Ler é Bom, Vai | Antes que Eu Vá reflete sobre a curta duração de uma vida

Essa semana resolvi continuar o que vinha fazendo nas postagens anteriores…falar sobre livros que tiveram ou terão sua história adaptada para as telas. Diferente dos anteriores, Antes que Eu Vá será exibido nos cinemas e não na tela do computador ou televisão, razão pela qual precisava falar sobre ele após recebê-lo em casa (obrigada Intrínseca!).

Já imaginou o que aconteceria se juntássemos Meninas Malvadas, Como se Fosse a Primeira Vez e Contra o Tempo? Não? Provavelmente teríamos a história de Antes que Eu Vá, livro de Lauren Oliver. Apenas pela sinopse podemos perceber a referência ao primeiro filme, visto que “Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no Thomas Jefferson, o colégio que frequenta — da melhor mesa do refeitório à vaga mais bem-posicionada do estacionamento”. Ter tudo, porém, não significa nada quando você morre, já que a morte é algo que todos irão passar um dia -independente de seu nível de popularidade.

“Você acha que eu estava sendo tola? Ingênua? Tente não me julgar: lembre-se que somos iguais, eu e você.
Também pensei que fosse viver para sempre…”

Um terrível acidente de carro termina com o reinado de Sam e seus privilégios, mas diferentemente do que acontece com a maioria das pessoas, ela não permanece morta. Durante uma semana a vida da menina sofre um ‘reset’ e começa na manhã do dia 12 de fevereiro — o dia do acidente —, com a diferença de que ela lembra de tudo o que aconteceu no “dia anterior”. E as pessoas não.

Ser obrigada a lidar com a morte, esquecimento, fim e solidão mexe com a cabeça de Sam, e a fazem enxergar a vida com outros olhos. Lauren Oliver começa aí sua aula, mostrando ao leitor o verdadeiro significado de nossas ações. Será que um simples olhar ignorado no corredor ou receber uma rosa — ou um buquê — no Dia do Cupido tem a mesma importância para todos? Sam descobre que não da pior maneira possível.

“As crianças sempre fazem esse tipo de coisa umas com as outras. Não é nada demais. Sempre vai haver uma pessoa rindo e outra sendo o motivo da graça. A grande questão em crescer é aprender a ficar do lado de quem ri.”

A cada dia que passa, Sam procura corrigir as coisas que fazia antes do acidente e acaba por descobrir segredos há muito escondidos e nunca revelados, que podem levar uma pessoa a querer tirar sua própria vida. É o que aconteceu com Juliet Sykes, uma menina do colégio vítima de bullying há anos, originado no grupo de amigas de Sam. Ver uma outra jovem estar disposta a acabar com a própria existência — coisa que Sam está tentando evitar — a faz repensar seus atos, e ela toma como meta de vida, evitar um suicídio. Entretanto, uma série de acontecimentos estão interligados e culminam para o que Juliet está prestes a fazer, razão pela qual estereótipos têm de ser deixados de lado e preconceitos desfeitos para que tudo dê certo. Mais uma vez, Lauren expõe comportamentos de Sam que certamente serão semelhantes a muitos que um dia tivemos na vida. Muitos leitores estarão do lado da protagonista, mas muitos estarão também, do lado de Juliet.

É claro que o amor não ficaria de fora de tudo isso, afinal estamos falando de uma adolescente popular no auge de seu ensino médio. Não é muito difícil imaginar o namorado de Sam, após toda a descrição feita até aqui. Rob é igualmente popular e desejado por várias outras meninas, mas sem possuir um só neurônio. O oposto é revelado em Kent McFuller, o nerd dos olhos claros apaixonado por Sam e alvo de boa parte de suas piadas. A imagem dos dois garotos é igualmente construída e desconstruída pela autora nos momentos certos, a medida que passam as páginas. Não é sempre que o óbvio é a melhor opção, por mais que muitas vezes preferimos optar pelo mais fácil. Kent é o responsável pela única ponta de esperança que tudo corra bem no fim, pois diferentemente do que acontece na maioria das vezes, é pelo nerd que nos apaixonamos.

“Quando sairmos do colégio, vamos olhar para trás e saber que fizemos tudo certo, que beijamos os caras mais bonitos, fomos às melhores festas, fizemos bastante besteira, ouvimos música alto demais, fumamos cigarros demais, bebemos demais, rimos demais e ouvimos de menos, se é que ouvimos alguma coisa.”

O único ponto negativo do livro é uma certa repetitividade, uma vez que o mesmo dia recomeça sete vezes. Chegamos a um ponto da leitura que a mesma se torna cansativa e dá vontade de pular logo para o final. Tenham paciência, Oliver fez questão de nos compensar. Confesso que fiquei com medo em relação ao desfecho, pois após 350 páginas de comportamentos fúteis e imaturos por parte de Sam, um final de conto de fadas seria inconcebível. Entretanto, não há como não ficar triste pela morte de Sam, mesmo que seja uma tristeza boa. A menina que começou o livro não é a mesma que o termina, e sentimos orgulho pelas decisões que ela resolve tomar. A lição final que Lauren nos dá pode ser resumida em uma famosa frase de Antoine de Saint-Exupéry, autor de “O Pequeno Príncipe”: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. E Sam se tornou.

Ler é Bom, Vai | O denso e maravilhoso universo de Os Treze Porquês

Antes de Os 13 Porquês, o livro mais rápido que li na vida tinha sido em 6 horas e foi O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Diversas pessoas me recomendaram a leitura da obra de Jay Asher, alegando ter sido um dos melhores que já leram…e agora, 4 horas depois,  posso dizer que compartilho a opinião.

Como é de se imaginar após o tempo que leve para concluir a trama, Os 13 Porquês tem uma leitura extremamente fácil, gostosa e fluida – dessas que não nos dá vontade de parar -, instigando o leitor a concluir a história o mais rápido possível. Além disso, a maneira como nos identificando com os dois protagonistas nas mais distintas maneiras pode lhe assustar. Obviamente, não estou dizendo que você vai terminar o livro e querer cometer suicídio, pelo amor de Deus, mas irá abrir os olhos para as pessoas que estão ao redor. Um sorriso no rosto nem sempre significa um sorriso interno.

“É importante estarmos consciente do modo como tratamos os outros. Mesmo que alguém pareça ignorar um comentário casual ou não se deixar afetar por um boato, é impossível saber tudo o que se passa na vida daquela pessoa e o quanto podemos ampliar sua dor.”

O livro conta a história de Clay, um adolescente que recebeu uma caixa de fitas cassete no correio, numeradas de 1 a 13. As fitas por sua vez contam a história de Hannah Baker, jovem que tirou a própria vida duas semanas antes e quer que um grupo seleto de pessoas ouça o motivo por tal radical decisão. Por meio de uma lista numérica, as fitas são passadas através do grupo até o número 13, oferecendo as versões de Hannah de boatos que circulavam na escola. Chegou a vez de Clay ouvir, e com ele, tomamos conhecimento do conteúdo de cada um.

A narrativa intercala os dias atuais – com os pensamentos de Clay a medida que ele ouve a histórias -, e duas semanas antes, quando Hannah ainda pensava sobre sua vida. Personagens secundários vão surgindo a cada vez que o menino aperta o play, descritos por ele e pela jovem de sua própria percepção. Por mais que você não esteja mais na escola, duvido não se identificar com os problemas relatados pela menina, ou que até mesmo já tenha passado por isso. As palavras de Asher conseguem entrar na cabeça e nos transportar para a mente de Clay, compartilhando suas agonias e irritações com os responsáveis pela morte de Hannah.

“Vocês não sabem o que estava passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser a de vocês. E quando estragam alguma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não dá para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga uma parte da vida de alguém, você estraga a vida inteira da pessoa. Tudo… é afetado.”

Os 13 Porquês pode ser considerado um livro de auto-ajuda, para crianças e adolescentes que sofrem calados. O número de jovens que optam por acabar com a própria vida para fugir do sofrimento é maior do que muitos de nós imagina, e ter isso retratado não apenas na literatura, mas também em uma série é essencial. Sim, para quem ainda não sabia, a história de Jay Asher vai virar uma série da Netflix ainda esse mês, estreando no dia 31 de março. Então corre para descobrir tudo antes de vir ao ar!

“Você pode ter ouvido boatos, mas não pode dizer que sabe alguma coisa de verdade só por causa deles.”

As gravações de Hannah são intensas e muitas pegam Clay de surpresa, uma vez que ele só conhecia a versão dos boatos que circulavam pelas bocas dos alunos. Ouvir o que realmente aconteceu pode ser mais significante do que parece. Não houve uma pessoa responsável pela morte da menina, mas sim uma série de fofocas, criadas pelas pessoas da fita, que desencadearam um transtorno de incapacidade em Hannah e a levaram a tomar os comprimidos. A culpa que consome Clay por não ter percebido nada é devastadora e mais uma vez nos leva a pensar…até que ponto conhecemos alguém?

Ler é Bom, Vai | O Símbolo Perdido, um dos melhores casos de Robert Langdon

Dan Brown já nos agraciou com seu talento em várias obras, muitas inclusive adaptadas para o cinema. Enquanto Tom Hanks dava a vida ao Professor Robert Langdon nas telas, Brown nos apresentava com os mais detalhes seu tão famoso personagem.

Depois de viajar o mundo, em O Símbolo Perdido o professor de Harvard se encontra em Washington, após ter sido convidado as pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon (maçom e filantropo) para dar uma palestra no Capitólio norte-americano. Obviamente, tudo não passa de uma armadilha e Solomon sumiu, cabendo a Langdon encontrar seu amigo. O preço do resgate? Nada mais tradicional do que um tesouro, escondido na cidade de Washington por seus fundadores, e cobiçado pelo sequestrador Mal’akh. A partir daí, se inicia mais uma das ótimas aventuras de Robert Langdon, descrita pelas ótimas palavras de Dan Brown.

“Viver no mundo sem tomar consciência do significado do mundo é como vagar por uma imensa biblioteca sem tocar os livros.”

Como em todos os seus livros, Brown procura investigar e expor um universo polêmico poderoso. Em O Símbolo Perdido, somos apresentados aos mistérios da maçonaria, antiga sociedade discreta que prega que todo homem é livre e possui bons costumes. Para salvar a vida de Solomon, Langdon tem de encontrar a famosa Pirâmide Maçônica, um dos segredos mais profundos da fraternidade, escondido nas vísceras da capital norte-americana. E claro que não podia faltar a força policial que irá trabalhar com Langdon, seja para ajudá-lo ou impedi-lo. Como estamos nos Estados Unidos, nada menos do que a força tática da CIA é acionada, sendo desafiada por todos os mistérios que se desenvolvem nas descobertas do professor. Não pensem que será muito diferente dessa vez, tais mistérios se encontram ocultos em obras de arte e locais inimagináveis ao olho humano. A menos que você seja um simbologista como Robert Langdon.

 A maneira como Dan Brown apresenta as informações é tão profunda e detalhada, que acreditamos piamente em tudo que estamos lendo. Por mais que muitas informações sejam verídicas, não é todo monumento apresentado na trama que possuí um segredo milenário escondido, mas você terminará de ler crendo que sim. O fato dos mistérios estarem escondidos em lugares reais, na maioria das vezes em partes pequenas e ocultas, nos faz querer sair correndo e confirmar se aquilo realmente está ali.

Um dos diferencias em O Símbolo Perdido é a perspectiva da narrativa, não apenas contada pelo ponto de vista de Langdon. Conseguimos enxergar através do ponto de vista de Katherine Solomon, Sato Inoue, a diretora do Escritório de Segurança da CIA; Bellamy Warren, o Arquiteto do Capitólio; e Mal’akh. Por mais que boa parte seja narrada pelos olhos do professor, uma visão mais ampla dos acontecimentos nos permite entrar na história e tentar prever o que acontecerá em seguida. Com um início lento e monótono, demorei a pegar o ritmo da aventura, e essa concepção ampliada do mistério ajuda o leitor a se apegar ao livro.

“- Robert, nós dois sabemos que os antigos ficariam horrorizados se vissem como seus ensinamentos foram deturpados… como a religião acabou virando uma cabine de pedágio para o céu… como soldados vão para a guerra acreditando que Deus está do lado deles. Nós perdemos a Palavra, mas seu verdadeiro significado continua a nosso alcance, bem diante de nossos olhos”

O molde adotado por Dan Brown se repete, mas não pensem ser algo negativo. O autor sempre encontra uma maneira de nos surpreender, e em O Símbolo Perdido não foi diferente. Desvendando e introduzindo um assunto polêmico e pouco conhecido por muitos, ele traz o simbologista Robert Langdon para mais uma aventura, e quem somos nós para reclamar? Pela clareza nos detalhes, pelo número de símbolos e charadas e pela maneira como tudo se encaixa no final, este foi um dos meus favoritos da série. Apesar dos momentos cansativos do começo, a trama vai desabrochando e logo não conseguimos mais largar o livro, querendo saber o que acontece no final. Espero que esta história seja adaptada para os cinemas, assim como seus antecessores, mas que nada seja mudado como aconteceu em Inferno. Os fãs de Dan Brown vão reforçar seu amor pelo autor e ficarão felizes com aquilo que lhes foi oferecido.

Ler é Bom, Vai | Seis Anos Depois, o surpreendente romance de Harlan Coben

Um dos muitos pontos positivos do Skoob, é termos acesso a livros não presentes nas principais bancadas em livrarias. Em uma de minhas visitas ao site, me deparei com Seis Anos Depois de Harlan Coben e resolvi dar uma chance ao autor. Para minha surpresa, este definitivamente fará parte de minha estante daqui para frente.

Seis Anos Depois é daqueles livros que gostamos de graça logo nas primeiras páginas, por meio de palavras simples e apenas os detalhes suficientes para nos apresentar seus personagens. A história inicia como um típico romance, onde o homem abandonado procura reencontrar o amor de sua vida. Logo percebemos, porém, que a história é muito mais obscura e complicada do que parece, desenvolvendo um ótimo romance policial.

“Sentei-me no último banco da igreja e fiquei assistindo à única mulher que amaria na vida se casar com outro homem”

A trama gira em torno de Jake Fisher, um professor universitário preso ao passado e a Natalie Avery, uma jovem que conheceu em um retiro para artistas 6 anos antes. Jake é escritor e Natalie pintora, e juntos viveram o melhor verão de suas vidas. O mundo do professor desaba sobre seus pés, quando a jovem decide romper o namoro para se casar com um ex-namorado, por quem diz estar apaixonada. Para endossar sua tristeza, Natalie o convida para seu casamento e mesmo contra suas vontades, ele resolve aparecer e confirmar seu pesadelo. Antes de ir embora, ela o pede que prometa deixá-la em paz.

O livro começa a engrenar quando Jake vê o obituário do suposto marido de Natalie no jornal, e ao chegar no velório, descobre que a viúva era outra mulher. A partir daí, o clássico romance dá lugar a uma investigação frenética e descobertas que surpreendem não apenas ao professor. Uma simples história de verão se transforma em um caso policial, envolvendo um assassinato de 6 anos antes e matadores treinados para não deixar nada para trás. Jake decide quebrar sua promessa e vai atrás de Natalie, colocando sua vida em riscos inimagináveis.

“Acho que de vez em quando – em uma ou duas ocasiões na vida – nos sentimos fascinados por uma pessoa, de forma muito profunda, primordial e imediata, um encanto mais que magnético.”

A cada capítulo, uma informação diferente surge e nos pegamos tentando adivinhar o que irá acontecer em seguida. A maneira como Coben descreve os acontecimentos, nos traz para próximo do personagem, entendendo sua dor e nos angustiando com a maneira que tudo transcorre.

O livro apresenta uma narrativa límpida, fácil e prazeirosa de se ler, conquistando o leitor desde suas primeiras páginas. A história encontra seu desfecho nas últimas páginas, então por mais desesperador que possa parecer perceber que está acabando, calma! As informações se encaixam perfeitamente e tudo faz sentido de uma maneira surpreendente, não deixando nenhuma ponta solta.

Ler é Bom, Vai | O macabro e o terror se misturam em Os Três, de Sarah Lotz

Existem livros que, logo de cara, entregam sua temática principal. Apenas ao observar a capa de Os Três, percebemos que algo de sombrio circunda as páginas do livro, e tudo se confirma através de sua sinopse.

Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas… Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele… Essa mensagem irá mudar completamente o mundo.

Uma ótima palavra para definir a leitura de Os Três é perturbadora. Por mais que comece de maneira lenta e estável, quando menos percebe-se, já estamos relendo algumas frases para ter certeza se lemos direito. Quem escolher lê-lo, deve persistir nas palavras de Sarah Lotz, sabendo que será recompensado no final. O suspense nos envolve de uma maneira que precisamos saber o que irá acontecer no final.

Quatro aviões caem, em diferentes partes do mundo, quase ao mesmo tempo… coincidência? Para corroborar com o inacreditável, existiram três sobreviventes: Bobby, Jess e Hiro, três crianças (não sei vocês, mas sempre que crianças estão envolvidas meu sensor de medo dispara!). Os jovens não têm nada em comum, apenas o trágico acidente e a intensa exposição a mídia por consequência. Entretanto, a medida que o mistério começa a se desenvolver, algumas coincidências passam a conectá-las das mais bizarras maneiras.

Assim como em séries e filmes, teorias a cerca dos acidentes surgem de vários lugares e pessoas, cabendo ao leitor decidir qual aceitar. De alienígenas a Cavaleiros do Apocalipse, a população começa a especular motivos para apenas aquelas três crianças terem sobrevivido a acidentes aéreos. A existência de teorias pode tornar tudo um pouco confuso, caso você seja uma pessoa objetiva e ansiosa, pois Sarah nos oferece provas de que todas podem estar certas, aumentando o mistério em torno do tema central. É justamente essa ansiedade que nos faz devorar o livro rapidamente.

 

A solução adotada por Lotz para conclusão da trama pode não ter sido a mais inteligente ou adequada, em minha opinião. Após bolar diversas teorias e hipóteses para explicar não apenas a sobrevivência das crianças, mas as mortes que as rodeiam, nada é explicitamente revelado no fim. Ela deixa para o leitor decidir o que melhor lhe convém em relação ao acidente, e muitas pessoas (eu, por exemplo) não são fãs de finais deixados em aberto. Não pensem, porém, que o livro não mereça ser lido. O suspense, o macabro, o terror e a ansiedade nos envolvem e a leitura se torna rápida e emocionante.

Em Os Três, o leitor se transforma em detetive e busca uma solução e/ou explicação para a sobrevivência de três crianças. Lotz procura nos dar diversas pistas, ao mesmo tempo que não nos dá nenhuma. Cenários como a floresta Aokigahara (conhecida como floresta do suicídio) foram utilizados como cenários principais do livro, então apesar de não ser um típico livro do gênero terror, existem momentos que vão te deixar paranóico. O livro pode não te assustar, mas certamente causa um impacto.

Ler é Bom, Vai | As Vantagens de Ser Invisível, um livro para ficar sempre na memória

“Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas ” 

Faz muito tempo desde que adicionei As Vantagens de ser Invisível a minha lista de leitura. Me encantei pelo filme de 2012 e desde então só venho ouvido comentários positivos a respeito da obra literária original. E todos estavam certos.

O livro é contado por Charlie, um solitário adolescente de 15 anos, começando a amadurecer e conhecer os prazeres e decepções da vida. Desde a primeira morte de um amigo ao primeiro amor, o jovem vivencia as típicas aventuras da adolescência e expressa suas opiniões em uma espécie de diário, a quem chama de amigo. A grande busca de Charlie é em relação a sua existência : Quem sou eu ? Por que eu sou assim ? Através de suas histórias, ele nos mostra não apenas as respostas, mas também um novo lado de sua personalidade. É através da amizade entre Sam e Patrick, dois irmãos dispostos a viver todas essas aventuras e mais um pouco, que o menino encontra o que precisava : amigos e oportunidades.

As Vantagens de Ser Invisível é um livro que nos faz pensar, em todos os parâmetros possíveis. Até que ponto estamos certos ou errados em formar opiniões precoces sobre os outros ? Charlie é extremamente inteligente, porém inocente, o que o faz enxergar toda e qualquer situação com o coração aberto. Ele tem sua rotina modificada por Sam e Patrick, mas se propões até mesmo a fumar para se integrar no grupo dos amigos. O processo de aprendizagem, mudança e transformação de Charlie é o carro chave do livro, e a maneira como ele lida com isso é que nos ensina um pouco mais sobre a vida.

  “Só preciso saber que existe alguém que ouve e entende, e não tenta dormir com as pessoas, mesmo que tenha oportunidade. Preciso saber que essas pessoas existem. “

Não pensem que Charlie é puro por ter vivido pouco, pois enfrentou situações que muitos a sua volta não vivenciaram, como o suicídio do melhor amigo e a morte da tia, de quem ele era muito próximo. O menino aprendeu a viver a vida de sua própria maneira, internalizando suas emoções e passando-as para seu melhor amigo. A maneira de narrar de Charlie é tão simples e bonita, que nos sentimos parte de seu dia a dia, a medida que as páginas vão passando.

Não pensem, porém, que estamos lidando com um livro infantil. Stephen Chbosky conseguiu abordar temas complicados e polêmicos, como homossexualidade, gravidez na adolescência e violência doméstica, sem perder a principal essência da história. A maneira como Charlie lida com todos esses impasses faz parte da construção de sua imagem, defrontando-se com os problemas e resolvendo-os de sua maneira. Para ele, o bem estar de seus amigos é muito importante, por mais que as vezes ele haja por impulso.

— Posso fazer uma pergunta?
— Sim, Charlie.
— Porque as pessoas legais escolhem amar as pessoas erradas?
Silêncio.
— Bem… Nós aceitamos o amor que achamos merecer.

Algumas questões ficaram em aberto no fim, deixando até mesmo um lado negativo na maneira como tudo terminou. Temas não abordados completamente, mas que foram onipresentes durante toda a trama, permaneceram sem resposta, como por exemplo, o fato de Charlie ter ou não alguma doença. Mais de uma vez ele apresentou crises e foi parar no hospital, porém, até hoje não sabemos o real motivo das mesmas. Ficou claro desde o início que ele era diferente dos outros, por meio de sua maneira de pensar e enxergar as coisas, mas isso se retém apenas ao lado psicológico ou existe uma razão física para tal ?

As Vantagens de Ser Invisível é um livro simples, porém cheio de conteúdo. Foi muito bem adaptado ao cinema, o que só aumentou a grandiosidade que a obra adquiriu. São poucas as páginas que a compõe, entretanto, as mesmas transbordam pureza e maestria pelas palavras de Chbosky. Todos deveríamos ter um amigo como Charlie, ou até mesmo, ter um lado Charlie dentro de nós. As vezes, as soluções são as mais simples possíveis, nós é que tendemos a complicá-las.

“Eu sei que tudo isso serão apenas histórias algum dia. E nossas fotos se tornarão velhas fotografias. E todos nós nos tornaremos mãe ou pai de alguém. Mas agora, exatamente agora, esses momentos não são histórias. Está acontecendo. Eu posso ver. E nesse momento, eu juro, nós somos infinitos.”

Ler é Bom, Vai | Todo ser humano deveria ler O Menino do Pijama Listrado

Essa semana, baseada na posse de Donald Trump nos Estados Unidos, resolvi falar de um livro que me marcou muito, dentre todos que já li até hoje. O livro é relativamente antigo, assim como o filme de mesmo nome, que foi muito bem adaptado para o cinema em 2008, mas ainda permanece com um dos mais importantes.

John Boyne criou uma história onde os dois protagonistas são crianças por volta de seus 9 anos de idade. Enquanto um é filho de um oficial nazista, o outro é judeu. Juntos, Bruno e Shmuel criam a mais proibida e pura das amizades, caracterizando a inocência de uma criança em relação a religião, cor da pele e outros tipos de “distinções”.

O Menino do Pijama Listrado descreve o surgimento de uma amizade entre um judeu e um alemão, em plena Segunda Guerra Mundial, que de tão comovente parece real. Enquanto o pai e o professor de Bruno tentam convencer o menino de que os judeus são a pior raça possível, ele só quer ser um explorador e conhecer o mundo. Durante uma de suas pequenas expedições no quintal, ele se depara com uma enorme cerca e diversas pessoas vestindo pijamas listrados. Uma delas, é Shmuel.

Aos 9 anos de idade, tudo que uma criança quer é brincar e fazer amigos, e Bruno não é diferente disso. É com esse pensamento que o menino se aproxima do jovem judeu, e o trata com seu igual, independente do fato de Shmuel não ter cabelo, ser magro e todo sujo. Curiosamente, os dois nasceram no mesmo dia, e a partir dessa descoberta a amizade só floresce, assim como os questionamentos de Bruno perante os adultos.

Uma das principais lições que o livro nos dá é a ingenuidade das crianças, que não entendem o ódio, o medo e a repulsa de pessoas que, sem nenhum motivo aparente, são taxadas de diferentes. Tudo que Bruno quer é um amigo e o encontra do outro lado de uma cerca de arame farpado.

“A infância é medida por sons, aromas e visões, antes que o tempo obscuro da razão se expanda.”

“Você é o meu melhor amigo, Shmuel”, disse ele. “Meu melhor amigo para a vida toda.”

Toda criança, jovem ou adulto deveria ler O Menino do Pijama Listrado. Diariamente temos mais e mais confirmações do quão racista e preconceituoso o mundo está, e encontrar uma história de amizade em meio a tudo isso é algo que deve ser mencionado. O nazismo de Hitler é apenas um exemplo do ódio disseminado por palavras e ações, mas assim como ele, muitos outros ainda existem e surgem por aí.

Com apenas 192 páginas, o livro é curto e a leitura rápida, o que não o torna menos bonito ou profundo. O conteúdo foi todo adaptado para o cinema, em um filme igualmente emocionante, mas vale a leitura primeiro. John Boyne conseguiu tratar um assunto tão polêmico e pesado, de maneira infantil e graciosa, abrindo os olhos de quem lê sua trama. O Menino do Pijama Listrado é, até hoje, um dos meus livros favoritos e considero obrigatória a sua leitura!

Ler é Bom, Vai | A última carta de amor, mais uma das ótimas escritas de Jojo Moyes

Nunca fui de seguir as ‘modinhas’. Demorei para ler livros, que amei, apenas por estarem na moda e sendo falados por todos. A autora da moda é JoJo Moyes, aquela de “Como Eu Era Antes de Você”, o tal do livro da moda. Bom, sou obrigada a deixar meu preconceito de lado cada vez que pego uma de suas histórias pra ler, e já posso falar que é uma de minhas escritoras favoritas.

“Talvez isso lhe pareça fantasioso. Talvez você estivesse pensando no teatro, ou na crise econômica, ou em comprar cortinas novas. Mas de repente me dei conta, no meio daquela pequena loucura, que ter alguém que nos entenda, que nos deseje, que nos veja como uma versão melhorada de nós mesmos é o presente mais incrível.”

Você já ouviu falar de “Cartas para Julieta”, filme de 2010, com Amanda Seyfried e Gael García Bernal ? Caso tenha visto e gostado, “A última carta de amor” , de Moyes, será extremamente prazeroso e agradável de se ler. Dá para imaginar que estamos falando de um romance, apenas pelo título, mas uma das características da autora que mais me agrada é a não repetição em suas histórias. Não lidamos com os mesmos clássicos “água com açúcar”, mas com tramas inteligentes e criativas, que sempre acabam por nos surpreender.

Este é mais um daqueles livros que precisamos ter persistência para gostar. Começando de maneira lenta e confusa, por ter duas protagonistas, não é apaixonante logo no primeiro capítulo, mas não desistam, JoJo sempre dá um jeito de nos fazer não querer largar suas páginas.

“Se tudo o que nos é permitido são horas, minutos, quero ser capaz de gravar cada um deles na memória com perfeita clareza para poder recordá-los em momentos como este, quando minha alma está sombria.”

Ellie Haworth e Jennifer Stirling têm suas vidas narradas aos poucos, separadas por 40 anos, mas com resquícios de um possível encontro no futuro. Ellie, uma jornalista dos anos 2000, encontra as cartas de Anthony O’Hare, amante de Jennifer nos anos 60. Seu emprego está por um triz, então Ellie decide investigar as correspondências para uma possível matéria, contando com a ajuda de Rory, o ‘cara dos arquivos do jornal’.

Boa parte do livro é centralizada em Jennifer, uma jovem de 27 anos que acorda em um hospital, com amnésia após um acidente de carro. Ela é casa há 4 anos com Laurence Stirling, um homem rico, aristocrático, reservado e temperamental, que possuí um importante cargo no setor de mineração. Apesar de ser o casal popular entre os amigos, dentro de casa as coisas eram frias e mecânicas. É neste ambiente que surge Anthony O’Hare, um jornalista romântico e aventureiro. Um bonito e puro amor nasce entre os dois, mas a sociedade opressora e machista torna tudo mais difícil.

O destino e a vida insistem em separar Jennifer de seu grande amor, mas colaboram para seus reencontros. Ao mesmo tempo, Ellie vive a vida de amante, apaixonada por um homem casado e sem a menor pretenção de largar a esposa. Apesar de estarem em papéis separados, anos de distância e sociedades de tempos diferentes, são as cartas de Jennifer que salvam Ellie de sua vida complicada. E é Ellie que traz esperança e o amor de volta a velha senhora, quando encontra suas correspondências.

“Certa vez uma pessoa sábia me disse que escrever é perigoso pois nem sempre podemos garantir que nossas palavras serão lidas no espírito em que foram escritas…”

Pode parecer mais um romance clichê, mas tenho certeza que irá se surpreender no final. A maneira como Moyes conecta os fatos e amarra as pontas é o que faz seus livros serem tão bons e populares. Diferente das histórias de Nicholas Sparks, por exemplo, temas polêmicos são abordados em cada livro, sendo essenciais para a desenvoltura do enredo. A última carta de amor é um ótimo livro, apesar de demorar para nos encantar. É uma leitura gostosa e prazerosa.

Ler é Bom, Vai | Os Legados de Lorien é uma das melhores sagas de todos os tempos!

Primeiramente, feliz ano novo a todos!

Como primeiro Ler é Bom, Vai! do ano, resolvi falar da saga, que há 1 ano fez eu me apaixonar novamente por uma série com mais de 5 livros (o que não acontecia desde Harry Potter). O texto será um pouco maior do que o habitual, pois irei falar de 7 livros + ebooks extras.

Em fevereiro de 2016, meu melhor amigo me fez ler Eu Sou o Número Quatro, primeiro da saga Os Legados de Lorien, e quando percebi já estava comprando os outros 5. Você provavelmente já ouviu falar desse nome, pois é o mesmo do filme de 2011, única adaptação cinematográfica da história. Infelizmente, o filme foi um fracasso e conseguiu ser uma adaptação pior do que Percy Jackson.  Acreditem, o livro é muito melhor, como sempre.

A história gira em torno de 9 jovens alienígenas nascidos no planeta Lorien, um lugar semelhante ao paraíso, destruído por uma outra raça alienígena do planeta Mogadore, os mogadorianos. Pittacus Lore e mais outros anciões lorienos, enviaram os jovens para terra para sobreviver, e quem sabe um dia, reconstruir sua casa. Entretanto, os lorienos não são os únicos com interesses na terra.

Os 9 jovens recebem o nome de Garde, além de um número individual que representa a ordem que foram programados para morrer. Buscando protegê-los dos mogadorianos, os anciões estabeleceram uma espécie de encantamento, onde esses jovens só podem ser mortos em ordem numérica crescente; caso contrário, qualquer tipo de tentativa de assassinato fora da ordem, vira contra o agressor.

“Nosso plano era crescer, treinar, ser mais poderosos e nos tornar apenas um, e então combatê-los. Mas eles nos encontraram antes. E começaram a nos caçar. Agora, todos nós estamos fugindo. O Número Um foi capturado na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Eu sou o Número Quatro. Eu sou o próximo.”

Não estranhem o nome do autor, é o mesmo do ancião citado anteriormente. Pittacus Lore é o pseudônimo de James Frey e Jobie Hughes, autores da saga, mas que preferiram fazê-la como uma espécie de livro de memórias de Pittacus. O ancião passou seus últimos 12 anos de vida na Terra, e conta em seus livros, a história daqueles responsáveis pela lembrança de Lorien.

Em cada obra conhecemos um novo integrante da Garde, aquele mencionado no título do livro, ou seja, número Quatro, Seis, Nove e por aí vai. Além deles, somos apresentados também a seus Cepans, lorienos mais velhos enviados a terra para proteger seu respectivo jovem. Uma coisa é predominante em todos as 7 tramas, o ritmo frenético e tenso que circula as crianças, com raros momentos de tranquilidade e segurança.  John, o Número Quatro, está sempre presente, mas cada personagem tem um momento nos livros e capítulos.

O planeta Lorien foi devastado pelos mogadorianos, e seus habitantes, dizimados. Exceto nove crianças e seus guardiões, que se exilaram na Terra. Eles são como os super-heróis que idolatramos nos filmes e nos quadrinhos – porém, são reais.

Como ja foi visto em Eu Sou o Número Quatro, não são apenas os lorienos e mogadorianos que protagonizam a história. Logo de cara conhecemos Sam, um jovem humano que sofre bullying na escola até a chegada de John e cujo pai desapareceu misteriosamente. Além dele, juntam-se a causa Sarah, por quem John logo se apaixona, e Mark James, ex namorado da menina. E como não podia faltar, existem animais de Lorien que também foram enviados para cá, chamados Chimaeras, com destaque para o beagle Bernie Kosar.

A partir do terceiro livro, finalmente nos é apresentado o líder do planeta Mogadore, Setrákus Rá, e aí percebemos que não estamos lendo livros infantis. Não há um final feliz em cada trama, tendo desaparecimentos e mortes de personagens extremamente queridos por nós. Não, isso não é um spoiler, pois a partir do momento que a Garde vai se reunindo, o encantamento é quebrado e todos podem morrer, independente de seu número. John, Seis, Nove, Marina e Oito fazem o possível para encontrar os membros restantes e conseguir, por fim, destruir toda a raça mogadoriana liderada pelo ex lorieno.  

O que mais fez eu me apaixonar pela saga, além de esperar (im)pacientemente o lançamento de seus livros, é a maneira como os fatos se entrelaçam e guiam o leitor para um pensamento específico. Mesmo sem a existência dos outros filmes, conseguimos imaginar como tudo está acontecendo, como são seus personagens e, até mesmo, o que irá acontecer.

A ideia de não revelar o nome de seus atores foi muito boa, pois os livros realmente representam a visão de um lorieno de tudo aquilo que está acontecendo. Hoje em dia, existe um cardápio vasto do assunto alienígenas vivendo na Terra, e poder ler um material original, bom e bem escrito, é certamente uma ótima experiência. Obrigada Pittacus!

“Os seis são poderosos, porém não são fortes o suficiente para enfrentar um exército inteiro, mesmo com o retorno de um antigo aliado. Para derrotar os mogadorianos, cada um deles precisará dominar seus Legados e aprender a trabalhar em equipe. O futuro incerto faz com que eles busquem a verdade sobre os Anciões e seu plano para os nove lorienos escolhidos”.

Pode parecer que 7 livros seja muita coisa, mas certamente foi o que muitos pensaram ao ler “A Pedra Filosofal”. O assunto é tão bem abordado e elabordo, que terminamos o último com aquela já conhecida depressão pós término de um livro. Em momento algum o leitor é “enrolado” ou algo do tipo, pois existe um conteúdo novo e persistente em cada novo capítulo. Aprendemos a gostar até mesmo de alguns mogadorianos!

Esse ano, finalmente a saga Os Legados de Lorien teve seu desfecho e já estou com saudades. Compartilhei cada sentimento de ódio e raiva que surgiu em John após a perda de uma pessoa próxima, e toda a guerra finalmente toma forma. Diferente do que muitos julgam apenas pelo filme, o enredo desenvolvido por Pittacus Lore é maravilhoso e deveria ser lido por todos aqueles que gostam do assunto. Duvido você não gostar, se apaixonar por cada personagem, chorar em cada morte e sorrir quando algo bom acontece.

“- Olhe por esse lado – sussurra Sam quando vai até os outros. – Humanos, lorienos, mogs… temos o primeiro encontro das Nações Unidas Intergaláticas aqui. É um acontecimento histórico.”

O último livro fecha com chave de ouro, pois é nele que a grande batalha acontece. Ainda balançados pela perda no anterior, os jovens só querem saber de destruir Setrákus Rá, além de toda a horda mogadoriana. Assim como nós, a Garde não aguenta sofrer e usa tudo o que tem para acabar com tudo. O planeta Terra é o palco da grande guerra entre lorienos, humanos de todo o mundo, chimaeras e mogadorianos. Sim, o final é positivo, mas muito se lutou para chegar a ele.

Não pensem, porém, que após tanta guerra teremos um “felizes para sempre”, pois a vida não é assim. Mais uma vez, Pittacus está de parabéns por aquilo que escreveu. Uma saga composta por drama, romance, ação, suspense e aventura, e que definitivamente está entre as melhores de todos os tempos!

Ps: Existem e-books entre os livros, chamados de Os Arquivos Perdidos, e são complementares aos principais. Não deixem de lê-los, pois contém muitas informações referentes aos personagens . Todos estão disponíveis online na internet e no Amazon!

Ler é Bom, Vai | Deuses Americanos é um dos melhores livros sobre mitologia já escrito

Esse domingo, decidi falar sobre um livro que foi, para mim, um presente em 2016. Sempre fui fã do tema mitologia, seja ela qual for, mas é difícil achar uma trama que aborde esse tema e seja original. Deuses Americanos me foi recomendado por diversas pessoas, e quando a Editora Intrínseca mandou aqui para casa, tomei como um sinal e finalmente resolvi ler (muuuito obrigada Intrínseca!).

Datado de 2001, a obra possuí diversas edições com as mais diferentes capas, mas o mesmo conteúdo. Tive a honra de receber a chamada ‘edição preferida do autor’, com páginas amarelas (simplesmente não gosto de páginas brancas), capítulos expandidos, artigos, uma entrevista com Neil Gaiman, além de um ótimo texto de introdução

Deuses Americanos nos convida a pensar desde o início da história, utilizando-se de metáforas bobas e/ou inteligentes que tornam a leitura leve, em um livro de mais de 500 páginas. Confesso que tive receio de ler outra trama maçante, com termos históricos e arcaicos, mas é exatamente o oposto.

A história narra a vida de Shadow, preso a três, desejando terminar seu tempo e voltar para casa, para sua amada esposa Laura e para o conforto do lar.  anos e seu maior sonho é voltar para casa, estar novamente com a pessoa que ama, Laura, sua esposa. Desde o momento que recebe a notícia de sua soltura, a vida de Shadow vira de cabeça pra baixo e ele se vê sem chão. É neste momento que surge Wednesday (Quarta-feira é o Dia de Odin na mitologia nórdica) , um velho Deus ‘esquecido’ que busca o antigo reconhecimento e adoração do passado. Antes que perceba, o rapaz se vê envolvido com Deuses, os novos e os antigos, além de trabalhar para eles em troca de um caminho para seguir na vida.

A trama gira em torno de uma guerra, premeditada a acontecer, onde Shadow percebe ter um importante papel. De um lado os velhos deuses, como Odin, Anúbis, Tot e Loki; do outro, os novos deuses, como a Media, a Internet e a Televisão, ou seja, artefatos que cultuamos em nosso dia a dia. Enquanto os novos buscam reconhecimento, os antigos querem recuperar a devoção que lhes foi atribuída quando os novos ainda não existiam. Shadow é recrutado por Wednesday, para ajudar a reunir os deuses esquecidos, que vivem uma vida “humana”, e declarar guerra aos modernos.

Apesar de abordar diversas vertentes da mitologia, Gaiman deixa de fora dois panteões de deuses bem conhecidos, os Gregos e os Cristãos, apesar de existir apenas uma pequena referência com a presença da deusa Easter, que significa Páscoa em inglês. Os trocadilhos estão presentes do início ao fim do livro, então é bom prestar atenção e tentar adivinhar antes de ser revelado na história (confesso que não percebi).

Quando pensamos que não tinha como melhorar, Gaiman encerra o livro da maneira mais brilhante possível. Shadow finalmente consegue desvendar, de maneira surpreendente, o mistério introduzido no início da história. Ao finalmente encontrar o corpo de Alison McGovern, a trama segue por um caminho que eu não esperava, e revela o lado de um personagem, praticamente “esquecido”.

Por fim, nas três páginas finais, Shadow se encontra na Islândia. O rapaz está em um restaurante, quando é surpreendido por ninguém menos do que Odin. Não, não o Wednesday de antes, mas o verdadeiro Deus Nórdico. Quando acusado por Shadow, por ser o suposto vilão, o Deus responde

“Ele era eu, mas eu não sou ele”

Wednesday era Odin, mas a versão levada a América pela fé dos imigrantes, não o mesmo que vivia nos países Nórdicos e não o mesmo Odin levado a outros países pela fé de outros imigrantes.

A história se encaixa e se desenvolve de maneira tão sensacional que será levada as telas da televisão em 2017. Com um elenco de peso, composto por Ricky Whittle (da série The 100), como Shadow Moon; Ian McShane (de Piratas do Caribe e Game of Thrones), como Wednesday, Gillian Anderson (de Arquivo X), como Media, Emily Browning (de Desventuras em Série), como Laura Moon, Pablo Screiber (de Orange is The New Black), como Mad Sweeney, Crispin Glover (de De Volta Para o Futuro), como Sr World, e Jonathan Tucker (de O Massacre da Serra Elétrica), como Low-Key Liesmith.   

Ler é Bom, Vai | Com paciência, Toda Luz Que Não Podemos Ver é um ótimo livro

Depois de duas semanas de pausa devido a CCXP2016 e outros compromissos, o “Ler é Bom, Vai!” está de volta.

Desta vez escolho um livro, que após a sua leitura, ao mesmo tempo me surpreendeu e me decepcionou. Felizmente, os pontos positivos superam os negativos e se tornou uma excelente leitura. Antes de mais nada, gostaria de dizer que não é ‘mais um livro voltado para a Segunda Guerra Mundial”. Sim, o assunto é abordado em toda a narrativa, mas durante seus 10 anos escrevendo o livro, o autor usou as palavras certas para descrever seus personagens, trama e desfecho. .

” Abram os olhos e vejam tudo o que conseguirem ver antes que se fechem para sempre. “

Toda Luz que Não Podemos Ver chama à atenção logo por seu título enigmático, convidativo e poético, instigando o leitor a descobrir mais do que ele oferece. Mesmo vindo de um autor até então desconhecido,  Anthony Doerr, a obra foi a grande vencedora da edição 2015 do Pulitzer, “premiação norte-americana outorgada a pessoas que realizem trabalhos de excelência na área do jornalismo, literatura e composição musical”. Concorrendo com mais de 2500 livros, a trama de Doerr foi a vencedora. Já vale a leitura, não ?

Os protagonistas da história são Marie Laure, uma garotinha cega de dezesseis anos que vive em Saint-Malo, na França, no final da Segunda Guerra Mundial;  e Werner, um jovem recruta alemão de dezoito anos, que vive com sua irmã mais nova, Jutta, em um orfanato em Essen, na Alemanha. A trama oscila entre a vida dos dois e somos levados a diversos momentos diferentes, mas que sugerem um possível encontro em suas trajetórias.

Enquanto Marie vive com seu pai, desbravando cada centímetro da maquete feita por ele, retratando as ruas de sua cidade; Werner obstina-se em concertar um rádio velho, para conseguir oferecer a irmã e outras crianças, um pouco de entretenimento em tempos difíceis.

“Transmissões de Paris. Eles diziam o oposto de tudo o que a Deustschlandsender diz. Diziam que somos demônios. Que estamos cometendo atrocidades. Sabe o que significa a palavra, atrocidades? “

O único ponto negativo, para mim, é a grande extensão das histórias. Em um certo momento da leitura, ficamos cansados com a ausência de acontecimentos relevantes. Doerr percorre longos caminhos para chegar onde deseja, o que em grande número, pode levar muitos a acharem o livro chato. Quando as palavras começam a engrenar e fazer sentido, tudo ganha vida. Tenham paciência, somos recompensados no final.

A pureza e inocência presente nas palavras de Marie Laure e no comportamento de Werner, encantam até mesmo a mais fria das pessoas. A medida que a guerra avança e o menino é obrigado a servir aos nazistas, ele é requisitado na França para desativar qualquer meio de comunicação do inimigo. Como você ja deve ter adivinhado, Werner acaba indo parar em Saint-Malo, quando capta o pedido de Marie.

Não pensem porém, que só de doçura é feito o livro, afinal estamos no meio de uma guerra, onde milhões foram mortos. Doerr conseguiu mesclar de maneira brilhante, a extrema crueldade do ser humano e a ingenuidade de uma criança, conflito presente durante todo o tempo do conflito. Esse paradoxo está presente, principalmente, nas vidas opostas e conturbadas dos protagonistas: enquanto Marie-Laure luta para conseguir sobreviver ao exército alemão, Werner faz parte dele.

“– Seu problema, Werner – diz Frederick –, é que você ainda acredita que sua vida lhe pertence. ” 

” “- Quando perdi a visão, (…) as pessoas disseram que eu era corajosa. Quando meu pai foi embora, as pessoas disseram que eu era corajosa. Mas não era coragem; eu não tinha escolha. Acordo todos os dias e vivo a minha vida. Você não faz a mesma coisa?” 

Toda Luz que Não Podemos Ver é o típico livro que poderia gerar um dos melhores filmes do ano, mas confesso que depois de “A Menina que Roubava Livros”, tenho medo do que pode vir. Super recomendo a leitura, pois está entre os livros mais bonitos que já li. Os capítulos são curtos, apesar das mais de 500 páginas (é, é grande assim mesmo), e mesmo que a passos lentos, o final provavelmente irá te fazer chorar. Não é mais um livro sobre a “Segunda Guerra” e todos os clichês já conhecidos, mas um livro sobre inocência, crueldade, amor e principalmente coragem.

Ler é Bom, Vai | Se J.K. Rowling escreveu, por que não ler? Conheçam os livros complementares a Harry Potter

Aproveitando a semana Harry Potter, com a estreia do filme Animais Fantásticos e Onde Habitam, resolvi falar um pouco mais sobre esse imenso universo desenvolvido por J.K. Rowling. Não, não irei falar sobre os 7 livros em si, mas sobre outros 3 que também foram escritos pela autora e ignorados por muitas pessoas. Sabiam que toda a renda obtida pela venda dos 3 livros foi revertida para a Comic Relief, uma instituição inglesa que promove a justiça social e luta para combater a pobreza ?

Os três livros em questão são livros didáticos usados em Hogwarts, então é sua chance de se sentir um aluno dessa escola dos sonhos.

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Já leram nossa crítica sobre Animais Fantásticos e Onde Habitam ?

Primeiramente, vou falar do livro homônimo ao filme que estreou no último dia 17. Escrito por ninguém menos que Newt Scamander, Animais Fantásticos e Onde Habitam foi publicado, teoricamente, em 1927, um ano após os acontecimentos narrados no filme.

O livro é uma espécie de catálogo feito por Newt, a respeito de todas as criaturas já encontradas por ele (não são todas as que aparecem em todos os filmes de Harry Potter! ) durante suas expedições ao redor do mundo, salvo raras exceções. Assim como Quadribol Através dos Séculos, encontramos anotações feitas por Harry e seus amigos durante o momento que leram em Hogwarts, ou seja, você vai se sentir um aluno ao folhear as páginas.

J.K. Rowling mais uma vez nos surpreende e faz descrições curtas, porém detalhadas, a respeito de cada criatura encontrada, assim como os criativos nomes atribuídos a cada uma. Quem já viu o filme, irá encontrar mais informações a respeito do Pelúcio, do Occamy e até mesmo dos Diabretes de “A Câmara Secreta”. Além das criaturas, o livro descreve regras e informações sobre as mesmas e o mundo trouxa, como o fato de que elas existem, mas são escondidas dos olhos de quem não é bruxo.

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Durante “Relíquias da Morte – Parte 1“, ficamos sabendo sobre o testamento de Alvo Dumbledore, e o que ele deixou a Rony, Harry e Hermione. Conhecendo bem a menina, Dumbledore a deixou um livro : Os Contos de Beedle, o Bardo, e é lá que se encontra a famosa  história dos 3 irmãos e as relíquias. Composto por 5 fábulas do mundo bruxo, mas que podem ser lidas por trouxas (caso você não entenda algum vocabulário, a autora fez questão de escrever notas de esclarecimento).

As 5 histórias são ligadas ao uso e mau uso da magia, contando principalmente como ela pode prejudicar e ajudar no dia a dia de um bruxo. Além de  “O conto dos três irmãos”, conhecemos “A Fonte da Sorte”, narrando a história das três bruxas Asha, Altheda e Amata; “O bruxo e o caldeirão saltitante”, sobre um bondoso bruxo, que usava sua magia para auxiliar vizinhos e viajantes que batiam à sua porta em busca de soluções para seus problemas; “O coração peludo do mago”,  que conta a história de um velho bruxo incapaz de amar e uma donzela típica dos contos de fada; e finalmente “Babbity, a coelha, e seu toco gargalhante

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Em Quadribol Através dos Séculos, podemos conhecer um pouco mais sobre esse esporte super apaixonante, e que tenho certeza que você já quis jogar. Quem nunca colocou uma vassoura entre as pernas e saiu correndo por aí quando era criança  (só criança? )? Pelo tamanho, parece sem importância, mas pode ser mais legal do que você imagina e realmente parece ter sido tirado de Hogwarts.

Contado por um estudioso do esporte, o livro relata o começo do Quadribol, desde seu primeiro jogo registrado, passando pelas transformações que o levaram ao que conhecemos hoje em dia (as vassouras, por exemplo, são descritas com detalhes e explica-se o porque de seu uso). Além disso, aprendemos sobre diversas curiosidades, até então desconhecidas, além das principais seleções e times do mundo bruxo.

As regras, as posições, o campo e as bolas não podiam ficar de fora, então se prepare para virar um especialista em quadribol.  Ainda precisa de um motivo pra ler o livro ? O prefácio foi escrito por Alvo Dumbledore. Agora está bom ?

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Ler é Bom, Vai | Quando não tratado como uma continuação, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é um bom livro

HARRY POTTER E A CRIANÇA AMALDIÇOADA NÃO DEVE SER TRATADO COMO UMA CONTINUAÇÃO DOS 7 LIVROS ANTERIORES. É UMA OITAVA HISTÓRIA ? SIM, MAS NÃO UMA CONTINUAÇÃO DAS 7 QUE O PRECEDEM. 

Dito isso, posso começar a escrever.

Anunciado pela própria autora, o livro vem sido vendido e tratado como uma continuação e/ou um ‘oitavo Harry Potter’. Quando lido com essa mentalidade, a nova trama se torna contraditória, boba, fraca, absurda e até mesmo ruim, na opinião de muitos. Para quem não sabe, ele não foi nem mesmo escrito por J.K. Rowling, mas por Jack Thorne e John Tiffany. Os dois são os responsáveis pela peça de mesmo título, que está em cartaz em Londres, cujo roteiro foi adaptado e transformado no livro que estou falando sobre.

ALERTA DE SPOILERS ALERTA DE SPOILERS ALERTA DE SPOILERS 

A história introduz personagens conhecidos, mas não explorados nas tramas anteriores, como os filhos de Harry, Gina, Rony, Hermione e Draco. Os dois protagonistas, além dos já citados acima, são Escórpio Malfoy e Alvo Severo Potter, duas crianças nascidas de pais “inimigos”, mas que desenvolvem uma bela amizade no decorrer do livro.

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Diferente de tudo aquilo que era esperado do filho de Harry Potter, Alvo se acha o patinho feio da família, o que só é acentuado com sua escolha para Sonserina. Escórpio obviamente também é escolhido para trajar o verde e prata, e a amizade dos dois só cresce, o que levou muitos fãs a apoiarem o suposto casal. Durante diversos momentos, Thorne realmente dá a entender que uma paixão está se desenvolvendo, o que pode ter saído como um tiro no pé no final.

” Por mais agradável que seja a ideia de me esconder num buraco com você pelos próximos quarenta anos…eles vão nos encontrar “ (Alvo)
” Ainda assim, se eu tivesse de escolher uma companhia para a volta ás trevas eternas, seria você “ (Escórpio)

Os dois meninos viajam no tempo, tentando corrigir possíveis erros do passado, mas só pioram tudo. Enquanto isso, os adultos tentam vencer as próprias desavenças em prol de seus filhos, o que obviamente leva tempo. A ideia de introduzir o vira-tempo, possibilitou aos autores reviver antigos personagens, ja falecidos, como Severo Snape, (#RIPAlan) Alvo Dumbledore e Cedrico Diggory, e os torna parte da história novamente. Confesso que quase chorei lendo o nome Snape nas páginas.

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O grande vilão do filme só é desvendado mais para o final, e claro, Lord Voldemort está por trás disso. Confesso que a opção de Thorne para o ‘inimigo’ da vez não me agradou, pois chega a beirar o absurdo e contradiz tudo que conhecemos até hoje sobre o lorde das trevas. Deixando isso de lado , o livro se encaminha para o final, e mais uma vez me decepcionei. Tivemos o clássico ‘happy ending’, e as maneiras para chegar a ele se assemelham a contos de fadas, onde tudo da certo no final.

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Estamos falando de uma trama, onde personagens importantes e queridos morreram, e os fãs tiveram de superar suas perdas. É um público já acostumado a lidar com isso, então não era necessário apelar para acontecimentos que justificassem um final feliz.

Quando se descarta o final, a procedência do vilão e algumas incoerências (que talvez Rowling não cometesse), temos um livro bom. Está longe de ser o melhor de todos os tempos, ou o melhor do universo Harry Potter; mas também está muito distante de ser ruim. Uma vez que é a adaptação do roteiro de uma peça, as páginas descrevem basicamente diálogos, então a leitura é prática e rápida. Não, não são palavras de J.K., mas é uma nova história de um universo tão amplo, e que tanto desejávamos.

Agradeço a Jack Thorne e John Tiffany pela oportunidade, de mais uma vez, ler nomes como Harry Potter e Severo Snape em uma página. Discordo do título atribuído, pois é inevitável não relacionar as obras anteriores que possuem nomes extremamente similares. Harry Potter e a Criança Amaldiçoada deve ser caracterizado como spin-off, fanfic ou história paralela a franquia do mundo mágico, pois é exatamente isso que é, não uma continuação.

Ler é Bom, Vai | Aracnofóbicos devem ficar longe das páginas de A Colônia

Em muitas resenhas, críticas ou simplesmente, páginas que falam sobre livros, consegue-se um breve resumo daquilo que cada um tem a oferecer. Em A Colônia, de Ezekiel Boone e da editora Suma das Letras, falar um pouco do que cada página contém pode estragar o grande atrativo do mesmo. Há quem diga que esse é um livro de terror, besteira na minha opinião. A menos que você sofra de Aracnofobia.

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Peguei essa frase do livro, pelo fato de pensar igual a Melanie. Nunca tive medo de aranhas, mas enquanto lia A Colônia me peguei olhando em volta a cada 5 minutos. Antes de começar a ler, fique sabendo que essa é a primeira parte de uma trilogia, caso contrário pode vir a odiar o final (como eu odiei, pois não sabia), ou melhor, uma tentativa de ter um.

Apesar do péssimo “”””””fim””””””,  consegui me surpreender bastante. O livro demora a ficar bom, talvez um pouco mais do que o necessário, mas quem se atém a continuar ganha um belo exemplo de boa escrita. Diferente do que estamos acostumados em filmes com aranhas, Boone consegue encaixar os animais na história, de maneira que as torne protagonistas. Sim, as principais personagens são a-r-a-n-h-a-s; e sim, a trama é muito boa! Desde o começo temos noção do que e o que está acontecendo, e ver o desenrolar da história é agoniante e pavoroso ao mesmo tempo.

“Talvez, se tivesse olhado com mais atenção, tivesse visto os ossos soterrados pelas aranhas, os corpos completamente descarnados. Talvez tivesse se dado conta de que havia um motivo para ele não ter visto o supervisor desde que os dois cientistas apareceram. E, talvez, se tivesse descido sozinho, se não tivesse tanto falatório, ele tivesse escutado o barulho às suas costas, lá no túnel. Um farfalhar. O som de algo se rompendo. Se ele tivesse escutado, teria percebido que as aranhas não estavam todas mortas. Talvez ele aí tivesse gritado para os homens enfiarem a porta de volta no lugar e segurarem com força.Talvez. Mas não escutou.”

Em cada capítulo, uma história diferente. Os ‘figurantes’ da trama são apresentados em blocos separados no livro, um conto por vez, mas que irá retornar páginas depois. Entendeu ? É basicamente um grupo de pessoas, convivendo com o que está acontecendo com os aracnídeos, que podem vir a se encontrar em um futuro próximo, ou no livro seguinte. Não se preocupem, tudo faz sentido!

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A invasão acontece em todo o mundo, nas principais cidades, dos países mais populosos. Já podem imaginar o pandemônio que se desenvolve disso ? Esse é o grande lance do livro, a agonia, o pavor, a ansiedade e até mesmo a esperança do que pode vir. É algo diferente do que estamos acostumados a ver como ameaça. Tente matar uma colônia inteira de aranhas assassinas. Não é lá tão fácil .

O ponto negativo do livro, é algo realmente ruim. Em lugar nenhum está escrito que o livro é parte de uma trilogia, então , a menos que você esteja lendo esse texto e/ou procure na internet, você vai detestar o final e achar pior que o final de Dexter. Depois de quase 280 páginas, Boone terminou a história em basicamente duas . Não sei o porque de ele ter corrido, acelerado e até jogado a conclusão de maneira tão abrupta. Simplesmente viramos a página, e acabou.

Não pensem que  o desfecho é inferior a todo o resto, porque não é. Esperei que tudo convergisse em duas possíveis vertentes, o lado bom ou o lado ruim. Convergiu para o meio, para um final alternativo e surpreendente. O mesmo poderia, porém, ter sido melhor trabalhado e explorado em mais capítulos, ao invés de inserido em um parágrafo simples. Boone está de parabéns pelo livro, mas precisa melhorar suas conclusões. Uma pena.