. Sim, para quem ainda não sabia, a história de Jay Asher vai virar uma série da Netflix ainda esse mês, estreando no dia 31 de março. Então corre para descobrir tudo antes de vir ao ar!

“Você pode ter ouvido boatos, mas não pode dizer que sabe alguma coisa de verdade só por causa deles.”

As gravações de Hannah são intensas e muitas pegam Clay de surpresa, uma vez que ele só conhecia a versão dos boatos que circulavam pelas bocas dos alunos. Ouvir o que realmente aconteceu pode ser mais significante do que parece. Não houve uma pessoa responsável pela morte da menina, mas sim uma série de fofocas, criadas pelas pessoas da fita, que desencadearam um transtorno de incapacidade em Hannah e a levaram a tomar os comprimidos. A culpa que consome Clay por não ter percebido nada é devastadora e mais uma vez nos leva a pensar…até que ponto conhecemos alguém?

Ler é Bom, Vai | O Símbolo Perdido, um dos melhores casos de Robert Langdon

Dan Brown já nos agraciou com seu talento em várias obras, muitas inclusive adaptadas para o cinema. Enquanto Tom Hanks dava a vida ao Professor Robert Langdon nas telas, Brown nos apresentava com os mais detalhes seu tão famoso personagem.

Depois de viajar o mundo, em O Símbolo Perdido o professor de Harvard se encontra em Washington, após ter sido convidado as pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon (maçom e filantropo) para dar uma palestra no Capitólio norte-americano. Obviamente, tudo não passa de uma armadilha e Solomon sumiu, cabendo a Langdon encontrar seu amigo. O preço do resgate? Nada mais tradicional do que um tesouro, escondido na cidade de Washington por seus fundadores, e cobiçado pelo sequestrador Mal’akh. A partir daí, se inicia mais uma das ótimas aventuras de Robert Langdon, descrita pelas ótimas palavras de Dan Brown.

“Viver no mundo sem tomar consciência do significado do mundo é como vagar por uma imensa biblioteca sem tocar os livros.”

Como em todos os seus livros, Brown procura investigar e expor um universo polêmico poderoso. Em O Símbolo Perdido, somos apresentados aos mistérios da maçonaria, antiga sociedade discreta que prega que todo homem é livre e possui bons costumes. Para salvar a vida de Solomon, Langdon tem de encontrar a famosa Pirâmide Maçônica, um dos segredos mais profundos da fraternidade, escondido nas vísceras da capital norte-americana. E claro que não podia faltar a força policial que irá trabalhar com Langdon, seja para ajudá-lo ou impedi-lo. Como estamos nos Estados Unidos, nada menos do que a força tática da CIA é acionada, sendo desafiada por todos os mistérios que se desenvolvem nas descobertas do professor. Não pensem que será muito diferente dessa vez, tais mistérios se encontram ocultos em obras de arte e locais inimagináveis ao olho humano. A menos que você seja um simbologista como Robert Langdon.

 A maneira como Dan Brown apresenta as informações é tão profunda e detalhada, que acreditamos piamente em tudo que estamos lendo. Por mais que muitas informações sejam verídicas, não é todo monumento apresentado na trama que possuí um segredo milenário escondido, mas você terminará de ler crendo que sim. O fato dos mistérios estarem escondidos em lugares reais, na maioria das vezes em partes pequenas e ocultas, nos faz querer sair correndo e confirmar se aquilo realmente está ali.

Um dos diferencias em O Símbolo Perdido é a perspectiva da narrativa, não apenas contada pelo ponto de vista de Langdon. Conseguimos enxergar através do ponto de vista de Katherine Solomon, Sato Inoue, a diretora do Escritório de Segurança da CIA; Bellamy Warren, o Arquiteto do Capitólio; e Mal’akh. Por mais que boa parte seja narrada pelos olhos do professor, uma visão mais ampla dos acontecimentos nos permite entrar na história e tentar prever o que acontecerá em seguida. Com um início lento e monótono, demorei a pegar o ritmo da aventura, e essa concepção ampliada do mistério ajuda o leitor a se apegar ao livro.

“- Robert, nós dois sabemos que os antigos ficariam horrorizados se vissem como seus ensinamentos foram deturpados… como a religião acabou virando uma cabine de pedágio para o céu… como soldados vão para a guerra acreditando que Deus está do lado deles. Nós perdemos a Palavra, mas seu verdadeiro significado continua a nosso alcance, bem diante de nossos olhos”

O molde adotado por Dan Brown se repete, mas não pensem ser algo negativo. O autor sempre encontra uma maneira de nos surpreender, e em O Símbolo Perdido não foi diferente. Desvendando e introduzindo um assunto polêmico e pouco conhecido por muitos, ele traz o simbologista Robert Langdon para mais uma aventura, e quem somos nós para reclamar? Pela clareza nos detalhes, pelo número de símbolos e charadas e pela maneira como tudo se encaixa no final, este foi um dos meus favoritos da série. Apesar dos momentos cansativos do começo, a trama vai desabrochando e logo não conseguimos mais largar o livro, querendo saber o que acontece no final. Espero que esta história seja adaptada para os cinemas, assim como seus antecessores, mas que nada seja mudado como aconteceu em Inferno. Os fãs de Dan Brown vão reforçar seu amor pelo autor e ficarão felizes com aquilo que lhes foi oferecido.

Ler é Bom, Vai | Seis Anos Depois, o surpreendente romance de Harlan Coben

Um dos muitos pontos positivos do Skoob, é termos acesso a livros não presentes nas principais bancadas em livrarias. Em uma de minhas visitas ao site, me deparei com Seis Anos Depois de Harlan Coben e resolvi dar uma chance ao autor. Para minha surpresa, este definitivamente fará parte de minha estante daqui para frente.

Seis Anos Depois é daqueles livros que gostamos de graça logo nas primeiras páginas, por meio de palavras simples e apenas os detalhes suficientes para nos apresentar seus personagens. A história inicia como um típico romance, onde o homem abandonado procura reencontrar o amor de sua vida. Logo percebemos, porém, que a história é muito mais obscura e complicada do que parece, desenvolvendo um ótimo romance policial.

“Sentei-me no último banco da igreja e fiquei assistindo à única mulher que amaria na vida se casar com outro homem”

A trama gira em torno de Jake Fisher, um professor universitário preso ao passado e a Natalie Avery, uma jovem que conheceu em um retiro para artistas 6 anos antes. Jake é escritor e Natalie pintora, e juntos viveram o melhor verão de suas vidas. O mundo do professor desaba sobre seus pés, quando a jovem decide romper o namoro para se casar com um ex-namorado, por quem diz estar apaixonada. Para endossar sua tristeza, Natalie o convida para seu casamento e mesmo contra suas vontades, ele resolve aparecer e confirmar seu pesadelo. Antes de ir embora, ela o pede que prometa deixá-la em paz.

O livro começa a engrenar quando Jake vê o obituário do suposto marido de Natalie no jornal, e ao chegar no velório, descobre que a viúva era outra mulher. A partir daí, o clássico romance dá lugar a uma investigação frenética e descobertas que surpreendem não apenas ao professor. Uma simples história de verão se transforma em um caso policial, envolvendo um assassinato de 6 anos antes e matadores treinados para não deixar nada para trás. Jake decide quebrar sua promessa e vai atrás de Natalie, colocando sua vida em riscos inimagináveis.

“Acho que de vez em quando – em uma ou duas ocasiões na vida – nos sentimos fascinados por uma pessoa, de forma muito profunda, primordial e imediata, um encanto mais que magnético.”

A cada capítulo, uma informação diferente surge e nos pegamos tentando adivinhar o que irá acontecer em seguida. A maneira como Coben descreve os acontecimentos, nos traz para próximo do personagem, entendendo sua dor e nos angustiando com a maneira que tudo transcorre.

O livro apresenta uma narrativa límpida, fácil e prazeirosa de se ler, conquistando o leitor desde suas primeiras páginas. A história encontra seu desfecho nas últimas páginas, então por mais desesperador que possa parecer perceber que está acabando, calma! As informações se encaixam perfeitamente e tudo faz sentido de uma maneira surpreendente, não deixando nenhuma ponta solta.

Ler é Bom, Vai | O macabro e o terror se misturam em Os Três, de Sarah Lotz

Existem livros que, logo de cara, entregam sua temática principal. Apenas ao observar a capa de Os Três, percebemos que algo de sombrio circunda as páginas do livro, e tudo se confirma através de sua sinopse.

Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas… Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele… Essa mensagem irá mudar completamente o mundo.

Uma ótima palavra para definir a leitura de Os Três é perturbadora. Por mais que comece de maneira lenta e estável, quando menos percebe-se, já estamos relendo algumas frases para ter certeza se lemos direito. Quem escolher lê-lo, deve persistir nas palavras de Sarah Lotz, sabendo que será recompensado no final. O suspense nos envolve de uma maneira que precisamos saber o que irá acontecer no final.

Quatro aviões caem, em diferentes partes do mundo, quase ao mesmo tempo… coincidência? Para corroborar com o inacreditável, existiram três sobreviventes: Bobby, Jess e Hiro, três crianças (não sei vocês, mas sempre que crianças estão envolvidas meu sensor de medo dispara!). Os jovens não têm nada em comum, apenas o trágico acidente e a intensa exposição a mídia por consequência. Entretanto, a medida que o mistério começa a se desenvolver, algumas coincidências passam a conectá-las das mais bizarras maneiras.

Assim como em séries e filmes, teorias a cerca dos acidentes surgem de vários lugares e pessoas, cabendo ao leitor decidir qual aceitar. De alienígenas a Cavaleiros do Apocalipse, a população começa a especular motivos para apenas aquelas três crianças terem sobrevivido a acidentes aéreos. A existência de teorias pode tornar tudo um pouco confuso, caso você seja uma pessoa objetiva e ansiosa, pois Sarah nos oferece provas de que todas podem estar certas, aumentando o mistério em torno do tema central. É justamente essa ansiedade que nos faz devorar o livro rapidamente.

 

A solução adotada por Lotz para conclusão da trama pode não ter sido a mais inteligente ou adequada, em minha opinião. Após bolar diversas teorias e hipóteses para explicar não apenas a sobrevivência das crianças, mas as mortes que as rodeiam, nada é explicitamente revelado no fim. Ela deixa para o leitor decidir o que melhor lhe convém em relação ao acidente, e muitas pessoas (eu, por exemplo) não são fãs de finais deixados em aberto. Não pensem, porém, que o livro não mereça ser lido. O suspense, o macabro, o terror e a ansiedade nos envolvem e a leitura se torna rápida e emocionante.

Em Os Três, o leitor se transforma em detetive e busca uma solução e/ou explicação para a sobrevivência de três crianças. Lotz procura nos dar diversas pistas, ao mesmo tempo que não nos dá nenhuma. Cenários como a floresta Aokigahara (conhecida como floresta do suicídio) foram utilizados como cenários principais do livro, então apesar de não ser um típico livro do gênero terror, existem momentos que vão te deixar paranóico. O livro pode não te assustar, mas certamente causa um impacto.

Ler é Bom, Vai | As Vantagens de Ser Invisível, um livro para ficar sempre na memória

“Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas ” 

Faz muito tempo desde que adicionei As Vantagens de ser Invisível a minha lista de leitura. Me encantei pelo filme de 2012 e desde então só venho ouvido comentários positivos a respeito da obra literária original. E todos estavam certos.

O livro é contado por Charlie, um solitário adolescente de 15 anos, começando a amadurecer e conhecer os prazeres e decepções da vida. Desde a primeira morte de um amigo ao primeiro amor, o jovem vivencia as típicas aventuras da adolescência e expressa suas opiniões em uma espécie de diário, a quem chama de amigo. A grande busca de Charlie é em relação a sua existência : Quem sou eu ? Por que eu sou assim ? Através de suas histórias, ele nos mostra não apenas as respostas, mas também um novo lado de sua personalidade. É através da amizade entre Sam e Patrick, dois irmãos dispostos a viver todas essas aventuras e mais um pouco, que o menino encontra o que precisava : amigos e oportunidades.

As Vantagens de Ser Invisível é um livro que nos faz pensar, em todos os parâmetros possíveis. Até que ponto estamos certos ou errados em formar opiniões precoces sobre os outros ? Charlie é extremamente inteligente, porém inocente, o que o faz enxergar toda e qualquer situação com o coração aberto. Ele tem sua rotina modificada por Sam e Patrick, mas se propões até mesmo a fumar para se integrar no grupo dos amigos. O processo de aprendizagem, mudança e transformação de Charlie é o carro chave do livro, e a maneira como ele lida com isso é que nos ensina um pouco mais sobre a vida.

  “Só preciso saber que existe alguém que ouve e entende, e não tenta dormir com as pessoas, mesmo que tenha oportunidade. Preciso saber que essas pessoas existem. “

Não pensem que Charlie é puro por ter vivido pouco, pois enfrentou situações que muitos a sua volta não vivenciaram, como o suicídio do melhor amigo e a morte da tia, de quem ele era muito próximo. O menino aprendeu a viver a vida de sua própria maneira, internalizando suas emoções e passando-as para seu melhor amigo. A maneira de narrar de Charlie é tão simples e bonita, que nos sentimos parte de seu dia a dia, a medida que as páginas vão passando.

Não pensem, porém, que estamos lidando com um livro infantil. Stephen Chbosky conseguiu abordar temas complicados e polêmicos, como homossexualidade, gravidez na adolescência e violência doméstica, sem perder a principal essência da história. A maneira como Charlie lida com todos esses impasses faz parte da construção de sua imagem, defrontando-se com os problemas e resolvendo-os de sua maneira. Para ele, o bem estar de seus amigos é muito importante, por mais que as vezes ele haja por impulso.

— Posso fazer uma pergunta?
— Sim, Charlie.
— Porque as pessoas legais escolhem amar as pessoas erradas?
Silêncio.
— Bem… Nós aceitamos o amor que achamos merecer.

Algumas questões ficaram em aberto no fim, deixando até mesmo um lado negativo na maneira como tudo terminou. Temas não abordados completamente, mas que foram onipresentes durante toda a trama, permaneceram sem resposta, como por exemplo, o fato de Charlie ter ou não alguma doença. Mais de uma vez ele apresentou crises e foi parar no hospital, porém, até hoje não sabemos o real motivo das mesmas. Ficou claro desde o início que ele era diferente dos outros, por meio de sua maneira de pensar e enxergar as coisas, mas isso se retém apenas ao lado psicológico ou existe uma razão física para tal ?

As Vantagens de Ser Invisível é um livro simples, porém cheio de conteúdo. Foi muito bem adaptado ao cinema, o que só aumentou a grandiosidade que a obra adquiriu. São poucas as páginas que a compõe, entretanto, as mesmas transbordam pureza e maestria pelas palavras de Chbosky. Todos deveríamos ter um amigo como Charlie, ou até mesmo, ter um lado Charlie dentro de nós. As vezes, as soluções são as mais simples possíveis, nós é que tendemos a complicá-las.

“Eu sei que tudo isso serão apenas histórias algum dia. E nossas fotos se tornarão velhas fotografias. E todos nós nos tornaremos mãe ou pai de alguém. Mas agora, exatamente agora, esses momentos não são histórias. Está acontecendo. Eu posso ver. E nesse momento, eu juro, nós somos infinitos.”

Ler é Bom, Vai | Todo ser humano deveria ler O Menino do Pijama Listrado

Essa semana, baseada na posse de Donald Trump nos Estados Unidos, resolvi falar de um livro que me marcou muito, dentre todos que já li até hoje. O livro é relativamente antigo, assim como o filme de mesmo nome, que foi muito bem adaptado para o cinema em 2008, mas ainda permanece com um dos mais importantes.

John Boyne criou uma história onde os dois protagonistas são crianças por volta de seus 9 anos de idade. Enquanto um é filho de um oficial nazista, o outro é judeu. Juntos, Bruno e Shmuel criam a mais proibida e pura das amizades, caracterizando a inocência de uma criança em relação a religião, cor da pele e outros tipos de “distinções”.

O Menino do Pijama Listrado descreve o surgimento de uma amizade entre um judeu e um alemão, em plena Segunda Guerra Mundial, que de tão comovente parece real. Enquanto o pai e o professor de Bruno tentam convencer o menino de que os judeus são a pior raça possível, ele só quer ser um explorador e conhecer o mundo. Durante uma de suas pequenas expedições no quintal, ele se depara com uma enorme cerca e diversas pessoas vestindo pijamas listrados. Uma delas, é Shmuel.

Aos 9 anos de idade, tudo que uma criança quer é brincar e fazer amigos, e Bruno não é diferente disso. É com esse pensamento que o menino se aproxima do jovem judeu, e o trata com seu igual, independente do fato de Shmuel não ter cabelo, ser magro e todo sujo. Curiosamente, os dois nasceram no mesmo dia, e a partir dessa descoberta a amizade só floresce, assim como os questionamentos de Bruno perante os adultos.

Uma das principais lições que o livro nos dá é a ingenuidade das crianças, que não entendem o ódio, o medo e a repulsa de pessoas que, sem nenhum motivo aparente, são taxadas de diferentes. Tudo que Bruno quer é um amigo e o encontra do outro lado de uma cerca de arame farpado.

“A infância é medida por sons, aromas e visões, antes que o tempo obscuro da razão se expanda.”

“Você é o meu melhor amigo, Shmuel”, disse ele. “Meu melhor amigo para a vida toda.”

Toda criança, jovem ou adulto deveria ler O Menino do Pijama Listrado. Diariamente temos mais e mais confirmações do quão racista e preconceituoso o mundo está, e encontrar uma história de amizade em meio a tudo isso é algo que deve ser mencionado. O nazismo de Hitler é apenas um exemplo do ódio disseminado por palavras e ações, mas assim como ele, muitos outros ainda existem e surgem por aí.

Com apenas 192 páginas, o livro é curto e a leitura rápida, o que não o torna menos bonito ou profundo. O conteúdo foi todo adaptado para o cinema, em um filme igualmente emocionante, mas vale a leitura primeiro. John Boyne conseguiu tratar um assunto tão polêmico e pesado, de maneira infantil e graciosa, abrindo os olhos de quem lê sua trama. O Menino do Pijama Listrado é, até hoje, um dos meus livros favoritos e considero obrigatória a sua leitura!

Ler é Bom, Vai | A última carta de amor, mais uma das ótimas escritas de Jojo Moyes

Nunca fui de seguir as ‘modinhas’. Demorei para ler livros, que amei, apenas por estarem na moda e sendo falados por todos. A autora da moda é JoJo Moyes, aquela de “Como Eu Era Antes de Você”, o tal do livro da moda. Bom, sou obrigada a deixar meu preconceito de lado cada vez que pego uma de suas histórias pra ler, e já posso falar que é uma de minhas escritoras favoritas.

“Talvez isso lhe pareça fantasioso. Talvez você estivesse pensando no teatro, ou na crise econômica, ou em comprar cortinas novas. Mas de repente me dei conta, no meio daquela pequena loucura, que ter alguém que nos entenda, que nos deseje, que nos veja como uma versão melhorada de nós mesmos é o presente mais incrível.”

Você já ouviu falar de “Cartas para Julieta”, filme de 2010, com Amanda Seyfried e Gael García Bernal ? Caso tenha visto e gostado, “A última carta de amor” , de Moyes, será extremamente prazeroso e agradável de se ler. Dá para imaginar que estamos falando de um romance, apenas pelo título, mas uma das características da autora que mais me agrada é a não repetição em suas histórias. Não lidamos com os mesmos clássicos “água com açúcar”, mas com tramas inteligentes e criativas, que sempre acabam por nos surpreender.

Este é mais um daqueles livros que precisamos ter persistência para gostar. Começando de maneira lenta e confusa, por ter duas protagonistas, não é apaixonante logo no primeiro capítulo, mas não desistam, JoJo sempre dá um jeito de nos fazer não querer largar suas páginas.

“Se tudo o que nos é permitido são horas, minutos, quero ser capaz de gravar cada um deles na memória com perfeita clareza para poder recordá-los em momentos como este, quando minha alma está sombria.”

Ellie Haworth e Jennifer Stirling têm suas vidas narradas aos poucos, separadas por 40 anos, mas com resquícios de um possível encontro no futuro. Ellie, uma jornalista dos anos 2000, encontra as cartas de Anthony O’Hare, amante de Jennifer nos anos 60. Seu emprego está por um triz, então Ellie decide investigar as correspondências para uma possível matéria, contando com a ajuda de Rory, o ‘cara dos arquivos do jornal’.

Boa parte do livro é centralizada em Jennifer, uma jovem de 27 anos que acorda em um hospital, com amnésia após um acidente de carro. Ela é casa há 4 anos com Laurence Stirling, um homem rico, aristocrático, reservado e temperamental, que possuí um importante cargo no setor de mineração. Apesar de ser o casal popular entre os amigos, dentro de casa as coisas eram frias e mecânicas. É neste ambiente que surge Anthony O’Hare, um jornalista romântico e aventureiro. Um bonito e puro amor nasce entre os dois, mas a sociedade opressora e machista torna tudo mais difícil.

O destino e a vida insistem em separar Jennifer de seu grande amor, mas colaboram para seus reencontros. Ao mesmo tempo, Ellie vive a vida de amante, apaixonada por um homem casado e sem a menor pretenção de largar a esposa. Apesar de estarem em papéis separados, anos de distância e sociedades de tempos diferentes, são as cartas de Jennifer que salvam Ellie de sua vida complicada. E é Ellie que traz esperança e o amor de volta a velha senhora, quando encontra suas correspondências.

“Certa vez uma pessoa sábia me disse que escrever é perigoso pois nem sempre podemos garantir que nossas palavras serão lidas no espírito em que foram escritas…”

Pode parecer mais um romance clichê, mas tenho certeza que irá se surpreender no final. A maneira como Moyes conecta os fatos e amarra as pontas é o que faz seus livros serem tão bons e populares. Diferente das histórias de Nicholas Sparks, por exemplo, temas polêmicos são abordados em cada livro, sendo essenciais para a desenvoltura do enredo. A última carta de amor é um ótimo livro, apesar de demorar para nos encantar. É uma leitura gostosa e prazerosa.

Ler é Bom, Vai | Os Legados de Lorien é uma das melhores sagas de todos os tempos!

Primeiramente, feliz ano novo a todos!

Como primeiro Ler é Bom, Vai! do ano, resolvi falar da saga, que há 1 ano fez eu me apaixonar novamente por uma série com mais de 5 livros (o que não acontecia desde Harry Potter). O texto será um pouco maior do que o habitual, pois irei falar de 7 livros + ebooks extras.

Em fevereiro de 2016, meu melhor amigo me fez ler Eu Sou o Número Quatro, primeiro da saga Os Legados de Lorien, e quando percebi já estava comprando os outros 5. Você provavelmente já ouviu falar desse nome, pois é o mesmo do filme de 2011, única adaptação cinematográfica da história. Infelizmente, o filme foi um fracasso e conseguiu ser uma adaptação pior do que Percy Jackson.  Acreditem, o livro é muito melhor, como sempre.

A história gira em torno de 9 jovens alienígenas nascidos no planeta Lorien, um lugar semelhante ao paraíso, destruído por uma outra raça alienígena do planeta Mogadore, os mogadorianos. Pittacus Lore e mais outros anciões lorienos, enviaram os jovens para terra para sobreviver, e quem sabe um dia, reconstruir sua casa. Entretanto, os lorienos não são os únicos com interesses na terra.

Os 9 jovens recebem o nome de Garde, além de um número individual que representa a ordem que foram programados para morrer. Buscando protegê-los dos mogadorianos, os anciões estabeleceram uma espécie de encantamento, onde esses jovens só podem ser mortos em ordem numérica crescente; caso contrário, qualquer tipo de tentativa de assassinato fora da ordem, vira contra o agressor.

“Nosso plano era crescer, treinar, ser mais poderosos e nos tornar apenas um, e então combatê-los. Mas eles nos encontraram antes. E começaram a nos caçar. Agora, todos nós estamos fugindo. O Número Um foi capturado na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Eu sou o Número Quatro. Eu sou o próximo.”

Não estranhem o nome do autor, é o mesmo do ancião citado anteriormente. Pittacus Lore é o pseudônimo de James Frey e Jobie Hughes, autores da saga, mas que preferiram fazê-la como uma espécie de livro de memórias de Pittacus. O ancião passou seus últimos 12 anos de vida na Terra, e conta em seus livros, a história daqueles responsáveis pela lembrança de Lorien.

Em cada obra conhecemos um novo integrante da Garde, aquele mencionado no título do livro, ou seja, número Quatro, Seis, Nove e por aí vai. Além deles, somos apresentados também a seus Cepans, lorienos mais velhos enviados a terra para proteger seu respectivo jovem. Uma coisa é predominante em todos as 7 tramas, o ritmo frenético e tenso que circula as crianças, com raros momentos de tranquilidade e segurança.  John, o Número Quatro, está sempre presente, mas cada personagem tem um momento nos livros e capítulos.

O planeta Lorien foi devastado pelos mogadorianos, e seus habitantes, dizimados. Exceto nove crianças e seus guardiões, que se exilaram na Terra. Eles são como os super-heróis que idolatramos nos filmes e nos quadrinhos – porém, são reais.

Como ja foi visto em Eu Sou o Número Quatro, não são apenas os lorienos e mogadorianos que protagonizam a história. Logo de cara conhecemos Sam, um jovem humano que sofre bullying na escola até a chegada de John e cujo pai desapareceu misteriosamente. Além dele, juntam-se a causa Sarah, por quem John logo se apaixona, e Mark James, ex namorado da menina. E como não podia faltar, existem animais de Lorien que também foram enviados para cá, chamados Chimaeras, com destaque para o beagle Bernie Kosar.

A partir do terceiro livro, finalmente nos é apresentado o líder do planeta Mogadore, Setrákus Rá, e aí percebemos que não estamos lendo livros infantis. Não há um final feliz em cada trama, tendo desaparecimentos e mortes de personagens extremamente queridos por nós. Não, isso não é um spoiler, pois a partir do momento que a Garde vai se reunindo, o encantamento é quebrado e todos podem morrer, independente de seu número. John, Seis, Nove, Marina e Oito fazem o possível para encontrar os membros restantes e conseguir, por fim, destruir toda a raça mogadoriana liderada pelo ex lorieno.  

O que mais fez eu me apaixonar pela saga, além de esperar (im)pacientemente o lançamento de seus livros, é a maneira como os fatos se entrelaçam e guiam o leitor para um pensamento específico. Mesmo sem a existência dos outros filmes, conseguimos imaginar como tudo está acontecendo, como são seus personagens e, até mesmo, o que irá acontecer.

A ideia de não revelar o nome de seus atores foi muito boa, pois os livros realmente representam a visão de um lorieno de tudo aquilo que está acontecendo. Hoje em dia, existe um cardápio vasto do assunto alienígenas vivendo na Terra, e poder ler um material original, bom e bem escrito, é certamente uma ótima experiência. Obrigada Pittacus!

“Os seis são poderosos, porém não são fortes o suficiente para enfrentar um exército inteiro, mesmo com o retorno de um antigo aliado. Para derrotar os mogadorianos, cada um deles precisará dominar seus Legados e aprender a trabalhar em equipe. O futuro incerto faz com que eles busquem a verdade sobre os Anciões e seu plano para os nove lorienos escolhidos”.

Pode parecer que 7 livros seja muita coisa, mas certamente foi o que muitos pensaram ao ler “A Pedra Filosofal”. O assunto é tão bem abordado e elabordo, que terminamos o último com aquela já conhecida depressão pós término de um livro. Em momento algum o leitor é “enrolado” ou algo do tipo, pois existe um conteúdo novo e persistente em cada novo capítulo. Aprendemos a gostar até mesmo de alguns mogadorianos!

Esse ano, finalmente a saga Os Legados de Lorien teve seu desfecho e já estou com saudades. Compartilhei cada sentimento de ódio e raiva que surgiu em John após a perda de uma pessoa próxima, e toda a guerra finalmente toma forma. Diferente do que muitos julgam apenas pelo filme, o enredo desenvolvido por Pittacus Lore é maravilhoso e deveria ser lido por todos aqueles que gostam do assunto. Duvido você não gostar, se apaixonar por cada personagem, chorar em cada morte e sorrir quando algo bom acontece.

“- Olhe por esse lado – sussurra Sam quando vai até os outros. – Humanos, lorienos, mogs… temos o primeiro encontro das Nações Unidas Intergaláticas aqui. É um acontecimento histórico.”

O último livro fecha com chave de ouro, pois é nele que a grande batalha acontece. Ainda balançados pela perda no anterior, os jovens só querem saber de destruir Setrákus Rá, além de toda a horda mogadoriana. Assim como nós, a Garde não aguenta sofrer e usa tudo o que tem para acabar com tudo. O planeta Terra é o palco da grande guerra entre lorienos, humanos de todo o mundo, chimaeras e mogadorianos. Sim, o final é positivo, mas muito se lutou para chegar a ele.

Não pensem, porém, que após tanta guerra teremos um “felizes para sempre”, pois a vida não é assim. Mais uma vez, Pittacus está de parabéns por aquilo que escreveu. Uma saga composta por drama, romance, ação, suspense e aventura, e que definitivamente está entre as melhores de todos os tempos!

Ps: Existem e-books entre os livros, chamados de Os Arquivos Perdidos, e são complementares aos principais. Não deixem de lê-los, pois contém muitas informações referentes aos personagens . Todos estão disponíveis online na internet e no Amazon!

Ler é Bom, Vai | Deuses Americanos é um dos melhores livros sobre mitologia já escrito

Esse domingo, decidi falar sobre um livro que foi, para mim, um presente em 2016. Sempre fui fã do tema mitologia, seja ela qual for, mas é difícil achar uma trama que aborde esse tema e seja original. Deuses Americanos me foi recomendado por diversas pessoas, e quando a Editora Intrínseca mandou aqui para casa, tomei como um sinal e finalmente resolvi ler (muuuito obrigada Intrínseca!).

Datado de 2001, a obra possuí diversas edições com as mais diferentes capas, mas o mesmo conteúdo. Tive a honra de receber a chamada ‘edição preferida do autor’, com páginas amarelas (simplesmente não gosto de páginas brancas), capítulos expandidos, artigos, uma entrevista com Neil Gaiman, além de um ótimo texto de introdução

Deuses Americanos nos convida a pensar desde o início da história, utilizando-se de metáforas bobas e/ou inteligentes que tornam a leitura leve, em um livro de mais de 500 páginas. Confesso que tive receio de ler outra trama maçante, com termos históricos e arcaicos, mas é exatamente o oposto.

A história narra a vida de Shadow, preso a três, desejando terminar seu tempo e voltar para casa, para sua amada esposa Laura e para o conforto do lar.  anos e seu maior sonho é voltar para casa, estar novamente com a pessoa que ama, Laura, sua esposa. Desde o momento que recebe a notícia de sua soltura, a vida de Shadow vira de cabeça pra baixo e ele se vê sem chão. É neste momento que surge Wednesday (Quarta-feira é o Dia de Odin na mitologia nórdica) , um velho Deus ‘esquecido’ que busca o antigo reconhecimento e adoração do passado. Antes que perceba, o rapaz se vê envolvido com Deuses, os novos e os antigos, além de trabalhar para eles em troca de um caminho para seguir na vida.

A trama gira em torno de uma guerra, premeditada a acontecer, onde Shadow percebe ter um importante papel. De um lado os velhos deuses, como Odin, Anúbis, Tot e Loki; do outro, os novos deuses, como a Media, a Internet e a Televisão, ou seja, artefatos que cultuamos em nosso dia a dia. Enquanto os novos buscam reconhecimento, os antigos querem recuperar a devoção que lhes foi atribuída quando os novos ainda não existiam. Shadow é recrutado por Wednesday, para ajudar a reunir os deuses esquecidos, que vivem uma vida “humana”, e declarar guerra aos modernos.

Apesar de abordar diversas vertentes da mitologia, Gaiman deixa de fora dois panteões de deuses bem conhecidos, os Gregos e os Cristãos, apesar de existir apenas uma pequena referência com a presença da deusa Easter, que significa Páscoa em inglês. Os trocadilhos estão presentes do início ao fim do livro, então é bom prestar atenção e tentar adivinhar antes de ser revelado na história (confesso que não percebi).

Quando pensamos que não tinha como melhorar, Gaiman encerra o livro da maneira mais brilhante possível. Shadow finalmente consegue desvendar, de maneira surpreendente, o mistério introduzido no início da história. Ao finalmente encontrar o corpo de Alison McGovern, a trama segue por um caminho que eu não esperava, e revela o lado de um personagem, praticamente “esquecido”.

Por fim, nas três páginas finais, Shadow se encontra na Islândia. O rapaz está em um restaurante, quando é surpreendido por ninguém menos do que Odin. Não, não o Wednesday de antes, mas o verdadeiro Deus Nórdico. Quando acusado por Shadow, por ser o suposto vilão, o Deus responde

“Ele era eu, mas eu não sou ele”

Wednesday era Odin, mas a versão levada a América pela fé dos imigrantes, não o mesmo que vivia nos países Nórdicos e não o mesmo Odin levado a outros países pela fé de outros imigrantes.

A história se encaixa e se desenvolve de maneira tão sensacional que será levada as telas da televisão em 2017. Com um elenco de peso, composto por Ricky Whittle (da série The 100), como Shadow Moon; Ian McShane (de Piratas do Caribe e Game of Thrones), como Wednesday, Gillian Anderson (de Arquivo X), como Media, Emily Browning (de Desventuras em Série), como Laura Moon, Pablo Screiber (de Orange is The New Black), como Mad Sweeney, Crispin Glover (de De Volta Para o Futuro), como Sr World, e Jonathan Tucker (de O Massacre da Serra Elétrica), como Low-Key Liesmith.