Crítica | Logan é visceral, brilhante e revolucionário

Os filmes dos X-Men nunca foram unânimes. A maioria sempre dividiu opiniões de críticas e do público ao longo dos anos, e Logan veio para quebrar esse parâmetro com a mesma facilidade com que se rasga papel molhado. O novo filme do carcaju é um respiro para o gênero de heróis, trazendo um enredo louvável, recheado de drama e ação visceral. Os fãs, tais como Hugh Jackman, podem se sentir representados – e aliviados – com a despedida do personagem interpretado pelo australiano. Como o próprio ator disse na coletiva de imprensa: “Este é o filme que imaginei e tornou-se realidade, mesmo após tantos anos”.  A discrepante tonalidade com os predecessores é notada na cena inicial, onde vemos Wolverine tendo seu sono perturbado por arruaceiros que tentam furtar peças de sua limusine. A prossecução mostra a decorrência dos anos no corpo de adamantium, que o tornou lento e reduziu seus poderes regenerativos, ou seja, a luta corpo-a-corpo é próxima, brutal e dura de assistir. Membros decepados e crânios perfurados são um mero atrativo para uma história bem desenvolvida que soube discutir de forma sutil a dualidade do Wolverine.

Baseado nos quadrinhos de Velho Logan (Old Man Logan), a trama do filme se passa no ano de 2029, com os poucos mutantes que restaram no mundo escondidos num cenário pós-apocalíptico. Isso inclui o próprio Logan e Charles Xavier (Patrick Stewart), que se homiziaram na fronteira com o México. O velho carcaju agora trabalha como chofer, divagando pela cidade e servindo humanos, com o intuito de assomar lucro para abandonar a terra firme, e prover medicamentos para conter a mente mais poderosa do mundo em deterioração. Mesmo que o início mostre a dureza cotidiana dos mutantes, o enredo prova que a vida, do dia para a noite, pode piorar o que já estava péssimo. O advento de uma nova mutante, Laura (Dafne Keen), muda para sempre a vida dos dois, forçando-os a postergar a zona de conforto e enfrentar os demônios do passado como forma de aprendizado para lidar com o presente.

O diretor James Mangold, de forma exímia, acerta na forma que conduz o longa-metragem e nas nuances sutis do roteiro. Nota-se que ele entendeu e respeitou o personagem do início ao fim da produção, tanto pelos diálogos bem escritos como na forma que conduziu o veterano Hugh Jackman durante as gravações. É interessante ver a forma em que James utiliza a metalinguagem no perpassar da narrativa, tendo as revistas em quadrinhos como ponto chave dessa ideia. Laura, como qualquer criança, agarra-se na esperança emanada pelas histórias e crê que sua salvação está diretamente ligada a elas. Logan, por outro lado, despreza a fantasia e repete veementemente que o mundo real é o oposto da ficção. O conflito assíduo entre ambos é outro elemento bem explorado. A convivência serve como crescimento natural de suas personalidades; um busca salvação para ter liberdade; outro busca redenção para a alma enclausurada, que sofre pelas vidas ceifadas por suas garras. Além da relação entre os protagonistas e além mesmo da metalinguagem, o diretor coloca Logan contra seu próprio passado, de forma literal e figurativa. O velho integrante dos X-Men passou o decorrer de sua trajetória atormentado pelo propósito de sua criação, mas aprendeu a lidar (ou apenas sentiu-se anestesiado) com o passar do tempo. James traz à tona esse embate, colocando Logan contra seu antigo eu desalmado, mostrando o contraste da evolução do personagem desde sua primeira aparição nos cinemas.

O elenco condecorado acompanha a ambição do roteiro. Todos os intérpretes trabalharam de forma opulenta, mas os destaques ficam por conta de Patrick Stewart, Dafne Keen e, claro, Hugh Jackman. O desempenho da atriz mirim é admirável, fazendo a X-23 roubar o brilho das câmeras sempre que entra em ação. A personalidade taciturna e selvagem é decifrada com suas expressões, pouco necessitando de diálogos. Por outro lado, Patrick traz uma brilhante visão do que seria um Xavier com a mente danificada. Quando não ingere seus remédios, aborda assuntos sem sentido e age de forma exorbitantemente divergente do que estamos acostumados; a postura de homem sábio se esvai nesses momentos e é retomada quando anestesiado pelos medicamentos. Hugh Jackman, acostumado a interpretar o Wolverine, traz uma nova faceta ao mutante imortal: sua velhice na forma de andar e o semblante de dor estão presentes em (quase) todo percurso do filme, sendo substituído quando adota sua particularidade selvagem. Caliban (Stephen Merchant) está irreconhecível debaixo da maquiagem e de uma performance exemplar. Os vilões Pierce (Boyd Holbrook) e Doutor Rice (Richard Grant) não deixam nada a desejar, mesmo que o foco do enredo esteja nas relações e nos conflitos do protagonista.

Logan pode ser considerado uma película stand-alone, tornando-se acessível para as pessoas que não acompanharam a saga desde o início. O público pode entrar na história sem medo de perder-se, pois poucas são as citações ao passado dos mutantes, tanto como sua extinção. O foco, mais uma vez, está nos dramas pessoais de Wolverine e no seu crescimento ao lado de Laura, que se desenvolve como um clássico road movie. Logan torna-se um marco por saber utilizar muito bem sua alta censura na forma de contar uma história madura, deixando o clichê de que filmes de heróis precisam ser divertidos e coloridos de lado. Arcos dramáticos e uma carnificina que receberia elogios de Quentin Tarantino assomam qualidades pontuais ao longa-metragem. A trilha sonora e a paleta de cores utilizada na fotografia acrescem a trama adulta, enchendo os olhos dos aficionados por detalhes. O único pesar ao deixar a sessão é ter em consciência que esta é a despedida de Jackman. Posto isso de lado, é necessário exaltar que James e Hugh dobraram as mangas e trouxeram para os fãs o filme definitivo e primoroso do Wolverine: visceral, brilhante e revolucionário.

Crítica | Até o Último Homem marca retorno de Mel Gibson

Desmond Thomas Doss foi um soldado americano, sendo o primeiro e único objetor consciente (pessoa que segue princípios religiosos, morais e éticos discrepantes com o serviço militar), a receber uma Medalha de Honra na Segunda Guerra Mundial. Durante a Batalha de Okinawa, sem a utilização de qualquer armamento de fogo, Doss salvou a vida 75 soldados – incluindo a do seu próprio superior. Hacksaw Ridge (título oficial do filme) conta de forma brilhante e visceral a trajetória de Desmond, marcando o retorno de Mel Gibson ao cinema. Ironia do destino ou não; o diretor volta às produções cinematográficas contando uma história de guerra com uma mensagem significativa de paz.

O coração deste longa-metragem está na forma em que a direção e o roteiro escrito por Robert Schenkkan e Andrew Knight questionam: como um membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia entra em um campo de batalha onde é necessário atirar para permanecer vivo? As faces da guerra são amplamente questionadas ao longo da trama, sendo a religião um papel fundamental na posição de cada personagem no conflito. A fé de Desmond guiava-o para servir sem tocar em qualquer arma de fogo e, consequentemente, não tirar nenhuma vida. Sua vontade contradizia todos os ideais de uma batalha de escala global, assim como também contradizia a vontade de sua família – que não queria que ele servisse – , e de seus companheiros de guerra. É notório o esforço que Gibson faz para mostrar as díspares formas em que a fé de Doss foi testada, duvidada e satirizada por seus companheiros, algo que se tornou fundamental para o crescimento dele e para o clímax dramático do filme.

O inicio de Hacksaw Ridge tem um clima de conflito familiar semelhante aos filmes de John Ford (How Green Was My Valley), mostrando o dia-a-dia de Desmond, a relação com seu irmão, Harold Doss (Nathaniel Buzolic), os problemas que a Primeira Guerra trouxe ao seu pai, Tom Doss (Hugo Weaving), e afetaram toda família, principalmente a mãe, Bertha Doss (Rachel Griffiths), que lidava com o alcoolismo e a violência diária de seu marido. A figura de Tom Doss contrapõe a leveza do ato inicial, já que são extremamente nítidas as consequências da guerra em seu semblante, tal como nas vestimentas e forma de agir. Por outro lado, o interesse amoroso de Doss, Dorothy Schutte (Teresa Palmer), traz uma carga sutil para o roteiro dramático, onde Gibson soube conduzir os atores através da inocência de suas atuações. Além disso, o diretor sempre alertar que o mundo está em guerra, seja com soldados desfigurados postergando o hospital ou com a enorme propaganda de alistamento durante uma sessão de cinema, o que traz um questionamento vital para Desmond: como posso continuar trabalhando enquanto há homens lutando e morrendo para defender esse país?

Por favor, Senhor, me ajude a salvar mais um”, pedia Andrew Garfield, na pele de Desmond Doss, enquanto descansava por segundos na terra sangrenta de Okinawa antes de erigir-se em busca de um novo soldado para resgatar. A performance do ator britânico é louvável, como também é a melhor de sua carreira, fazendo jus a sua indicação ao Oscar. Garfield soube trabalhar a leveza e a inocência de um jovem, assim como soube transpor seus inúmeros conflitos internos, sua vontade de salvar o próximo e, principalmente, traduzir a incrível fé de Desmond até o fim do filme. Outro ponto de destaque é o caráter cômico extremamente bem executado por Vince Vaughn, que interpreta o Sargento Howell, nêmesis de Doss durante seu período de treinamento. A ironia da relação de ambos é muito bem contada, como também tem base em documentários reais da vida de ambos. Gibson acerta em cheio na escalação de seu elenco, mas é na ação e construção do âmbito nefasto da guerra que sua direção brilha.

Os soldados americanos escalaram um grande muro para chegar à batalha. Uma vasta neblina toma conta do cenário, e o sangue derramado, assim como as vísceras expostas – sejam elas aliadas ou inimigas – refletem o pavor da guerra nas expressões de cada fuzileiro. A incerteza de que sairiam daquele local com vida transbordava o medo da maioria do batalhão. O veterano coordenador de efeitos especiais, Chris Godfrey (O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel) trabalha com exímia perfeição a carnificina da batalha, dispensando muitos efeitos computadorizados e prezando pelos práticos; o que dá vida para cada membro mutilado espalhado pelo campo de guerra. Gibson soube trabalhar a dualidade do confronto filmando cenas focadas em um rifle atirando em plongée, enquanto os pés do soldado perpassavam por corpos de americanos e japoneses; noutra cena, o diretor mostra um saldado caindo ladeado a outro, abrindo interpretações de que não há vitoriosos na guerra, somente morte.

Hacksaw Ridge abre inúmeros pontos para discussão, sabendo questionar a guerra de muitas maneiras sem esquecer-se de trazer a fé de Desmond Doss como ponto principal para a narrativa. Apesar de o roteiro ter certa fragilidade na hora de solucionar alguns problemas, como o da própria corte marcial, ele acerta em resumir passagens da vida de Desmond para construir seu arco de forma que prenda o interesse do espectador e para que também possa ser comercial.  Mel Gibson retorna triunfalmente à Hollywood, trazendo uma história forte e emocional indicada para seis prêmios do Oscar.

Crítica | xXx: Reativado é um filme de ação sem medo de ser brega

“Pegar os caras maus, fazer pose e ficar com a garota”, diz Augustus Gibbson (Samuel L. Jackson), ao final do filme, resumindo todo plot – e também quase todos os papéis protagonizados por Vin Diesel ao longo desses dez anos.  A nova continuação de Triplo X baseia-se em recordar o último longa-metragem produzido em 2005, além de começar os novos passos para a continuação da franquia.  A trama é extremamente simplória: Xander Cage está refugiado – e nada se explica sobre sua suposta morte –, mas é obrigado a retornar ao trabalho para recuperar uma arma letal chamada Caixa de Pandora, que foi roubada pela equipe habilidosa e cômica de Xiang (Donnie Yen). Para isso, ele reúne sua equipe de agentes especiais para começar a ação exorbitantemente descompromissada.

O início de Triplo X já escancara que ele não deve se levar a sério e que devemos conduzi-lo somente como um tipo de entretenimento barato. Na primeira sequência somos apresentados ao icônico jogador brasileiro de futebol, Neymar Jr., sendo recrutado por Gibbson para integrar o grupo de seus agentes. O diálogo bilíngue (o jogador responde em português e Samuel L. Jackson em inglês) é raso e sem sentido, seguido de uma sequência onde o atleta faz embaixadinha com o porta guardanapos e chuta-o na cabeça de um criminoso; o tom burlesco que é apresentado segue até o fim do filme. É notável que o roteiro não se preocupa em amarrar a trama central com bons diálogos, subtramas e uma narrativa coesa, mas com ação, piadas mal feitas e endeusando um protagonista sem carisma.

Vin Diesel é colocado como um badboy, esportista, metido a adolescente radical e garanhão na pele de Xander Cage; características já conhecidas pelo acomodado ator que continua a reprisar seus papéis. A figura central de Triplo X torna-se um dos principais pontos negativos, e alguns personagens femininos se destacam e interessam mais, como a própria Adele Wolff (Ruby Rose) e Becky Clearidge (Nina Dobrev), que mesmo esteriótipos de uma mulher durona e uma nerd, entregam muito mais na sua performance.

O diretor D.J. Caruso tenta trazer uma aura pop colocando díspares músicas, escalando atores e figuras da mídia conhecidos pelo público (como Nina Dobrev e o próprio Neymar Jr.), inserindo piada envolvendo Os Vingadores e apresentando os personagens de forma tão fragmentada e grotesca como em Esquadrão Suicida. Caruso utiliza o recurso de imagens estáticas com os feitos e trejeitos de cada um para justificar seus atos durante a progressão da história; um recurso ocioso de roteiro, mas completamente esperado para uma paródia. Já nas cenas de ação (que fizeram Isaac Newton se contorcer no túmulo), o diretor consegue encaixar sua visão e entreter, levando suas sequências ao suprassumo do absurdo.  A atuação do elenco é completamente desperdiçada pelos diálogos pavorosos – e cheios de frases de efeito –, somado ao fato do roteiro não desenvolver e prender o espectador somente ao exagero da ação assídua.

xXx: Reativado não é um filme para todos; terá de existir uma enorme descrença por parte do espectador, além da boa vontade de conduzir o decorrer dele como uma paródia picaresca de filmes de ação. Do contrário, o longa não passa de uma obra ruim e cafona, que questiona a inteligência de seu público com situações vergonhosas. Embora não tenha medo de ser brega, Triplo X não consegue ser necessariamente bom.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar | Divulgado teaser e novos detalhes sobre o uniforme do herói na CCXP

Durante o painel da Sony Pictures, foi revelado o nome oficial do repercutido Spider-Man: Homecoming, que será Homem-Aranha: De Volta ao Lar no Brasil. O título já havia sido especulado anteriormente com outros nomes, mas De Volta ao Lar soou o mais apropriado.

Aliado a essa informação, Tom Holland apresentou um conteúdo exclusivo para a CCXP: O trecho do novo filme mostrava a aparição de Happy entregando uma nova versão aprimorada do seu traje, contendo as famosas teias de baixo do braço, e com próprio aracnídeo planando no ar com a ajuda delas.

Há rumores que o trailer completo possa sair ainda hoje na página da Sony Pictures.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar estreia no dia 6 de Julho de 2017.

Crítica | Doutor Estranho introduz multiverso em história introspectiva

A Marvel Studios deu um passo à frente ao introduzir um novo conceito para o seu universo cinematográfico. Doutor Estranho traz novos ares para a fórmula, focando em introduzir o multiverso e, claro, a ascensão de Stephen Strange para se tornar o Mago Supremo. O filme traz um pouco do que conhecemos quando trata-se de origem de heróis, mas ele também consegue ser diferente de tudo que vimos no tema. Scott Derrickson apresenta uma história introspectiva, oposta de que qualquer outra já feita pela Marvel, junto do visual psicodélico de fazer queixos caírem e prédios se dobrarem ao meio.

Stephen Strange, interpretado (ou retirado das páginas de quadrinhos) por Benedict Cumberbatch, é um neurocirurgião arrogante e egocêntrico, que prefere escolher seus casos operatórios à atender qualquer pessoa que pudesse manchar seu histórico de sucesso. E é com essa soberba, enfatizada com seus trejeitos e por toda ambientação de seu apartamento – os inúmeros relógios, o smoking sob medida e o próprio carro esportivo -, que Stephen terá sua inesperada queda e dilema. A caminho de uma palestra comemorativa, o doutor perde o controle do veículo e sai da pista, sofrendo um grave acidente em uma das cenas mais viscerais da Marvel. A partir deste ponto, vemos o ego de Strange buscar todo e qualquer tipo de tratamento para recuperar o movimento de suas mãos e, consequentemente, sua carreira e reputação. Quando todas as alternativas se esgotam, e até mesmo o seu dinheiro, Stephen recorre ao Kamar-Taj, utilizando o que restava de sua enorme renda para viajar até o local e tentar reaver os movimentos de suas mãos.

A Anciã (Tilda Swinton, que está impecável) e Barão Mordo (Chiwetel Ejiofor), tem o papel de revelar a Stephen Strange o quanto ele não conhece do universo em que vive. E nós, espectadores, entramos na mesma viagem do protagonista, já que somos apresentados pela primeira vez ao multiverso e o misticismo envolvido nas histórias do Doutor Estranho. É nesse ponto que Derrickson faz seu filme brilhar, jogando sem medo algum cores vibrantes, viagens astrais, mãos saindo de mãos em um eterno loop (exemplificando a obsessão de Strange pela sua cura), além da própria dimensão negra e resquícios da presença de Dormammu. Doutor Estranho não tem vergonha de ser um filme baseado em quadrinhos, tanto que ele faz questão que saibamos ao decorrer de sua história, visual e humor ácido, que são transpostos fielmente das páginas de Steve Dikto e Stan Lee.

Durante as gravações de Doutor Estranho, principalmente no início, vazaram algumas fotos na internet das filmagens realizadas nas ruas de Nova Iorque, com Benedict Cumberbatch,  Chiwetel Ejiofor e Mads Mikkelsen pulando diversas vezes no meio da rua e rendendo memes nas redes sociais. No entanto, a cena finalizada trata-se de uma mistura de A Origem (Christopher Nolan, 2010) e Matrix (Irmãos Wachowski, 1999), com toda cidade de Nova Iorque dobrando-se centenas de vezes ao meio, portais se abrindo, diversas variações mágicas sendo realizadas: escudos, chicotes, lanças, alteração da realidade (a que realmente existe e a espelhada, que não interfere no mundo real), mudar forma de objetos e artefatos que escolhem seu mago, como o próprio manto de Stephen. Doutor Estranho é um baile visual e fotográfico, além de esbanjar belas atuações de seu estrelado elenco.

O talento de Benedict Cumberbatch é inegável, mesmo para as pessoas que irão conhecê-lo pela primeira vez nesse filme. A transição da arrogância e do egocentrismo, passando pelos delírios e obsessões até a figura sábia e altruísta do Mago Supremo é indiscutível, e talvez seja por isso que Derrickson tenha apostado muito em uma história focada nessa transição do que no desenvolvimento de vilões e grandes ameaças. Kaecilius (Mads Mikkelsen) traz o papel de antagonismo no filme, mas sua participação é exclusivamente feita para apresentar com mais detalhes a Dimensão Negra e o domínio de Dormammu, assim como sua cobiça de conquistar a Terra. Nessa questão, Doutor Estranho pode agradar uns e desagradar outros pela falta de vilões marcantes como Loki e até o discutível Ultron. Por outro lado, há o ponto positivo de todos os eventos da trama escrita por Jon Spaihts e Robert Cargill focarem exclusivamente na evolução de Stephen, assim como na própria resolução do terceiro ato ser consequência direta dessa evolução. O problema, enfim, pode ficar na indecisão de que história contar, faltando um pouco de ambição no roteiro – algo que sobrou no visual e nas sequências de ação.

Doutor Estranho é uma aposta bem sucedida, trazendo um novo universo e um começo para os filmes místicos do estúdio, além das diversas – e sutis – referências dentro do contexto do Universo Cinematográfico, seja um plano aberto de Nova Iorque com o QG dos Vingadores, citações de seus feitos no mundo físico e até mesmo a introdução de outra Joia do Infinito, presente no Olho de Agamotto. Fica muito claro qual será a participação de Strange e o que está resguardado para seus próximos filmes, afinal, Doutor Estranho não só será um novo começo para o estúdio, como também será o personagem mais importante das novas fases e será decisivo no tom delas.

Observação: o filme possui duas cenas pós-créditos que fazem conexões importantes com as Fases 3 e 4, portanto, permaneça no seu lugar e aguarde pelas surpresas.

Marvel Studios | Expectativas para 2017

A Marvel Studios é extremamente competente no que faz, e disso ninguém tem dúvida. O estúdio conseguiu realizar feitos históricos para os amantes de seus personagens, dando vida a cada um deles e colocando-os juntos dentro de um mesmo universo (integrando também os personagens adaptados para a televisão). No início dos anos 2000, quando houve o início das produções baseadas em super-heróis, quem imaginou que alguns anos depois veríamos Capitão América, Hulk, Thor, Homem de Ferro, Gavião Arqueiro e Viúva Negra em um filme dos Vingadores? Pois é, nem mesmo eu que estive nas primeiras exibições de Homem-Aranha no Brasil (aquele dirigido por Sam Raimi), pude sonhar com algo do tipo.

O fim do ano se aproxima e, no próximo, teremos mais três lançamentos da Marvel Studios para dar continuidade a sua Fase Três. Os filmes são, respectivamente, Guardiões da Galáxia Vol. 2, que será lançado no dia 4 de Maio; Spider-Man: Homecoming, previsto para estrear dia 28 de Julho; e Thor: Ragnarök, que chega no fim do ano, no dia 2 de Novembro. Ao contrário dos anos anteriores, onde era de costume haver somente dois lançamentos, em 2017 teremos três, já que um deles será produzido em parceria com a Sony Pictures.

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Guardiões da Galáxia, que passou de um nome desconhecido para um dos mais adorados e comentados, foi uma aposta certeira e bem sucedida. A sequência tem a missão de equivaler a mesma qualidade e, quiçá, de sobressair ao primeiro. Infelizmente, o máximo de informações que temos a respeito do filme se restringem a rumores e ao que foi mostrado na San Diego Comic Con. No entanto, já é certo que a história irá envolver a figura central de Peter Quill e seu relacionamento com seu pai, assim como a origem de seus supostos poderes. A expectativa para a sequência é que ela consiga manter o bom humor (sem qualquer tipo de falas forçadas, como em Vingadores: A Era de Ultron), a boa relação entre os personagens da equipe e, talvez, algumas adições de membros ao time galático da Marvel. O diretor James Gunn ainda é extremamente evasivo em suas redes sociais sobre o envolvimento de Thanos ou de qualquer menção as Jóias do Infinito na trama do filme, mas é decerto a necessidade de alguma conexão com Vingadores: Guerra Infinita, mesmo que de forma compartilhada com outro filme que será contextualizado no espaço, Thor: Ragnarök. Eu acredito que ambas as sequências dividirão esse peso de preparar o solo para a chegada do Titã ou a forma que ele recuperará parte de seus artefatos. Outro ponto que é claramente óbvio: teremos mais músicas clássicas fazendo parte da trilha sonora do novo filme, e o próprio diretor afirmou que faltava somente adquirir a permissão de utilizá-las no filme.

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Após uma aventura no espaço, vamos diminuir a escala e contar uma história sobre a vida de um garoto no Queens. Ele tentará conciliar sua vida acadêmica, pessoal e amorosa com o combate ao crime de Nova Iorque, sem que ninguém saiba quem é o mascarado balançando se entre os prédios.

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Spider-Man: Homecoming, título que ainda não teve uma tradução oficial, mas especula-se que seja De Volta ao Lar ou algo semelhante com Boas-vindas, chegará aos cinemas com a grande expectativa de tirar o gosto amargo dos últimos três filmes mal sucedidos do aracnídeo (Homem-Aranha 3 e os dois últimos da franquia O Espetacular). A Sony, em parceria com o controle criativo da Marvel, terão a difícil missão de colocar o amigo da vizinhança em novos rumos, melhorando a qualidade de seu roteiro, que foi o principal vilão dos últimos longas.

Assim como o próprio Guardiões da Galáxia, pouco se sabe sobre o novo filme do Aranha, mas já existem pontos sólidos para se especular nesse artigo. John Watts, diretor do filme, já afirmou que se inspirou no estilo John Hughes (diretor de Curtindo a Vida AdoidadoClube dos Cinco e etc). Portanto, podemos esperar muitas cenas envolvendo a escola de Peter Parker e sua relação com os famosos estereótipos de colégios americanos. Na Comic Con foram exibidas algumas cenas com foco nesse espírito, mostrando Peter frequentando a grade de aulas, criando suas teias de baixo da mesa, sendo satirizado pela personagem interpretada de Zendaya sobre o quão estranho ele é, e tudo isso com a música de abertura de Freaks and Geeks (Bad Reputation, de Joan Jett & The Blackhearts), série que também servirá de inspiração. O próprio título do filme é um trocadilho com o baile de boas-vindas, que é tradição nas escolas americanas, com a volta do personagem para a própria Marvel.

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O antagonista confirmado é o Abutre, interpretado por Michael Keaton – que viveu tempo demais para se tornar vilão -, e ainda há incertezas sobre a presença do Shocker e do Consertador. Todos os três teriam sua primeira adaptação para o cinema, mas não acredito que seja certo apostar novamente em tantos inimigos em um mesmo filme. Como se trata de incertezas, vamos para o próximo tópico: Anthony Stark, o Homem de Ferro. O playboy filantropo tem uma aparição confirmada no longa, e devido a fotos vazadas do set, ele deve fazer presença em uma nova exposição, assim como em Guerra Civil. Rumores apontam que o próprio Abutre teria envolvimento com as Indústrias Stark, mas precisaríamos esperar um trailer ou até mesmo o lançamento do filme para essa confirmação.

A expectativa priori é que se ache um tom definitivo para o personagem, que é sem dúvidas o mais querido pelo público leitor de quadrinhos. A Marvel tem a chance de colocar a dose de humor correta e os problemas cotidianos da vida de um nerd e super-herói em Manhattan, até mesmo pela ideia de realizar um filme para cada ano no colégio, seguindo o exemplo de Harry Potter. Uma coisa é certa: o Homem-Aranha vai liderar o Universo Marvel a partir da Fase Quatro em diante.

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Thor: Ragnarök é outra aposta da Marvel em unir não só o Deus de Trovão em uma aventura pelas Jóias do Infinito, mas também o Gigante Esmeralda. É praticamente um desejo dos fãs da Marvel em colocar o Hulk no espaço, já que uma adaptação de Planeta Hulk torna-se inviável pelos direitos do personagem serem divididos com a Universal Studios, e seria a primeira  vez que veriamos Bruce Banner desde A Era de Ultron. Dirigido por Taika Waititi, ele já deixou claro a intenção de fazer um road movie, o que já deixa subentendido que Thor e Hulk viajarão pelos reinos cósmicos para restaurar a ordem do vindouro Ragnarök. Também é esperado um alto teor cômico, algo que o próprio diretor já deixou claro na sua ida à Comic Con, exibindo o famoso documentário – que depois foi liberado pela Marvel -, sobre o que Thor fazia durante a Guerra Civil. Taika tem talento para a comédia, assim como o próprio Chris Hemsworth, mas o filme deixa algumas perguntas nas cabeças dos fãs e dos que amam o Deus Nórdico, sendo uma delas: Até que ponto a comédia vai entrar num filme que tem a proposta de trabalhar o Ragnarök?

Tom Hiddleston retorna ao papel consagrado de Loki, e ele mesmo já falou um pouco sobre seu personagem no filme “Enquanto Thor estava com seus amigos lutando contra um computador (Ultron), ele (Loki) tentava encontrar novas formas para ser arteiro, acho que veremos coisas muito interessantes. […] O mais interessante sobre Loki é que ele é um vigarista. E eu amo fazer isso. Espero que vocês também gostem”. Outro ponto importante de se colocar é que o presidente de Marvel Studios, Kevin Feige, confirmou que 90% do filme será no cosmos, e os outros 10% na Terra. Não sabemos muito sobre as gravações de Thor: Ragnarök, que ao contrário das filmagens de Homem-Aranha, sua maioria acontece em estúdio fechado.

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As expectativas para o terceiro filme do Deus do Trovão são altas, embora sejam igualmente preocupantes. Tivemos dois filmes com qualidade mediana, e agora teremos um terceiro longa com a presença de Hulk, fazendo paralelos com as sagas do Ragnarök e do Planeta Hulk, sem mencionar que terão de dar um background para o vindouro Guerra Infinita. Parece muita coisa para se trabalhar num filme, não? Tudo vai depender das mãos de Taika Waititi e de Kevin Feige, para elaborar um filme conciso e que saiba aproveitar todos os importantes arcos que Thor: Ragnarök tem de contar.

As datas de lançamentos dos filmes são respectivas às suas estreias no Brasil e podem sofrer alterações pelo estúdio.

BGS 2016 | Entrevistamos Milton Leite, narrador do PES 2017

Pro Evolution Soccer 2017, ou para os mais íntimos, PES 2017, retorna esse ano com algumas mudanças positivas para o público brasileiro. A sua nova versão terá a ilustre narração de Milton Leite, famoso pelos díspares jargões e pela sua forma bem humorada de traduzir o que se passa dentro de um jogo de futebol.  O Poltrona Nerd estava presente na Brasil Game Show e pode realizar uma entrevista exclusiva com o novo narrador da franquia tão amada pelos brasileiros. Que beleza!

Poltrona Nerd: Milton Leite, conhecemos o seu trabalho de longa data e gostaríamos de saber qual o sentimento que você tem sabendo que atingirá um público diferente e gigante, contando que isso traz um reconhecimento ainda maior para sua carreira?

Resposta: Primeiramente, um sentimento de alegria. Eu já havia trabalhado com games no começo dos anos 2000 e foi um trabalho que me agradou muito. Conheci um público que eu não tinha muito contato fora da televisão. Então, estou feliz em voltar, ainda mais agora em que os games estão ainda mais populares do que naquela época. Hoje percebo que, diferentemente daquela época, existem comunidades, caras que são “Fifeiros”, caras que são “Peseiros”, e só jogam um dos jogos, não trocam. Estar nesse mundo é muito legal. O que você tem de tecnologia nesses jogos hoje em dia é muito maior do que era naquela época. Até para gravar foi muito mais fácil do que naquela época, em função disso. Estou muito contente, naquela expectativa de ver as pessoas jogando e ver se a expectativa delas também foi bem atendida.

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Poltrona Nerd: Foi uma grande surpresa você aparecer no PES, ainda mais depois de participar em outras franquias. Como foi o trabalho no estúdio? Deve ter tido bastante trabalho. Tem algum bate-bola com o Mauro Betting no jogo?

Resposta: No jogo tem! Mas não gravamos juntos. Ele gravava a fala dele e eu a minha, e depois a edição junta. Até por que, eu tive que gravar muito mais que o Mauro, pois ele já tem um histórico no jogo, que eu não tenho, e tive que gravar o jogo inteiro. As falas que ele tinha que fazer comigo, no geral, ele gravava um dia antes, e eu chegava, ouvia o que ele tinha falado, e adaptava as minhas falas para o texto. Como eu tinha que gravar tudo, eu demorei mais de 40 dias no estúdio. Ia para lá 3 ou 4 vezes por semana, ficava por lá por uma hora e meia, duas horas, as vezes até três horas de estúdio, pois foram quase 13.000 arquivos que eu tive que gravar. Então, demorou bastante, foi algo longo, mas foi bem feito. Achamos que conseguimos fazer com cuidado pra que texto ficar parecido com o que eu faço na TV. Para nós o resultado ficou muito bom!

Poltrona Nerd: Exatamente neste ponto! Somos fãs do seu trabalho na TV. A emoção que você passa no jogo é algo sensacional! Queríamos saber se você conseguiu passar essa emoção para o jogo, pois no mundo dos games de futebol, as narrações, principalmente as em português, não trazem a emoção que se pede e algumas falas ficam perdidas. Você acha que conseguiu trazer esse sentimento?

Resposta: Eu acho que sim! A avaliação que eu fiz, e que o pessoal do estúdio fez, foi de que estava muito próximo do que eu faço na televisão. Eu recebia o texto antes. Adaptava ao meu jeito de narrar, mesmo na hora quando mudávamos alguma coisa, o pessoal do estúdio dava uns toques por conhecer melhor a mecânica do jogo, mas eu sempre tentava adaptar para o meu jeito. Então acho que está bem próximo, todos os meus bordões estão lá, tive o cuidado até de, por exemplo, tem muito grito de gol, certo? E o gol não é sozinho, vem sempre seguido de algum complemento. Eles até sugeriram de gravar um gol só e depois eles editariam, para não precisar ficar gritando gol várias vezes, mas preferi fazer o texto todo. Gritei todos os gols que estavam lá, pois achei que ficaria bem mais natural a frase inteira com o gol, as vezes até com um nome de jogador no final, então, novamente, dentro dessa maneira que fizemos, ficou bem próximo da TV sim. Se não ficasse seria ruim, pois a Konami fez uma pesquisa pra renovar o jogo e meu nome foi muito citado, então, as pessoas queriam o cara da televisão. Então acho que ficou muito parecido! Ficou bem legal!

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Poltrona Nerd: Você teve bastante liberdade na hora de gravar? Tentou algo novo que achou que poderia ficar legal no jogo?

Resposta: Na verdade, não daria nem tempo de criar algo. E eu nunca crio nada, as coisas que falo saem na hora e são bem naturais. As vezes, os bordões não sou nem eu quem crio, ouço em algum lugar e reproduzo ali na hora, não fico em casa pensando em bordão, então não teria sentido fazer isso no jogo. Deve ter sim uma coisa ou outra que eu não fale na TV, mesmo porque, o jogo traz situações diferentes de vez em quando também. Enfim, tentei dar a minha cara ao jogo, algo bem natural.

Poltrona Nerd: Você já jogou o jogo? Se sim, conte-nos a sua experiência como jogador.

Resposta: Não joguei o jogo. Aliás, minha experiência como jogador é zero (risos). Preciso aprender. Tenho dito para todo mundo que esse jogo eu me obriguei a aprender a jogar. Sou de uma geração onde não tínhamos acesso a essa tecnologia. Agora, meu neto, de 2 anos, já mexe em tablet e daqui pouco tempo já vai estar jogando. Eu vou ter que jogar com ele, então tenho essa obrigação de aprender. Antigamente, eu só via o jogo com a minha voz com alguém jogando, mas nunca joguei. Dessa vez, eu quero jogar! Mas agora com ele pronto, eu ainda não vi nem ninguém jogando. O resultado que eu tenho é do que assisti no estúdio. As imagens que eu tenho são as mesmas que vocês viram aqui e em outros materiais promocionais.

O novo jogo da franquia já está disponível para compra no PlayStation 4, Xbox One, PC, PlayStation 3 e Xbox 360. A Konami também confirmou que haverá uma versão adaptada do jogo para o PlayStation 4 Pro.

BGS 2016 | Entrevistamos João Barão, produtor do Fifa 17

O Fifa 17 era uma das maiores atrações da Brasil Game Show de 2016. Tanto pelos campeonatos disputados diariamente no estande, premiando os vencedores, tanto pela exclusividade de todo público como a imprensa  de conseguir testar o jogo em sua versão demo, que é praticamente a versão final do game.

Além das diversas novidades apresentadas durante a coletiva realizada na quinta-feira, como os 23 clubes brasileiros disponíveis na versão do novo Fifa, além da volta do Modo Carreira com os nossos amados clubes nacionais, tivemos a oportunidade de conversar com um dos produtores do jogo, João Barão, e fazer algumas perguntas do interesse de todos os fifeiros.

Poltrona Nerd: Desde quando começou a ideia do modo história?

Resposta: A ideia já vem de vários anos, pelos feedbacks que temos nas comunidades do Fifa. Começamos a trabalhar no modo jornada há 2 anos atrás. Escolhemos esse ano para lançamento, pois a interação, a conversa entre dois personagens não era possível sem o engine Frostbite, e tivemos que contratar muita gente nova também, como roteirista, escritores, cineastas, entre outros, pois nunca havíamos feito isso no Fifa antes.

Poltrona Nerd: É um outro jogo dentro de um jogo, certo? É algo totalmente diferente do que estamos acostumados. E essas cenas que vocês criaram, elas mudam conforme suas ações? Como funciona?

Resposta: Sim, uma das coisas básicas, quando começamos a desenvolver o modo, é que o usuário, de acordo com a maneira que ele joga, tem que causar um impacto diferente no jogo, nas cenas, e na carreira do jogador. Então, tudo que você faz dentro e fora do campo tem impacto na sua carreira. Dentro do campo com as suas atuações, notas de partidas, seu rendimento nos treinos, se é titular ou suplente, minutos que joga. Fora de campo, a interação com a imprensa, jornalistas, técnicos e companheiros de time vão moldar sua personalidade. Por exemplo, as respostas na coletiva de imprensa vão mudando sua personalidade. Você pode ser uma pessoa mais calma ou mais brava. Então, isso pode fazer você ver cenas que eu nunca vou ver, dependendo das escolhas que fizermos. Portanto, todas as decisões que você toma no jogo tem um impacto.

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Poltrona Nerd: Vimos no vídeo, que ele o jogador tem um amigo que vai crescendo com ele na carreira. Além dele, outras pessoas que foram criadas por vocês, como por exemplo, o José Mourinho, eles também participam da história?

Resposta: Posso dizer que eles aparecem no modo. Vão aparecer jogadores, agentes, jornalistas. Não posso dar detalhes se vai aparecer alguém conhecido ou não.

Poltrona Nerd: Vocês chegaram no resultado esperado com a Frosfbite? Acha que a nova engine pode contribuir ainda mais pro jogo no decorrer dos anos?

Resposta: Achamos que a qualidade gráfica do jogo está ótima. Eu nunca vi nada tão bom. Mas o Frostbite tem um potencial de continuar a desenvolver e trazer ainda mais. Ela permite trazer features novas muito facilmente. É fácil criar cenas, por exemplo, que antes não era possível. Perderíamos 3 ou 4 meses para fazer uma cena, e agora é tudo muito mais rápido.

Poltrona Nerd: Você acha que futuramente será possível trazer algo como o Game Face para o modo Jornada?

Resposta: Discutimos muito isso durante os testes. Para a qualidade, por ter que criar toda a história por trás desse personagem, não temos como saber a história de todo mundo (risos), então, focamos muito na qualidade visual. Ficaria muito difícil, por exemplo, fazer a sincronização labial para cada língua que o jogador falasse. A decisão de criarmos esse personagem único, com certeza, trará muito mais qualidade do que teríamos se liberássemos para cada um criar o seu jogador. E também, você ainda pode fazer isso no Modo Carreira.

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Poltrona Nerd: Então vamos pro Modo Carreira. Teve alguma remodelada? Alguma nova adição?

Resposta: Olhamos muito para esse modo também. Por exemplo: os objetivos que você tinha como treinador era: Ganhar a Liga, ganhar a Copa, nada a mais. Então, ao fim de 2, 3 Temporadas, ficava repetitivo. E outra coisa… No jogo, é muito mais fácil você ser treinador de um Real Madrid… Você tem todos os jogadores excelentes à sua disposição. Na vida real é o contrário. É muito difícil ser treinador do Real Madrid. Criamos este ano vários novos objetivos, como: expandir a academia, desenvolver a marca do clube em outros continentes, objetivos financeiros. O Real Madrid, por exemplo, não se preocupa com dinheiro, portanto, seus objetivos serão mais focados em expandir a marca. Um dos objetivos, por exemplo, é, na primeira temporada, ganhar X de dinheiro com venda de camisas. Também fizemos muitas mudanças no sistema financeiro. Coisas como despesas do estádio, de viagem, venda de camisetas, portanto, cada temporada é diferente, com objetivos dinâmicos, de curto e longo prazo.

Poltrona Nerd: E isso também se aplica aos times brasileiros? Tem algo voltado para eles neste sentido também?

Resposta: Temos um número de objetivos muito grande. Nossa equipe de licenciamento de dados olha direitinho para cada equipe. Por exemplo, o Santos é conhecido por desenvolver muito bem as categorias de base, portanto, com certeza, desenvolver a academia será um objetivo importante dele.

Poltrona Nerd: Tem mais ações? Ouvi dizer que dobrou o número de animações. Isso é em relação a que? Toque de bola? Comemorações?

Resposta: Em relação ao gameplay, posso dizer que temos 4 mudanças muito importantes. Primeiramente, um sistema de inteligência novo, os jogadores sem a bola são mais ativos, marcam melhor, e com mais ocorrência. Também funciona para os jogadores que estão com a bola. Eles são mais inteligentes. Sabem onde colocar o passe, e seus companheiros sabem se posicionar para receber esse passe. Em termos de animações sim. Temos quase o dobro de animações. Temos novos dribles, comemorações, um novo sistema de proteção de bola manual, segurando o LT (ou L2), você vai proteger a bola de quem vem de trás. Então, tem mais opções de manter a posse de bola, e a falta também teve diferença. Tem muito mais opções para bater a falta. Cobranças rasteiras. E tem também o cabeceamento para baixo. Essas são as principais novidades do jogo. Acho que isso torna o jogo mais fluído.

Poltrona Nerd: Sobre o mercado brasileiro… Vocês estão investindo muito aqui. Já mudou bastante. Como vocês enxergam o mercado brasileiro?

Resposta: O mercado brasileiro é muito importante. Uma das razões que fazemos questão de mandar alguém para a BGS. Eu estou aqui esse ano, e sempre vem alguém. Queremos saber suas dúvidas, opiniões e feedbacks. Ter os 23 clubes acho que mostra o nosso compromisso com isso. 23 clubes é o nosso recorde. A Liga está no Modo Carreira, ano passado não estava, infelizmente, pois não deu tempo. Então, logo depois que terminamos o FIFA 16, já começamos a trabalhar em cima disso para dar tempo tranquilamente.

Poltrona Nerd: Então, quero uma dica… Sofri para bater pênalti quando testei o jogo. Não dá pra ensinar como é, não? Todos que eu chutei foram pra fora.

Resposta: Acho que está mais fácil que no ano passado. Basta escolher o lado exato. As vezes o goleiro faz boas defesas, mas também mandei muitos pênaltis para fora. É porque o sistema é novo, depois acostumamos.

Fifa 17 utiliza a engine Frostbite e é produzido pela Eletronic Arts. O game chegará as lojas físicas e digitais no dia 27 de Setembro – e já disponível para os assinantes de EA Access, no Xbox One.

Análise | Nossa experiência com o HD Externo My Passport X da WD

A nova geração de consoles chegou ladeada a um novo mercado – já muito costumeiro para os PC gamers -, que é o próprio mercado digital de jogos. Para os que não conhecem, existe uma forma de você, usuário de Playstation ou Xbox, adquirir jogos sem precisar ter a mídia física. Junto a essa praticidade, a maioria das pessoas que utilizam essa prática acabam economizando tempo e dinheiro no ato da compra. No entanto, nem tudo são flores.

Com o alto custo de consoles que possuam um HD interno superior a 1 TB, a memória do vídeo-game tende a ser consumida rapidamente pela instalação de diversos jogos, sendo uns mais leves, como o título We Happy Few, que possui somente 4GB, e outros, como Battlefield 4, que possui mais de 40 GB com todas as expansões. Para suprir essa necessidade de memória, temos a disponibilidade (por enquanto, somente no Xbox One) de utilizarmos um HD externo para a instalação de jogos, sem a necessidade de realizar limpezas semanais sempre que for adquirir um novo título à sua coleção. Recebemos para teste no modelo Xbox One de 500 GB, o HD de 2 TB da My Passport X da Western Digital e vamos contar um pouco da nossa experiência com o acessório.

wd-passport-x-review3-650-80Primeiramente, recebemos o material extremamente bem embalado e com rapidez. A caixa que o guarda possui o manual de instruções, um cabo que conecta o console ao acessório e o próprio HD. A instalação foi simples, e em questão de segundos após plugar o dispositivo ao Xbox One, recebi a mensagem de que havia um novo espaço a ser instalado. Acessando pelas configurações, localizei e confirmei que realmente o HD possui seus 2 TB e não demorei em utilizá-lo. Comecei instalando somente jogos pesados, com todas as suas expansões, depois passei a maioria da minha galeria ao HD (sim, é possível passar um jogo da sua memória do console ao acessório e vice-versa). Resultado: o HD estava completamente preenchido, e sempre que acessava algum jogo, ele abria com praticamente a mesma velocidade que a memória interna do console, perdendo por pouco tanto na abertura como no download. Sua reprodução é eficaz e ágil, não deixando a desejar em nenhum aspecto.
wd-passport-x-review2-650-80O My Passport X coube na palma da minha mão (possuindo 110 x 81.5 x 20.9mm), e na minha estante combinou perfeitamente com o ambiente e as cores do próprio Xbox One. O cabo que conecta um ao outro não é muito longo, mas o suficiente para poder passá-lo entre os volumes da estante, ou até mesmo escondê-lo. Quanto ao som emitido pelo HD, ele é praticamente imperceptível, principalmente durante o gameplay. Caso seu cômodo esteja completamente silencioso e durante um loading sem som, é possível ouvir o HD trabalhando, mas nada que de fato incomode durante a jogatina.

O My Passport X é um acessório indispensável para hardcore gamers, tanto pela quantidade de jogos, tanto pela praticidade e alta rapidez na reprodução. Não acredito que jogadores casuais tenham a necessidade de adquirir um HD externo de tamanha potência, já que o custo-benefício seria nulo dentro do cotidiano e bolso desse tipo de gamer. Entretanto, independentemente da quantidade que se é utilizado o vídeo-game, se você for um tipo de gamer que não gosta de se preocupar com espaço disponível e gosta de ter todos os seu seus títulos à disposição: o My Passaport X supre e supera suas expectativas.

Nota: Recebemos o My Passport X para teste no período de 30 dias, onde utilizamos todo seu potencial com as configurações de um Xbox One de 500 GB. Até o momento dessa matéria, o Playstation 4 não dá suporte a HD externo.

Crítica | Ben-Hur traz mensagem de bondade em tempos de guerra

Em 1959 foi lançado o filme Ben-Hur, produzido pela MGM e dirigido por William Wyler. A obra era grandiosa em sua escala técnica (cenários, figurinos, figuração e efeitos práticos), até mesmo em sua longa duração de 222 minutos. Pode-se dizer que o filme é intocável, como o próprio Jack Huston (Judah Ben-Hur) nos contou em sua vinda ao Brasil, complementando que a releitura feita pelo diretor Timur Bekmambetov não tem o intuito de substituí-la, mas de trazê-la para a linguagem contemporânea com uma mensagem indubitavelmente importante para o nosso cotidiano.

Para quem não conhece o romance escrito por Lew Wallace, Ben-Hur: Um Conto do Cristo, de 1880, conta a história do nobre Judah Ben Hur (Jack Huston), contemporâneo de Jesus Cristo (Rodrigo Santoro), que é injustamente acusado de traição e condenado à escravidão. Ele sobrevive ao tempo de servidão e descobre que foi enganado por seu próprio irmão, Messala (Toby Kebbell), partindo, então, em busca de vingança. O conto de Wallace é retratado da mesma premissa no filme produzido por Timur, sofrendo algumas sutis alterações para ser, na visão do diretor, uma obra contemporânea.

O filme inicia mostrando a relação forte de amizade entre os irmãos Judah e Messala,  comprovando o que um poderia fazer para ajudar o outro, não importando o que isso custe a cada um. Posto de lado essa relação, também são mostradas as inúmeras diferenças entre eles, começando pelo fato de Messala ser um romano morando numa casa judia em Jerusalém. Nossos Deuses são diferentes, Messala, diz Naomi Ben-Hur (Ayelet Zurer), para praticamente cravar que dentro daquele lar, Messala ainda era um forasteiro. Com esse sentimento, o romano posterga a casa dos Hur em busca de glória e reconhecimento, alistando-se no exército romano para que todos conhecessem seu nome.

Messala traça sua jornada adentrando ao exército, fazendo o seu advento em uma das inúmeras batalhas que expandiam o Império Romano. O filme peca tecnicamente nesse momento da trama, mostrando o jovem romano travar suas batalhas numa filmagem que parece ter sido realizada com câmera de mão – só que muito mais tremida. Tudo que ocorre nessas sequências de ação é extremamente confuso e bagunçando, forçando o público a cerrar os olhos pra poder entender a ação por detrás do personagem, tanto quanto o que acontecia com ele durante a progressão da cena. Não é um momento isolado onde a filmagem peca, porque há instantes onde os personagens dialogam e parte de seus semblantes é cortado de cena, além do posicionamento inclinado da câmera em alguns momentos, restando a dúvida se era um estilo proposital, se foi um desleixo ou uma limitação dentro do orçamento de US$ 100 milhões.

A filmagem e a fotografia podem incomodar em alguns pontos, mas em outros alia-se a sua grandiosidade e traz momentos memoráveis, que compensam os erros. Um deles – e o mais importante -, é a disputa entre os irmãos e outros competidores na corrida de bigas, onde os próprios atores afirmaram que boa parte da produção foi real e eles tiveram que aprender a controlar os cavalos durante meses antes de realizarem a enorme sequência de ação, que também é o clímax do filme. Eu não sei se vou conseguir fazer isso, Jack Huston contou o que Toby lhe dissera sobre a cena, e também o que respondeu Nem eu. Todo treinamento feito e todo trabalho realizado foi compensado por uma memorável sequência, arquitetada de forma magistral pelo diretor.

Posterior às batalhas sangrentas de Messala, Judah Ben-Hur vive sua vida tranquilamente em Jerusalém com sua mulher, Esther (Nazanin Boniadi). E são nesses momentos de calma durante a trama que somos apresentados a Jesus, encarnado pelo ator brasileiro Rodrigo Santoro em uma das melhores performances de sua carreira. A ideia era trazer Jesus para o cotidiano, como um simples artesão ou qualquer homem que andasse nas ruas naquela época,  Santoro nos contou; e essa ideia funciona. Diferentemente dos filmes onde temos a figura bíblica de Jesus como protagonista. Nessa história ele é somente um mero coadjuvante, que tem pouco tempo de tela, mas nos momentos em que aparece, consegue mudar todo desenrolar da história e também nos ensinar algo novo. Na época em que foi escrito o romance, Lew Wallace era um ateu com a tentativa de comprovar que Jesus não era filho de Deus, mas acabou sendo convertido no processo de suas pesquisas – e podemos ver essa sutil mensagem dentro do filme, tratando-se não de uma história de Deus, mas de redenção.

A transição do enredo da Ben-Hur do momento em que ele era um nobre judeu em Jerusalém até o momento em que se torna um pobre escravo, tendo sua família igualmente condenada e perdida é bem desenvolvida, assim como as relações entre cada personagem (desde os interesses amorosos do protagonista e antagonista, como também a relação familiar entre os Hur). As atuações são todas pontuais e não devem em nada, sendo os destaques por parte de: Jack Huston, Toby Kebbell, Rodrigo Santoro e Nazanin Boniadi. Também há um papel interpretado por Morgan Freeman, como Sheik Ilderim, que tem a missão de treinar e ajudar Judah com sua vingança, mas pelos seus próprios motivos.

Ben-Hur não é o filme que substituirá o clássico de 1959, tanto que sua intenção não é essa. Ele traz, para todos que o assistirem, uma mensagem extremamente forte, emocional e até atemporal, que é contada de forma exímia desde seu início e revelada no final de uma forma arrebatadora. O brilhantismo de Ben-Hur também está na inclusão: não importa se você é ateu, agnóstico, judeu, cristão, espírita ou qualquer tipo de segmentação religiosa, a mensagem consegue englobar toda e qualquer pessoa que vive no mundo de hoje. Essa forma de inclusão encaixa perfeitamente quando percebemos que Messala sofria preconceito por ser de uma origem discrepante a judia, assim como é perceptível o preconceito e ignorância com as doenças daquela época e, consequentemente, a reclusão social que essas mesmas pessoas eram impostas. Hoje, podemos pegar esses inúmeros exemplos de preconceitos e aplicá-los ao nosso cotidiano, para as diferenças e peculiaridades de cada um, mostrando que ninguém é diferente de ninguém; vivemos abaixo do mesmo céu e sob a mesma terra – e para perceber isso não é necessário ter alguma crença. A mensagem de bondade é tão forte que sobressai e torna-se mais importante que qualquer termo técnico, por isso o filme cumpre o seu papel trazendo reflexão e motivação a todos que o assistam para serem mais benevolentes, aprendam a perdoar e o principal: a viver com o próximo.

Crítica | Esquadrão Suicida é um desperdício de potencial

Aviso: este texto possui spoilers

A espera finalmente acabou. Esquadrão Suicida está chegando aos cinemas de todo o mundo com a missão de suprir as (muitas) expectativas dos fãs. O filme traz uma galeria de vilões para o universo cinematográfico em construção, colocando-os no papel de heróis contra suas vontades e fazendo-os agir em prol da sociedade e do governo americano. A premissa do filme é simples: juntar as piores pessoas com as mais diversas habilidades, controlá-las para fazer algum bem e, como prêmio, reduzir suas penas presidiárias. O enredo do filme baseia-se na junção desses personagens pela figura icônica de Amanda Waller (Viola Davis), mas a própria realização do esquadrão resulta no advento de sua primeira missão: impedir que Magia (Cara Delevingne) destrua a Terra.

David Ayer tinha tudo nas mãos para trazer novos ares aos filmes baseados em quadrinhos, além de ter a oportunidade de trazer algo inovador ao gênero. Infelizmente, o diretor desperdiça a oportunidade de ter ótimos elementos a sua disposição para trazer uma história enfadonha e fragmentada do início ao fim. Esquadrão Suicida perde-se entre as expectativas do material divulgado e a sua triste realidade: estar muito aquém do prometido. O filme se passa após os eventos de Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016, Warner Bros), onde é mostrado como a população e os governantes do país reagiram à morte do Superman. Com a ausência do kryptoniano, assim como a ausência do Batman (que é explicada na cena pós-crédito), Amanda Waller vê uma brecha para iniciar seu Esquadrão Suicida com os piores dos piores: Amarra (Adam Beache), Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), El Diablo (Jay Hernandez), Pistoleiro (Will Smith) e Katana (Karen Fukuhara), sendo todos liderados por Rick Flag (Joel Kinnaman).

O início é muito apressado, onde Amanda Waller introduz os personagens de forma célere. As cenas são com flashbacks curtos e rasos, mas preenchidos com fan services e as participações especiais de Batman (Ben Affleck) e Flash (Ezra Miller). Os backgrounds explorados do início ao fim do filme dão profundidade (se é que podemos achar alguma dentro de 130 minutos de filme) somente a duas personagens de destaque na trama: para a Arlequina e para o Pistoleiro. Ambas histórias remetem a pessoas que ambos amam, sendo respectivamente, o Coringa (Jared Leto) e a filha do assassino de aluguel. O restante dos membros do Esquadrão Suicida são jogados dentro da história, embora tentem ser desenvolvidos de forma pífia durante o restante da trama. O grupo não tem química entre si, e falta timing durante os momentos que seriam cômicos. As melhores piadas foram liberadas previamente nos trailers e clips do filme, não resguardando muito material para o produto final. Pela metade do filme você pode até se questionar “Quando começa a ficar bom?“, mas a resposta é: “Não fica“.

A edição do filme peca pelo excesso de cortes rápidos, não dando tempo das cenas se desenvolverem naturalmente para que haja empatia com os personagens que acompanhamos. Desde o início, percebe-se a pressa em juntar cada um deles e colocá-los na missão para a ação se desenrolar durante o segundo e terceiro ato. A história, mesmo apresentando os personagens brevemente no início, ficou dividida entre o presente e os flashbacks que persistem em ocorrer durante toda progressão da trama – e isso incomoda. Uma vez que os personagens foram unidos de forma rápida e seu background contado de forma rasa, seria mais pertinente deixá-los se desenvolverem ao longo da missão, focando na interação entre cada um ao invés de continuar com os cortes rápidos para um passado que de nada soma à trama. A trilha sonora do filme é igualmente problemática, embora que haja ótimas músicas, uma vez que Esquadrão Suicida vem com a proposta de ser pop. As músicas não se encaixam com os momentos, e são simplesmente jogadas ao longo do filme, tornando-se o oposto de Guardiões da Galáxia (2014, Marvel Studios), onde cada faixa é escolhida a dedo para algum momento do filme.

O arco principal da história se baseia no Esquadrão Suicida realizando a missão de salvar o mundo, mas paralelo a isso existe outra história: uma história de amor. Protagonizada por um homem de vestes espalhafatosas, de pele extremamente alva e meio louco da cabeça. O único problema é que ele tem cabelo verde, usa batom vermelho e é chamado de Coringa. David Ayer realmente queria mostrar um lado diferente da figura maquiavélica do palhaço do crime, e conseguiu. Sua participação é desnecessária e prejudica o andamento da história principal, além de não haver uma cena completa mostrando a interação do Coringa com outros personagens. Todas as cenas que o envolvem sofrem de cortes e mais cortes, não dando tempo e espaço para a interpretação de Jared Leto engrandecer, além de dá-lo um papel amoroso extremamente duvidoso para os conhecedores do personagem.

Esquadrão Suicida tem alguns bons momentos, entretanto, a maioria desses baseiam-se em torno da figura do Pistoleiro e sua jornada do início ao fim do filme, trazendo alguns picos emocionais que realmente funcionam e acrescentam para sua história. Outro ponto positivo a se destacar são as atuações de Margot Robbie, Viola Davis e Will Smith, que conseguem encarnar de forma exímia suas personagens. Posto isso de lado, esse é um filme problemático que não encontra o seu tom e não sabe a que veio. O melhor filme do Esquadrão Suicida será aquele imaginário que ficou nas nossas cabeças após as incríveis montagens de cada trailer. David Ayer se preocupou mais em encurtar as vestes da Arlequina na pós-produção e em dizer “Foda-se a Marvel”, do que em contar uma boa história. Esquadrão Suicida foi tudo que queria ter sido em termos de material de divulgação, mas esqueceu do principal: de ser um filme.

Crítica | Batman: A Piada Mortal é um baile de poesia e insanidade

A Warner Brothers sempre apostou na qualidade de suas animações, trazendo para os fãs conteúdos originais e adaptações de sagas já consagradas no mundo dos quadrinhos da DC Comics. Batman: A Piada Mortal foi anunciado e pegou o público de surpresa; ela é um dos cânones mais importantes, poéticos e violentos na história do Homem-Morcego. A HQ, lançada em março de 1988 com roteiro de Alan Moore e desenhos de Brian Bolland, foi um divisor de águas e fruto de inúmeras discussões entre os fãs até hoje. Ela apresenta o Coringa realizando um teste para provar seu ponto: só é preciso um dia ruim para enlouquecer. Do outro lado está o Batman, preocupado com seu arqui-inimigo, acreditando que um dos dois acabará morto nessa relação fatal – sendo só uma questão de quando e quem.

Barbara Gordon tornou-se um personagem de destaque na animação de Batman: Piada Mortal, produzida fielmente pelo diretor Sam Liu. Imagino que não era isso que nossos leitores esperavam encontrar numa crítica sobre a aclamada obra de Alan Moore, tampouco os espectadores durante a exibição, mas é com essa personagem que a narrativa da história começa. O filme inicia recontando a trajetória da Batgirl de forma corajosa e única, encaixando perfeitamente no tom da história original contada em 1988. Nela, vemos a filha do Comissário Gordon conciliando sua vida de bibliotecária e vigilante noturna, ao lado do próprio Batman. Neste primeiro ato, o Homem-Morcego é somente um coadjuvante que atua como mentor e protetor de sua aliada.

A adição desse novo ponto de vista, além de trazer uma identificação maior com a personagem, realça as suas relações e sentimentos antes do trágico acidente acontecer. Barbara Gordon tornou-se, nessa história, uma forte figura feminina para uma época em que é necessário haver esse tipo de representação nos meios de entretenimento. Analisando isoladamente a graphic novel, Barbara posterga a imagem de ter sido somente um alvo para significar de forma importante na narrativa. Portanto, por mais que alguns fãs torçam o nariz, nada do que foi acrescentado no início prejudica a história original. Sam Liu acertou em cheio nesse ponto, mas não foi o único dos acertos na adaptação. 

Os desenhos, por exemplo, foram representados de forma magistral, recolocando os traços de Brian Bolland e dando vida a eles. Para quem verá o filme após ter lido a HQ, haverá um deleite a parte em ver toda aquela história representada traço por traço e quadro por quadro, além dos diálogos serem mantidos com exatidão. Houve alguns acréscimos de cenas de ação para preencher o tempo do filme, mas são coerentes dentro de toda proposta e não atrapalham o andamento da história, pelo contrário: acrescentam. A dublagem também é um ponto alto, sendo um show de interpretação a parte. Não se esperava menos que isso tratando-se de Kevin Conroy e Mark Hamill, que interpretam o Batman e o Coringa, respectivamente, há anos.

Batman: A Piada Mortal já é um sucesso por si só: é uma história com mais de 20 anos que consegue se manter atual, ser aclamada pelos fãs e, consequentemente, ser uma leitura obrigatória entre eles. O filme expande o alcance dos quadrinhos para levar o conturbado ponto de vista do Coringa sobre a tênue linha que separa sanidade da loucura. Assim como a própria HQ, a animação torna-se obrigatória para o currículo dos fãs do Homem-Morcego por ser uma aula de como respeitar e como conseguir adicionar conteúdo sem modificar o cânone. O final ambíguo, os diálogos poéticos e a relação mortal entre o vilão e seu antagonista ainda continuarão a ser discutidos por muitos anos.

Um agradecimento especial ao Cinemark e a Warner Brothers por trazerem o conteúdo de tipo home and entertainment para o cinema, dando oportunidade aos fãs do Brasil para assistirem o filme na grande tela.

Crítica | Invocação do Mal 2

James Wan provou-se para a crítica e para o público; ele é um diretor que consegue trabalhar o terror, fugindo da maioria dos clichês e sempre preocupado em contar uma história. Além disso, provou também saber trabalhar com outros gêneros, trazendo um novo episódio – e quiçá o mais importante – para a franquia Velozes e Furiosos. Agora, ele retorna para a sua saga sobrenatural, seguindo a trilha deixada pelo primeiro filme lançado em 2013.

Invocação do Mal 2 é baseado em fatos verídicos que ocorreram no ano de 1977 na cidade de Enfield, Inglaterra. O caso foi vivenciado por uma família composta por uma mãe, Peggy Hodgson, e seus quatro filhos, sendo duas meninas e dois meninos: Margaret de 12 anos, uma irmã mais nova, Janet, de 11, Johnny de 10 anos e Billy com 7 anos. Segundo relatos da própria família, assim como de policiais e especialistas que foram averiguar os fenômenos que ocorriam na casa, objetos se moviam sozinhos (alguns chegando a levitar), ruídos aconteciam assiduamente, poças de água apareciam sem explicação, assim como o surgimento de incêndios esporádicos que também desapareciam sem deixar marcas. Os acontecimentos da residência de Peggy chamaram atenção da imprensa e tornaram-se um fenômeno na época e um mistério até os dias de hoje.

No primeiro Invocação do Mal, acompanhamos Edward Warren (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) a uma investigação em um local isolado e claustrofóbico. Na sequência, o terror desenvolve-se em uma casa germinada com presença de díspares residências adjacentes. A diferença de cenário é indubitavelmente clara, mas a forma que o terror é trabalhado permanece a mesma. James Wan apresenta a casa assombrada com um belo – e até longo – plano de sequência, mantendo a sua assinatura de saber como apresentar um cenário para o público em poucos minutos. Com isso estabelecido no início, fica extremamente fácil se identificar e entrar dentro daquela história, pois assim como Peggy (Frances O’Connor) e seus quatro filhos, também fazíamos parte daquele lar.

Edward Warren tenta entrar em contato com qualquer tipo de anomalia que vem atormentando a família de Peggy. A intermediária dessa comunicação é Janet (Madison Wolfe), a filha que seria o alvo preferido da entidade paranormal. Havia uma condição para que o diálogo pudesse iniciar: todos naquele âmbito teriam que estar de costas para Janet. A câmera foca no rosto de Ed, colocando-o em primeiro plano e deixa, em segundo plano, a garota Janet completamente desfocada. O plano em desfoque toma diversas formas ao longo da conversa, deixando oculta a presença maligna que divaga pela residência, trabalhando não somente o tipo de terror jumpscare, mas também o psicológico. Por essa sequência, assim como outras (temos até uma em primeira pessoa, remetendo a jogos de vídeo-game), que a fotografia dirigida por Don Burgess merece destaque. A parte técnica de Invocação do Mal 2 é louvável, a partir da direção de James Wan, da trilha sonora setentista, da excelente fotografia, dos cenários idênticos e até das ótimas atuações do elenco.

O enredo tem dois arcos muito específicos: um girando em torno do casal Warren e outro com a família de Peggy. Essa forma de mover a trama também foi usada de maneira sutil no primeiro filme, mas nesse torna-se essencial para que ela siga adiante, ou seja, um arco não pode se solucionar sem que o outro se solucione. Para alguns, pode tornar repetitivo e, consequentemente, ser um problema. No entanto, quando analisamos os bastidores e o caso real, torna-se totalmente plausível o porquê desse método. Invocação do Mal esbarra somente em três pontos, podendo incomodar uns e outros nãos. O primeiro deles é expectativa de ser um filme melhor que seu antecessor, porque não é. O segundo é tornar a forma personificada do terror, o espírito em si, em algo caricato. Após construir toda tensão psicológica e, quando finalmente podemos ver a figura paranormal responsável por todos os eventos da trama, vemos um personagem completamente destoante do tom do filme, eliminando toda sensação de medo. Isso, para algumas pessoas, pode estragar a experiência por completo. O terceiro e último ponto é: o casal Warren nunca investigou O Poltergeist de Enfield. Tudo que foi documentado e estudado sobre esse caso veio das mãos de Maurice Grosse e Guy Lyon Playfair. Para não dizer que eles não estão nessa história, os Warren foram até Enfield, mas não permaneceram um dia sequer e foram embora. Logo, o caso é real, mas nunca foi investigado pelos protagonistas do filme e só foi escolhido para ser produzido porque o estúdio não tem direito sobre outros casos investigados por Ed e Lorraine Warren.

Invocação do Mal 2 é um bom filme de terror que sabe como trabalhar, reproduzir e respeitar (em boa parte) histórias baseadas em fatos reais. James Wan mantém sua sequência com méritos, preservando seus pontos altos, experimentando novos métodos e o principal: contando uma boa história.

Crítica | X-Men: Apocalipse

A franquia X-Men, ao lado da franquia Homem-Aranha, foram as pioneiras no ramo de trazer os famosos super-heróis para as telas de cinema. Ambas possuem a sua marca histórica ao repaginar o cinema que conhecemos hoje: com filmes de heróis saindo a cada mês e com mais pessoas conhecendo um universo nerd extraordinário, independentemente da qualidade de cada obra. Bryan Singer foi o diretor que assinou os dois primeiros filmes dos X-Men, retornando somente em Dias de Um Futuro Esquecido e, agora, em Apocalypse. O roteiro do novo filme também é assinado pelo diretor e por mais dois nomes: Simon Kinberg e Dan Harris. Após tantos anos, os filmes da equipe mais adorada nos quadrinhos continuam com aquela sensação de altos e baixos; trazendo momentos ótimos que lhe colocam num patamar inigualável, e outros que lhe fazem querer abandonar a história e parte dos personagens apresentados (nesse caso, jogados).

A trama do filme baseia-se no ressurgimento de Apocalypse (Oscar Isaac), o primeiro mutante da Terra. Adorado e tido como Deus, ele governava com o auxílio de seus quatro cavaleiros que possuíam um único intuito: protegê-lo. Após sofrer uma traição, Apocalypse é aprisionado por milênios e é despertado nos anos 80 por um grupo de fanáticos ao seu culto. Seu retorno é sentido por todos os mutantes e, notando que o mundo se tornou um lugar onde armas e política governam, o vilão começa sua busca por seus novos cavaleiros para trazer ordem e liberdade aos seus filhos, os mutantes. A paz pregada pelo vilão será concretizada quando tudo que os humanos construíram for dizimado e refeito do zero por mutantes. Cabe ao Professor Xavier (James MacAvoy), Mística (Jennifer Lawrence) e seus novos X-Men a tarefa de impedir o carnavalesco Apocalypse e seus seguidores de implantarem uma nova ordem mundial.

A cena de apresentação do vilão é ótima e sobra elogios, pois traz um tom mais sério e violento que ele carrega (ou pelo menos deveria). Infelizmente, o único peso do personagem é nessa cena de abertura, e seu poder é demonstrado pela persuasão e no adquirimento de novas habilidades mudando seus olhos centenas de vezes ao longo do filme – e só. Oscar Isaac fez o melhor que pode por baixo de quilos de maquiagem e efeitos visuais. O roteiro de X-Men: Apocalypse desperdiçou um dos vilões mais ameaçadores da equipe, assim como falhou em trazer o devido carisma e importância aos novos personagens, também desperdiçando os ótimos atores do elenco e uma das melhores histórias dos quadrinhos. Seria a decisão mais acertada trazer o Apocalypse no início de um novo grupo, onde os personagens ainda não tem o peso que deveriam? A sensação de ameaça é nula tanto pelo mal desenvolvimento do antagonista como dos próprios protagonistas.

Um dos melhores momentos do filme é protagonizado por Erik Lehnsherr, o Magneto interpretado magistralmente por Michael Fassbender. Quando Bryan Singer oferece espaço para o personagem trazer toda sua carga dramática que motiva suas escolhas, Fassbender destoa e traz um dos melhores momentos do filme. Ladeado a este ápice de X-Men: Apocalypse, também temos uma gloriosa cena do Mercúrio (Evan Peters) ao som de Eurythmics – Sweet Dreams (Are Made Of This) e, para encerrar, um fan service do Wolverine (Hugh Jackman), mostrando o tom do seu novo filme que terá a classificação indicativa para maiores de idade. Fora estes momentos gloriosos, sobra um filme com problemas em apresentar personagens individualmente e em conjunto, já que trata-se de um filme de equipe. Os Quatro Cavaleiros do Apocalypse não tem profundidade e servem somente por razões existenciais de confronto explosivo no terceiro ato. Psylocke (Olivia Munn) – que foi aclamada no material de divulgação -, tem pouco mais de cinco falas e suas cenas de ação também são mal coreografadas e artificiais, assim como todo problemático terceiro ato.

X-Men: Apocalypse sobrevive por breves cenas gloriosas dentro de uma obra com mais de 147 minutos. Os picos altos conseguem lhe deixar na frenesi de “Eu quero ver mais disso!”, mas sua animação é cortada por arcos desnecessários que te levam ao cansaço mais rápido que uma Ferrari chegando aos 100 km/h. Então, ao sair da sala, permanecem algumas questões e uma certeza: a curiosidade de como poderia ser um filme bem feito dos X-Men; até que ponto a franquia viverá das glórias dos dois primeiros filmes e de seus céleres ápices carregados pelo ótimo elenco; e, a certeza de que esse filme é o sinônimo de desperdício.

Observação: na sessão de imprensa foi exibida somente uma cena pós-crédito.