Na Prateleira | Timecop – O Guardião do Tempo: A excelente adaptação dos quadrinhos estrelada por Van Damme

Na década de 90 poucas foram as histórias em quadrinhos adaptadas com êxito no cinema. A melhor, embora desconhecida é, Timecop – O Guardião do Tempo (1994), filme inspirado na HQ de Mark Verheiden e desenhada por Phil Hester e Chris Warner, que apareceu na antologia de quadrinhos Dark Horse Comics.

Misturando ação e ficção científica, o longa foi dirigido por Peter Hyams e tem como protagonista o astro belga Jean-Claude Van Damme, que realiza aqui sua melhor performance. Foi nesse filme que o ator demonstra ser mais do que músculos e porradaria, dando personalidade e profundidade em seu personagem.

Na trama, quando a viagem no tempo é aperfeiçoada e pode ser utilizada com segurança, os criminosos se aproveitam dessa tecnologia para cometerem novos delitos. Um novo tipo de policiamento é criado para garantir que a invenção não seja usada de maneira abusiva. O policial Max Walker (Jean-Claude Van Damme), que trabalha nessa divisão, descobre que o político corrupto McComb (Ron Silver) quer usar a viagem no tempo para se tornar presidente. A perseguição começa quando o senador descobre que o policial esta em seu encalço para desmascara-lo.

Van Damme consegue unir sua eficiência nas sequências de ação com uma performance dramática nunca antes vista. Max Walker precisa lidar diariamente com a perda da esposa (Mia Sara), sabendo que pode recupera-la a qualquer momento se viajar no tempo e mudar os fatos que levaram a morte dela. Mas, ele tem consciência que a tecnologia não pode ser usada para benefício próprio. À medida que suas investigações se aprofundam, ele começa a perceber uma teia de episódios interligados em sua vida e na data da morte da esposa.

O sucesso de Timecop foi tamanho que em 1995 ganhou um game para o Super Nintendo. Em 1997, a ABC encomendou uma série de TV, que durou apenas nove episódios. Contudo, a esperada sequência estrelada por Van Damme jamais aconteceu, mas em 2003 um filme para DVD foi lançado intitulado Timecop 2: The Berlin Decision, estrelado por Jason Scott Lee.

Timecop pode ser encontrado em DVD e Blu-ray nas melhores lojas. Um filme que merece que estar na prateleira.

Na Prateleira | Jovens Titãs: O Contrato de Judas honra a HQ original de 1984

Publicado originalmente em 1984 por Marv WolfmanGeorge PerezJovens Titãs: O Contrato de Judas finalmente ganhou uma adaptação pela Warner/DC no formato de longa animado. Se os live-actions continuam engatinhando, o Universo Animado da DC Comics vai muito bem com histórias coesas e que mantém a essência do material original.

Sendo parte de um universo compartilhado, Jovens Titãs: O Contrato de Judas é uma sequência direta do ótimo Liga da Justiça vs. Jovens Titãs. A trama começa cinco anos atrás com Robin, Arsenal, Kid Flash, Mutano, Ravena e Abelha resgatando Estelar, a Princesa de Tamaran, de seus captores enviados por sua irmã maligna, Estrela Negra. Como ela não é mais capaz de retornar ao seu planeta, os Titãs oferecem um lar na Terra. Anos mais tarde e, mais maduros, os Titãs se unem a Tara Markov, a Terra, que contém os poderes de controlar a terra e o solo. Porém, será a nova heroína aliada ou inimiga? E quais são os planos do Exterminador para a jovem equipe de heróis?

O longa trabalha com eficiência o humor, utilizando com eficiência o Mutano como alívio cômico. Ao mesmo tempo, é uma história sobre decisões e a dualidade de Tara, que se encontra dividida, é bem desenvolvida. Há pontos diferentes do arco dos quadrinhos, mas nada que estrague ou desvie tanto do original.

Sam Liu, figura carimbada das animações da DC, dirige a animação com roteiro adaptado por Ernie Altbacker e J.M. DeMatteis.

No elenco de dublagem estão Christina Ricci como Terra, Taissa Farmiga como Ravena, Miguel Ferrer como Exterminador, Stuart Allan como Robin, Brandon Soo Hoo como Mutano, Jake T. Austin como Besouro Azul, Kari Wahlgren como Estelar e Sean Maher como Asa Noturna.

Jovens Titãs: O Contrato de Judas foi lançado em DVD/Blu-ray no dia 04 de abril.

Na Prateleira | Oasis: Supersonic acompanha a estranha dinâmica entre Liam e Noel Gallagher

Um dos primeiros CD’s que comprei quando adolescente foi (What’s the Story) Morning Glory?, segundo álbum da banda britânica Oasis lançado um ano após o suicídio de Kurt Cobain. Tinha 10 anos quando Cobain morreu e foi um choque, mesmo ainda sem compreender na época a importância que Nirvana representou para o mercado fonográfico. Pra mim, um garoto começando a escutar música, o surgimento os irmãos Liam e Noel Gallagher foi como a esperança de que atitude rock and roll ainda não tinha se apagado por completo.

A banda britânica seguia a linha de “ame ou odeie”, mas quem viveu meados dos anos 90 acompanhou que Oasis não era apenas um fenômeno musical; eles estavam entre as principais notícias do mundo. Manchetes de todos os jornais centralizavam na estranha dinâmica dos irmãos Gallagher, marcada por desentendimentos que acabaram selando o fim do grupo anos mais tarde.

Dirigido por Mat Whitecross e produzido por Asif Kapadia (dos ótimos documentários Senna e Amy), Oasis: Supersonic acompanha a ascensão meteórica do grupo durante a produção dos dois primeiros álbuns Definitely Maybe (1994) e (What’s the Story) Morning Glory? (1995).

Por meio de imagens inéditas e depoimentos dos integrantes, o documentário mostra o início do grupo, que tocava em pequenos bares de Manchester. Naquela época apenas o jovem Liam Gallagher, que nunca havia antes se interessado por música, fazia parte do Oasis. Seu irmão mais velho Noel trabalhava como roadie de uma banda e passara sua juventude no quarto tocando guitarra como passatempo. Após ser demitido, ele decide se juntar a banda e assume as composições e a liderança. Daí, que começam as intrigas entre eles pelo controle do Oasis. O filme não se afasta e foca na relação difícil entre os dois. Durante o filme, Liam é definido como um bad boy fora de controle e o Noel como alguém de pavio de curto que não aguentava as provocações do irmão. Porém, o mais importante foi o legado que Oasis deixou – músicas inesquecíveis que são tocadas e cantadas mais de vinte anos depois.

Uma das linhas mais interessantes do documentário foi acompanhar o trabalho de composição de Noel Gallagher para os dois primeiros álbuns. Entre várias confusões, abusos de drogas e álcool, Noel se isolava e, de forma espantosa, compusera uma canção por dia, algumas delas hits da banda como “Live Forever”, “Supersonic”, “Wonderwall” e “Champagne Supernova”. Noel sempre foi um ótimo compositor, e o filme aborda isso com eficiência.

Mesmo com algumas cenas de Noel e Liam visivelmente drogados e falando asneira por cima de asneira, a sintonia musical entre os dois era irretocável. Parece que quando os irmãos estavam ligados musicalmente, não havia desavenças ou brigas de ego. Mas, quando se desligavam daquilo, os dois eram como cães e gatos, não conseguiam ficar perto um do outro. Whitecross foi sutil em revelar um momento íntimo e inédito para os fãs dos irmãos enquanto gravaram o álbum Morning Glory. Noel escrevia uma canção por dia, passava para Liam e trabalhavam juntos a melodia. Uma dessas parcerias é o registro da primeira vez que Liam grava “Champagne Supernova” no estúdio. Um momento tocante.

Embora não se aprofunde, o documentário mostra um pouco da relação difícil de Liam e Noel com o pai. Quando crianças, ambos viram o pai bater na mãe, e também sofreram com a violência doméstica. O comportamento explosivo dos irmãos talvez tenha nascido daí.

Oasis: Supersonic está longe de ser um documentário aprofundado da banda, concentrando-se apenas nos primeiros anos de vida do grupo. Há mais na história do Oasis do que o que vemos aqui. Quem não conhece muito essa trajetória, vai acreditar que o Oasis encerrou suas atividades ainda nos anos 90. Porém, os fãs órfãos de um possível retorno depois do fim do grupo em 2009, sairão satisfeitos com o material exibido. Por fim, só quem viveu aquela época entenderá que havia algo especial sobre o Oasis que nunca vai acontecer novamente.

“Existe uma química entre a banda e o público. Existe algo magnético que os atrai. O amor, a vibração, a paixão, a fúria e o prazer que vêm da multidão. O Oasis foi isso.”  (Noel Gallagher)

Ps.: Oasis: Supersonic está disponível no catálogo de documentários da Netflix. 

Na Prateleira | Be Here Now: The Andy Whitfield Story mostra que o ator de Spartacus foi um guerreiro dentro e fora das telas

Em 2010 o ator Andy Whitfield, protagonista de Spartacus: Blood and Sand, série da emissora Starz, foi diagnosticado com um câncer linfático enquanto se preparava para o início das filmagens da segunda temporada. A produção foi adiada para que o ator pudesse fazer o tratamento com quimioterapia. Contudo, era necessário um tratamento mais agressivo. Isso obrigou o ator abandonar a série.

A partir daí, Andy percebe que precisaria ser um guerreiro também na vida real. E ele foi. Be Here Now: The Andy Whitfield Story mostra a batalha do ator contra um vilão interno: o Linfoma. Dirigido por Lilibet Foster, o documentário foi lançado em 2015 e contou o apoio dos fãs pelo Kickstarter e arrecadou cerca de 302 mil dólares. O Poltrona Nerd teve o prazer de ajudar com o projeto.

O filme mostra o dia a dia do ator desde o recebimento da notícia que tinha câncer até o seu tratamento intensivo para combater a doença. Mesmo diante de um tremendo baque, obrigando-o a parar de trabalhar, o documentário mostra o otimismo de Whitfield, que tatuou no braço “be here now” (algo como esteja aqui agora ou viva aqui agora).

Com cenas emocionantes, é possível ver o amor de Andy pela vida e o quanto ele batalhou por ela. A esposa Vashti Whitfield desempenha um papel primordial para que o ator sempre estivesse seguro. A relação entre os dois é deveras tocante e a força dessa mulher para lidar contra as adversidades é impressionante.

Andy Whitfield faleceu em setembro de 2011 deixando esposa e dois filhos. Pode parecer, mas ele não foi derrotado. Ele foi um vencedor. O eterno Spartacus nos ensinou que sua incrível jornada foi mais importante do que seu destino final. Viva sempre o agora!

Be Here Now: The Andy Whitfield Story está disponível no catálogo da Netflix.

Na Prateleira | Conheça Sidekick, um lindo curta metragem com Emily Bett, Josh Dallas e Tom Cavanagh

15 minutos.
15 minutos de duração.
Esse foi o tempo necessário para Sidekick deixar sua mensagem. Para quem não acompanha seus protagonistas nas redes sociais, a existência do curta pode ser novidade. Acreditem, ele foi lançado no fim do ano passado e apenas hoje tomei conhecimento de sua produção.

Jeff Cassidy, cinegrafista de The Flash, criou uma bela e curta história envolvendo a tentativa de um pai em contar para seu filho que está com câncer. Para isso, ele recorre as clássicas histórias de super-heróis, com direito a princesa, vilão e heróis com poderes e capas.

O diretor Jeff Cassidy veio até mim. Ele escreveu o roteiro. Era um belo roteiro sobre um homem lidando com sua própria mortalidade, e como lhe convém contar isso a seu jovem filho. Ele também tem de lidar com os problemas que enfrenta com sua esposa sobre sua morte iminente. Isso foi o que me atraiu para participar” – disse o ator Josh Dallas.

Dallas (o Príncipe Encantado de Once Upon a Time) interpreta o pai, e também o super-herói Capitão Strong; Emily Bett (a Felicity de Arrow) interpreta a mãe e a princesa a ser resgatada; Tom Cavanagh (o Harrison Wells de The Flash) interpreta o vilão Darkman, representando a doença; e Christian Michael Cooper (o jovem Mike, filho de Michael Scofield e Sara Tancredi em Prison Break) dá vida ao filho. Apesar da curta duração, Cassidy conseguiu desenvolver um enredo criativo, intenso e emocionante, além de ótima fotografia e efeitos.

O curta está disponível em inglês, no YouTube, e você pode conferi-lo abaixo:

As filmagens aconteceram em Vancouver, local de gravação de Arrow, The Flash e Once Upon a Time.

 

Na Prateleira | Quase seis anos depois de sua estreia, Drive continua sendo uma obra inesquecível

Existem produções que são inesquecíveis no cinema. Drive é o tipo de filme que se enquadra. Lançado em 2011 nos EUA, o filme dirigido por Nicolas Winding Refn foi aplaudido de pé no Festival de Cannes e levou o prêmio de melhor direção. 

O filme homenageia os filmes de ação dos anos 70, 80, mas diferencia por apresentar mais conteúdo e caprichar no visual. Além disso, o versátil Ryan Gosling interpreta o herói comum de poucas palavras, não tendo aquele jeitão brucutu de atores como por exemplo, Steve McQueen, que serviu de inspiração para o personagem.

Na trama, Gosling vive um sujeito pacato que trabalha como mecânico e dublê em filmes de ação em Hollywood, enquanto que à noite faz bicos como motorista para assaltantes. Porém, nesse serviço nada convencional ele possui um código de conduta de não se envolver com os bandidos, não portar arma, apenas dirigir. O motorista acaba desenvolvendo uma relação próxima com a bela vizinha Irene (Carey Mulligan) e o filho dela, mas a relação é abalada quando o marido preso (Oscar Isaac) é solto e retorna ao lar.  Ao descobrir que está sendo procurado pela máfia, o ex-detento recorre à ajuda do motorista para um serviço que pode limpar sua barra e, com isso, proteger Irene e o menino.

Baseado no livro homônimo de James Sallis, Drive é repleto de simbologia como a do escorpião na jaqueta do motorista. A jaqueta é usada em seus serviços perigosos. Ele acaba servindo como um traje de um anti-herói como a caveira do Justiceiro. O filme traz uma referência à conhecida fábula do Sapo e do Escorpião, que conta a história de um sapo que aceita ajudar a um escorpião a atravessar um rio mas, no caminho, ele é picado pelo ferrão do escorpião, que diz ao sapo que ele não pode fugir de sua própria natureza. Em Drive, o motorista é inofensivo como o sapo e descobre a natureza do escorpião quando se envolve com os bandidos. Seu lado destrutivo/ violento é revelado e a jaqueta do escorpião se torna um personagem a mais. Em uma determinada cena quando a câmera focaliza nas costas do motorista, o escorpião parece estar se movendo. É a transformação do sujeito comum perante o ambiente hostil que se encontra.

A trilha sonora de Cliff Martinez é simplesmente inesquecível e, sem dúvidas, um dos melhores trabalhos de 2011. As canções Nightcall e A Real Hero são marcantes e conseguem retratar com eficiência o universo do filme e seus personagens.

O filme ainda conta com as fortes presenças de Bryan Cranston, Albert Brooks, Ron Perlman e Christina Hendricks. A sequência final com o vilão interpretado por Brooks é sensacional.

Quase seis anos depois de seu lançamento, Drive continua sendo uma obra impecável. Daqueles filmes que sempre vão trazer algo de novo e enriquecedor. A construção da narrativa e de seus personagens é algo que pouco se vê no cinema atual.

Drive se encontra disponível em DVD e Blu-ray.

“Um ser humano real e um herói de verdade”. (A Real Hero)

Na Prateleira | Liga da Justiça Sombria é mais uma admirável animação da DC Comics

Se a DC Comics não está indo tão bem no cinema ou como a gente esperava, na TV e nas animações para DVD/Blu-ray está muito bem, obrigado. A mais nova grande empreitada é Justice League Dark, longa animado sobre Liga da Justiça Sombria, história inspirada na HQ de Peter Milligan e desenhada por Mikel Janin em 2011, sendo uma consequência do Flashpoint.

Dirigido por Jay Oliva (das animações O Cavaleiro das Trevas, A Piada Mortal), o longa se mantém no mesmo universo das animações da DC com a Liga da Justiça enfrentando uma série de crimes sinistros, que podem estar ligados ao sobrenatural. Isso força Batman a procurar John Constantine, um exorcista especialista em magia e ocultismo.

A trama introduz outros conhecidos personagens como Zatanna, Monstro do Pântano, Deadman e Etrigan, o demônio, que juntos formam a Liga da Justiça Sombria, grupo que ajuda a clássica Liga da Justiça a lidar com magia negra.

O roteiro da animação é envolvente e situa bem cada personagem. Mesmo para quem não seja um conhecedor afundo das HQ’s, conseguirá entender a motivação de cada um. Uma questão bem resolvida na trama foi como utilizar Batman, Superman e Mulher-Maravilha como coadjuvantes, algo que um roteiro fraco poderia deixar transparecer como “Liga da Justiça e seus amigos sombrios”. A eficiente introdução de John Constantine foi essencial para isso, pois o roteiro deixa o personagem instigante. A excelente dublagem de Matt Ryan (protagonista da série de TV) coopera para deixar Constantine elegante, canastrão e durão tal como em Hellblazer.

Por fim, Liga da Justiça Sombria é mais uma admirável animação da DC Comics e que deixa uma luz no fim do túnel sobre o filme em desenvolvimento pela Warner Bros. Pictures.

O DVD e Blu-ray foi lançado no último dia 24 de janeiro, primeiro em formato digital online.

Na Prateleira | O subestimado filme Desventuras em Série

Lançado em 2004, Desventuras em Série foi o primeiro do que seria uma franquia de filmes inspirada nos 13 livros de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler). Na época, O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei havia sido o grande vencedor do Oscar e Harry Potter se estabelecia como uma grande franquia do cinema.

Desventuras em Série tinha todos os elementos para conseguir o mesmo êxito ao adaptar sua obra literária para o cinema. E conseguiu! Infelizmente, subestimaram a produção. Com um elenco trazendo Jim Carrey no papel do vilão Conde Olaf, Jude Law como o narrador Lemony Snicket e participação especial de Meryl Streep como a Tia Josephine, o filme faturou apenas cerca de U$ 209 milhões para uma produção que custou U$ 140 milhões.

Mesmo com a conquista de 1 Oscar por melhor maquiagem e as indicações (melhor direção de arte, melhor figurino e melhor trilha sonora), a Paramount Pictures, DreamWorks Pictures e Nickelodeon Movies esperavam mais e optaram não seguir em frente com as adaptações.

Dirigido por Brad Silberling e escrito por Robert Gordon, o primeiro filme adaptou os três primeiros livros, Mau Começo, A Sala dos Répteis e O Lago das Sanguessugas.

Na trama, Violet Baudelaire (Emily Browning), seu irmão inteligente Klaus (Liam Aiken), e sua irmã mais nova Sunny (Kara Hoffman/Shelby Hoffman) são órfãos quando um misterioso incêndio destrói sua casa. Sr. Poe (Timothy Spall), encarregado da fortuna dos Baudelaire, os confia ao seu parente mais próximo, o Conde Olaf (Jim Carrey), que só aceitar receber as crianças com o intuito de conseguir sua herança.

O longa é eficiente ao entrelaçar suspense, aventura, fantasia e humor inteligente. As atuações são ótimas, destaque para o show de Jim Carrey, que demonstra toda sua versatilidade como ator. É visível que muitas cenas ele usa com primor o improviso, mas nunca fugindo do personagem. O cinismo e sarcasmo de Olaf são bem empregados. Muitas vezes basta um simples olhar do ator para se impor em cena, mesmo escondido pela caprichada maquiagem.

A participação especial de Meryl Streep no arco O Lago das Sanguessugas é um dos pontos altos do filme, quando vemos a atriz e Carrey se divertindo em cena com seus respectivos personagens.

Desventuras em Série foi um dos filmes mais interessantes de 2004 (2005 no Brasil). Uma pena que a produção não seguiu adiante, pois havia muito potencial a ser explorado. Na última sexta (13) chegou a adaptação da Netflix em formato de série estrelada por Neil Patrick Harris. Confira a nossa crítica aqui.

Ps.: O filme Desventuras em Série está disponível no catálogo de filmes da Netflix. 

Na Prateleira | Sing Street retrata o otimismo juvenil e o poder da música

Com os excelentes Apenas Uma Vez e Mesmo Se Nada Der Certo, o cineasta John Carvey enfoca o poder da música e o importante papel da arte em nossas vidas. Ainda mais quando se é um adolescente em uma situação difícil, que encontra nas canções uma forma de escapismo e superar adversidades. Esse é o plot principal de Sing Street, longa que de certa forma, tem caráter autobiográfico.

A juventude do protagonista Conor (Ferdia Walsh-Peelo) foi similar a de Carney. A trama é situada na Irlanda, em 1985, onde as dificuldades econômicas enfrentadas pelos irlandeses ocasionaram uma emigração em massa, resultando para os que ficaram em dificuldades financeiras. O jovem Conor é um dos afetados, pois é forçado a mudar de escola, passando a estudar em uma instituição dirigida por rigorosos padres católicos. Em meio aos bullies e de problemas familiares, o protagonista vê uma luz no fim do túnel ao conhecer a bela Raphina (Lucy Boynton), decidindo formar uma banda como desculpa para convidá-la a participar dos videoclipes. Eis que surge Sing Street, grupo montado de forma inusitada por seus parceiros de escola.

Contudo, Conor não toca nenhum instrumento, apenas cantarola algumas canções e conhece algumas bandas como The Cure, Duran Duran, graças ao irmão mais velho interpretado por Jack Reynor. Uma relação entre irmãos significativa e similar a Zooey Deschanel e Patrick Fugit em Quase Famosos.

Muitas das importantes bandas dos anos 80 surgiram por acaso. Alguns integrantes destacam que o “poder da música” foi o motivo deles se conhecerem. É algo inexplicável, a ser sentido, segundo eles. Eis que esse “poder da música” é apresentado com eficiência por John Carney, que aborda adolescentes buscando uma motivação e, no momento certo, na hora certa, acabam se encontrando e fazem da música mais do que escapismo, um amor pela arte que estava adormecido. A relação entre Conor e Eamon (Mark McKenna) é deveras tocante, à medida que o longa detalha com maestria a evolução de ambos, que vão buscando uma identidade musical em cada composição. Um completa o outro, algo como Lennon e McCartney, Plant e Page, Jagger e Richards.

As canções compostas por Carvey são um espetáculo a parte, destaque para a contagiante “Drive It Like You Stole It” (veja o clipe abaixo!) usando uma belíssima sequência que recria a cena do baile de De Volta para o Futuro.

Indicado ao Globo de Ouro deste ano de forma justa, Sing Street é um importante retrato musical em meio ao otimismo juvenil diante da realidade dura do mundo. O longa foi capaz de despertar que sonhar e acreditar em dias melhores são sempre bem-vindos.

Sing Street está disponível no catálogo de filmes da Netflix.

Na Prateleira | Justin Timberlake + The Tennessee Kids é um notável presente para os fãs do astro pop

poltrona-timberlake-poster-27set16Justin Timberlake + The Tennessee Kids é mais uma produção original da Netflix, que retrata o último dia da bem sucedida turnê mundial 20/20 Experience.

Dirigido por Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes), o espetáculo realizado no MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, registra com eficiência um verdadeiro espetáculo com Timberlake em sua melhor forma ao lado dos 25 membros da banda The Tennessee Kids. A sintonia musical é incrível e você sente uma conexão com Timberlake ao longo do filme, o que não é tão fácil de acontecer em documentários musicais. A dica é assistir o filme na sua TV (de preferência uma tela grande), que a experiência será ímpar.

Timberlake entrega um repertório de clássicos como “Like I Love You”, “Sexyback”, “Suit & Tie”, “What Goes Around” e uma honrosa homenagem a seu ídolo Michael Jackson com a cover de “Human Nature”. Mas é com “Mirrors” o grande momento do show, quando o hit é cantado em uníssono pela plateia.

Justin Timberlake pode ser a estrela, mas a direção de Jonathan Demme merece ser tratada como tal, pois com maestria ele capta a paixão do cantor, a felicidade e emoção em estar no palco. Além disso, o diretor retrata The Tennessee Kids como uma parte importante e essencial para sua evolução musical.

Justin Timberlake + The Tennessee Kids é um notável presente para os fãs do astro pop e pode ser uma boa oportunidade para quem gostaria de conhecer melhor seu trabalho.

O filme está disponível desde o dia 12 de outubro para os assinantes da Netflix. É esperado que a produção possa chegar em DVD e Blu-ray.

Na Prateleira | Control é uma das melhores cinebiografias do rock

poltrona-controlControl (2007) é uma cinebiografia de Ian Curtis, vocalista da banda pós-punk Joy Division.

O longa é uma adaptação do livro Touching from a Distance, escrito pela viúva de Ian Curtis, Deborah, que também co-produziu o filme.

Escrito por Matt Greenhalgh, Control foi dirigido pelo estreante Anton Corbijn, que iniciou a carreira como fotógrafo da banda para a NME. Filmado em preto e branco, a escolha deste formato não foi por acaso. As cores soturnas caracterizam o momento da juventude britânica durante o fim dos anos 70. Foi um período sem muita perspectiva e com um alto índice de desemprego.

Um desses jovens era Ian Curtis (Sam Riley), que passava o tempo escrevendo poesias em seu quatro e trabalhava em uma agência de empregos. Ele decidiu se tornar um cantor de rock quando assistiu uma apresentação do Sex Pistols. Junto com Bernard Sumner (James Anthony Pearson), Peter Hook (Joe Anderson) e Terry Mason (Andrew Sheridan), eles formam a banda Warsaw, que se tornaria no futuro o Joy Division.

A linha narrativa apresenta com maestria o nascimento da banda junto com a personalidade complexa de Ian Curtis, que descobriu sofrer de epilepsia após um ataque convulsivo durante a turnê da banda. Além disso, problemas conjugais e seus demônios internos passaram a afetar a mente e corpo do músico.

Riley desempenha uma atuação soberba, que foi menosprezada no Oscar de 2008. O ator encarnou com brilhantismo a persona de Curtis.

Como já era de esperar, a trilha sonora traz os clássicos da banda como She’s Lost Control, Transmission, Love Will Tear Us Apart e uma excelente cover do The Killers para a canção Shadowplay.

Control é um retrato fiel sobre uma das vozes mais marcantes do cenário do rock, encerrada de maneira trágica. Ian Curtis se enforcou em 10 de maio de 1980 aos 23 anos. Por fim, um filme indispensável para fãs da banda e para quem se interessar em conhecer a trajetória do Joy Division.

O filme está disponível no formato DVD e Blu-ray. Assista ao trailer abaixo:

Na Prateleira | Amores Inversos é um romance com personagens que irão te conquistar

poltrona-amores-inversosInspirado na série de contos do livro Ódio, Amizade, Namoro, AmorCasamento, de Alice Munro, Amores Inversos foi uma grata surpresa quando lançado em 2014.

A história apresenta um romance que nasce a partir de consequências diferentes, fugindo do padrão mamão com açúcar que estamos acostumados em longas do gênero em Hollywood.

Na trama, Johanna (Kristen Wiig) é uma jovem introvertida que passou boa parte da vida trabalhando como cuidadora de idosos. Ao aceitar trabalhar para o senhor McCauley, (Nick Nolte) e sua neta, Sabitha (Hailee Steinfeld), ela conhece Ken (Guy Pearce), o pai da garota, que lhe envia uma carta agradecendo os cuidados com a filha. Ela passa a se corresponder com o Ken, o que desperta uma paixão avassaladora. Porém, a série de cartas e emails recebidos não passam de uma brincadeira de Sabitha e de sua amiga, Edith (Sami Gayle). Johanna decide ir ao encontro de Ken que, mora em outra cidade, mas logo percebe que algo não está como esperava.

Conhecida por papeis cômicos, Kristen Wiig desempenha uma performance que foge da zona de conforto. Ela é uma mulher contida e observadora, fruto de uma vida sem relacionamentos por conta do trabalho de cuidadora. Pelo olhar ingênuo, a atriz nos conquista logo no primeiro momento. Pearce também apresenta um ótimo papel de um sujeito errante, mas de bom coração. A relação entre os dois é o ponto alto do longa.

Amores Inversos é um romance simples de um casal fora do comum. Mas, é exatamente dessa forma que nascem histórias de amor, de situações inesperadas, podendo dar certo ou não.

O filme se encontra disponível em DVD e Blu-ray e está no catálogo de filmes do canal pago Telecine.

Na Prateleira | A Bruxa de Blair (1999) popularizou o gênero found footage

poltrona-bruxa-de-blair-posterEm 1999, chegou aos cinemas A Bruxa de Blair, terror inspirado em uma lenda urbana, que foi cercado de muito mistério. Escrito e dirigido por Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, o filme foi vendido como uma história real sobre três estudantes que sumiram ao investigar na floresta de Burkittsville o mistério sobre uma bruxa que aterrorizava os moradores do local.

Em formato de pseudodocumentário, o filme mostrava o que estaria nas fitas que teriam sido encontradas por autoridades no local. Logo, a verdade veio à tona, e o caso do sumiço dos estudantes nunca aconteceu. Mas, a produção de baixo orçamento soube se vender em uma época que a publicidade era quase zero. A internet e redes sociais ainda estavam engatinhando, então o boca a boca e o site criado, Blair Witch, criou uma grande atmosfera sobre o suposto caso, sendo que na verdade era uma publicidade sobre o filme.

O longa ajudou a popularizar o gênero found footage com as câmeras de mão para tornar tudo mais real e assustador. Nenhum dos atores tinham consciência do teor da produção, apenas que iram filmar um documentário. Eles ficaram isolados no local apenas com uma bússola e as câmeras na floresta. Todos os sustos e a tensão demonstradas por eles foram reais. Durante a noite, a equipe técnica os assustavam com ruídos misteriosos, gritos, objetos de feitiçaria e bilhetes.

Sem dúvidas, A Bruxa de Blair foi uma das grandes surpresas de 1999 e um dos filmes mais assustadores do cinema, pois soube brincar com o nosso subconsciente e criar um medo, pavor, onde não se tinha. Depois disso, vários filmes tentaram seguir o mesmo modelo. Atividade Paranormal foi o que mais obteve êxito.

A produção ganhou em 2001 uma continuação sem o mesmo sucesso intitulada Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras. Na última quinta-feira, chegou aos cinemas o novo filme, que dá sequência aos eventos da história de 1999. Assista ao trailer abaixo!

A Bruxa de Blair (1999) se encontra disponível em DVD/Blu-ray.

Na Prateleira | Ferrugem e Osso poderia ser apenas mais um romance comum, mas vai além

poltrona-ferrugem-e-osso-dvdFerrugem e Osso é um longa francês do diretor Jacques Audiard de 2012. Apesar da pouca divulgação no Brasil, quem teve a oportunidade de assistir no cinema, saiu deveras satisfeito.

O drama romântico estrelado pela belíssima Martion Cotillard e Matthias Schoenaerts, foge do convencional, do piegas que estamos acostumados a ver em produção estadunidenses. A história nos ensina o quanto a fragilidade pode nos destruir, mas ao mesmo tempo nos deixar mais fortes.

Na trama, Cotillard vive Stephanie, uma treinadora de baleias de um parque aquático, que sofre um acidente de trabalho perdendo as duas pernas. Schoenaerts é Alain, um lutador de rua, que tenta arrumar uns trocados para cuidar do filho.

Apesar de pertencerem a mundos diferentes, a trama prefere abordar a natureza básica da atração, sem sentimentalismo exacerbado. O sexo entre os dois é uma maneira de libertação, de por algum instante, esquecerem seus problemas e se entregarem ao prazer.

O longa também acerta em não mostrar a personagem de Cotillard como uma coitadinha. Sua fragilidade está mais no sentimental quando se envolve com Alain, do que a física.

Cotillard e Schoenaerts estão soberbos no filme e criam uma identificação de imediata por serem tão gente como a gente. A relação entre os dois não segue o pragmatismo.

Ferrugem e Osso está disponível em DVD/Blu-ray e no catálogo de filmes da Netflix.