Dia #7 | O que é literatura, afinal?

O que é literatura, afinal?

Essa questão está muito além do que sou capaz de responder e, provavelmente, além do que a maioria dos intelectuais no ramo irão responder. Se você já assistiu “Sociedade dos Poetas Mortos”, percebeu que literatura é tudo e nada ao mesmo tempo. É a construção das palavras e dos sentimentos sobre essa sociedade (aí está a mágica da coisa) em que vivemos e sobre tudo o que lutamos para ser.

Na coluna passada, decidi que era hora de falar mais sobre a literatura. Sobre mim e sobre minha carreira, fugindo da parte técnica, afinal, este é meu diário. Então vou tentar responder este dilema.

Literatura, em minha mais modesta opinião, caro leitor atrevido, é o meio termo de todas as artes. A música, uma das artes mais utilizadas hoje em dia, fala na cara. Às vezes com letras políticas e outras vezes com letras românticas, usa de seus artifícios poéticos para descrever o que sentimos e nos dizer que é exatamente assim. Porém, a literatura é muito mais complexa e assustadora.

Literatura necessita compreensão, especialmente por parte de quem conta.

Quantas são as vezes em que Jack Kerouac, um dos autores que mais gosto, não se compreendeu? Ou Victor Hugo tentou declarar a infâmia de sua sociedade narrando seus podres (o realismo, dentro do padrão fútil das escolas literárias, é um dos que mais me apetece). Não creio jamais que literatura possa ser classificada em padrões e gêneros. Existe uma complexidade que não permite isso e jamais pode ser vulgarmente chamada de “simbolismo” como fazem aqueles que se acham profundos conhecedores da arte. Não se julga arte e muito menos se classifica.

Essa é a beleza.

Arte consegue andar sozinha, evoluindo aos poucos e sendo simplesmente o que é. E literatura, para mim, é isto. É uma explosão de palavras, ações e pensamentos ideológicos de seus autores. Não escrevemos porque queremos escrever ou passar uma mensagem para alguém. Já diria Asimov – um dos pais da ficção científica – “um escritor que não escreve está morto”. Talvez não seja bem assim, mas é por aí. Nossa necessidade de escrever vem de dentro, da própria arte. Analisamos o mundo com olhos curiosos, percebemos o farfalhar das folhas e então é isto. Precisamos contar isso. Declarar aos outros como enxergamos, sem sermos classificados como “realistas” ou “românticos”. Literatura é tudo e é nada. Está dentro do mundo, em nossos olhos, nossas almas e nossos corações. Você não precisa ser um escritor, um mestre e um grande intelectual para ser um literário.

Faça dois versos sobre a vida e a complexidade humana e estará fazendo literatura.

 

E aí, já está curtindo minha página? Curte lá e saiba mais das minhas peripécias.

Dia #6 | Enfrentando a “burrocracia”

Olá. Mais uma semana, mais uma coluna minha aqui no Poltrona Nerd. Espero que você, leitor, esteja feliz. Afinal, é um belo dia de domingo (ao menos aqui nessas bandas) e se você não está lendo em um domingo, espero que seja um belo dia. Enfim, na semana passada falei um pouco sobre a revisão, etc. Hoje prometi falar sobre a área burocrática do negócio. Tenho também falado muito sobre a parte técnica e não me concentrado realmente no cerne da literatura. Aquilo que faz um escritor se movimentar. O combustível de todos os poetas.

Amor.

Mentira. O combustível é vontade, mas isso é história para outra hora, assim como aquela coisa toda de Totte (ainda vou falar mais sobre isso um dia). O negócio é o seguinte: essa coluna será a última sobre isso. No futuro, pretendo me focar no meu dia a dia e as coisas que tem acontecido na minha carreira. Espero que aconteçam na sua e desejo tanto sucesso quanto eu tenho tido em apenas 3 anos de escrita. Agora, vamos começar?

Muita gente acredita que escrever é só isso. Você escreve e publica. Então você recebe as congratulações e 5 reais de direitos autorais. Não é bem assim. É um processo muito delicado e difícil, como você já deve estar ciente a essas alturas. Você escreve, revisa e revisa, manda para alguém e então chega na famosa burrocracia (sim, com dois r): registrar. O registro da Biblioteca Nacional serve para que ninguém roube sua obra intelectual. Por exemplo, você escreveu e quer passar para alguém, ou vai enviar para uma editora sem ter antes o registro. De repente, publicam fora do seu nome. Isso é roubo. E, sem o registro, você não pode provar perante a lei que a obra lhe pertence.

No inicio da minha carreira apanhei para esse sistema. No meu primeiro livro, não fazia ideia dessa história toda de registro. Quando encontrei uma editora e eles me pediram uma cópia da Averbação foi que descobri. Corri e pedi ajuda ao Tio Google. Encontrei bons tutorais sobre como registrar. Não é difícil e vou ensinar rapidinho aqui como é.

Você precisa acessar o site da Biblioteca Nacional (clica aqui e já vai te jogar lá), preencher o formulário e pagar o GRU (Guia de Recolhimento da União) no Banco do Brasil. Para preencher o formulário, precisa de alguns requisitos básicos. Você precisa de uma residência, óbvio. E se for menor de 18 anos alguém precisa assinar junto com você. Com esse formulário preenchido, você precisa enviá-lo junto com livro impresso. Recomendo imprimir o livro em A4, vice-versa com fonte Arial 12. Rubrique todas as páginas e coloque no envelope junto com o formulário. Neste envelope coloque uma cópia da sua identidade (pode ser CNH), cópia do CPF e cópia do comprovante de residência (eles aceitam qualquer comprovante, mas dê preferência a contas de banco, água, luz, enfim). Caso seja menor de idade, ponha cópia do RG e CPF de seu tutor legal. Feito toda essa burocracia, envie tudo junto para o endereço da Biblioteca Nacional (vou disponibilizar lá no fim).

Lembrete: não ESQUEÇA de colocar o comprovante de pagamento do GRU no envelope.

Depois disso, espere três meses e receberá o certificado prontinho na sua casa, quentinho para ser usado. Nunca envie o original para uma editora. Tire cópias, quantas precisar. Outra dica: quando terminar a sua própria revisão do livro, já envie para o registro. Não tem problema nenhum. É uma ideia melhor do que passar para qualquer revisor.

Acabado tudo isso, você está apto para publicar e acabamos a parte técnica da coisa. Daqui para frente, ensinarei o que puder. Farei desta coluna realmente o meu diário e contarei algumas coisas engraçados que foram acontecendo comigo. Erros que cometi. Se você tiver qualquer duvida sobre tudo ou precisar de ajuda, não hesite em mandar uma mensagem na minha página ou para o email [email protected].

Lembre-se do endereço da BN:

  • Palácio Gustavo Capanema
  • Rua da Imprensa 16 – Centro – 12º andar, sala 1205
  • Cep 20030-120
  • Rio de Janeiro – RJ

 

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Dia #5 | Concluindo a revisão do seu livrinho

Olá, senhoras e senhores de todas as idades, vocês já me conhecem. Ou não. Caso não conheçam, sou escritor, tenho três livros publicados, dezoito anos e sou redator aqui do Poltrona Nerd. E combato o crime (mentira, viu). Se por acaso chegou nesta coluna por curiosidade sobre a carreira de escritor e gosto pela literatura, está no lugar certo.

Na semana passada terminei falando sobre a revisão.

Odeio essa parte do trabalho. Primeiramente, quando se escreve, já temos toda a trama desenrolando em nossa mente. Sabemos os sentimentos de cada personagem e o que vai acontecer. Terminamos a trama. Voltamos para ler e ver se não faltou nada. É necessário amarrar as pontas soltas, remover cenas e adicionar outras. Então aí o bicho pega: você precisa ler a segunda vez. A segunda vez é bem tortuosa. Você já sabe tudo. Caso seja uma pessoa meio ansiosa, querendo partir para outro projeto, vai perder a graça. Mas você precisa. Existem coisas que ainda vai deixar passar na primeira revisão. Erros bobos na trama, letras faltando, umas coisas bem nada a ver mesmo. Dica: não se preocupe com a gramática, pois isso vem a seguir.

Depois, o bicho pega de novo.

Agora você tem o livro prontinho, fumegante, gritando para ser publicado. Mas ainda não pode. Revisou uma vez. Tudo certinho, a história está amarrada e os personagens estão vivendo de boas. Ótimo. Ainda não pode publicar (e, de preferência, não mostrar para ninguém que não seja de sua inteira confiança, como sua mãe, sua esposa/marido/cônjuge/senhora/enamorada/noiva/boneca inflável/whatever e seu cachorro). Você precisa fazer uma segunda revisão, parecido com uma segunda mão de tinta em uma parede. A segunda revisão serve para pegar os errinhos perdidos no “ar”. Você encontrará uns erros bem bobos que causam grande impacto na leitura. Ainda não se preocupe com a gramática.

Agora sim o bicho pega. Tipo, outra vez.

Você precisa que outra pessoa revise a obra. Alguém especializado. Vamos falar sobre revisores. Na coluna anterior, já deixei claro que não gosto de trabalhar em grupo, principalmente em algo como um livro. É meu filho. Fiz sozinho. Contudo, o revisor se faz necessário. É essa pessoa que vai corrigir a gramática e outros erros banais que você deixou soltos na trama, além de ser capaz de perceber algum diálogo mal feito ou um furo dos grandes na sua trama. Porém, é difícil achar um bom revisor. Por ser um lobo solitário, recomendo expressamente que você procure alguém em quem confie plenamente.

Por que essa recomendação? Porque atualmente trabalho com alguém assim. É necessário você poder largar seu trabalho na mão dessa pessoa e não se preocupar com o resultado final. Dica suprema: não procure pseudo-escritores ou pessoas que se acham poéticas. Não é preconceito, mas esse tipo de pessoas pode querer colocar a “mão” no trabalho e mudar o que não deve ser alterado. Então, no final, você vai ler o resultado e percebe que várias coisas foram alteradas, desde palavras até referências escondidas feitas por você. Ou coisa na própria história. Não! Procure alguém para revisar sua gramática e ponto final. Alguém confiável. E esteja junto do trabalho, para dar incentivo e saber que você se importa. No final das contas, tudo vai dar certo.

Lembrando: assim que finalizar suas próprias revisões, registre sua obra antes de passa-la para um revisor profissional. Vamos falar de registros no dia #6. Good luck, kids!

 

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Diário de um Escritor #4 | Terminando seu livrinho

Ainda estamos nos passos iniciais e há muito potencial para ser explorado, especialmente sendo que esta é apenas a quarta coluna do Diário de um Escritor. Espero ter, sinceramente, muita coisa para ensinar. Enfim, aqueles que tem acompanhado minha jornada e minhas palavras pouco sabem sobre mim. Dei-me por conta disto no último final de semana enquanto autografava meu novo livro na Feira do Livro de Pelotas, aqui no RS. Fiz algumas poucas apresentações, mas nada demais. Então hoje vou ser um pouco egoísta e dedicar a mim. No entanto, tudo tem sua causa boa.

Como alguns já devem saber, comecei esta jornada quando tinha meus catorze anos e publiquei a primeira vez com quinze. De fato, parece um longo tempo, mas faz apenas três anos. Desde então persegui a carreira literária e já publiquei três romances, enquanto tenho sexto em lento andamento. Me aborrece que o universo conspira contra a história e não sinto o momento certo para escrever, apesar de possuir a urgência. Já estive em algumas mídias por aí, conversei com algumas pessoas, dei algumas palestras, mas nada demais. Não sou famoso, mas se puder curtir minha página, agradeço. Meu último lançamento literário foi Ídolo Quebrado. É um romance sobre um escritor cuja vida está praticamente perdida, sem fé, emoção nem nada. Até conhecer Morgan. O cara simplesmente sabe tudo sobre nosso protagonista e decide virar a vida dele de cabeça para baixo, apresentando-lhe pessoas que irão mudar sua perspectiva da vida – e de tudo. E adivinhem? Hoje começa a rolar sorteio do livro lá na minha página. Então, novamente curte lá.

Deixando-me um pouco de lado, na semana passada falamos sobre dominar totalmente a sua ideia. Sim. É uma questão difícil. Ideias parecem cavalos arredios que não querem ser dominadas. Roubando o toque genial de Christopher Nolan em A Origem, uma ideia pode, definitivamente, destruí-lo. E até reconstruí-lo. Você pode ganhar um propósito com isso. E caso tenha seguido minhas dicas (não precisa ser à risca não, relaxa) já deve estar com a cabeça fervilhando. Se você tem algumas páginas de seu romance, genial. Já sabe o que fazer depois?

Saiba que não é errado ficar preocupado.

A maioria das pessoas fica preocupada. Tanta preocupação que desiste na metade do caminho. Sim, tenho noção sobre a trilha ser difícil. Como já mencionei algumas vezes, depois da ideia, é necessário muita persistência. Você precisa de um tempinho livre para se dedicar à literatura. Quando a urgência bater e as palavras forem surgindo, então tudo toma forma e começa a ser bem mais fácil.

Lembre-se de não gastar oito anos da sua vida escrevendo um livro, por favor.

Depois que o livro estiver prontinho, saído do forno, é necessário entrar em uma área bem chata. Trabalhar em conjunto. Pessoalmente, não sou bom trabalhando em grupo. Gosto de fazer as coisas de modo mais dinâmico e bem rápido. Não espero por ninguém e, se tiver de esperar, fico profundamente frustrado. No entanto, a parte da revisão é assim mesmo. Você vai precisar revisar o livro por si mesmo, lógico. Veja se a história está bem amarrada (lembre-se: seus leitores não vão perdoar furos e irão comê-lo vivo por isso), descubra se não falta nada ou se uma cena realmente encaixa. Retire tudo o que precisa, adicione o necessário, refaça algumas palavras, corrija outras e chegou a hora de trabalhar em conjunto.

Você precisa de um revisor.

 

Na próxima coluna vou falar mais sobre a dinâmica de um revisor, onde habitam e do que se alimentam. Enquanto isso, está rolando um sorteio do meu livro querido ídolo Quebrado (e minhas anotações originais do romance) lá na minha página até o dia 7 de dezembro. Basta compartilhar a imagem da promoção, participar no aplicativo e curtir a minha página!

Dia #3 | Tomando as rédeas da sua ideia

Recentemente tenho feito as mais diferentes descobertas sobre minha segunda escolha de carreira. Sim, segunda escolha. Como falei antes, escrever livros no Brasil não deixa ninguém rico (só se você vender vinte mil exemplares) e é necessário ter uma segunda carreira. Entre o círculo de amigos escritores que conheço existem variadas profissões, como advocacia, vendedor de livros, professor e o mais comum, jornalista. Faço parte deste último grupo e é por isso que estou escrevendo esta coluna.

Enfim, na última semana falei sobre o fato de ter uma ideia.

É muito importante. Você já teve? Se já teve, é hora de começar a fazer literatura. Independente do que você escreva e do que as pessoas lhe digam (sim, meu amigo(a), elas vão dizer) você está fazendo literatura. Crepúsculo é literatura? É sim! Literatura está englobada nas letras, não importando o quão ruim seja minha obra ou a do próximo. Crepúsculo fez alguém começar a ter gosto pela leitura e, então, partir para algo melhor. Ou não. Por isso, mantenha sua mente aberta para todas as ideias que possam aparecer. Digamos que você tem a ideia. Sente e escreva. Essa é a dica suprema.

Como eu faço isso?

Se você tiver o dom de manusear as palavras e conseguir fluir as coisas, vai ser bem simples. Como já citei no Dia #1, você precisa de um espaço próprio. Conheço algumas pessoas que conseguem escrever até na calçada, mas não é o meu caso. Gosto de ter um espaço só para mim cujo único barulho é o da rua. Me incentiva saber que estou escrevendo sobre a urbanização quando ela está logo ali. No entanto, travo se há alguém por perto ou estou na sala. Não funciona deste jeito. Caso você seja como eu, vai precisar definir também um horário. Sou um cara da manhã, momento em que tudo funciona melhor, mas recentemente tenho me privado da manhã em função de estudos e é frustrante. A maioria dos escritores (estou falando de quase todos) são corujas. Para os escritores clássicos como Scott Fitzgerald, por exemplo, a noite era sua amiga e trabalhavam à base de cafeína e uísque. Brincadeira. Apenas uísque mesmo.

Sendo assim, com um espaço e seu horário definidos, mãos à obra. Dê o seu melhor e não se esforce demais. Saiba que você não irá terminar o livro em uma semana (de modo intrigante, Anne Rice escreveu Entrevista com o Vampiro neste tempo). Existem outras tarefas cotidianas e obrigações no lar que você precisa cumprir. Caso more sozinho, terá mais tempo para si mesmo, do contrário, precisa dedicar tempo ao seu papagaio, gato, cachorro, mãe, esposa/namorada e filhos. Ou às vezes você simplesmente sente preguiça e vai ver um filme.

Nota importantíssima: não deixe a preguiça derrota-lo. Uma vez derrotado, sempre derrotado.

Mas não vá muito longe. Escreva duas horas por dia, pois isso já irá lhe dar algumas boas páginas e um avanço significativo na trama. Se você escrever todos os dias (preciso escrever todos os dias, pois sou ansioso e gosto de me livrar das ideias para chamar a próxima na fila) vai terminar seu livro em questão de meses dependendo da quantidade de páginas. Ainda neste tópico de não se apressar, escrevendo o suficiente, lembre-se de não ligar para as páginas. Não conte os números, as letras e parágrafos. Não tente competir com você e com autores clássicos cujos ossos já se desintegraram. Os autores antigos faziam manuscritos de 1000 páginas porque ganhavam dinheiro por palavra. Você não. Quando sua ideia virar história e a história estiver finalizada é porque acabou.

Deixe a ideia guia-lo.

Obs: Ei, não esqueça de curtir minha página no Facebook (logo tem sorteio de livro)!

Dia #2 | Combinando ideia, alma e falta de perfeição

Novamente, se você clicou nesta coluna é porque quer saber mais sobre minha vida, minhas peripécias, acertos e erros na carreira de escritor (e não esqueça de curtir minha página!). Não vou mentir, existem erros, mas os acertos é o que faz tudo valer a pena. Primeiramente, a questão que vou tratar neste segundo dia do diário é falar sobre alma. Para escrever, a mente precisa estar à mil, favorecendo as ideias que você quer colocar no papel. Não pode haver engano quanto a isso ou quando terminar o que estiver fazendo não vai gostar do resultado. Se for muito perfeccionista, vai tentar consertar e nem sempre isso é bom. Mas e quando é bom?

Gabriel Garcia Márquez escreveu e reescreveu Cem Anos de Solidão, seu livro mais famoso e responsável por seu Nobel de Literatura. Ele não achava que Macondo – a tristonha cidade onde se passa a história dos Aurelianos – estivesse perfeita. Ainda faltava um tempero especial. Faltava dar personalidade para a cidade e aos personagens que tornaram a obra como ela é. Mas Garcia é esse tipo de escritor. Mergulha na fantasia e cria coisas místicas. Nem todos nós somos iguais e temos estilos diferentes. Provavelmente Stephen King nunca trabalhou em uma única obra mais do que o número de vezes necessário, ou não teria um currículo tão extenso. Trabalhar em um único projeto também não é o que faço. Considero-me pai por falta de escolha. Minhas obras são meus filhos e nunca serão perfeitos. Iremos falar sobre o assunto de criação e revisão quando for o momento certo. A ideia desta coluna e das próximas é chegar ao momento da escrita.

Para isso, mente e alma precisam de sincronia.

Se você estiver com muitos problemas, poderá fazer duas coisas: abandonar ou usar como combustível. Vai depender de qual tipo de escritor você é. Abandonar é simples. Às vezes, é necessário um ambiente diferente para sentar e escrever. Especialmente se sua obra for algo próximo do gênero da comédia, com um romance e nada que o aborreça. Caso contrário e esteja escrevendo literatura engajada, os problemas e as opiniões serão o fogo que o alimenta. Particularmente, comecei minha jornada por causa deste fogo. Fugindo um pouco do assunto, vou dizer que as pessoas são más. Crianças e adolescentes não tem direito a opinião. Por isso comecei a escrever. Minhas opiniões poderiam ir para o papel e serem lidas. Não se pode discutir com personagens fictícios, mesmo que não concorde com eles, correto? Enfim, faça algo com o fogo!

Meu avô – também um aspirante a escritor – escreveu certa vez em um pedaço velho de papel: vai para o espaço, Totte! Irei voltar nessa história toda de Totte algum dia desses aí, mas não sei exatamente quando e nem posso prometer.

Enquanto isso não acontece, é melhor começar os trabalhos. Não posso lhe dar um conselho sobre como ter uma ideia, caso se pergunte sobre isso. A ideia precisa ser sua. Precisa surgir do nada, em uma tarde vazia, conforme você anda pela sua rua favorita escutando o movimento do mundo (se andar bem devagar, pode escutar, sim) e o farfalhar das folhas. É necessário tê-la e então começar. Não se apresse, pois a pressa é inimiga da perfeição que você não vai alcançar. O romantismo foi criado pela falta de perfeição. Tenha seu tempo, anote tudo que puder e então comece. Depois de começar, o melhor conselho que posso fornecer é: não duvide de si mesmo. A duvida sobre seu filho, sua obra – uma pulga atrás da orelha sobre se este livro está bom ou não – é um veneno correndo em suas veias. Apenas faça. Deixe que a correnteza leve suas palavras para longe. Quando estiver pronto, mostre para a pessoa mais próxima de você (geralmente sua esposa ou sua mãe). Então continue. Entretanto, acima de tudo, repito: não duvide de si mesmo e de sua obra.

Se duvidar dela, ela pode duvidar de você.

Gostou da coluna? Continue acompanhando. Ainda tenho mais dicas. E não esqueça de curtir minha página!

Dia #1 | Começando a fazer literatura

Primeiro, as apresentações. Sou colunista, mestre das artes ocultas, gamer, cinéfilo, gosto de lasanha e meu filme favorito é Toy Story. Ah, também sou aspirante a escritor (curta minha página!). Já escrevi cinco obras e publiquei três. Se você, caro leitor do Poltrona Nerd, clicou no link da coluna é porque já considerou entrar no ramo da literatura e tirar o capuz, caindo de cabeça na singular profissão de ser um escritor. Por que é singular? Porque é complicada. Demora, paga pouco – calma lá, você ganha bem se conseguir vender, ao menos, vinte mil exemplares -, geralmente dá dor nas costas, dor de cabeça, olhos inchados, tendinite, insônia e… Já falei da dor de cabeça? Claro. Tem tudo isso e mais um pouco, mas posso dizer com certeza (ainda não cheguei no estado do absolutismo) que é a melhor profissão do mundo. Porque simplesmente é. Monteiro Lobato se referia a escrever como a construção de um castelo, em que o leitor é o hóspede. George Orwell tinha outras visões mais peculiares sobre a vida de um escritor (falamos sobre isso outra hora, pois é profundo e pede momentos existenciais) e Asimov sempre pregou: um escritor que não escreve está morto.

Sobre o que, então, vamos tratar por aqui? Desde que comecei a escrever e fui criando minhas raízes, ganhando popularidade pelas bandas da minha cidade – porque as coisas simplesmente são assim -, muitas pessoas tem procurado minha personalidade em busca de dicas. Como começo? O que eu não posso fazer? O que eu posso fazer? Por que o céu é azul? Por que a noite é tão densa e negra? Por que não há sol por aqui? Enfim, posso apenas responder três destas perguntas. As outras estão fora da minha área de conhecimento. Deste modo, desejo passar o pouco conhecimento e experiência que tenho adiante. Estou há três anos no ramo, escrevo desde os 14 anos de idade e as coisas aconteceram de repente. De um dia para o outro, lá estava eu. Escrevendo sem parar, como um maluco descabelado, com olheiras e então o livro estava pronto. Próximo passo? A publicação. Não é algo fácil, admito. Mas está longe de ser impossível.

Vou fazer desta coluna meu diário. Compartilhar aquilo que posso. Aquilo que penso. E como não fazer as trapalhadas que já cometi. Ninguém é perfeito e não existe receita. Como já mencionei antes, algumas coisas simplesmente são assim. Existem alguns passos básicos que devem ser do conhecimento de todos. Entre eles, é melhor você saber que as coisas não vão acontecer do dia para a noite. Pode parecer desanimador à primeira vista, mas acostuma-se. Nem mesmo J.K Rowling, uma das escritoras mais bem sucedidas nos últimos anos, ganhou notoriedade tão rápido. Se você não sabe, a mãe (aprenda, seus livros serão seus filhos e eles vão lhe dar uma tremenda dor de cabeça, angústia e você vai querer refazê-los várias vezes porque não são perfeitos) de Harry Potter foi recusada em mais de uma editora até emplacar. Paulo Coelho era compositor e Stephen King (ainda vai ser bem mencionado aqui) já havia publicado uns dez livros até fazer sucesso com Carrie, a Estranha.

A primeira lição é importantíssima. É necessário trabalho duro. As coisas demoram. Primeiro você precisa ter a ideia. Geralmente, se escrever for o que você quer e o dom estiver aí, a ideia vai aparecer como um estalo. Bem parecido com os cartoons, quando a lâmpada surge na cabeça. Depois, vai ficar circulando e incomodando, como um mosquito à noite. Você vai pensar. Vai mesmo. Os personagens vão tomar forma. Então chegou a hora de escrever. Faça como desejar. Use o computador, uma máquina de escrever ou à mão. É necessário sentir-se confortável. Você precisa da musa. E ela vai embora bem rápido se não houver conforto ou o ambiente não for favorável. Stephen King escrevia em uma saleta parecida com um porão no inicio da carreira. O espaço é importante, assim como o silêncio e o farfalhar das folhas. Resumindo, escreva. Comece por aí. Saiba, no entanto, que é necessário ler para poder escrever.